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Shouting At My Screen

This geography quiz channel comes up a lot on my feed and it’s usually quite informative but they’ve made a howler here. Can you spot it?

(answer: most of them are lusophone countries but Equatorial Guinea is the only country in Africa where Spanish is spoken)

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Poemagem – Sandra Acosta

Poemagem

O blogue de ontem foi uma descrição de um livro comprado no FLILP, mas comprei dois e hoje trago-vos o segundo: “Poemagem” de Sandra Acosta. Chamou-me a atenção porque o exterior é tão bonito: uma etiqueta elegante, colada numa capa dura azul escuro com um marcador vermelho. Falei com a autora que explicou que cada poema tem como assunto um lugar a qual ela tinha ido. Mas além da poesia, ela faz colagem e cada poema tem a sua própria ilustração. Embora não seja o maior fã de sempre da poesia, adoro a colagem (a obra do Graham Rawle por exemplo*!) e não resisti: comprei exemplar 323, assinado pela autora. Li-o no comboio, a caminho para Richmond. O livro é mesmo bom. Pois, é poesia, mas a poesia é brincalhão: brinca com palavras e com a tipografia. Existem cartões divetidos enfiados entre as folhas. Como um objecto, o livro é lindo – posso imaginar dar um exemplar como presente a um amigo. Fico muito contente com esta compra!

*I googled him and… Wait… What the shit? He died? Noooo!

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Lauryn – Esta Sou Eu

Entre os escritores que conheci na Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa, o mais jovem foi a Lauryn, que escreveu um livro sobre s sua vida e os seus pensamentos sobre ser jovem e negra, filha de dois africanos (Mãe do Cabo Verde e pai d São Tomé e Príncipe).

Lauryn esta sou eu

O livro é do género de ‘Little People Big Dreams’, cheio de lições que alimentam o auto-estimo e a ambição dos leitores. Mas além do facto de ter escrito (com ajuda da mãe, de certeza) um livro, o que mais me marcou foi a confiança da menina em aproximar-se aos visitantes. Ela abordou-me, mostrou-me o seu livro e explicou que foi traduzido em 4 línguas. Ela fala português por causa dos pais, mas a sua língua nativa é inglês. Explicou que é um livro juvenil mas também um livro para adultos, porque toda a gente deve entender determinadas coisas.

Respeito o espírito trabalhador dela, e comprei um exemplar do livro, que li ao chegar a casa.

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FLILP – A Segunda Edição

Leitores deste blogue da “escola antiga” podem lembrar da FLILP – a Feira Literária Internacional de Literatura Portuguesa que visitei em 2024, na sede do Cara Livro ni Reino Unido. A feira está de volta com a sua segunda edição e eu fui ver como cresceu no intervalo.

Deste vez, a feira teve lugar no Goldsmiths College. Ugh. Acho que seria mais rápido e mais fácil ir para Lisboa.

Cheguei às 12 e meia e percebi que a feira era maior do que em 2024. Claro que não chega aos calcanhares das feiras de livros nacionais, como a Feira do Livro de Lisboa, mas não é nada surpreendente: Inglaterra não é um país lusofono – de que é que estava a esperar?

Estava de língua amarrada. Mas, apesar do meu constrangimento, falei com várias pessoas: poetas brasileiros, autores angolanos, artistas portugueses, dois ingleses que estavam ali para publicitar um evento no qual um colega deles, um tradutor, iria entrevistar Gonçalo M Tavares (um autor muito bem conhecido) sobre a tradução do seu novo romance.

Conheci uma menina anglo-africana. Nasceu cá em Londres mas o seu pai é são-tomense e a mãe cabo-verdiana. Vou falar mais nela amanhã. Também falei com um tipo daqueles que pensem sempre em negócios. Contou-me como escreveu um livro de auto-ajuda em 19 dias. O tipo facilita empreendedores, líderes de negócios e outros egoístas escreverem as suas autobiografias e desabafos sobre esta sociedade que não valoriza o empreendorismo o suficiente, ou sei lá o quê. Estou a brincar: respeito o seu espírito trabalhador mas a minha natureza é mais relaxada e não entendo o “hustle culture”.

Bazei após uma hora, mas ou menos, com dois livros novos. Mas quem me dera que estivesse mais preparado.

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Well, I seem to have survived…

The exam went OK. I had one of those classic questions where I didn’t know the answer but I reckon I can say just enough about it to hang a long digression on, and talk about things I do know. The other two questions were fine and I was able to give solid answers for both.

I’m really noticing how my language has deteriorated in terms of just everyday usage. I’m not getting as much talking practice in, and even though I’m reading a lot, my language was extremely stilted and extremely limited in the essays. I need to find some people to speak to.

Anyway, whole course done. It was quite an experience, and I’m really glad I put myself through it.

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Skymouth

I don’t think I’ve come across this before. António Lobo Antunes, in Os Cus de Judas, brushes not only his teeth and gums but “o céu da boca”. The sky of his mouth, or maybe the heaven of his mouth. Either way, sounds much better than the roof of his mouth.

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Simplesmente Maria

No livro O Retorno, o narrador diz que a sua irmã sonha dw que o Alberto de Simplesmente Maria está a sua espera no aeroporto.

