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Entramelado

A minha mulher usou esta palavra (de forma feminina, claro!) para descrever o seu estado depois de uns dias de tensão, à espera de um e-mail* de confirmação dum novo emprego (que já chegou!), e um tornozelo torcido.

A palavra vem do famoso “dialeto madeirense” do qual o Carlos Rodrigues nos tem informado. Quer dizer doente, cansado e pouco capaz de se movimentar.

*FLiP suggested I change this to “correio eletrónico” but I’ve never heard anyone actually use that so that’s a no!

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A Joaninha

This portuguese text was corrected by Patis12 (thanks!) and only had one error in it so apparently it is good Portuguese even if the biology leaves something to be desired. The theme of the day was “my favourite animal”

O meu animal preferido é a joaninha. É uma espécie de inseto híbrido, originário do cruzamento do besouro macho com um leopardo fêmea (uma conjugação pouco satisfatória para ambos os participantes).

Ladybird

Além de estar entre os insetos mais lindos*, as joaninhas têm um emprego muito importante no jardim que os tornam amigos do jardineiro: comem pulgões. São predadores selvagens que devoram os bichos que comem as plantas. Gosto muito deste facto porque gosto da ideia de ter um exército de besouros vermelhos com pontos pretos a lutar pela proteção dos meus feijões.

*alternatively “Além de ser dos animais mais lindos”. Good example of the distinction between ser and estar “as well as being one of the loveliest animals” uses ser because we’re defining it as a lovely animal but “as well as being among the loveliest animals” uses estar because it’s telling you about its location, albeit figuratively, within a hierarchy, not literally on a bush.

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Paula Rego

Returning to the subject of the recently departed Paula Rego, this time in Portuguese. Thanks to Cataphract for the corrections

Paula Rego
The Policeman’s Daughter

Faleceu anteontem em Londres a artista Paula Rego. A artista morreu em casa, junto dos filhos.

Paula Rego nasceu em Lisboa em 1935 (completou 87 anos no início deste ano) mas mudou de país para Inglaterra com 17 anos para estudar na escola Slade de arte, com o incentivo dos seus pais anglófilos. Ao longo da sua vida, a obra desta pintora abordou questões políticas tais como o abuso de poder e os direitos das mulheres (acima de tudo na luta pela disponibilidade do aborto) mas não se limitou a isso. Também pintou cenas da vida quotidiana, e contos de fada. As vezes, falou da sua arte “dar uma face ao medo”. Até pintou o retrato oficial do então Presidente da República, Jorge Sampaio.

Tornou-se* cidadão do Reino Unido, casou-se com um inglês, e até recebeu a ordem do império britânico, que lhe permitiu ser tratada por “Dame Paula Rego” (mas se alguma vez usou este modo de se referir a si própria, não sei!)

Foi galardoada por institutos de arte de vários países, incluindo o Turner Prize aqui no Reino Unido. Eu e a minha esposa fomos ver a exibição na Galeria Tate no ano passado. Foi a exibição mais abrangente de sempre das obras dela e o que mais me espantou foi a diversidade de estilos e de temas que ela conquistou. Experimentou muitos e atingiu sempre um efeito incrível em qualquer género da pintura.

*I wrote this originally so I’ve left it in but I’m not sure it’s accurate. I thought she’d acquired British citizenship while here but someone suggested she’d always had dual citizenship. I can’t confirm one way or the other so I’ve left it as it is but don’t quote me, okay.

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Queria? Já Não Quer?

Here’s the Portuguese version of yesterday’s text. Thanks to Cataphract for the pointers.

Ouvi falar desta piadola há algum tempo. Por acaso, recentemente, li dois textos sobre o mesmo assunto. O primeiro no blog de Marco Neves e o segundo no site da Timeout Lisboa. Ambos tomaram a mesma posição, mas o do Neves é mais pormenorizado: o humor é baseado num literalismo exagerado. Ou seja, quando o cliente quer pedir um café com delicadeza, usa-se o pretérito imperfeito – “queria um café” – porque soa mais suave do que “quero”. Um empregado chico esperto, ouvindo este tempo verbal pode fingir não entender e daí a resposta “queria? Já não quer?”

Pessoalmente, acho esta tendência por parte dos empregados de Portugal muito engraçada e educativa mas tanto quanto entendo, o que mais irrita os cafeínodependentes* é a repetição. Ouvem sempre a mesma pergunta.

*cafeínodependentes not cafeínadependentes even though caffeine is spelled cafeína.

A waiter on his way to make a corny old joke
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What We Did On Our Holidays

Here’s a series of short texts written over the last few days when we were in holiday in Wales. Thanks to Patis12, Dani_morgenstern and Cataphract for the corrections

Quarta-Feira

Eu e a minha família vamos amanhã para o País de Gales para participar no festival literário. Por isso, os próximos textos irão ser curtinhos, acho eu, mas não quero abandonar o streak!

