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Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses
Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses” é um livro de Joana Amaral Dias. Além de ser um livro e um audiolivro, o texto foi lançado como podcast e foi assim que o ouvi. A capa do livro tem uma foto dum rosto escondido por uma máscara de hóquei, tipo Jason Voorhees dos filmes “Sexta-feira 13” , mas não é um desses romances de terror que descrevem crimes de tal forma bizarros e ultrajantes que existe uma espécie de diversão perversa, entrelaçada com o choque de assassinatos tão assustadores. Em vez disso, trata-se de histórias de “crime verídico” mais quotidianas. Os contos abordam casos de pessoas que matam por causa de ciúmes incontroláveis, ou simplesmente por cobiça por dinheiro. Até há pessoas com doenças mentais (sem ser psicopatia) que matam elementos das suas próprias famílias de modo sórdida e nojenta. Acho que os fãs deste género podem gostar desta obra. Já eu, nem por isso. Achei-o ligeiramente deprimente e fiquei aliviado quando cheguei ao fim.

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Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro

Continuando a minha leitura do “Ser Português” de Frei António (António Lameira) cheguei ao quarto capítulo, cujo título é “Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro”. O autor afirma que os portugueses têm um medo, incutido pela Igreja, que os fez conservadores. Mas ao mesmo tempo, têm uma vontade forte de explorar. Em resultado disso, “quando se está fora, sente-se a saudade, mas quando se fica, também se sente a saudade de querer partir”.

Como sempre, o autor fornece vários exemplos destas tendências: Santo António, que perseguiu os albigenses por serem heréticos e Oliveira Salazar que ainda projeta uma sombra sobre o país. Também cita o gosto de bacalhau salgado, a rotina diária e a preferência por sapatos pretos.

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A Manha Mais Uma Vez

Following in from the post from a couple of days ago

Para ilustrar o capítulo sobre a manha (sobre o qual escrevi há dois dias) António Lameira oferece alguns exemplos: o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira por ter ficado calado durante uma época de ditadura e opressão do povo, Aníbal Cavaco Silva, cuja presidência foi, na sua opinião, manchada por corrupção em relação a um banco. (o BPN, presumo?)

Também escreve sobre duas coisas menos polémicas: a alheira e o pastel de bacalhau: a primeira porque foi inventada pelos judeus para enganar os católicos que os queriam os perseguir, e o segundo porque se trata dum método de esticar uma quantidade de bacalhau até que quase não exista. Frequentemente é nada mais do que batata, salsa uma memória de escamas.

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A Manha

Here’s a text based on the second chapter of “Ser Português” by António Lameira, aka Frei António. Thanks to Dani Morgenstern for the correction

Seguindo* o livro “Ser português” um aspeto do caráter nacional é a manha e a “chico espertice”. No âmbito deste traço de personalidade pouco simpático, o autor, António Lameira descreve “a desconfiança, a gabarolice, o medo do ridículo, a promessa religiosa, a inveja e o medo latente de algum mal.” O Lameira culpa estas características por vários problemas do passado (a ditadura, a inquisição) e atitudes modernas que, se eu as descrevesse, acho que pareceria ligeiramente “lusofóbico” mas suponho que ele sabe do que está a falar. Diz que o verbo “amanhar-se” (resolver uma situação através de um truque, um engano ou até por métodos ilegais) é uma dessas palavras que não tem equivalente noutras línguas.

Pois, pode ser, mas acho que essa falta de ética é um aspeto da natureza humana. Ainda que haja uma forma, ou um “sabor” específicos dos** portugueses, se está a implicar que vocês são os únicos que se comportam assim, seria um retrato pouco elogioso do país!

* Another habitual mistake I make is using “seguindo” in place of “segundo” as equivalent of “according to…” Seguindo means “following” so it seems like a better fit than segundo (“second”) but no, segundo is the word to use.

**One of those surprising prepositions: specific of the portuguese, it specific to them!

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Exames

A minha filha está a meio* da época de exames. Estes exames são uma espécie de ensaio para os exames da próxima primavera, os mais importantes da sua escolaridade porque determinam quais universidades a aceitarão. Ontem, fez o primeiro exame de informática; hoje, tem o primeiro teste de francês e amanhã vem aí o (único) exame de filosofia.

*I keep trying to use the phrase “em meados de…” in situations like this. I’ve come across it in the context of history where it’s used to describe (in a very vague way) the middle of a period, like you might say the second world war tool place in the middle of the twentieth century say. You can also use it to describe the mid part of a book, so using it here to describe her being in the middle of her exam period was a bit off. Here’s the priberam entry for meado. I could also have used “em pleno época de exames”.

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Sobrevivi

Fui ontem ao segundo dos dois eventos dos quais falei há uns dias. Foi a festa de aniversário duma amiga da minha esposa. A aniversariante arrendou um clube de barcos à vela e contratou uma banda que tocou músicas principalmente dos anos oitenta (mas com umas mais recentes pelo meio)

Antes da festa, senti-me como se fosse um condenado mas claro que uma perspetiva negativa não ajuda ninguém, portanto fiz um esforço para pensar de modo mais positivo e, para resumir uma longa história, curti a festa. Dancei como um cromo com todos os contabilistas, comi várias coisas desconhecidas. Foi uma noite divertida.

