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To Tu or Not To Tu, That is the Desmond

I’m not sure whether making this pun in the week when the anti-apartheid hero died will be taken as offensive, but I needed to write about when to use “tu” in a sentence and the pun was just there waiting to be made and I’m not made of wood, people. I once almost walked into him in… Cambridge, I think, after a group of us made a pilgrimage from Norwich to attend his speech in about um… 1989? He was very good-natured about it.

Anyway, let’s get down to business. Here’s the question I asked yesterday.

Why (according to the C1 course I’m doing) is the word “tu” necessary in this sentence:

Tu vais ter mais experiência de vida. Nessa altura, vais compreender-me.

But absolutely wrong in this sentence, which is my attempt to rewrite the first using different tenses.

Quando tu tiveres mais experiência de vida, vais compreender-me

The gist of the answers I got was that the course’s model answer was wrong, or at least not unambiguously right. Although you don’t need it in the second sentence, you don’t need it in the first either, and since the exercise was to rewrite the sentence, it made sense to retain it if it was already there. The “tu” is superfluous because the conjugation of “vais” and of “tiveres” tells you you’re in the second person singular. If I had been changing “vai ter” into “tiver” then it would have been necessary to add a pronoun (ele or ela, probably) because “tiver” is ambiguous in a way that “vai ter” is not. Sometimes these things are just done on what sounds better so it might have been down to the personal sensibilities of the person setting the questions. It’s not very consistent though. Minor irritation.

Anyway, one of the respondents gave me some feedback that made me swell with pride:

So here is the question in the original Portuguese as a record of the most-praised Portuguese text I have ever written!

Uma das minhas dúvidas recorrentes é quando usar e quando não usar pronomes com verbos. Regra geral, não se usam tanto quanto em inglês mas por exemplo no meu curso, tenho de rescrever a seguinte frase começando com uma palavra específica e fazendo as alterações necessárias:

Q) Tu vais ter mais experiência de vida. Nessa altura, vais compreender-me.

R) Quando ____


Respondi assim:

Quando tu tiveres mais experiência de vida, vais compreender-me


Falhei. A resposta certa é exactamente igual mas tirando o "tu". OK tuga, mas... Porque? Porque é que o "tu" é necessário no modelo mas desnecessário - até errado - na resposta? Ambos exprimem a mesma ideia. Eu sei que a forma de "tiverES" assinala que estamos na segunda pessoa mas isso é igualmente verdade de "vaiS".

Desculpem o tom irritado. É ligeiramente frustrante fazer um curso que não explicam estas coisas. 🤷🏼‍♂️

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Auscultadores

A amiga da minha filha utiliza auscultadores sem fio (airpods) mas está sempre a perdê-los. Ou seja perde sempre* um fone. Eu também desperdicei dois pares de auscultadores por perder um fone. O problema é o tamanho destes dispositivos. São minúsculos. Se deixares um fone cair ao** chão, não será fácil encontrá-lo.

A amiga dela fez exatamente isso: deixou um fone cair na rua, e logo depois um carro o atropelou e lá foram cem euros pelo cano abaixo.

Empresas de telemóveis, chega de Bluetooth. Fios! Queremos fios!

*=perde sempre, not sempre perde. Adverb after the verb.

**=ao, not no. It falls *to* the floor, not *on* the floor

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What Kind of Futlery Is This?

Today’s text in the Writestreak subreddit is a masochistic attempt to translate a single sentence from Judith Butler, who is extremely influential these days despite – or rather because of – the convoluted, opaque style in which she buries her ideas. The sentence (which I’ve screenshotted below) won an award for bad writing, so I’m going to suggest the correctors just not bother trying to correct my translation and turn it into good Portuguese. Nobody should do any work in the dead time between Christmas and New Year. I’m just doing this for a laugh, really.

A passagem desde uma conta estruturalista no qual o capital é compreendido a estruturar as relações sociais em modos relativamente homólogos para um uma vista de hegemonia na qual as relações de poder estão sujeitas à repetição, convergência, e rearticulação trouxe a questão de temporalidade dentro do pensamento sobre estrutura e marcou a mudança desde um tipo de teoria Althusseriano que toma totalidades estruturais como objetos teóricos até a um no qual as perspectivas sobre a possibilidade contingente de estrutura inauguram uma concepção renovada de hegemonia como estreitamente ligada com is sítios contingentes e estratégias da rearticulação de poder.

