I’ve been following this channel for a little while now and I thought this video was an interesting one, because I agree it isn’t really clear with words like devagarinho and baixinho ‘ is the -inho making it even smaller, even slower or just a little bit slow, just a little bit small.
Os Gafanhotos – e-Fólio B
This is e-Fólio B, from Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea, about A Costa Dos Murmúrios. The question is based on the short story which forms the introduction to the book. It’s called “Os Gafanhotos” (“The Locusts”) and the protagonist of the main story reads the short story, which seems to be describing a younger version of herself, living in the colonies, in a culture that very much looks down on the natives of the country. Part way through the story, a cloud of locusts comes and surrounds the gathering, and I think we’re meant to see the portuguese colonists themselves as a biblical plague of locusts laying waste to everything they settle on. The main book is all about Eva unravelling the rosy view of empire that is explained to Evita buy the other guests at the party in os Gafanhotos. Finally, on the last page, as the body is pulled from the sea, she talks about how the words she has heard were becoming isolated sounds, the sounds murmurs, as the last stage before silence, which speech is followed by:
…disse Eva Lopo, rindo. Devolvendo, anulando “Os Gafanhotos”
and the question asks us to Indique e comente um exemplo de uma passagem de “Os Gafanhotos” que Eva Lopo tenha “anulado”. To be honest, i really struggled with this essay. It came directly after a massive work deadline and my head just wasn’t in the game, so I freestyled it and was amazed when, once again, I got a surprisingly decent mark for the work!
Resposta
O desenvolvimento da protagonista do romance é inextricavelmente ligado à sua crescente desilusão com a versão da vida colonialista exemplificada n’Os Gafanhotos, e assim quase todos os acontecimentos levam a cabo a anulação do conto e da ingenuidade da Eva.
Mas para mim, talvez a frase mais agridoce do conto seja uma que vem logo na última página. “Todos, incluindo Evita, compreendiam que o excesso de harmonia, felicidade e beleza provoca o suicídio mais do que qualquer estado” (OG p38).
No conto, Evita está “a chorar baixinho” (OG p38) quando este pensamento surge no fluxo da consciência dela, e é por isso que a autora do livro (The docente corrected this to “o narrador” and said not to identify the two “de carne e osso”, but I don’t think I agree – this part of the story really feels like the lens has pulled back and we‘re getting addressed directly by the writer… but I could be wrong of course!) nos conta, no final do livro que “rindo”, ela anulou, de uma vez por todas, Os Gafanhotos. Evita é ingénua, Eva desiludida, mas paradoxalmente a última é que acaba rindo e a outra em lágrimas. Porque é que a reação dela é tão diferente? Talvez porque, sabendo mais do que a Evita sobre a realidade da sociedade, ela entende melhor. Ao resgatar as memórias perdidas na narrativa oficial, ela é curiosamente mais livre.
O caminho até este estado de entendimento é longo. A “rebelião de selvagens” é revelada como guerra sangrenta na qual o seu marido faz parte. O marido, que antigamente se interessava pela matemática (I wrote “engenharia” ‘ how weird, I could have sworn it was that!), deixou morrer os seus sonhos na perseguição dum novo: o heroísmo. No processo, tornou-se uma sombra do seu major, um bruto, ou seja, um selvagem. Entretanto, na cidade, os negros inocentes perdem as vidas por causa de umas garrafas de vinho envenenado de metanol.
Pensando nas contradições do passado, Eva Lopo escreve, no primeiro parágrafo do terceiro capítulo “Definitivamente, a verdade não é o real, ainda que gémeos, e n’Os Gafanhotos, só a verdade interessa. Por isso não teria sido útil introduzir o gesto do alferes com a faca na boca e o sangue a abrir e a alastrar como uma estranha flor” (p85). Noutras palavras, ela acha a narrativa d’Os Gafanhotos demasiado “unida e (…) infragmentada” (p85) (the correction here was that it is a general proposition and not specifically about Os Gafanhotos— OK, fair point, although in a question about os Gafanhotos, referencing a paragraph where she has said Os Gafanhoto is interested in the truth, and the truth is too unitary and unfragmented, I feel like I can extrapolate to say that, yes, she thinks this about OG too – especially when I only have one side of A4 to make my argument… But maybe my tendency to reject criticism is holding back my development… I have thought about it though, I’m not just sticking my fingers in my ears and going la-la-la) enquanto a realidade de traição, de veneno, de sonhos perdidos, de murmúrios abafados é “disperso e irrelevante”. Esta tema reaparece n’Os Memoráveis da mesma autora.
Afinal, a ironia da citação supra, sobre o suicídio e a beleza não é errada. A beleza da ilusão de um império resultou numa sociedade apodrecida e uma falta de respeito aos cidadãos negros. E um império que não sabe distinguir entre os inocentes e os rebeldes rapidamente faz dos inocentes mais rebeldes. Assim, o suicídio é do império.
Bibliografia
Jorge, Lídia (1988) “A Costa Dos Murmúrios” 16ª Edição, Dom Quixote 1995
Os Cus de Judas – E-Fólio A

