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Luís Represas – Na Curva do Horizonte

Morreu ontem Luís Represas, o cantautor* e ex’membro dos Trovante. Não o conheço bem, mas decidi experimentar os seus top 5 de vídeos no Tutube. Acho que já ouvi “perdidamente”, uma versão de “Ser Poeta” da escritora lendária Florbela Espanca” mas este dueto chamou-me mais a atenção

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A voz não veio de lá
Quem me chamou eu não vi
Se alguém ligou por ligar
Quem me ligou não ouvi
Entrei em casa e fiquei
Em pé e quase a dormir
Dos dias longos roubei
Alguns minutos para viver para mim
Só para não esquecer porque parti
The voice didn’t come from there
I didn’t see whoever called me
If someone called just to call
Whoever called me, I didn’t hear
I went in the house and stood
there, almost asleep
From the long days I stole
Some minutes to live just for myself
Just to remember why I left
Parti sem nunca partir
Fiquei sem nunca ficar
Saí sem nunca sair
Voltei sem nunca voltar
Falei sem nunca falar
Gritei sem nunca gritar
Guardei o que posso de mim
Pensei e posso pensar
I left without ever leaving
I stayed without ever staying
I went out without ever going out
I returned without ever returning
I spoke without ever speaking
I screamed without ever screaming
I kept what I could of myself
I thought and I can think
Felicidade faz bem
Simplicidade maior
A estrada não tem ninguém
Mas tem um vento que cheira a amor
Eu adivinho alguém
Na curva do horizonte
Se és tu que sinto chegar
Não te escondas mais por trás do monte
Sai
Vem e dá-me a mão
Vamos voar
Happiness is a good thing
Simplicity is larger
The street has nobody
but it has a wind that smells like love
I sense someone
On the curve of the horizon
If it’s you that I feel approaching
Don’t hide yourself behind the mountain
Come out
Come and give me your hand
Let’s fly
Parti sem nunca partir
Fiquei sem nunca ficar
Saí sem nunca sair
Voltei sem nunca voltar
Falei sem nunca falar
Gritei sem nunca gritar
Guardei o que posso de mim
Pensei e posso pensar
I left without ever leaving
I stayed without ever staying
I went out without ever going out
I returned without ever returning
I spoke without ever speaking
I screamed without ever screaming
I kept what I could of myself
I thought and I can think
Voltei sem nunca voltar
Fiquei sem nunca ficar
Saí sem nunca sair
Pensei e posso pensar
I returned without ever returning
I stayed without ever staying
I went out without ever going out
I thought and I can think

*Obscure word this, but keen followers of this blog will remember it from the footnote of this post. It’s a cantor-autor – a singer-songwriter.

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Boa Sorte, Espanha

Vivemos num mundo tão ao avesso que a seleção espanhol ganhou um novo adepto imprevisto. Sim, até a nossa padeira de Aljubarrota gosta mais dos castelhanos do que os argentinos.
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Shouting At My Screen

This geography quiz channel comes up a lot on my feed and it’s usually quite informative but they’ve made a howler here. Can you spot it?

(answer: most of them are lusophone countries but Equatorial Guinea is the only country in Africa where Spanish is spoken)

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Poemagem – Sandra Acosta

Poemagem

O blogue de ontem foi uma descrição de um livro comprado no FLILP, mas comprei dois e hoje trago-vos o segundo: “Poemagem” de Sandra Acosta. Chamou-me a atenção porque o exterior é tão bonito: uma etiqueta elegante, colada numa capa dura azul escuro com um marcador vermelho. Falei com a autora que explicou que cada poema tem como assunto um lugar a qual ela tinha ido. Mas além da poesia, ela faz colagem e cada poema tem a sua própria ilustração. Embora não seja o maior fã de sempre da poesia, adoro a colagem (a obra do Graham Rawle por exemplo*!) e não resisti: comprei exemplar 323, assinado pela autora. Li-o no comboio, a caminho para Richmond. O livro é mesmo bom. Pois, é poesia, mas a poesia é brincalhão: brinca com palavras e com a tipografia. Existem cartões divetidos enfiados entre as folhas. Como um objecto, o livro é lindo – posso imaginar dar um exemplar como presente a um amigo. Fico muito contente com esta compra!

