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MacGyverism

I came across a word the other day that I hadn’t really thought about much but seems to have more depth than I realised. For some, it’s just as much a national characteristic as “saudade”. The word is “desenrascanço“. Its root is “enrascar” which means to twist or tangle. So it’s basically the ability to untangle things, and it’s more-or-less equivalent to English words like improvisation, hacking, kludging, or pulling a MacGyver*.

Just to be clear though, as far as I can tell, it’s the quality of a person who is resourceful, not an individual act of improvisation, although I can see some online definitions that have explained it that way. So it’s more like “the quality of being good at improvising” or maybe “MacGyverishness”. And hence, some Portuguese people see it as an important national characteristic in the same way we brits value our ability to “muddle through”

*=confession time: I’ve never actually seen MacGyver, but I gather he was someone who always managed to get out of a tight spot by winging it with whatever was available. Or so my wife tells me.

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Malditos, Histórias de Homens e de Lobos – Ricardo J. Rodrigues

Este é um livro fascinante. Aqui temos uma história verdadeira, contada pelos olhos de dois inimigos: os lobos e os pastores. Uma rivalidade que durou há séculos está prestes a terminar com o fim duma moda de vida (a dos pastores) e o esgotamento de espaços selvagens onde moram os lobos. É uma guerra eterna que vive em mitologia (quem viu a capa do livro e não pensou de lobisomens?) mas não tem espaço neste mundo cada vez mais moderno.

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Things Going Quite Well…

… In my lockdown side-quest language too. Finished the Duolingo and half way through the video course. I might try my hand at reading a basic text in kindle (with translation support built in!) and see how I get on!

Moses would be cross about this worship of golden animal statues, I’m sure, but it’s pretty exciting.
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O Anibaleitor – Rui Zink

Gostei muito deste livro. É curto, uma espécie de romance picaresco, contado na primeira pessoa, e com um monte de referências a outros livros e filmes (obviamente o título é uma piada baseado do anti-herói d”O Silêncio dos Inocentes”)
Principalmente, adorei as declarações do Anibaleitor sobre a leitura.

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O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca – Ana Pessoa

Este livro (caderno?) é muito divertido. Conta a história de uma rapariga de 14 anos (faz 15 perto do final da história). Não divulga a nome dela mas há pistas, e não é difícil adivinhar! Ela é karateca (palavra desconhecida para a minha esposa, e isto deu boa oportunidade para mim ser professor de português a uma madeirense), e gosta de um rapaz da mesma classe de karaté.
O caderno é cheio de desenhos bonitos contos pequenos, listas, e pensamentos, mas não é um caderno típico, não, tem uma vida e uma vontade própria como a rapariga descobre…

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Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XXI

So confused about which way to align this one

Esquerda e Direita – Rui Tavares

Adoro tanto estas edições da editora Tinta de China de cantos redondos. O livro vale mesmo a pena para quem se interessa na política. O autor afirma que as etiquetas “direita” e “esquerda” estão mais importante do que nunca, mesmo que o “campo de batalha” fique cada dia mais complicado, e tenhamos de ter em mente outros dimensões de político (global e nacional, autoritário e libertário) além daquelas. Embora os significados das palavras mudem ao longo dos anos e entre vários países, sem qualquer método de orientarmo-nos num espectro de opiniões, ficamos mais vulneráveis aos bitates dos demagogos.
O argumento do livro é muito justo. Quero dizer que o escritor nunca menospreza o ponto de vista dos seus rivais da direita, nem tenta branquear os crimes da esquerda. Mas defende a sua opinião: as categorias ainda fazem sentido, e os apoiantes de cada asa devem continuar em diálogo.

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Raízes – Opinião


Raízes – The Lisbon Studio Series Vol. 4
Hm… Este livro é uma misturada de BDs diversas. O livro tem bom aspecto mas cheira a plástico. Ao final de contas deixou me desiludido. Há talvez duas histórias interessantes, duas com arte fascinante mas sem enredo, mas o resto… *encolho os obros* …
Se calhar a vantagem de conjuntos deste tipo é que dão oportunidade de descobrir novas artistas que – quem sabe – podem criar algo mais completo. Infelizmente, não há nada aqui que inspirou-me procurar mais obras de qualquer um.
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O Atelier de Noite – Ana Teresa Pereira

O Atelier de Noite é o meu segundo romance de Ana Teresa Pereira. Encontrei o mesmo sentimento onírico do outro (O Verão Selvagem Dos Teus Olhos). Os dois livros partilham também um origem em literatura inglês. Neste caso, o primeiro conto é baseado na vida de Agatha Christie, que desapareceu durante 11 dias nos anos vinte do século passado. ATP usa este evento como matérias-primas de uma obra contada numa série de esboços (não há capítulo que ultrapassa 2 páginas, e alguns têm tamanho mesmo menor) de uma escritora a viver às escondidas num hotel, a fugir da vida, talvez num estado de fuga. Mas o ponto de vista muda de um capítulo para outro, e nós leitores, com visão turva, nem sempre sabemos quem é a protagonista: quer Ana quer Agatha, ou até Poirot. Os cargos de autora e protagonista ficam embaçados.
Embora o segundo conto tenha uma outra história, não é cem por cento distinto. Tem a mesma estrutura, e várias frases e temas repetem-se nos dois. Confesso que o meu português não é o suficiente para entender a ligação entre os dois. É provável que perdi algumas coisas, mas gostei de viver durante um dia (sim, um dia. É pequeno. Devorei-o) neste sonho literário. 

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Manual do Bom Fascista – Rui Zink

Manual Do Bom Fascista – I’ve aligned the image to the right, as he would have wanted

Um livro divertido mas cheio de vocabulário desconhecido (mais do que normal… Não costumo de usar o dicionário tanto com livros humorísticos!)
O autor defende que o fascismo é uma tendência que existe em cada um mas, tal como o espírito de mal no livro The Shining, “é fraco e, para prejudicar a sério, precisa de contaminar seres de carne e osso, igualmente fracos, ou apanhá-los num momento de fraqueza” (este cotação vem do capítulo “Ministério da Fraqueza”, página 61 nesta edição). Isso, para mim, é a chave do humor do livro, porque fascistas verdadeiras são uma grande ameaça mas os emoções que um demagogo pode abusar para ganhar seguidores vivem em toda a gente. Provavelmente cada um de nós reconhece algum comportamento nestes capítulos que mora nos nossos próprios corações. Por isso, não estamos a rir só do nosso tio que lê o Daily Mail (ou quer que seja a equivalente português) mas também rimos da nossa própria predisposição para agir numa maneira reaccionária quando temos medo ou sentimo-nos fora da zona de conforto. Por isso, embora haja assuntos sérios (racismo, homofobia) os capítulos mais engraçados são os que tratam de frustrações do dia a dia (tal como impostos, opiniões com qual não concordamos, novidades linguísticas ou seja o que for) que dão surgir os nossos preconceitos e acordam o nosso facho interior. E assim, rimos e compreendemos melhor de nos próprios.