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Uma Corrida

Tenho tentado muitas vezes recentemente correr 10 quilómetros dentro de uma hora, mas em corrida após corrida os meus tempos tenho andado do lado errado da hora. Pois, tenho meio século*. Quiçá não deva estar assim tão chocado com** o meu declínio!
Mas enquanto há vida há esperança. Ontem finalmente atingi o meu objetivo. Depois de passar 5 semanas a treinar e a evitar hidratos de carbono e de ter perdido quatro quilogramas, fiz mais uma corrida num parque, à*”” chuva e cruzei a meta em 57:05. Muuuuiiito mais rápido do que o normal. Fiquei tão orgulhoso. Ainda há vida nestas pernas velhas.

(quando os organizadores deu me o meu número pessoal, foi 666. Que susto! Espero que a minha vitória não seja devida a Satã)

*=Tenho meio século sounds better than tenho um meio século – I have half century = I’m half (a) century old.

**=chocado com is another of those situations where the preposition isn’t what you expect. It’s “shocked with” not “shocked by”

***=and another! At the rain, not in the rain.

I got my clock time about 5 days later and it was even better! Under 56! Hail Satan!
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Lara Martins

I thought I’d published this ages ago but then when I went to look for it I couldn’t find it, so here you go, slightly late. It’s a two-parter. I wrote one text before the concert and a second after. There are notes at the bottom about some of the corrections

Lara Martins at St Paul's Church Covent Garden
Lara Martins at St Paul’s Church Covent Garden

Hoje à noite (à hora de jantar, especificamente*) haverá um concerto da Lara Martins na igreja de São Paulo em Covent Garden. A Lara é uma atriz e cantora que protagonizou a Carlota no espectáculo The Phantom of the Opera (o Fantasma da Ópera) durante muitos anos. Uma vez que sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa cá em Inglaterra posso entrar sem pagar (mas paguei na mesma com uma doação porque os teatros precisam de dinheiro depois da pandemia)
A cantora vai apresentar o seu novo disco, “Canção” no qual ela canta duas músicas de Daniel Bernardes, as Treze Canções de Amor de Camargo Guarnieri (também em português pois é brasileiro) e mais quatro (quatro!!!) em espanhol, escritas por um argentino chamado Astor Piazolla. Vou levar alguns trapos comigo para enfiar nos ouvidos** e tapá-los quando ela cantar noutra língua.

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Fui ver um concerto ontem à noite. Cheguei cedo ao*** centro da cidade e andei à procura de comida. A certa altura****, durante este processo de obter alimentos, perdi o meu livro mas não me apercebi do vazio no meu bolso até mais tarde.
Enquanto um rato ia mordiscando o meu livro perdido num beco qualquer eu cheguei à igreja onde encontrei uma mulher diante da porta. Era a própria Lara Martins!
O concerto foi fixe. Ela cantou com o compositor Daniel Bernardes, entre outros. Fiquei tão feliz por estar num evento público assim com outras pessoas (apesar de sermos poucos e estarmos bem separados!) Foi organizado pela sociedade Anglo-Portuguesa. A voz da Lara***** é incrível, a música bonita, e a igreja/sala de concertos lindíssima.

* =Meh, well it was my dinner time, although the corrections pointed out that Portuguese people tend to eat later, and restaurants open later, so if you arranged to meet “at dinner time” you’d probably miss each other by an hour or two.

**=I wrote “nos meus ouvidos” but you have to say “stick them in the ears” not “stick them in my ears” in Portuguese

***=Another unexpected preposition change: I always want to arrive in the centre of town but in Portuguese you arrive at the centre of town.

****=I wrote “algures” like we might say, in a slightly informal style, when describing a series of events “somewhere in there I lost my book”. I should have known this would be wrong.