Genderbollocks source

UPDATE 1: there is a copy of the book available on Bertrand so some poor sod actually had to produce a rendition of this sentence for real.

UPDATE 2: the ever-helpful Dani Morgenstern decided to correct it anyway, despite my saying it wasn’t worth the effort. Here’s what she suggested:

A passagem de uma conta estruturalista no qual o capital é compreendido a estruturar as relações sociais em modos relativamente homólogos para um uma vista de hegemonia na qual as relações de poder estão sujeitas à repetição, convergência e rearticulação trouxe a questão da temporalidade para o pensamento sobre estrutura e marcou a mudança desde um tipo de teoria Althusseriano que toma totalidades estruturais como objetos teóricos até a um no qual as perspectivas sobre a possibilidade contingente de estrutura inauguram uma concepção renovada de hegemonia como estreitamente ligada com is sítios contingentes e estratégias da rearticulação de poder.

Well, that’s not so bad. I only added three additional mistakes to this train-wreck.

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Some Corrected Texts

A few recent texts with corrections below each. These are mostly pretty short since I didn’t want to give the correctors too much work over Christmas

Perder Um Streak.

A minha filha perdeu o seu Streak no Duolingo. Está a aprender francês. Usou o app todos os dias* durante 426 dias, mas esqueceu-se ontem. Eh pá.. Dói-me o coração….

*dammit, another one where I keep mistranslating. For “every day”, I keep writing “cada dia” (each day) when I should write “todos os dias” (all the days)

Feliz Natal.

Votos de um bom Natal** para todos. Espero que o Pai Natal traga tudo que vocês desejam.

**the capital letter is important.

Catolicismo.

Hoje de manhã, abri o Twitter, aquele sítio de opiniões equilibradas e cuidadosamente consideradas e deparei-me num tweet antigo. Uma mulher afirmava “não te podes considerar português não sendo católico”

O tweet é isca, claro, mas fez-me pensar um pouco sobre religião e identidade. O catolicismo constitui uma grande parte da cultura e da história do país (a isca é isca precisamente porque contém um grão de verdade) mas qualquer definição da nacionalidade que não inclua Viriato (de um lado da cronologia) nem Saramago (do outro) é evidentemente limitada de mais.

There was a little discussion in reddit about the influence of Catholicism on Portuguese culture, and how even those who consider themselves anti-catholics are to some extent influenced by it, which is all true, no doubt, but I think the original tweet I’m referring to isn’t saying that: I think she’s specifically trying to assert that any protestants or Muslims or Jews or atheists resident in the country will always be outsiders. In short, I think she was being a bit of an arsehole. To what extent that was pure trollage, or to what extent her tradwife persona is real, I don’t know, but taken on its face, it just seemed obnoxious.

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Diário Dos Dias da Peste

Diário Dos Dias da Peste

Estou a ler um livro chamado “Diário dos Dias da Peste“. Trata-se duma antologia de coisas interessantes, insólitas ou fora do comum. José Pacheco Pereira é curador duma biblioteca de tais curiosidades e durante o auge da pandemia, partilhou alguns exemplos com os membros. Partilha agora os mesmos exemplos connosco. Têm pouco a ver com a pandemia. O livro não esclarece nada sobre os dias de hoje. Se houver iluminação que conseguimos retirar deste livro, é só a seguinte: é incrivel ver a evidência de tantas tendências espantosas pelas quais a humanidade passou ao longo dos anos, e podemos imaginar que isto também há-de passar: venha o que vier, não há nada assim tão mau. Um dia, a crise actual também irá encher uma gaveta no arquivo do senhor Pereira e  os nossos bisnetos vão ver boquiaberto e mal acreditarão.

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Gló-ó-ó-ó-ó-ó-ria Hosanna in Excelsis

Whoop! Cheguei ao meu centésimo texto no subreddit Writestreakpt sem falhar* um dia!

Glória, the first ever Portuguese series on Netflix
Glória

Terminei, dois ou três dias atrás, a série Glória, que é nada mais nada menos que a primeira série portuguesa na Netflix. É incrível. Não é perfeita (=não é o Breaking Bad) mas é uma série que vale mesmo a pena: bem escrita, com um elenco de bons atores, um realizador hábil e um enredo repleto de tensão.