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Finalmente o Verão

Finalmente o Verão, escrito por Mariko Tamaki e ilustrado por Jillian Tamaki

(Hum, alguém que lesse este título logo depois do de ontem podia ficar com a impressão de que as estações se sucedem repentinamente aqui em Inglaterra, mas não, como vão ver, o texto de hoje é uma opinião sobre um livro)

Finalmente o Verão” é uma banda desenhada canadiana, escrita por Mariko Tamaki e ilustrada por Jillian Tamaki. Comprei. Existe uma tradução portuguesa e comprei-a na loja da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O livro conta a história de duas meninas que passam sempre as férias do verão numa aldeia perto da praia. Este ano, Rose, a mais velha, chega com a família e vai ter com a mais nova, Windy à casa dela. Exploram os arredores da aldeia, nadam no mar e conversam.

Mas este ano, está tudo subtilmente diferente porque as raparigas estão a aproximar-se da adolescência. Querem alugar e ver filmes de terror (que lhes dão muuuuiiito medo!) e falam com ansiedade de como os seus corpos se vão desenvolver (“Ha ha – peeeeeiiitos! Mamocas! Mamonas! Olha para estes melões tão sexy”). Mas além do humor, há um lado mais sombria: há um grupo de jovens mais crescidos (de 17-20 mais ou menos) que moram lá. Quase não reparam nas meninas mas as meninas veem e ouvem as suas conversas. Uma rapariga ficou grávida mas o (provável) pai do bebé não quer saber. Ainda por cima, a mãe de Rose está muito triste, até deprimida, por razões que nem Rose bem o pai compreendem completamente.

É uma história agridoce de que gostei bastante.

(Foyles sometimes has portuguese copies of popular graphic novel but they seem only to have the english version which is here if you’re curious)

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Vem Aí o Inverno

A series of three linked texts, with thanks to Dani Morgenstern for the corrections.

Vem aí o Inverno

Song of Gifts and Turkey

Mal consigo a acreditar que a época natalícia está a aproximar-se. É mesmo verdade: chega cada ano mais cedo.

Compras Natalícias

Eu e a macaquinha fomos ontem ao centro de Londres comprar presentes para os nossos familiares e amigos. Tornou-se uma tradição começarmos a fazer as compras em Novembro, juntos. A minha esposa não gosta do Natal tanto quanto isso, mas nós os dois temos entusiasmo suficiente pela família inteira.

Colleen Aspirador

Quando estávamos a fazer as compras natalícias no sábado, a minha filha queria comprar um livro de Colleen Hoover porque uma amiga dela gosta dessa autora, mas a Olivia odeia-a (diz “Hoover Sucks” que é muito engraçado em inglês mas não faz sentido nenhum em português). Seria uma vergonha ser vista com um livro tão cliché!

De qualquer modo, tivemos uma longa conversa e, para resumir, concordei que eu faria a compra enquanto ela ficava à espera à porta da livraria. Ri-me.

Acho que a funcionária viu o livro a passar de mão em* mão porque ela sorriu e olhou para mim pelo canto do olho e perguntou “Então… É** um grande fã de Colleen Hoover?

Agora estou muito curioso.

*One of those surprising preposition uses in portuguese. “From hand to hand” becomes “from hand in hand”

**I used “és” here but the correction swapped to the more polite form with a note “a não ser que tenha andado com a senhora na costura, nesse caso podem tratar-se por tu”. I hadn’t heard “andar na costura” before and I can’t find it online but (EDIT – When I first posted this, the explanation here was completely wrong: this is the explanation straight from the horse’s mouth) it’s just like “andar na escola” – to go to school with someone. If someone is addressing someone in an overly familiar way, less informal speakers might draw their attention to it by asking if they went to school together, or were in the army together, or (in this case) were members of the same sewing circle.

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Compostagem

Deixai de ter invejo dos meus sapatos elegantes. Esta imagem ilustra o método de criar composto

Todos os anos, coloco as minhas borras de café, ervas daninhas, e folhas mortas numa pilha para as minhocas comerem para que, na primavera seguinte, eu tenha montes de composto. Mas ouvi falar duma outra maneira mais científica. Dizem que, se puser pequenos pedaços de madeira na pilha de compostagem, a mistura aquecer-se-á, por causa das bactérias lá dentro e isso resultará em composto de qualidade superior. Vou experimentar.

If you’re in the mood to learn more about gardening, here’s a relatively slow, relatively clear video about it in european portuguese

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Introvertido

Two texts about how binary maths is more fun than parties. Thanks as always to Dani for the corrections

Introvertido.

Fui convidado para* duas festas esta semana mas não gosto de pessoas assim tanto. A primeira é uma festa para celebrar o fim do meu projeto e a segunda é a festa de anos (50!) de uma amiga da minha mulher. Nossa senhora dos introvertidos, ajudai-me!

Introvertido
Eu a ver outros a socializar

Matemática Binária

Matei aulas** – ou seja, matei festas – e fiquei em casa com a minha filha em vez de beber cervejas com as minhas colegas. Ela precisou da minha sabedoria. Tem um exame de informática daqui a uns dias mas não entende o sistema de numeração binária com “vírgula flutuante”.
Não estava a brincar ontem quando disse que odeio passar tempo com outras pessoas: antes ensino matemática binária a uma adolescente rabugenta!

*Apparently, with convidar, the rule is that if you’re invited to a thing its para, but if you are invited to do do a thing its a. So “Convidado para uma festa” but “convidado a comparecer”

**Meaning “bunked off”. I definitely learned this expression from a portuguese woman who couldn’t stand brasileirsmos (and wasn’t particularly nice about Brasileiros, come to that) but apparently it is a Brazilian expression. I should have said “baldei-me”