Os Buraka Som Sistema, a banda electronica portuguesa vão reunir após um hiato, para tocar ao vivo num parque na zona sudeste de Londres no dia 7 de Agosto. O concerto faz parte de um festival gratuito, Miniteca, que pode ser uma oportunidade aproveitar a cultura portuguesa sem custo, mas pelos vistos haverá muito espanhol no ambiente também porque é um festival de música latina, não só portuguesa. Acho que vou escutar novamente a música deles, para ver se me apetece ir ver o espectáculo mas sendo um velhote, a música electrónica não me agradece assim tanto é provavelmente vou pulir esta oportunidade.
Here’s my translation of this Florbela Espanca soneto which I mentioned in passing in yesterday’s post. It’s quite easy to translate the words, but translating poetry usually makes it feel a bit leaden so I hope I don’t do it too much dirt. The main reason it caught my eye was the title of the song based on it: “Perdidamente”. It’s one of those words that’s really hard to translate on its own. How would you translate it_ It looks like it ought to be “lostly” but we don’t really have such a word in english. I suppose “hopelessly” or “desperately” are in the right area, but neither is quite the same. Sod it, I’m going to translate it as lostly and the Oxford English Dictionary can bloody sue me!
Morreu ontem Luís Represas, o cantautor* e ex’membro dos Trovante. Não o conheço bem, mas decidi experimentar os seus top 5 de vídeos no Tutube. Acho que já ouvi “perdidamente”, uma versão de “Ser Poeta” da escritora lendária Florbela Espanca” mas este dueto chamou-me mais a atenção
Português
Inglês
A voz não veio de lá Quem me chamou eu não vi Se alguém ligou por ligar Quem me ligou não ouvi Entrei em casa e fiquei Em pé e quase a dormir Dos dias longos roubei Alguns minutos para viver para mim Só para não esquecer porque parti
The voice didn’t come from there I didn’t see whoever called me If someone called just to call Whoever called me, I didn’t hear I went in the house and stood there, almost asleep From the long days I stole Some minutes to live just for myself Just to remember why I left
Parti sem nunca partir Fiquei sem nunca ficar Saí sem nunca sair Voltei sem nunca voltar Falei sem nunca falar Gritei sem nunca gritar Guardei o que posso de mim Pensei e posso pensar
I left without ever leaving I stayed without ever staying I went out without ever going out I returned without ever returning I spoke without ever speaking I screamed without ever screaming I kept what I could of myself I thought and I can think
Felicidade faz bem Simplicidade maior A estrada não tem ninguém Mas tem um vento que cheira a amor Eu adivinho alguém Na curva do horizonte Se és tu que sinto chegar Não te escondas mais por trás do monte Sai Vem e dá-me a mão Vamos voar
Happiness is a good thing Simplicity is larger The street has nobody but it has a wind that smells like love I sense someone On the curve of the horizon If it’s you that I feel approaching Don’t hide yourself behind the mountain Come out Come and give me your hand Let’s fly
Parti sem nunca partir Fiquei sem nunca ficar Saí sem nunca sair Voltei sem nunca voltar Falei sem nunca falar Gritei sem nunca gritar Guardei o que posso de mim Pensei e posso pensar
I left without ever leaving I stayed without ever staying I went out without ever going out I returned without ever returning I spoke without ever speaking I screamed without ever screaming I kept what I could of myself I thought and I can think
Voltei sem nunca voltar Fiquei sem nunca ficar Saí sem nunca sair Pensei e posso pensar
I returned without ever returning I stayed without ever staying I went out without ever going out I thought and I can think
*Obscure word this, but keen followers of this blog will remember it from the footnote of this post. It’s a cantor-autor – a singer-songwriter.
Vivemos num mundo tão ao avesso que a seleção espanhol ganhou um novo adepto imprevisto. Sim, até a nossa padeira de Aljubarrota gosta mais dos castelhanos do que os argentinos.