A história decorre em Glória do Ribatejo, em 1968 em plena guerra fria. A CIA, em parceria com o governo da época, está a transmitir notícias, entretenimento e propaganda aos países comunistas, mas entretanto o PIDE e o KGB têm os seus próprios motivos para espiar nos membros da equipa. Ao mesmo tempo, claro está que a sociedade portuguesa tinha os seus próprios insatisfeitos naquela altura, principalmente os membros das forças armadas que, daí a 6 anos, (spoiler alert) derrubariam o Estado Novo.

Vemos, então, uma história centrada num lugar anormal, que não representa bem a sociedade dos anos sessenta, mas muitos fios importantes na situação política encontram-se aí representados no fundo da série.

É muito difícil para nós estudantes ouvir o diálogo e compreender tudo mas existem legendas em PT-PT que ajudam muito. No meu caso, depôs de rever o primeiro episódio (uma vez não foi suficiente para compreender quem era quem e quem torcia pelos comunistas e blablabla!), fiquei com entendimento o suficiente para entender o resto da série.

*=i keep using “pular” in situations like this. On Internet sites, “pular anúncio” means “skip advertisement” but it’s a Brasileirismo. Portuguese people don’t use Pular in that sense.

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A Casa No Bosque

A Casa No Bosque é parte* dum par de livros escrito por Susana Morais, dona do site “Portuguese Lab”. Este foi escrito para estudantes do nível B2 (intermédio) e o outro é mais básico, de nível A2. Ambos têm áudio e alguns exercícios para estimular a compreensão. É curto (o áudio é quase uma hora), portanto é um conto, não um romance.

A Casa No Bosque (B2)

Muitas histórias educativas acabam por ser aborrecidas, mas Susana Morais escreve muito bem e a história é engraçada. Contudo, confesso que não prestei atenção o suficiente aos nomes das personagens portanto perdi o fio da meada. Vou ouvir novamente e anotar a nome de cada pessoa à medida que é dita.**

*I tried to day it was “one of a pair” but that’s not a thing, apparently

**And I did and it made a lot more sense in the second pass when I understood why some of the other characters were there. It really is good. I definitely recommend it and the A2 equivalent. I mentioned them in a post a few days back.

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O Manifesto Sononista

Participei em mais uma aula de história ontem. Como sempre, os professores falaram dos eventos mais importantes da história de Portugal, como a reconquista da Península Ibérica por um exército sob a liderança de Karl Marx, a fundação do país por Dom Karl I, a vitória contra os espanhóis na batalha de Aljubarrota, durante a qual um jovem padeiro chamado Karl Marx matou sete castelhanos que se tinham escondido no seu forno, e a primeira viagem de circum-navegação do mundo por Karlão de Marxalhães.

De qualquer maneira, houve uma mulher que dormiu durante a aula inteira,desde o início ao final. Normalmente, os professores pedem aos alunos para silenciar os microfones mas esta senhora deixou o dela ligado. Portanto, de cada vez que ela roncou ou respirou profundamente, o Zoom, achando que ela disse alguma coisa, trocou a imagem do professor para a da senhora adormecida. Eu não conseguia parar de rir.

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O Problema do Mal

O Trabalho de Casa de hoje é sobre a religião e a ciência. O primeiro texto centra-se na figura de  William Lane Craig. Eu sempre pensei que Craig fosse Americano (Oriundo* dos EUA) mas pelos vistos nasceu na América do Sul, num país onde se fala português. Ouvi um discurso dele em que ele defende que é logicamente impossível Deus criar um mundo sem mal enquanto os seres humanos forem livres. Uma vez que as pessoas tenham a vontade própria, é inevitável a existência do mal. Guerra, assassinatos, pobreza… Mas também fenómenos naturais tais como depressão, cancro, morte de crianças, deficiências mentais. Este gajo não consegue imaginar um mundo sem estas coisas em que nós permanecemos independentes.

A Charada da Bicharada

Fiquei irritado com tal parvoíce. Para desanuviar**, assisti a um vídeo d’A Charada da Bicharada que é um livro infantil da Alice Vieira, com ilustrações bonitas e um modo de usar palavras que acho encantador. Assim, utilizei a minha vontade para escolher o bem. Espero que Deus tenha reparado nisso e, da próxima vez que ele crie um mundo, deixe os habitantes com os prazeres e sem os sofrimentos. Obrigado.

*I really like this word. It sounds like the name of a fairy queen or something but it just means something like “coming from”, “native to” or “originating in”

**Wow, I’d never come across this word before. The corrector suggested it as an alternative to some bad choice I’d made. It’s like diffuse tension, or unwind.