*****=I wrote “a sua voz” but of course, the way Portuguese possessive work, it sounded like I was saying “the Anglo Portuguese Society’s voice” because it follows straight after a sentence referring to the organisers. I can’t even fix it by saying “a voz dela” because society is feminine and singular too. Gah! I suppose I really should have got my thoughts in better order, but failing that, I just have to be more specific and say “Lara’s voice”

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Prazer, Camaradas

Quite a long text, this. I split my review up over three days. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections. I’ve put quite a few footnotes at the bottom where the mistakes were interesting enough to warrant it.

As you’ll see in the text, I had quite a bit of trouble getting hold of a copy due to the only online supplier, FNAC, refusing to guarantee delivery due to the supply chain mess we have referendummed ourselves into, so if you’re in the UK and interested in this, you might have to wait a while.

Tive oportunidade de ver este filme num festival de cinema português há dois anos mas estava doente. Logo depois, chegou a covid e a estreia do filme foi andou adiada*. Finalmente, quando reabriram as lojas online, havia problemas com as encomendas internacionais nesta ilha parva.
Enfim, depois de tantos obstáculos, a minha sobrinha (que é muito simpática) entregou-me uma cópia** depois de fazer férias na Madeira.
Tenho tantas coisas para dizer! Mas não quero sobrecarregar as professores, portanto irei escrever mais amanhã e provavelmente fico com alguns pormenores até o dia a seguir***!

O filme que mencionei ontem conta a história de um grupo de estrangeiros que chegam a**** Portugal em 1975 para participar na criação de uma melhor sociedade depois da queda do Estado Novo. São marxistas e passam o verão numa quinta cooperativa. Os protagonistas apresentam-se no início do filme. “O meu nome é Mick e tenho 18 anos” diz um idoso de sessenta e tal anos, e os outros também se declaram “jovens” de grande idade. Fiquei curioso, mas acontece que os realizadores tomaram a decisão de usar habitantes da aldeia, agricultores das cooperativas e até uns estrangeiros que realmente fizeram a peregrinação ao centro da ação pós-revolucionária. Portanto, cada pessoa na tela tinha cabelos cinzentos mas protagoniza a um jovem radical e idealista*****. Além disso, utilizam iPhones e não há tentativa nenhuma de recriar o mundo dos anos setenta. É uma ideia gira, com resultados mistos. Mas vou escrever mais amanhã!

A filme tenta esboçar as atitudes dos portugueses e dos estrangeiros e das****** pessoas de diversas gerações em relação ao sexo*******. Naquela época, a Europa estava em plena revolução sexual mas Portugal tinha sido reprimido por um governo conservador e por uma igreja que andava de mãos dadas. Os estrangeiros trabalham nos campos (mesmo que sejam fracas, comparados com os camponeses) e trazem com eles a cultura da igualdade dos géneros e do amor livre.
Às vezes, este contraste entre culturas é iluminador ou até engraçado, sobretudo quando o idealismo dos jovens faz parte do diálogo. Por exemplo, há uma cena em que três estrangeiras aparecem num sonho dum jovem marxista (um jovem com barba grisalha!) Afagam os seus próprios seios ao tentar seduzi-lo.
“Fumo, Pedro, não só em casa mas na rua e no mercado também.”
“Não há melhor método de mudar as relações de produção do que beijar em público e fazer muito amor”.
Infelizmente, há cenas um bocado menos efecazes e até embaraçosas, mas isso não me importa muito. Adorei o filme e fico contente por tê-lo visto.

*adiado (delayed) not atrasado (late)

**I used the word “exemplar” which is the word I usually use for a copy of a book but although not fully wrong, “cópia” was given as a suggested improvement in the context of a film.

*** O dia a seguir (the day to come) not o dia depois (the day after)

****They arrive “a Portugal” not “em Portugal”. A good example of an unexpected preposition change between languages. We would definitely arrive in Portugal, not at it.

*****I started off translating, in my head “each one… Had grey hair but they portrayed…”. But in Portuguese you don’t tend to use the “they”, so this shift from singular to plural in the same sentence doesn’t really work, and my “protagonizavam jovens radicais…” got switched to “protagonizava um jovem radical…”.

****** I keep making this mistake. In English we would say “of the Portuguese and the foreigners but in Portuguese it has to be” of the Portuguese and of the foreigners.