Quinta-feira

Hoje, pretendo ir buscar um carro (aluguei o durante 3 dias) e conduzir para o país de Gales com* a Minha mulher, a nossa filha e a amiga, dela. Não gosto de conduzir. De todo. É frustrante, portanto ando de carro com a menor* frequência possível.
Além de ser o primeiro dia das miniférias, é o aniversário da minha filha. Faz 17 anos. Atingiu a idade na qual pode aprender a conduzir. Quem sabe, talvez ela vá lidar com tudo isso de volantes e travões e gasolina na próxima vez.

*This word originally had a typo and was written as “come” which is a bit unfortunate given that “comer” means eat (which would be bad) and also has a slang meaning which, if anything, is even worse in this context.

**as rarely as possible. I originally wrote “de menos frequência…” but that’s wrong.

Sexta-feira

Aqui estamos no oeste do Reino Unido. Assim que chegámos*, a minha mulher caiu ao descer uma escada. Torceu o tornozelo e bateu numa parede com a cabeça. Felizmente não tem concussão (sei isso porque ela ainda odeia o Boris Johnson), mas tem dores no tornozelo apesar de usar um curativo e um saco de ervilhas congeladas.
Jantámos num restaurante. Hoje é dia de fazer compras nas livrarias e ouvir vários autores

*I wrote “logo que chegámos” which is fine but assim que is better

Sábado

Estou à espera para ouvir um discurso de uma autora chamada Bernardine* Evaristo. Li um livro dela há uns dias e gostei imenso. Sobretudo, adorei a maneira através da** qual ela estabeleceu ligações entre as várias gerações de personagens.

Ela conta a história de um jovem que encontra uma professora pouco simpática. O capítulo seguinte fala desta mesma professora e explica os motivos dela, mas ela também fica chateada com uma colega da geração anterior que se torna protagonista do capítulo seguinte. Acho que isso é uma boa lembrança de que cada um de nós tem a sua própria história que guia as suas ações

*Since this is quite an unusual name in English and quite a common one in Portuguese, the autocorrect feature changed it to Bernardino, which was quite embarrassing. Did the same in Instagram too. . I dashed the day’s text off in the last 5 minutes before she came on stage though so typos are to be expected!

**I wrote “a maneira na qual” – literally “the way in which” but it seems that the Portuguese say it as “a maneira através de qual” – “the way across which” or “a maneira como” – “the way how”

Domingo

As You Like It
Como Queiram

Ontem à noite, fomos ver uma peça de teatro – o As You Like It* de William Shakespeare – ao ar livre. Foi incrível. Logo depois da peça acabar, começou a chuva. Agradecemos aos deuses do tempo por terem adiado** a tempestade até à noite.

Choveu a cântaros. Ao chegarmos a casa, ouvimos a chuva a bater no telhado como se fosse uma bateria. As ovelhas lá fora, no campo estavam a balir***. Coitadinhos.

*There are various Portuguese translations. Older versions might be called “como vos aprouver” and more recent “como queiram”

**I originally wrote “terem-se travado” aiming for something like “having restrained themselves”. I’m not sure if this was actually wrong or if the marker just thought I was talking nonsense. I have a weird way of expressing myself in English and maybe it just sounds like mistakes in Portuguese….?

***balir os a good word. It means “to bleat”.

Epílogo: Segunda-Feira

As férias devem deixar-nos descansados mas voltamos para casa sempre exaustos* e cheios de sono. Queremos encher os dias todos com atividades, o que torna as férias mais ocupadas do que os dias de trabalho. Preciso de dois dias de descanso em casa depois de três dias de descanso num outro lugar.

*To my shame, I put sempre in the wrong place again.

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Cortiça

Expliquei a alguém o conceito da “pá” portuguesa hoje. Utilizei um vídeo do Diogo Badalada para ilustrar o meu discurso. Neste vídeo, o Diogo Batcave explica que além de cãezinhos* de água, o país produz a maioria da cortiça do mundo.

Pensando nisso, ocorreu-me que no futuro este produto pode ser útil porque, quando o ártico e o antártida descongelarem, e os mares surgirem por cima das costas dos continentes, Portugal flutuará na superfície da água. Afinal a profecia de José Saramago será concretizada… Quase… Porque será só Portugal e não a península ibérica que escapará o dilúvio**.

Diogo Batáguas (that's his actual real name)
Diogo Badass

*gah, its so trixy that the plural of cãozinho os cãezinhos!

**This is a reference to the novel “A Jangada de Pedra” (“The Stone Raft”)

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O Pescador de Memórias

O Pescador de Memórias de Miguel Peres e Majory Yokomizo
O Pescador de Memorias

Este livro de Miguel Pires e Majory Yokomizo é uma banda desenhada que conta a história de um velho que vive numa ilha. Todos os dias, pesca no mar com romãs como isco e apanha pedaços de vidro que, ao ser montados (tipo puzzle), revelam as suas memórias. O leitor vem a entender que este homem tem demência e a sua ilha é uma alegoria – um exílio mental onde fica prisioneiro enquanto não se lembra da sua própria vida.

