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O Homem Com O Queixo Gigante

Como já disse há uns dias, Quentin Tarantino não é a praia (nem a bebida quente) de toda a gente. Deixem-me fornecer um exemplo.

Havia um rapaz na minha escola chamado Krishnun Guru-Murthy que era (e, tanto quanto sei, ainda é) um ano mais novo do que eu. Quando acabou a escola, foi contratado como apresentador televisivo. Leu as notícias e, mais tarde, entrevistou políticos e outras pessoas no centro das atenções. Em 2012, falou com o realizador sobre o seu então novo filme “Django Libertado*” no programa “Channel 4 News” e durante a conversa, fez uma pergunta sobre a violência nos filmes. Tarantino barafustou contra a linha de questões. O enorme queixo dele estremeceu de raiva. “Não quero falar disso. Este é um anúncio publicitário ao meu filme, não se engane”.

O apresentador continuou mas tornou-se muito óbvio que o realizador não estava acostumado ao estilo agressivo dos entrevistadores ingleses. Assumem uma postura adversária em vez de lamber o cu dos famosos. “Estou a encerrar o seu cu”** bradou (Hum, para ser sincero, esta frase não se traduz bem) “Não sou o seu escravo”. Que burrice.

Seriously, look at the size of that thing.

*According to Wikipedia this is the name on Portugal and its Django Livre in Brazil, but I’m told its more common to just use the original, English name.

**Obviously “I’m shutting your ass down” isn’t really a portuguese expression.

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Era Uma Vez Em Hollywood

Vi este filme de Quentin Tarantino hoje à tarde enquanto a aplicação que estava a utilizar no meu trabalho pulverizava os arquivos e borrifava-os dentro da base de dados.

Tarantino não é a praia de toda a gente* mas o filme é muito bom. É simultaneamente uma homenagem de Era Dourada** de Hollywood e um reconto ficcionalizado dos eventos de Agosto 1969, quando a “família” de Charles Manson assassinou Sharom Tate e alguns amigos dela.

Look, look, another blog post

* You don’t say “he’s not everyone’s cup of tea” (chave a de chá) you say “he’s not everyone’s beach” (praia)

** It’s era dourada for a golden age, but Idade do Ferro for the iron age. Yes, the capitalization matters.

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Capas

Sendo um leitor ávido*, subscrevo a vários canais que pertencem às editoras portuguesas nas redes sociais. Há editoras que fazem capas incríveis. Adoro as capas da Tinta de China e da Relógio d’Água. Mas além dessas, vejo muitas capas de livros ingleses que têm melhor aspeto na versão traduzida.

*My only mistake in this was leaving out an adjective, and, it sounds “um pouco coxa” – literally “a bit lame” – without one.

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O Longo Caminho

Thanks to Dani for the corrections

1

Eu e a minha filha vamos a pé para o centro de Londres amanhã. Há uma ligação por comboio mas preferimos levar “o pónei de Shanks” (Shanks’s pony = as nossas pernas) como dizemos em Inglaterra.

Books from Foyles, mostly
I love a story with a happy ending

2

Deixámos mais de 30 mil pegadas ao longo do caminho que segue o rio Tamisa. Chegámos na livraria à tarde e voltámos para casa com as malas cheias de livros.

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O Homem que Mordeu os Óculos.

O livro que estou a ler foi escrito por um belga. Pesquisei o seu nome e encontrei muitas imagens dele a chupar as ponteiras dos seus óculos . Este comportamento parece-me muito insólito. Não têm sabor nenhum; permanecem atrás das orelhas que é um lugar pouco limpo; ele não faria a mesma coisa com, por exemplo, um relógio de pulso ou um pente. Porque é que alguém acha esta postura transmite um ar pensativo? Isso é mais um mistério da vida.

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O Mar de Gelo – Ana Teresa Pereira

Ana Teresa Pereira - O Mar de Gelo
O Mar de Gelo

“O Mar de Gelo” conta a história dum casal boémio que mora numa cave em Londres. Clive é um dramaturgo que começa todas as peças bem mas a quem falta a paciência para concluir a obra da* mesma maneira. Katie é uma atriz igualmente mal sucedida.

Durante uma época de escasso emprego, os dois fazem um plano de que Katie passará o Inverno com um escritor que ela conhece. É mais conhecido e mais rico mas ao que parece não se lembra dela de todo. Ela arranja uma série de encontros “inesperados” para renovar o seu conhecimento e acaba por passar algum tempo no seu castelo arruinado.

Senti-me sem ligação nenhuma aos protagonistas e ainda por cima não achei que houvesse química nenhuma entre eles. Citam frases literárias um ao outro, mas será que Clive ama Katie? Sei lá. Katie ama Tom? Estou a encolher os ombros. A única combinação que a autora não experimenta é Tom x Clive. Talvez isso seja a grande paixão escondida neste livro. Toma nota, Ana, se pensares em escrever uma sequela.

*Surprising prepositions #8,912 – He lacks the patience to conclude the book of the same way, not in the same way. This is like the example on yesterday’s text so I should probably try and practise this one.

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Some Corrected Texts

As Nossas Escassas Reservas de Bondade

Acabo de defender um homem bengali que perguntou no r/Portugal se era* possível obter cidadania portuguesa, tenda um filho nascido em Portugal.