******* it would sound weirdly formal in English but the “em relação” is necessary here.

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Uma Carta de Reclamação

Writing letters of complaint is a popular exam exercise. I’ve pinched a couple of phrases from a C1-level example, highlighted in the text

                    Londres, 5 de Outubro 2021

Assunto: Apagão* do site

Exmo Sr Zuckerberg

Venho por este meio*” apresentar uma reclamação relativa ao assunto em epígrafe***. Ontem, tentei entrar no seu site, Facebook, para ver memes sobre gatinhos mas o site estava em baixo. Ao falhar desta tentativa, dirigi-me ao Instagram mas isto também não deu êxito. Fui forçado a falar com a minha própria família e a ouvir as opiniões da minha esposa e da minha filha sobre o Squid Game.
Fiquei com marcas mentais que provavelmente nunca se curarão.
Devido a esta situação, gostaria de ser ressarcido pelo honorário do meu psicanalista e uma indemnização por danos causados. 2 biliões de dólares deverão ser suficiente.
Sem outro assunto de momento e aguardando uma resposta da vossa parte****
Com os melhores cumprimentos
_________

* “Apagão” “em baixo” are phrases I pinched from recent news articles but I don’t think the terminology is very fixed. The marker changed the latter to “tinha ido abaixo” But I’ve left it as it was since I guess the Jornal de Notícias has its reasons.

**This phrase is something like “I hereby”. Super-formal, obviously.

***This is referring to the title line so only works if you’ve written a subject at the top of the letter

****More formal boilerplate – Not having anything further to say and awaiting a reply in your part.

Zuckerberg reacting to a letter of complaint
The recipient reacts to my complaint letter

My wife tells me people really do write in this sort of formal style. Probably not about cat photos, but still…

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Segue o Teu Destino

Translating one of the poems I’ve been learning. It’s by Ricardo Reis, one of Pessoa’s Hetronyms. I found it a bit inspiration-postery at first but it’s really grown on me, especially the last two lines of the first verse and the last two lines of the last:

Portuguese versionTranslation
Segue o teu destino.
Rega as tuas plantas.
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De Arvores alheias.
Follow your destiny
Water your plants
Love your roses
The rest is just the shadow
Of other people’s trees
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Reality
Is always more or less
Than we want
We alone are always
Equal to ourselves
Suave é viver.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
It’s easy to live
It’s great and noble always
To live simply
Leave pain on the altar
Like a votive offering to the gods
Vê de longe a vida.
Nunca interrogues.
Ela nada podes
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Look at life from afar
Never question it
It can’t tell you
Anything. The answer
Is beyond the gods
Mas serenamente
Imito o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
But serenely
Imitate Olympus
In your heart
The gods are gods
Because they never think of themselves
Posted in English, Portuguese

Robert Dinheiro’s Waiting, Talking Portuguese

I’ve been looking at words related to money and I’ve put together some short paragraphs that use them in context

This has absolutely nothing to do with the text, I just like puns, OK?

Os meus vizinhos oferecem alvíssaras (a reward) a quem forneça informações sobre o seu cão que desapareceu no domingo passado.

O governo já aumentou os impostos (taxes) apesar de ter prometido não agravar a carga fiscal (tax burden).

O meu contabilista (accountant) pratica honorários (professional fee) muito altos mas vale a pena

Além da propina (tuition fee) que pagava à universidade tinha de pagar uma joia (subscription fee) ao clube Marxista e manter a minha quota (periodic membership fee) em dia. Caso contrário, eu ficaria “cancelado”.

O meu avô recebe dividendos (dividends – not a hard one to guess, that!) modestos* cada ano em resultado dos seus investimentos (investments – another easy one!) . Comprou um por cento das ações (stocks. I’ve seen “títulos” and “papéis” used in this context. See here for example) duma empresa chamada “Apple” em 1978 e os lucros (profits) do seu capital cobrem as despesas (expenses) da sua humilde mansão numa pequena ilha privada no mar das Caraíbas.