Acho que o escritor lida com este assunto desafiante de modo muito sensível. Os desenhos e o argumento funcionam bem juntos e o resultado é tocante.

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As Telefones – Djaimilia Pereira de Almeida

Today’s post is a review of “As Telefones*” by Djaimilia Pereira de Almeida.

Este livro deu-me água pela barba**. É fino mas o vocabulário é difícil. Mas, apesar de ser uma leitura desafiante, não fiquei aborrecido porque a autora, Djaimilia Pereira de Almeida, sabe escrever. As frases fluem bem e há momentos de humor, tal como a conversa entre a mãe e a filha na qual a mãe explica que espíritos malignos começam a voar às três de manhã. Afirma que estes espíritos entram pelas janelas abertas e “aproveitam-se das mulheres que dormem sem cuecas”. Acrescenta que essas mulheres dão à luz (ou seja dão à escuridão) bebés que elas amamentam no mundo dos espíritos como amantes do diabo. Quando se acordam nem sequer percebem que já não são elas mesmas, mas estão a viver uma vida paralela no mundo das trevas. Sim senhora.

As telefones de Djaimilia Pereira de Almeida
As Telefones

Mas além destas opiniões malucas da velha, há uma sensação comovente perante a relação entre mãe e filha que se conduz na série de conversas por telemóvel e pessoal.

* Wait, what? Telefone is a masculine word so why isn’t it Os Telefones. I asked about this on reddit r/Portuguese and nobody was very sure, not having read the book, but the popular theory (best explained by u/Uyth) was that it was “Uma Alcunha” – a kind of nickname, usually based on some physical characteristic of a person (think “Blackbeard” in English). Why would that be? Well, sometimes you’ll see a placename like “O Arco do Bandeira” where the article doesn’t match the noun. In this example, Bandeira means flag and it is a feminine word. The reason for the mismatch is because Bandeira isn’t a word as such, it’s someone’s name – a businessman named Pires Bandeira had the arch built in the Baixa Pombalina district and it is still named after him today. If the person has an alcunha, it works the same way. Say if someone has been given a nickname which is a feminine word (say “carica”), but they are male. He would be called “o carica” – the feminine word gets a masculine article because of who the name is attached to. So in the title of the book, maybe the Djaimilia Pereira de Almeida is referring to these women as The Telephones because the book is about their long-distance conversations – and that’s why she used “As” in place of “Os”. Best guess. It isn’t spelled out in the book, but that’s what it seems like.

**Não costumo usar barba mas demorei tanto por causa de olhar no dicionário tantas vezes que a minha barba cresceu e já pareço Moisés.

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Expressões

Another batch of expressions from the C1/2 Textbook I’m using

Passar pelas brasas (pass through the coals) =have a little sleep

Dar barraca (give a shed) = provoke a scandal

Surdo como uma porta (deaf as a door) =deaf as a post

É outra loiça (It’s different crockery) =much better (food)

Estar em maus lençóis (be on bad sheets) = be in a sticky situation

Falar de poleiro (speak from a perch) = Speak arrogantly, get on your high horse

Ser um bom garfo (be a good fork) = be a lover of good food

Eira
Eira

Sem eira nem beira (without a floor or a roof*) = very poor

Estúpido como uma porta (stupid as a door) =daft as a brush

Atirar o barro à parede (throw the clay at the wall) = test the waters to see if someone might be receptive to your idea

De cortar à faca (you could cut it with a knife) =same as the English expression – when the atmosphere is so tense or oppressive that you feel like you could cut it with a knife

Cascos de rolha (corked casks) = a long way off.

De fio a pavio (from string to wick) =from beginning to end. (I think we’re supposed to think of a candle burning all the way down)

Entrar em parafuso (go into a screw) = go into a tailspin, panic

*=There was a bit of debate over this one. Eira is a kind of floor or patch of ground in a village, where harvested grain is threshed and sieved ready for storage. Beira is a word we usually hear when talking about the seaside (“beira mar”) but it can be the eaves of a roof. The phrase is sometimes expanded to “Sem eira nem beira nem ramo de figueira”, adding that the poor bugger doesn’t even have the branch of a fig tree.

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Problemas de Velhos

Hm, well I must have been feeling my age when I wrote this one. Thanks to Patis12 for the corrections

Ao envelhecermos, os nossos corpos traem-nos. Acordamos num dia e reparamos num cabelo cinzento no pente. É depois seguem-se mais.

Para mim, o pior é o modo como o meu corpo está a enfraquecer. Sinto-me sem força e sem capacidade aeróbica. OK, no meu caso não é assim tão surpreendente, mas ainda assim, quem me dera ter desfrutado das habilidades do meu corpo quando tinha mais vigor!

Tento fazer um treino por dia e controlar o que como. Isso não me vai solucionar os problemas todos, mas ajuda-me, até certo ponto e pelo menos não quero piorar a situação por estragar a saúde com falta de exercício!