O blogue de ontem foi uma descrição de um livro comprado no FLILP, mas comprei dois e hoje trago-vos o segundo: “Poemagem” de Sandra Acosta. Chamou-me a atenção porque o exterior é tão bonito: uma etiqueta elegante, colada numa capa dura azul escuro com um marcador vermelho. Falei com a autora que explicou que cada poema tem como assunto um lugar a qual ela tinha ido. Mas além da poesia, ela faz colagem e cada poema tem a sua própria ilustração. Embora não seja o maior fã de sempre da poesia, adoro a colagem (a obra do Graham Rawle por exemplo*!) e não resisti: comprei exemplar 323, assinado pela autora. Li-o no comboio, a caminho para Richmond. O livro é mesmo bom. Pois, é poesia, mas a poesia é brincalhão: brinca com palavras e com a tipografia. Existem cartões divetidos enfiados entre as folhas. Como um objecto, o livro é lindo – posso imaginar dar um exemplar como presente a um amigo. Fico muito contente com esta compra!
*I googled him and… Wait… What the shit? He died? Noooo!
Entre os escritores que conheci na Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa, o mais jovem foi a Lauryn, que escreveu um livro sobre s sua vida e os seus pensamentos sobre ser jovem e negra, filha de dois africanos (Mãe do Cabo Verde e pai d São Tomé e Príncipe).
O livro é do género de ‘Little People Big Dreams’, cheio de lições que alimentam o auto-estimo e a ambição dos leitores. Mas além do facto de ter escrito (com ajuda da mãe, de certeza) um livro, o que mais me marcou foi a confiança da menina em aproximar-se aos visitantes. Ela abordou-me, mostrou-me o seu livro e explicou que foi traduzido em 4 línguas. Ela fala português por causa dos pais, mas a sua língua nativa é inglês. Explicou que é um livro juvenil mas também um livro para adultos, porque toda a gente deve entender determinadas coisas.
Respeito o espírito trabalhador dela, e comprei um exemplar do livro, que li ao chegar a casa.
Leitores deste blogue da “escola antiga” podem lembrar da FLILP – a Feira Literária Internacional de Literatura Portuguesa que visitei em 2024, na sede do Cara Livro ni Reino Unido. A feira está de volta com a sua segunda edição e eu fui ver como cresceu no intervalo.
Deste vez, a feira teve lugar no Goldsmiths College. Ugh. Acho que seria mais rápido e mais fácil ir para Lisboa.
Cheguei às 12 e meia e percebi que a feira era maior do que em 2024. Claro que não chega aos calcanhares das feiras de livros nacionais, como a Feira do Livro de Lisboa, mas não é nada surpreendente: Inglaterra não é um país lusofono – de que é que estava a esperar?
Estava de língua amarrada. Mas, apesar do meu constrangimento, falei com várias pessoas: poetas brasileiros, autores angolanos, artistas portugueses, dois ingleses que estavam ali para publicitar um evento no qual um colega deles, um tradutor, iria entrevistar Gonçalo M Tavares (um autor muito bem conhecido) sobre a tradução do seu novo romance.
Conheci uma menina anglo-africana. Nasceu cá em Londres mas o seu pai é são-tomense e a mãe cabo-verdiana. Vou falar mais nela amanhã. Também falei com um tipo daqueles que pensem sempre em negócios. Contou-me como escreveu um livro de auto-ajuda em 19 dias. O tipo facilita empreendedores, líderes de negócios e outros egoístas escreverem as suas autobiografias e desabafos sobre esta sociedade que não valoriza o empreendorismo o suficiente, ou sei lá o quê. Estou a brincar: respeito o seu espírito trabalhador mas a minha natureza é mais relaxada e não entendo o “hustle culture”.
Bazei após uma hora, mas ou menos, com dois livros novos. Mas quem me dera que estivesse mais preparado.