Estou a reler os materiais do meu curso antes do exame. Não sabia disto antes mas quando Constança Manuel se casou com o Infante dom Pedro com 16 anos, foi a segunda união dela. Quando era uma menina com sete anos, o pai dela casara-a com o seu pupilo, Afonso XI de Castela que naquela altura tinha 14. O casamento não fora consumido, tanto quanto sabemos, e ainda bem, mas o seu marido tinha escolhido outra esposa, deixando Constança sozinha para fazer uma nova aliança com o famoso Pedro, um dos homens mais conspicuamente infiéis de todos os tempos. Coitada, ela teve tanto azar.
O Antónimo de Anónimo
Já percebeste que existem palavras negativas que não têm vocábulos opostos? Um exemplo famoso no meu próprio idioma é “disgruntled” que parece o oposto de “gruntled” mas gruntled não existe. Encontrei um exemplo no livro “Os Memoráveis” de Lídia Jorge.

Ela fala de “cartas nónimas e anónimas”. Nónimo =”que tem assinatura” ou “cuja autoria é conhecida”? Acho que ela está brincar com palavras porque o termo não se encontra no meu dicionário.
And This!
Yeah, I know I missed them last time, but this one is on my wedding anniversary so, rota allowing, it might be an actual date!
Definitely getting tickets for this!
Virtual Sabre Rattling.
I don’t tend to drink a lot but it’s Burns night here in the UK and… Well, the quality of grammar, as well as the general raciocínio on display in today’s blog might be lower than usual, that’s all I’m saying. This is also the most conspiracist blog I’ve ever written. Not in a bad way (I hope) but certainly full of wild and unsubstantiated claims. So… Strap in!
Hum… Recentemente, o meu feed YouTube anda cheio de vídeos sobre a potência militar de Portugal e a sua força na aliança OTAN. Por exemplo, hoje, chamou-me a atenção “How Insanely Powerful is Portugal’s Military in 2026” (subtítulo “Why Portugal’s Military Shocks NATO”) Antes “Why Portugal Now Controls the Most Important Waterway in Europe” (subtítulo “Atlantic Gatekeeper”) e existem ainda mais, por exemplo isto e isto e isto. Ao que parecer as vozes dos anfitriões são geridos por IA. A voz irlandesa que narra o primeiro vídeo nem sabe dizer “nato” nem “trident” e existe gramática que um anglofono não diria nunca, como por exemplo “Every for a government that had planned for 2029”. É evidente que não é um ser humano.
O que é que está a acontecer? Não consigo dizer com certeza. Os americanos não têm motivo para elogiar o exército português.. Os russos é os Chinese também não, mas aqui vou eu a pensar em voz alta.

Mostram-se no vídeo vários diagramas e gráficos incluindo este (supra) que demonstra, nitidamente que o 2.0% orçamento militar de Portugal é maior do 2.3% do Reino Unido ou o 2.4% da Alemanha. Hum… tá bem… Qualquer pessoa com domínio da matemática consegue ver este truque instantaneamente, mas acho que o alvo do vídeo é uma pessoa que não tem domínio da matemática. Que não sei nada de nada.
Para mim, a resposta é fácil: com as ameaças do “presidente” dos EUA contra a Dinamarca (a minha terra espiritual), acho que o governo português teme ser alvo de mais uma campanha militar para anexar territórios estratégicas, mais obviamente os Açores, onde fica as Lajes, uma freguesia na ilha do Pico, onde é situada a base aérea mais estratégica no mundo. Antigamente, a base tornou-se motivo para os Estados Unidos se meter na política portuguesa, porque é um sítio muito importante nos planos estratégicos daquele país. A perda da base (no caso, por exemplo, de um governo comunista ter sido eleito durante a guerra fria) dificultava as operações da força aérea americana na Europa, na África e no medio-oriente. Ainda hoje, existem teorias de conspiração ligando a morte do presidente Francisco Sá Carneiro à CIA por causa da sua oposição à presença das forças armadas americanas no arquipélago.
E, com este pano de fundo, parece-me que o governo português acharia vantajoso espalhar propagandas sobre a confiabilidade e o poder incontestável do estado português na aliança transatlântico.
Existiam Três Salazares?
Um artigo no jornal Expresso, logo depois do anúncio do resultado da eleição afirmou:
Ventura deixa cair a “moderação”, recupera os “três Salazares” e quer ser como Afonso Henriques contra “os mouros”
Expresso
O quê?
