Olá! Será que alguém ainda está a ler este blogue? Espero que sim mas tenho de admitir que ando muito ocupado com todos os meus compromissos, não só no âmbito de trabalho, mas também no condomínio, a horta comunitária e o curso online, tenho pouco lazer e não me admiraria se todos vocês tivesse desistido de seguir!
O último exame do curso (Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea; Universidade Aberta) estará neste terça-feira. Não fiz a leitura toda. Ups. Mas tenho de fazer um esforço nos próximos dias, porque se conseguir uma boa nota nisto, passarei o curso todo e voltarei a ter tempo livre.
Hoje, aprendi uma nova palavra: “Cronótopo”. Não é muito útil. Se entrares numa loja e dizeres “O Evaristo, tens cá Cronótopos?” O lojista dar-te-á um olhar perplexo. Trata-se de um conceito emprestado da matemática ao campo da teoria literária, e descreve o estado do tempo e do tempo interligados numa narrativa. No caso d’O Retorno de Dulce Maria Cardoso, O Hotel do Estoril funciona como cronótopo, no qual Rui e a sua família ficam presos ao chegar ao metrópole. Neste espaço liminar, os retornados tentam reconstruir as suas rotinas num tempo que não é passado nem futuro. “Insistimos em pormenores insignificantes porque já começamos a esquecer-nos” Frases repetidas (por exemplo “um quarto pode ser uma casa”), esta noção de ser fora do tempo é reforçado e, segunda a académica Ana Filipa Prata*, o romance sublinha a permanência da trauma com o hotel como metáfora da condição existencial do país na esteira da descolonização.







