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Desvio – Opinião

Não sei porquê eu gostei tanto deste livro. Conta a história de um adolescente que fica em casa enquanto os seus pais vão de férias. Durante a semana, este rapaz fuma muito, joga videojogos, olha filmes com a tia dele, e pensa. Como a maioria de adolescente sensíveis, anda “à espera de qualquer coisa que eu não sei o que é” e confesso que eu achava a sua narrativa estranhamente tocante apesar da arte de baixa qualidade e apesar da falta de enredo. Dou-lhe quatro estrelas por qualquer razão que eu não sei o que é.

https://m.facebook.com/planetatangerina/videos/568374000498332/

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Leandro, Rei da Helíria – Alice Vieira

Leandro, Rei da Helíria

Comprei este livro sem perceber que não era uma história original de Alice Vieira. Já li 3 livros dela e esperava de algo mais ou menos semelhante. Mas logo que comecei a ler, fiquei com um a impressão de ter lido esta história anteriormente: um rei que quer abdicar ao trono, e que decide ceder o reino às suas três filhas. Antes de fazer a decisão, ele pede declarações de amor de cada uma. Duas filhas oferecem elogios muito floridos mas a terceira…

Espera lá! Conheço esta história! Li a descrição na contracapa e, como já adivinhei, a história é baseada numa peça de teatro de Shakespeare. A autora fez algumas mudanças. O Rei Leandro é uma história mais leve, até engraçada, e apropriada para leitores juvenis mas tem um enredo que muitos leitores adultos provavelmente conhecem.

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Margarida Espantada – Rodrigo Guedes de Carvalho

Margarida Espantada

Ouvi falar deste livro através de alguns canais de booktube. Confesso que, logo no início, mal consegui lembrar quem era quem, mas por acaso, vi um vídeo do canal “A Mulher que Ama Livros” que explicou tudo, e depois não tinha mais problemas! O livro lê-se bem, com capítulos curtos, e sem frases compridas nem gramática tortas (por esse razão, recomendei o livro para um estudante da língua portuguesa no CaraLivro). Trata de uma família com os seus segredos, as suas trevas. Deste mistura de personagens pouco simpáticas, surge um tipo de thriller psicológico com muitos desvios para vários tópicos interessantes. Li o livro e ouvi o Audiolivro em paralelo e gostei muito.

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1890: Portugal, Uma Retrospectiva – Opinião

Recebi este livro como oferta de uma amiga. Fiquei muito entusiasmado como a ideia de o ler porque tenho um projecto intermitente de aprender a história do país.

Ler este livro nos dias de hoje, durante os protestos contra (entre outras coisas) estátuas de pessoas envolvidas em imperialismo e escravatura foi uma experiência surrealista. O livro trata do ultimato Britânico, com o qual o país onde nasci ameaçou o seu antigo e mais fiel aliado com as mais graves consequências se não cedesse o território entre Angola e Moçambique sem demora. Os protestos sublinharam o que deve ser óbvio para qualquer leitor deste século: a história desta época é uma história de dois países a brigar um com o outro por causa dum sítio no estrangeiro, como duas crianças a lutar por causa dum brinquedo.

O livro está muito bem escrito e dá para entender o contexto da disputa e as suas consequências , principalmente a queda da monarquia.

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Contos de Lima Barreto

Ouvi este Audiolivro sem saber nada sobre o autor. ‘tá bem, suponho que seja brasileiro… O sotaque do narrador é brasileiro também mas isso não me assustou assim tanto porque fala de modo tão claro que percebi todas as palavras mesmo que algumas fosem desconhecidas, e deu para entender o enredo sem problemas!

Parece que os contos são satíricos. Confesso que não sei nada sobre sociedade brasileira daquela época, portanto é provável que tenha perdido muito do humor mas o seu estilo é divertido e tanto quanto entendi, gostei.

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Aparição – Opinião

Ontem, vi um filme português chamado “Aparição”, baseado num livro existencialista de Virgílio Ferreira. É um filme muito sério, com poucas gargalhadas mas a cinematografia é incrível e os actores estiveram bem. A história desenrola-se em Évora nos anos cinquenta. O protagonista é um professor de latim, recentemente licenciado. que também escreveu um livro. Sendo ateu, e vivendo nas sombras da segunda guerra mundial, os seus pensamentos pesam a condição humana numa época no qual a morte, o amor, a moralidade e o significado da vida estão em causa.

There’s a better description of the story and a programme about it on the RTP site here

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O Verão Selvagem Dos Teus Olhos (Ana Maria Pereira)

Este livro é uma tentativa de a autora recontar a história “Rebecca” de Daphne Du Maurier e, sem dúvida, a sua escrita recriou a atmosfera do livro muito bem. Os personagens, os locais, os temas tudo parecem muito fiéis ao original mesmo que tenha lido os dois em línguas diferentes.

Pois, está bem escrito mas será que foi necessário escrever uma outra versão de Rebecca? Aquele livro é uma obsessão para muitos, um dos livros mais amados de sempre, é quase perfeito na sua construção. Só uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo. A Ana Teresa Pereira mostra melhor a personagem da mulher morta e conta a sua história antes do casamento e durante a sua vida em Manderley. Noutros capítulos, o seu fantasma descreve os acontecimentos do livro original do ponto de vista dela. Para mim isto não funciona tão bem. No livro original Rebecca é uma presença nas sombras da casa e nas memórias dos outros personagens, mas nunca se manifesta literalmente como um espírito. Teria sido demais, e acho que não precisamos disto: Rebecca é mais forte quando está menos visível.

Mas não me quero queixar. Apesar desta critica, gostei do livro. Serve para quem quer revisitar o mundo da Rebecca sem reler o mesmo livro. Lê-se bem e agarrou-me do início até ao final.

Corrected version – thanks Fernanda, Filipe and Rafaela

My favourite correction is where I’ve tried to write

It’s a brave author who would dare to rewrite it.

which I have rendered as

É uma autora corajosa que ousaria reescrevê-lo.

But it’s better as

uma autora corajosa é que ousaria reescrevê-lo.

I’ve seen this way of giving emphasis before but never really thought about how to apply it

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A Língua Portuguesa – Fernando Pessoa

Thoughts on “A Língua Portuguesa”, writings by Fernando Pessoa edited by Luísa Medeiros (Bertrand / Amazon)

Fiquei interessado por ter encontrado este livro na livraria Foyles e tive muito curiosidade pelos pensamentos deste grande poeta (ou seja convocação de poetas) sobre o seu próprio idioma. E não fiquei desiludido. Se não me engano, o livro consiste em fragmentos que nunca fizeram parte de um livro coerente na mente do autor, mas um tema é evidente. Está claro que o seu modo de pensamento estava num universo diferente do que o meu. Antes de mais, escreveu na língua falada como forma mais natural da língua, enquanto a língua escrita era meramente cultural cujo propósito, quanto importante que seja, era servir “o fenómeno natural” de comunicação oral.

Daí fora, seguem-se vários discursos sobre a ortografia e a etimologia da língua. Pessoa valoriza a língua e compara-a com outras línguas europeias. Via a língua como algo vivo, portanto línguas artificiais tal como esperanto nunca poderão suplantar línguas que têm a sua base num povo. Além disso, e por igual raciocínio, mesmo que criticasse a ortografia portuguesa, rejeitou a reforma ortográfica de 1911 assim: “A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.” Isto é um sentimento que muitas pessoas de hoje partilham. Eu, como falador de uma outra língua de ortografia aleatória, simpatizo.