Ao que parece, o testo refere-se a uma entrevista durante a qual Dom Aldtrump disse que “Portugal só se salva se em Santa Comba Dão* houver um fenómeno místico que faça saltar uma tampa que projecte “três Salazares” para limpar a “corrupção”, a “bandalheira” e os que “entraram com cadastro” no nosso país “
Hum, na boa chavalo retardado. Seja como for, deu-me uma ideia para uma piada. Espero que gostes.
Quantos Salazares são precisos para mudar uma lâmpada?
Três: um para subir na cadeira e mudar a lâmpada, um para segurar a cadeira enquanto está de pé nele, e a terceira para a segurar ainda mais firmemente.**
*Caso não saibas (eu também não sabia), Santa Comba Dão é o lugar de nascimento do único Salazar que já poluiu o país na realidade.
**And in case you don’t know what this is about, Salazar died a few days after falling from a chair and injuring himself. It’s still a pretty terrible joke, that he’d be so paranoid about having to stand on the chair he’d ask both his clones to hold it steady…. Oh well, never mind
I Continue to Get Surprisingly Good Marks
I got a solid 3.4/4.0 in the essay about Dom Joâo II. That’s 85% – God, I’d have killed for marks like that in the degree courses I took in IT and computing. I made a lot of silly grammatical errors that I should have picked up in editing, but in spite of everything, he noted that I have shown that I had an original and distinctive take on the subject, and I feel quite pleased with that!

Anyway, I need to start revising, so I am going to go through it in detail, fix the mistakes and think about what could be improved. Again, this is just for my own benefit, but if you’re following along, the challenge was to analyse the title and subtitle of this thriller and decide what it means, referring to what we know about the real (historic) and fictional (in legend, propaganda and media representations) person that is Dom João II. I’ll fix all the boring typos and comment on the mistakes that are interesting enough to say something about. I’m indebted to the teacher who took the time to correct the grammar but didn’t penalise me for it as I suspect he probably could have!
Introdução
Neste texto, vou tentar decifrar o significado do título e o subtítulo deste livro, mas antes de começar, é necessário perguntar “o significado para quem?” Raras vezes todos os leitores de um livro concordam sobre a interpretação de um livro. Então o nosso pensamento deve começar com o autor e a imagem que ele quer criar na mente do leitor. Mas a visão do autor não é isolada, separada da cultura e da sociedade onde vive. O seu retrato do rei tem de ser reconhecível para os leitores, ou seja, tem de ter alguma semelhança com a pessoa de João II promulgada* nas escolas e na média. Ao mesmo tempo, um autor de romances históricos sabe bem que os seus leitores querem mais do que factos, nus e crus. Se quisessem isso, teriam comprado alguma coisa da estante não-ficção. Assim podemos imaginar o autor a pensar nas várias narrativas ao longo dos anos. Não sendo historiador nem propagandista, o autor de ficção histórica é livre para escolher os aspetos da lenda que satisfazem os seus critérios.
Como o Título Chama a Atenção dos Leitores
Em primeiro lugar, a palavra “Sombras” pode ser interpretada de várias maneiras. Pode-se imaginar uma montanha ou um castelo a assombrar o território à sua volta por causa da sua imensidade. Uma sombra, então, é símbolo da imponente estatura da figura do rei nos olhos do povo. Por outro lado, a palavra sugere o lado obscuro de um governo e a sua rede de espiões. E em terceiro lugar, é fácil imaginar o rei como um protagonista assombrado pelas suas próprias dúvidas.
Destes três, a primeira explicação é a menos satisfatória. Um castelo tem uma sombra e mais nada, mas a palavra no título é plural. Quanto aos outros significados, o site da editora (Clube do Autor, 2026) fornece amplas provas de ambas. Talvez a única frase mais reveladora do seu assombramento e o do seu povo é “No meio de tudo isto, há um homem de lágrima fácil e íntimo cruel, um verdadeiro manancial de sentimentos por decifrar.”
Noutras palavras, ao** leitor está a ser prometido emoções turbulentas por parte de um rei que anteriormente teria parecido opaco e ainda por cima um enredo cheio de surpresas e que – quem sabe – é capaz de pôr em causa a nossa imagem do Príncipe Perfeito.
