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Os Cus de Judas – E-Fólio A

Os Cus de Judas

Breakdown of the first “e-Fólio”. I think I talked about this at the time didn’t I? (Searches) Ah, yeah, here it is! The book in question is Os Cus de Judas by António Lobo Antunes.

Citação Escolhida

Talvez que a guerra tenha ajudado a fazer de mim o que sou hoje e que intimamente recuso: um solteirão melancólico a quem se não telefona e cujo telefonema ninguém espera, tossindo de tempos a tempos para se imaginar acompanhado, e que a mulher-a-dias acabará por encontrar sentado na cadeira de baloiço em camisola interior, de boca aberta, roçando os dedos roxos no pêlo cor-de-novembro da alcatifa. (p60, Capítulo G, 37º edição, Dom Quixote, 2019)

Razões

Não é nada surpreendente que esta frase, que previa a morte do narrador me chamasse (I put “chamar-me-ia” which I guess is too literally anglophone and anyway I should have known the pronoun-sandwich would be wrong!) a atenção, uma vez que o autor realmente faleceu durante a primeira semana deste curso.

Mas para mim, isto sublinha uma coisa sobre a qual volto a pensar de vez em quando: as histórias paralelas do meu país, o Reino Unido, e de Portugal. Partilham uma herança gloriosa de descobrimentos e de vontade (por falaciosa que seja) de espalhar os benefícios da civilização aos quatro cantos do mundo, mas ao longo dos séculos acabaram com impérios dos quais estavam a perder o controle. O processo de aceitação da realidade e depois da libertação dos territórios foi difícil para os dois mas para Portugal foi ainda mais penoso.

Em 1971-3, enquanto o jovem Lobo Antunes era médico no exército português, o meu pai era médico no exército britânico na Irlanda do Norte. Naquela altura quase todo o império britânico tinha desaparecido, graças a vários movimentos independentistas, revoluções e acordos com governos estrangeiros, processo que se acelerou (I just wrote “acelerando…”) a partir de 1945 por causa do consenso do pós-guerra. Ao mesmo tempo, Portugal enfrentava revoluções nos seus territórios e guerras sangrentas que tinham demorado mais de uma década.

Acho que grande parte da diferença entre os dois países tem a ver com o governo. Uma ditadura não tem medo de ser derrotada nas próximas eleições, daí não se importar (OK, I don’t know what’s going on here. I wrote “não se importa” without the r. The docente corrected me but I can’t understand why. I mean, he must know but… what???) se milhares de soldados perderam as vidas. Ainda por cima, havia uma ideologia que dizia (not disse) “Portugal não é um país pequeno”. A identidade da (not do) metrópole era fortemente ligada à sua posse de territórios ultramarinos.

Lobo Antunes oferece críticas (Fazzini, 2014 p30) da ideologia fascista (entre outras coisas), no livro, através da narração do protagonista que se encontra num bar a contar a sua história de deshumanização, em frases cada vez mais violentas (e menos pontuadas) (I got my concordância wrong on both these adjectives – a sure sign that I was low on time for proofreading!), ao explicar como a guerra “talvez” o tenha mudado, Sim, talvez.

E afinal, foi a ditadura que meteu o país nesta loucura toda. A forma do governo importa. Evidentemente os militares sabiam desse problema e foi por isso que tiveram de libertar o seu próprio país em 1974, para possibilitar a sua liberdade e a dos africanos.

Bibliografia

Fazini, Luca (2014) “Guerra e testemunho no romance europeu contemporâneo” Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

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A Rush, A Push and the Exam is Ours

Olá! Será que alguém ainda está a ler este blogue? Espero que sim mas tenho de admitir que ando muito ocupado com todos os meus compromissos, não só no âmbito de trabalho, mas também no condomínio, a horta comunitária e o curso online, tenho pouco lazer e não me admiraria se todos vocês tivesse desistido de seguir!

O último exame do curso (Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea; Universidade Aberta) estará neste terça-feira. Não fiz a leitura toda. Ups. Mas tenho de fazer um esforço nos próximos dias, porque se conseguir uma boa nota nisto, passarei o curso todo e voltarei a ter tempo livre.