Breakdown of the first “e-Fólio”. I think I talked about this at the time didn’t I? (Searches) Ah, yeah, here it is! The book in question is Os Cus de Judas by António Lobo Antunes.
Citação Escolhida
Talvez que a guerra tenha ajudado a fazer de mim o que sou hoje e que intimamente recuso: um solteirão melancólico a quem se não telefona e cujo telefonema ninguém espera, tossindo de tempos a tempos para se imaginar acompanhado, e que a mulher-a-dias acabará por encontrar sentado na cadeira de baloiço em camisola interior, de boca aberta, roçando os dedos roxos no pêlo cor-de-novembro da alcatifa. (p60, Capítulo G, 37º edição, Dom Quixote, 2019)
Razões
Não é nada surpreendente que esta frase, que previa a morte do narrador me chamasse (I put “chamar-me-ia” which I guess is too literally anglophone and anyway I should have known the pronoun-sandwich would be wrong!) a atenção, uma vez que o autor realmente faleceu durante a primeira semana deste curso.
Mas para mim, isto sublinha uma coisa sobre a qual volto a pensar de vez em quando: as histórias paralelas do meu país, o Reino Unido, e de Portugal. Partilham uma herança gloriosa de descobrimentos e de vontade (por falaciosa que seja) de espalhar os benefícios da civilização aos quatro cantos do mundo, mas ao longo dos séculos acabaram com impérios dos quais estavam a perder o controle. O processo de aceitação da realidade e depois da libertação dos territórios foi difícil para os dois mas para Portugal foi ainda mais penoso.
Em 1971-3, enquanto o jovem Lobo Antunes era médico no exército português, o meu pai era médico no exército britânico na Irlanda do Norte. Naquela altura quase todo o império britânico tinha desaparecido, graças a vários movimentos independentistas, revoluções e acordos com governos estrangeiros, processo que se acelerou (I just wrote “acelerando…”) a partir de 1945 por causa do consenso do pós-guerra. Ao mesmo tempo, Portugal enfrentava revoluções nos seus territórios e guerras sangrentas que tinham demorado mais de uma década.
Acho que grande parte da diferença entre os dois países tem a ver com o governo. Uma ditadura não tem medo de ser derrotada nas próximas eleições, daí não se importar (OK, I don’t know what’s going on here. I wrote “não se importa” without the r. The docente corrected me but I can’t understand why. I mean, he must know but… what???) se milhares de soldados perderam as vidas. Ainda por cima, havia uma ideologia que dizia (not disse) “Portugal não é um país pequeno”. A identidade da (not do) metrópole era fortemente ligada à sua posse de territórios ultramarinos.
Lobo Antunes oferece críticas (Fazzini, 2014 p30) da ideologia fascista (entre outras coisas), no livro, através da narração do protagonista que se encontra num bar a contar a sua história de deshumanização, em frases cada vez mais violentas (e menos pontuadas) (I got my concordância wrong on both these adjectives – a sure sign that I was low on time for proofreading!), ao explicar como a guerra “talvez” o tenha mudado, Sim, talvez.
E afinal, foi a ditadura que meteu o país nesta loucura toda. A forma do governo importa. Evidentemente os militares sabiam desse problema e foi por isso que tiveram de libertar o seu próprio país em 1974, para possibilitar a sua liberdade e a dos africanos.
Bibliografia
Fazini, Luca (2014) “Guerra e testemunho no romance europeu contemporâneo” Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
A Rush, A Push and the Exam is Ours
Olá! Será que alguém ainda está a ler este blogue? Espero que sim mas tenho de admitir que ando muito ocupado com todos os meus compromissos, não só no âmbito de trabalho, mas também no condomínio, a horta comunitária e o curso online, tenho pouco lazer e não me admiraria se todos vocês tivesse desistido de seguir!
O último exame do curso (Literatura e Cultura Portuguesas – Época Contemporânea; Universidade Aberta) estará neste terça-feira. Não fiz a leitura toda. Ups. Mas tenho de fazer um esforço nos próximos dias, porque se conseguir uma boa nota nisto, passarei o curso todo e voltarei a ter tempo livre.
Hoje, aprendi uma nova palavra: “Cronótopo”. Não é muito útil. Se entrares numa loja e dizeres “O Evaristo, tens cá Cronótopos?” O lojista dar-te-á um olhar perplexo. Trata-se de um conceito emprestado da matemática ao campo da teoria literária, e descreve o estado do tempo e do tempo interligados numa narrativa. No caso d’O Retorno de Dulce Maria Cardoso, O Hotel do Estoril funciona como cronótopo, no qual Rui e a sua família ficam presos ao chegar ao metrópole. Neste espaço liminar, os retornados tentam reconstruir as suas rotinas num tempo que não é passado nem futuro. “Insistimos em pormenores insignificantes porque já começamos a esquecer-nos” Frases repetidas (por exemplo “um quarto pode ser uma casa”), esta noção de ser fora do tempo é reforçado e, segunda a académica Ana Filipa Prata*, o romance sublinha a permanência da trauma com o hotel como metáfora da condição existencial do país na esteira da descolonização.
Brochado