Fiquei curioso. Ao que parece foram feitos seis telenovelas com aquele título. O mais óbvio é o de 1971 (3 anos antes dos eventos narrados n’O Retorno) mas segundo a Wikipedia não existem Alberto nenhum no seu elenco, portanto deve estar ou a série argentina (1967) ou a peruana (1969).

Hm… Parece-me pouco provável. Sei lá. Faria uma pergunta no r/Portugal mas seria chato explicar aos jovens como funciona a linha temporal deste cenário…

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Os Gafanhotos – e-Fólio B

A Costa Dos Murmúrios

This is e-Fólio B, from Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea, about A Costa Dos Murmúrios. The question is based on the short story which forms the introduction to the book. It’s called “Os Gafanhotos” (“The Locusts”) and the protagonist of the main story reads the short story, which seems to be describing a younger version of herself, living in the colonies, in a culture that very much looks down on the natives of the country. Part way through the story, a cloud of locusts comes and surrounds the gathering, and I think we’re meant to see the portuguese colonists themselves as a biblical plague of locusts laying waste to everything they settle on. The main book is all about Eva unravelling the rosy view of empire that is explained to Evita buy the other guests at the party in os Gafanhotos. Finally, on the last page, as the body is pulled from the sea, she talks about how the words she has heard were becoming isolated sounds, the sounds murmurs, as the last stage before silence, which speech is followed by:

…disse Eva Lopo, rindo. Devolvendo, anulando “Os Gafanhotos”

and the question asks us to Indique e comente um exemplo de uma passagem de “Os Gafanhotos” que Eva Lopo tenha “anulado”. To be honest, i really struggled with this essay. It came directly after a massive work deadline and my head just wasn’t in the game, so I freestyled it and was amazed when, once again, I got a surprisingly decent mark for the work!

Resposta

O desenvolvimento da protagonista do romance é inextricavelmente ligado à sua crescente desilusão com a versão da vida colonialista exemplificada n’Os Gafanhotos, e assim quase todos os acontecimentos levam a cabo a anulação do conto e da ingenuidade da Eva.

Mas para mim, talvez a frase mais agridoce do conto seja uma que vem logo na última página. “Todos, incluindo Evita, compreendiam que o excesso de harmonia, felicidade e beleza provoca o suicídio mais do que qualquer estado” (OG p38).

No conto, Evita está “a chorar baixinho” (OG p38) quando este pensamento surge no fluxo da consciência dela, e é por isso que a autora do livro (The docente corrected this to “o narrador” and said not to identify the two “de carne e osso”, but I don’t think I agree – this part of the story really feels like the lens has pulled back and were getting addressed directly by the writer… but I could be wrong of course!) nos conta, no final do livro que “rindo”, ela anulou, de uma vez por todas, Os Gafanhotos. Evita é ingénua, Eva desiludida, mas paradoxalmente a última é que acaba rindo e a outra em lágrimas.  Porque é que a reação dela é tão diferente? Talvez porque, sabendo mais do que a Evita sobre a realidade da sociedade, ela entende melhor. Ao resgatar as memórias perdidas na narrativa oficial, ela é curiosamente mais livre.

O caminho até este estado de entendimento é longo. A “rebelião de selvagens” é revelada como guerra sangrenta na qual o seu marido faz parte. O marido, que antigamente se interessava pela matemática (I wrote “engenharia” ‘ how weird, I could have sworn it was that!), deixou morrer os seus sonhos na perseguição dum novo: o heroísmo. No processo, tornou-se uma sombra do seu major, um bruto, ou seja, um selvagem. Entretanto, na cidade, os negros inocentes perdem as vidas por causa de umas garrafas de vinho envenenado de metanol.

Pensando nas contradições do passado, Eva Lopo escreve, no primeiro parágrafo do terceiro capítulo “Definitivamente, a verdade não é o real, ainda que gémeos, e n’Os Gafanhotos, só a verdade interessa. Por isso não teria sido útil introduzir o gesto do alferes com a faca na boca e o sangue a abrir e a alastrar como uma estranha flor” (p85). Noutras palavras, ela acha a narrativa d’Os Gafanhotos demasiado “unida e (…) infragmentada” (p85) (the correction here was that it is a general proposition and not specifically about Os Gafanhotos— OK, fair point, although in a question about os Gafanhotos, referencing a paragraph where she has said Os Gafanhoto is interested in the truth, and the truth is too unitary and unfragmented, I feel like I can extrapolate to say that, yes, she thinks this about OG too – especially when I only have one side of A4 to make my argument… But maybe my tendency to reject criticism is holding back my development… I have thought about it though, I’m not just sticking my fingers in my ears and going la-la-la) enquanto a realidade de traição, de veneno, de sonhos perdidos, de murmúrios abafados é “disperso e irrelevante”. Esta tema reaparece n’Os Memoráveis da mesma autora.

Afinal, a ironia da citação supra, sobre o suicídio e a beleza não é errada. A beleza da ilusão de um império resultou numa sociedade apodrecida e uma falta de respeito aos cidadãos negros. E um império que não sabe distinguir entre os inocentes e os rebeldes rapidamente faz dos inocentes mais rebeldes. Assim, o suicídio é do império.

Bibliografia

Jorge, Lídia (1988) “A Costa Dos Murmúrios” 16ª Edição, Dom Quixote 1995