Havia outras pessoas a insultá-lo** de*** uma maneira pouca educada, portanto dei uma resposta mais animadora.

Mas depois constatei que o gajo era um troll e agora estou amargurado por ter desperdicido tanto esforço e tanta bondade com**** um idiota. Devia ter passado o tempo a fazer algo mais útil.

1969

Nasci em 1969. Nesse ano, os seres humanos pisaram a superfície da lua. Eu também queria ser astronauta mas acabei por ser consultor de informática que é a segunda melhor coisa*****.

*I wrote “fosse” but of course the question “can I obtain citizenship this way” is a question of fact, not a speculation, so it doesn’t take the subjunctive.

**I tried to be down with the kids by using the verb xingar, but it’s too Brazilian

***Surprising preposition use: of a way, not in a way.

****Another one: I wasted my effort with an idiot, not on an idiot.

*****Googling how to say “second best thing” I was told “melhor coisa seguinte” but this turns out to be wrong.

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A Febre dos Fenos

An account of recent afflictions with thanks to o_pragmatico for the correction. O Jacinto means hyacinth, by the way.

Hyacinth Bucket
The Other Hyacinth

A febre dos fenos é uma espécie de rinite provocada por pólen. Basicamente, é uma alergia. Antigamente não tinha tais problemas, até durante a Primavera,* mas recentemente fico cada vez mais um mártir… OK, estou a exagerar mas sinto uma coça no meu nariz de vez em quando, se o ar estiver cheia de pólen. Há 4 dias que estou com uma constipação**. Achava que era por causa dum vírus qualquer mas apercebi-me que os sintomas desaparecem quando estou na cama ou fora da casa e entendi que a origem da doença era o jacinto no vaso perto da televisão!

(two days later)

Ainda não deitei fora aquele jacinto. Gosto mais de flores do que respirar.

*I’m a bit slapdash in my use of commas, even in English, but I often get picked up on them in my Portuguese texts and I suspect this is something you’d be judged for in written portuguese, much more more than you would in English.

**This will never not be confusing to me but in case you don’t already know, constipação usually means a blocked nose in Portuguese. It can mean the other kind of constipation too of course but not usually.

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“Leiria”

Ouvi falar duma terra mítica, tipo Atlântida ou Tir Nan Og*, chamada “Leiria”. Assim como a Atlântida, esta localidade ficcional faz parte, segundo as lendas, de Portugal. Há quem acredite que a ilha de Atlântida ficava no meio do oceano Atlântico (daí o nome!) e que quando afundou, as montanhas mais altas do território permaneceram acima das ondas, formando os atuais Açores** (ou por outro lado, Madeira) mas no caso de Leiria, os adeptos da “Nova Idade” defendem que o território existia na atual Baía de Santarém. Infelizmente não existem provas nenhumas que dêem sustentação a esta hipótese, portanto ninguém acredita nela exceto uns teoristas de conspiração e uma mão cheia de cripto-geógrafos.

Leiria Não Existe
If you believe in Leiria then how do you explain this?

This is just a silly joke of course. There’s a meme that Leiria (a town and a region north of Lisbon) doesn’t exist. You can find plenty of examples if you Google “Leiria Não Existe”. Tbh, I haven’t the foggiest idea why this joke came about or why Leiria and not some other random town, but it just do happens that I’m reading a comic about Atlantis at the moment, in which the heroes find the lost continent while staying in the island of São Miguel, so it seemed fun to merge the two ideas like this.

Thanks to o_pragmatico for the correvtioms.

*WTF? I just looked this up and it’s being spelled Tir Na nÓg now. When did that happen? Must be a Scots Gaelic vs Irish Gaelic thing, I assume. I’d never seen it written that way before though. Meh, Van Morrison spells it my way so the rest of you are just wrong!

**Os Açores – the archipelago not As Açores (I was thinking ‘as ilhas’)

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The Mad(eira) Hatter

Thanks to Dani for the corrections on this short post about Barretes de Vilão

Barrete de Vilão
Barrete de Super-Vilão

Acabo de falar com a minha cunhada que voltou ontem da Madeira onde esteve durante alguns dias enquanto renovava o passaporte. Durante a sua estadia, disse ela, comprou um “barrete de vilão”. Já tinha ouvido falar de um chapéu madeirense chamado carapuça, mas isto era uma nova informação*. Pesquisei o nome e encontrei algumas fotos de uma espécie de gorro cinzento de lã grossa com dois apêndices que cobrem as orelhas (por isso são também conhecidos por ‘barretes de orelhas’) e uma borla no topo. A minha esposa riu-se “Boa sorte em traduzir ‘vilão’!” Mas não é assim tão difícil. A palavra quer dizer um pobre do campo. É cognata com uma antiga palavra inglesa – “villein” que também se refere a um camponês. Ao longo dos séculos, villein passou a ser ‘villain’ e adquiriu um significado mais ignóbil, como um criminoso** e daí falamos de super-villains. Tanto quanto sei, o Thanos não possui um barrete de vilão com jóias do infinito, tricotadas na borda.

*I wrote “uma nova peça de informação” but this is redundant,

**Not “criminal”. I wrote that but that’s basically an adjective… OK, it can be a noun but it doesn’t mean what criminal means in English.