I’m really surprised not to have come across this word before, given that I buy a lot of books. Brochado means the book is in a soft cover – paperback or thin card – bound by sewing them to the spine, not by gluing them in place. Nice, specific word.
Fazer o Gostinho ao Dedo
Voltei a ver o filme de “A Costa dos Murmúrios” O livro, da autoria de Lídia Jorge, faz parte do meu curso mas já li há anos, portanto estou a fazer batota por ver o filme e mais nada. Infelizmente, esta versão tem legendas em inglês que estou a ignorar cuidadosamente.
Nesta cena, o alferes, o marido da Eva sugere ao seu capitão que eles façam “O gostinho ao dedo”, evidentemente uma expressão idiomático mas o que é que ela quer dizer? Segundo o dicionário Priberam, é fazer algo só pelo prazer ou pela novidade sem obrigação nenhuma.

Os Deslocados Deslocam-se Novamente
Os concorrentes Portugueses do Festival da Eurovisão partem em digressão este ano e vêem para Londres em Novembro. A sua canção mais famosa é o hino não-oficial da Madeira, é existem milhares de madeirenses nesta cidade portanto acho que as bilhetes voarem depressa.
Trigo Limpo, Farinha Amparo
There’d nothing new under the sun.
I was reading this graphic novel, Vampiros, about a group of soldiers in Guiné during the war, and the saying seemed not to make sense. Amparo looks like it ought to be an adjective, but then why doesn’t it agree with Farinha?

I looked it up and amparo doesn’t have an adjective definition, so I tried the whole phrase and it finally hit me, I’d seen this before: it was used in A Crónica Dos Bons Malandros and I’ve written about it, so I should have known it.
It’s an old advertising slogan, and the idea is if you’ve got good, pure ingredients then you’ll get a reliably good products. In other words, don’t worry, we’re well prepared and everything will go smoothly.
Sigh. I really wish I remembered more of what I’ve written in here. My memory has always been pretty terrible and it’s not getting any better with age.
I can’t really think of any other idiomatic expressions in portuguese that come from adverts. I’m pretty sure I can think of a few in English that we used to use during the TV Age, but they didn’t tend to last very long, so I’m not sure if this one is current. Mario Zambujalvs novel, is set in the 80s, and the comic I’m reading now is older but it’s set in the early seventies.
Pronunciation
Estou a curtir este canal do Insta. Consiste num pai e a filha dele. Ele é nativo do Tajiquistão e fala muitíssima bem, mas tem sotaque da sua língua de mãe. A filha, por outro lado, fala português como nativa e ela tenta corrigir a pronúncia do pai. Ambos falam inglês também o que ajuda muito porque faz o canal mais prestável para outros estudantes de português, sobretudo os novatos.
Este vídeo não é o mais educativo deles mas fez-me rir muito. Soa como uma conversa entra eu e a Catarina.
O Trabalho Mais Fácil De Sempre?
Tenho nove horas e meia para desenvolver o trabalho do primeiro e-Folio do curso atual. A pergunta é a seguinte:
Atente na última frase de cada um dos capítulos de” Os Cus de Judas” de Lobo Antunes. Escolha, de entre essas últimas frases, uma que lhe tenha especialmente agrado e explique as razões da sua escolha.
Mas também…
Nota: é obrigatório citar a frase escolhida.
Então? Porque é que este blogue é intitulado “O Trabalho Mais Fácil de Sempre”? Porque as normas do exercício estipulam “o e-Folio não deve ultrapassar 1 página A4”. E olha o tamanho das frases que Lobo Antunes escreveu.

São quase todas iguais. Depois de citar a frase escolhida, sobraria espaço o suficiente para 3 palavras.
“É muito bom” 4 Valores se faz favor.