*I googled him and… Wait… What the shit? He died? Noooo!

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Lauryn – Esta Sou Eu

Entre os escritores que conheci na Feira Literária Internacional de Língua Portuguesa, o mais jovem foi a Lauryn, que escreveu um livro sobre s sua vida e os seus pensamentos sobre ser jovem e negra, filha de dois africanos (Mãe do Cabo Verde e pai d São Tomé e Príncipe).

Lauryn esta sou eu

O livro é do género de ‘Little People Big Dreams’, cheio de lições que alimentam o auto-estimo e a ambição dos leitores. Mas além do facto de ter escrito (com ajuda da mãe, de certeza) um livro, o que mais me marcou foi a confiança da menina em aproximar-se aos visitantes. Ela abordou-me, mostrou-me o seu livro e explicou que foi traduzido em 4 línguas. Ela fala português por causa dos pais, mas a sua língua nativa é inglês. Explicou que é um livro juvenil mas também um livro para adultos, porque toda a gente deve entender determinadas coisas.

Respeito o espírito trabalhador dela, e comprei um exemplar do livro, que li ao chegar a casa.

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FLILP – A Segunda Edição

Leitores deste blogue da “escola antiga” podem lembrar da FLILP – a Feira Literária Internacional de Literatura Portuguesa que visitei em 2024, na sede do Cara Livro ni Reino Unido. A feira está de volta com a sua segunda edição e eu fui ver como cresceu no intervalo.

Deste vez, a feira teve lugar no Goldsmiths College. Ugh. Acho que seria mais rápido e mais fácil ir para Lisboa.

Cheguei às 12 e meia e percebi que a feira era maior do que em 2024. Claro que não chega aos calcanhares das feiras de livros nacionais, como a Feira do Livro de Lisboa, mas não é nada surpreendente: Inglaterra não é um país lusofono – de que é que estava a esperar?

Estava de língua amarrada. Mas, apesar do meu constrangimento, falei com várias pessoas: poetas brasileiros, autores angolanos, artistas portugueses, dois ingleses que estavam ali para publicitar um evento no qual um colega deles, um tradutor, iria entrevistar Gonçalo M Tavares (um autor muito bem conhecido) sobre a tradução do seu novo romance.

Conheci uma menina anglo-africana. Nasceu cá em Londres mas o seu pai é são-tomense e a mãe cabo-verdiana. Vou falar mais nela amanhã. Também falei com um tipo daqueles que pensem sempre em negócios. Contou-me como escreveu um livro de auto-ajuda em 19 dias. O tipo facilita empreendedores, líderes de negócios e outros egoístas escreverem as suas autobiografias e desabafos sobre esta sociedade que não valoriza o empreendorismo o suficiente, ou sei lá o quê. Estou a brincar: respeito o seu espírito trabalhador mas a minha natureza é mais relaxada e não entendo o “hustle culture”.

Bazei após uma hora, mas ou menos, com dois livros novos. Mas quem me dera que estivesse mais preparado.

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Well, I seem to have survived…

The exam went OK. I had one of those classic questions where I didn’t know the answer but I reckon I can say just enough about it to hang a long digression on, and talk about things I do know. The other two questions were fine and I was able to give solid answers for both.

I’m really noticing how my language has deteriorated in terms of just everyday usage. I’m not getting as much talking practice in, and even though I’m reading a lot, my language was extremely stilted and extremely limited in the essays. I need to find some people to speak to.

Anyway, whole course done. It was quite an experience, and I’m really glad I put myself through it.

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Skymouth

I don’t think I’ve come across this before. António Lobo Antunes, in Os Cus de Judas, brushes not only his teeth and gums but “o céu da boca”. The sky of his mouth, or maybe the heaven of his mouth. Either way, sounds much better than the roof of his mouth.