A minha filha ganha (earns) bem com o seu serviço de ama mas vive connosco sem pagar renda (rent free: renda can also mean “income” in other contexts as well as rent). É rica. Penso em pedir-lhe um empréstimo (loan) mas a taxa (rate) de juros (interest) que ela aplica é bastante alta.

Depois de receber uma indemnização (compensation) do meu empregador, fui ao banco fazer um depósito (deposit, obviously) e depois à tasca praticar o levantamento do copo.

*This useage of “modesto” to describe something as small and unshowy, is not actually given in the dictionary but seems to be used as in English alongside the more normal use of modest to mean a person who is not boastful.

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A Pessoa Mais Inteligente que Conheço

Jeeves and Me

A pessoa mais inteligente que conheço é o meu mordomo, o Jeeves. A sua cabeça está inchada por causa do seu cérebro gigante. Acho que a sua inteligência vem de comer tanto peixe.
Infelizmente, apesar de ser o meu empregado, às vezes o Jeeves utiliza aquela inteligência sobrenatural para influenciar a minha vida. Há algum tempo, comprei um fato branco. Quando desfiz as malas, o Jeeves viu o fato. Levantou* uma sobrancelha como que me pedindo** “O senhor tem certeza?”. Um sinal ameaçador, sem dúvida. Eu sabia que deveria devolver o fato***. Caso contrário****, o Jeeves teria provocado um incidente envolvendo a minha tia Dahlia, o seu cozinheiro, um jarro prateado e uma carta roubada para fazer a minha vida um pesadelo. Fiquei com coração despedaçado porque adorava aquele fato, mas convém andar conforme os seus conselhos.

*Levantou, not levou

**A good expression involving a gerund: “as if he were asking”

***I put the words “para a loja” on the end of this sentence but you only need devolver. The rest is redundant. Where else would he be devolvering it to?

****I have a list of words and phrases that Portuguese people use a lot and that I always forget about because they are so different from the way we say things in English and I try to slip them into texts whenever I can. This is the first ever outing for this one. We don’t say “in the contrary case” in informal English conversation, but this is basically equivalent to a phrase like “otherwise” or “or else” and I hear it fairly often when I’m listening to podcasts and whatnot.

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Toutinegra

Toutinegra, uma banda desenhada portuguesa

Toutinegra é uma banda desenhada portuguesa escrita por André Oliveira com ilustrações de Bernardo Majer. Conta a história de duas crianças de nove anos que moram numa aldeia esquecida. A mãe adoptiva do menino é uma louca que provocou um acidente de carro que causou a morte da mãe biológica dele e a quem, por alguma razão que não compreendo é permitido ficar com o bebé que ela encontrou no carro.

Os dois encontram uma criatura negra num moinho abandonado na floresta que “traz más notícias” a quem vai morrer ou a quem vai perder alguém. A influência da criatura inicia uma série de eventos trágicos. Gostei do estilo e dos desenhos (bastantes simples e ingénuos) mas acabei por não me sentir satisfeito com a história. Quase deu em êxito mas… Sei lá… Ficou muitas coisas* por explicar e o enredo parece um pouco rebuscada e incompleta.

*This is a weird one. A lot of people will just say “muita coisa” in spoken portuguese, just like “muita gente”, or like you might say “a lot of stuff” in English. But it is meant to be plural according to Ciberduvidas.

Posted in English, Portuguese

Some more corrected texts

Here are a few more texts from the Writestreakpt subreddit with some notes. Thanks as ever to Teafvigoli and Dani Morgenstern for the corrections.