O Retorno - Dulce Maria Cardoso
O Retorno

Hoje, aprendi uma nova palavra: “Cronótopo”. Não é muito útil. Se entrares numa loja e dizeres “O Evaristo, tens cá Cronótopos?” O lojista dar-te-á um olhar perplexo. Trata-se de um conceito emprestado da matemática ao campo da teoria literária, e descreve o estado do tempo e do tempo interligados numa narrativa. No caso d’O Retorno de Dulce Maria Cardoso, O Hotel do Estoril funciona como cronótopo, no qual Rui e a sua família ficam presos ao chegar ao metrópole. Neste espaço liminar, os retornados tentam reconstruir as suas rotinas num tempo que não é passado nem futuro. “Insistimos em pormenores insignificantes porque já começamos a esquecer-nos” Frases repetidas (por exemplo “um quarto pode ser uma casa”), esta noção de ser fora do tempo é reforçado e, segunda a académica Ana Filipa Prata*, o romance sublinha a permanência da trauma com o hotel como metáfora da condição existencial do país na esteira da descolonização.

*Neste artigo

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Fazer o Gostinho ao Dedo

Voltei a ver o filme de “A Costa dos Murmúrios” O livro, da autoria de Lídia Jorge, faz parte do meu curso mas já li há anos, portanto estou a fazer batota por ver o filme e mais nada. Infelizmente, esta versão tem legendas em inglês que estou a ignorar cuidadosamente.

Nesta cena, o alferes, o marido da Eva sugere ao seu capitão que eles façam “O gostinho ao dedo”, evidentemente uma expressão idiomático mas o que é que ela quer dizer? Segundo o dicionário Priberam, é fazer algo só pelo prazer ou pela novidade sem obrigação nenhuma.

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Pronunciation

Estou a curtir este canal do Insta. Consiste num pai e a filha dele. Ele é nativo do Tajiquistão e fala muitíssima bem, mas tem sotaque da sua língua de mãe. A filha, por outro lado, fala português como nativa e ela tenta corrigir a pronúncia do pai. Ambos falam inglês também o que ajuda muito porque faz o canal mais prestável para outros estudantes de português, sobretudo os novatos.

Este vídeo não é o mais educativo deles mas fez-me rir muito. Soa como uma conversa entra eu e a Catarina.

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O Trabalho Mais Fácil De Sempre?

Tenho nove horas e meia para desenvolver o trabalho do primeiro e-Folio do curso atual. A pergunta é a seguinte:

Atente na última frase de cada um dos capítulos de” Os Cus de Judas” de Lobo Antunes. Escolha, de entre essas últimas frases, uma que lhe tenha especialmente agrado e explique as razões da sua escolha.

Mas também…

Nota: é obrigatório citar a frase escolhida.

Então? Porque é que este blogue é intitulado “O Trabalho Mais Fácil de Sempre”? Porque as normas do exercício estipulam “o e-Folio não deve ultrapassar 1 página A4”. E olha o tamanho das frases que Lobo Antunes escreveu.

São quase todas iguais. Depois de citar a frase escolhida, sobraria espaço o suficiente para 3 palavras.

“É muito bom” 4 Valores se faz favor.

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A Quinta Essência

Um podcast que fazia parte dos recursos audio-visuais do meu curso é chamado “Quinta Essência” e, por sorte, encontrei a mesma expressão num livro. Fiz uma mini-pesquisa e constatei que Quinta Essência tem a mesma raiz como a nossa “quintessence”. A língua portuguesa tem a sua “quintessência” mas a origem da “quint-” é mais óbvio a um falador duma língua como português que ainda é muito parecida com o latim. Nós, por outro lado quase nunca falamos da “fifth essence” e nunca pensamos (ou pelo menos eu pessoalmente nunca penso) na origem da palavra.

principal skinner ponders the romance languages
English Speakers contemplating this post
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Leiria Update

Já falei há algum tempo sobre a lenda urbana da não existência de Leiria, a região fictícia que, se fosse um território verídico, ficaria na baía entre Coimbra e Santarem. Mais recentemente, deparei-me com a página turística “Visite Leiria” que adotou o meme de forma jocosa, dizendo “Leiria Não Existe Sem Ti”, o que acho uma resposta muito criativa à sua crise existencial!