First off, James Bond. It’s my second time writing about this topic. I’m obviously obsessed. I should start a campaign. #jamesBondSoOld

Streak 007
Na minha voltinha pelas avenidas do Twitter nesta madrugada outonal, percebi que estamos novamente a falar sobre a questão de atores negros (como o Idris Elba) a protagonizar personagens brancos (como o Comandante James Bond do serviço secreto)

Sou velho e falta-me a paciência para os apoiantes* dos dois lados desta questão:
Por um lado: "Olha pá, os livros (que já li, acredita!) descrevem um homem branco. É branco"
Por outro lado: "O público é cada vez mais jovem e cada vez mais diverso. Precisamos de um Bond jovem e mais (gay/femino/negro/qualquer group demográfico)"

Sou fã de livros e até certo ponto concordo com o primeiro grupo. Mas eu realmente li alguns livros de Ian Fleming e sei que o protagonista tinha lutado na segunda guerra mundial antes de se tornar espião. Em 2021 o gajo deve ter mais de 100 anos! Portanto este raciocínio de vamos-seguir-os-livros só faz sentido se os filmes todos se desenrolassem nos anos cinquenta/sessenta. (E eu asistiria a um filme desses! Soa fixe!)
Entretanto sugiro que os novos filmes tomem uma nova direção. Deixemos o Bond em paz para usufruir da sua reforma. Criemos novos agentes de géneros e raças diversas e vamos aproveitar algo novo!

*=i originally wrote “para os dois lados” and it was corrected to “para ver os dois lados”. Hm, OK, I guess my original wording isn’t good Portuguese but the second one isn’t quite right: it’s not that I don’t have patience to see the argument from both sides, I’m just annoyed by the way the question gets turned into a sort of litmus teat of patriotism vs iconoclasm. So I changed it to “don’t have patience for the supporters of either side”. I hope this is better but I haven’t gone back to pester the person who made the corrections.

The next uses a sentence I found in my book as a model, trying to make new sentences in the same format, using the “gerundio”

Três frases segundo um modelo

Modelo
"A lua cheia abraçava o rio Tejo, projectando sobre ele tons frios e leitosos" (c19, "Anjos" de Carol Silva)

1

"A luz do sol banhava as árvores, iluminando-as e fazendo abrir as primeiras flores da primavera"

2

"A terra abanava furiosamente, abalando as torres do castelo e partindo as paredes de Lisboa"*

3

"O chefe gritava de raiva, borrifando os funcionários todos com saliva**"

*Although this isn’t wrong the corrector suggested “fazendo ruir os muros”. Parede does mean wall but it’s just a wall dividing one room from another inside the house, whereas muro is the wall dividing inside from outside: so the external wall of a house, a city wall, the Berlin Wall. Ruir means crumble, so it’s a good one in this context.

**also not wrong but got another suggested change: “cobrindo os funcionários de gafanhotos”. This is intriguing – so gafanhotos means grasshoppers but can also mean flecks of spit? Not according to priberam or the Dicionário Informal but I did manage to track down some examples like here for example. Excellent! I’m definitely using that at the next chance I get! “Baba” is a less formal word for drool/saliva too, so I probably should have thought to use that.

Jonathan Groff as King George III drool-singing
Cobrindo os revolucionários de gafanhotos
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Aristedes De Sousa Mendes

Acabei de ler um texto sobre Aristedes De Sousa Mendes. Nunca ouvi falar dele. No início da segunda guerra mundial, era cônsul português em Bordéus na França. Quando a invasão de França começou, milhares de refugiados, incluindo um grande quantidade de judeus, apresentaram-se no seu consulado.

Aristides de Sousa Mendes do Amaral Abranches
Aristides de Sousa Mendes

Naquela altura os governos de Portugal e da Espanha foram ditaduras e apesar de serem neutros, compartilharam alguns valores em comum com os Nazis e não queriam admitir pessoas apátridas em fuga do exército alemão. O senhor De Sousa Mendes afirmou que “Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus” portanto ele com a ajuda da sua mulher um filho e mais um funcionário passaram três noites a emitir vistos e a carimbar passaportes.

O cônsul foi demitido no final, e faleceu uns anos depois em obscuridade e cheio de dívidas mas nos anos setenta, depois da revolução, foi reintegrado no corpo diplomático a título póstumo. Foi elogiado pelo heroísmo que ele mostrou naquela hora negra, durante a qual seja estimado que ele tenha salvo as vidas de cerca de 13000 judeus e mais 27000 refugiados.