O mesmo site também tem um resumo da história do meme desde a sua origem no Reddit até ao lançamento da canção Leiria Não Existe da Inês Apenas. Se quiseres saber mais sobre como evoluiu o hashtag, recomendo que passes algum tempo nesta página.

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Capitão Fausto – Na-Na-Nada

Welcome back to the Capitão Fausto Fan Blog! It’s still Friday night as I write this, and the translation I did for yesterday’s blog was so short I thought I’d try another

PortuguêsInglês
Quando aqui chegou
Foi porque ainda não estava
Nada se apagou enquanto eu protestava
E às tantas sossegou
Explicaram que afinal não era nada
When she* got here
It was because she wasn’t here yet
Nothing stopped while I was protesting
And at last it calmed down
They explained that in the end it was nothing
Andar em contramão
Calçar a botifarra
Quero ouvir calão e o som de uma guitarra
Se dás, eu também dou
Se gritas muito, eu dou-te uma dentada
Going against the flow
Putting on my clumpy boots
I want to hear slang and the sound of a guitar
If you give I’ll give too
If you scream, I’ll bite you
Cheguei a casa e sossegou
Explicaram que afinal não era na-na-na-na nada
Na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
I got home and chilled out
They explained that in the end it was no-no-no-no-nothing, no-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing
Quem me der a mão é porque quer que eu nunca caia
Pode ser que queira vir comigo até à praia
Ou pode ser que não, de qualquer forma vai ter de entender
Que ainda há muita coisa pra aprender
Algumas delas servirão
Mas outras nunca vão servir pra na-na-na-na nada
Whoever gives me their hand, its because they don’t want me to ever fall
Maybe they want to come to the beach with me
Or maybe not. Somehow she’ll have to understand
That there’s still a lot to learn
Some of them will be OK
But others are good for nothing
Na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
Na-na-na-na nada, na-na-na-na-na-na
No-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing
No-no-no-no-nothing no-no-no-no-nothing

*Honestly, it’s anybody’s guess what pronouns to use in most of this song. Who or what is he on about? Are those imperfect verbs in the first or third person? Can we even get an adjective with an ending that tells us what gender we’re dealing with? Throw me a frickin’ bone here!

OK, I think I’m sick of them again now,

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Capitão Fausto – Santa Ana

Well, I can’t see my new pro-Fausto stance lasting long because, as I said yesterday, their studio output is quite bland and overproduced, but while I am in the zone, let’s try a translation. This is Santa Ana from their first album, Gazela, and one of the songs they played as the finale for the show.

PortuguêsInglês
Está a chover dentro da sala de estar
A casa ardeu; ninguém parou de dançar
It’s raining in the living room
The house caught fire. Nobody stopped dancing
Ela diz que devo aprender
As noites simples e o que é ficar
Ela é linda e o seu parecer
Faz-me sentir que é tempo de mudar
She says I should learn
The ordinary nights are what it is to stay
She’s lovely and her appearance
Makes me think it’s time to change
Está a chover dentro da sala de estar
A casa ardeu; ninguém parou de dançar
It’s raining in the living room
The house caught fire. Nobody stopped dancing
Ela diz que eu devo aprender
As noites simples e o que é ficar
Ela é linda mas não quer ver
Que qualquer dia já cá não vou estar
She says I should learn
The ordinary nights are what it is to stay
She’s lovely but I don’t want to see
That someday I won’t be here

Is that all? 8 lines? I don’t feel like I’ve had much of a workout. That’s a long instrumental break they did at the end there. OK, well, I like the lyrics anyway, even if they are a bit terse, sometimes it’s best to keep it tight and not waffle on for 4 verses. I hope you enjoyed it.