Como o Subtítulo Os*** Seduz Ainda Mais
À primeira vista, o subtítulo, “Sonho, glória, poder e intriga. Os bastidores de um reinado de ouro.” garante uma visão do rei que é mais tradicional e mais normativa: o rei levou a cabo uma onda de descobrimentos cruciais para o futuro do país e do continente europeu, trazendo glória, poder e riqueza para os participantes e para o trono. Na verdade, a legacia**** dele é altamente discutível, como vemos na obra da Mafalda Soares de Cunha que mostra exemplos de historiadores serem acusados, desde o século XVII de (entre outras coisas) “[…] omitir uma série de informações importantes, como é o caso do seu papel no progresso da gesta expansionista… (Cunha 1988 pp 651) mas isso não altera a reputação do rei na imaginação pública. O seu nome é quase sinónimo dos descobrimentos, é óbvio no “Mensagem” de Fernando Pessoa, a sua mitologia poética do passado de Portugal, onde o rei aparece não só no poema que tem o seu nome onde ele parece “uma alta serra”***** (Pessoa 1934 pp 44) (e, indubitavelmente, assombra o promontório onde está!) mas também em “O Mostrengo” o navegador leva o nome dele como um talismã contra os perigos do mar****** (Pessoa 1934 pp 57)
Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!
Adriana Bebiano afirma que a precariedade do mundo atual (ela estava a escrever logo depois dos atentados de 2001) produzia um desejo de regressar ” a representações identitárias onde se observa um excesso de passado” (Bebiano, 2002 pp 534) e que, no caso de Portugal, esta tendência era caracterizada por “a quase omnipresença da gesta marítima” (ibid) como o navio na capa deste romance.
Para Jorge Sousa Correia, escrevendo nos anos vinte deste século, a confiança na autoridade está catastroficamente reduzida e andamos rodeados por teorias de conspiração. Daí, não é nada surpreendente que vejamos neste título e seu subtítulo, uma combinação da glória radiante do passado, salpicada de tons mais escuros, representando a sombra de dúvida no que diz respeito ao líder daquela época dourada*******.
*I should really have said divulgada or propalada. I was really going for something that indicated the image was being put out as a sort of “official version” of events but it turns out I don’t really know what promulgated means even in my own language!
**Over-literal translation here. In english we’d say “the reader is being promised something” but that doesn’t work in portuguese; you have to say something is being promised TO the reader
***This is meant to follow on from the previous heading: having caught the eye of his readers he is seducing them further, but with such a long gap in between it was confusing, so the marker was left scratching his head and wondering who the hell I’m on about
****Woah! This falso amigo really surprised me. I should have said “legado” which means legacy. Legacia refers to the office of a legate!
*****Part of the instructions were that you had to quote something from the mandatory readings and believe it or not there three words are me paying lip service to that rule, because this poem is one of the texts. The marker didn’t notice – perhaps understandably, given how titchy it was, and I think I lost points as a result. Well, it’s a fair cop!
******I’m really not happy with this whole section, highlighted in yellow. It seems like a real tangle of thoughts. The prof didn’t penalise me for it, but I wish I had taken half an hour to straighten it out a bit and order it better.
*******I think the conclusion here went down well. I was quite pleased with it. I was criticised for not going into the “sombras” as much as I could have by referring to the death of his son or or the aristocrats he had bumped off. To be fair, neither of those is really referenced in the blurb and I had the impression the writer wasn’t really focusing on them, but OK, fair enough, maybe I should have gone darker!
Bibliografia
Bebiano, Adriana (2002) A invenção da raiz. Representações da nação na ficção portuguesa e irlandesa contemporâneas em Ramalho, Maria Irene e Ribeiro, António Sousa Entre Ser e Estar (2002) (pp 503-537)
Clube do Autor (2026). As Sombras de Dom João II, encontrado a https://www.clubedoautor.pt/livro/as-sombras-de-d-joao-ii
Correia, Jorge Sousa (2021) As Sombras de Dom João II
Cunha, Mafalda Soares da (1988) D. João II e a construção do Estado Moderno. Mitos e perspetivas historiográficas em Arqueologia do Estado pp 649-667
Pessoa, Fernando (1934) Uma Asa do Grifo em Mensagem pp 44
Pessoa, Fernando (1934) Mostrengo em Mensagem pp 56-57
Vocabulary of the Day
Fanhoso é uma palavra desconhecida mas é muito evidente o que quer dizer neste contexto não é?
O Sonho de Vinho Canalizado Esvai-se
Caso já não tenhas ouvido, André Ventura, o Farage Lusitano acabou em segundo lugar mas o vencedor, António José Seguro, apesar de receber mais votos do que era previsto, não venceu por completo e os dois irão à segunda volta. Em termos da marcha do populismo, isto representa um terramoto político igual à que quase levou Marine Le Pen à presidência da França em 2022.

Durante os próximos dias os restantes candidatos escolherão apoiar um ou outro, segundo a sua consciência e um raciocínio de como o seu apoio afetará a votação. Por exemplo, Ventura está a desafiar o primeiro ministro, Luís Montenegro (cuja tenda fica no centro-direita do campo político) emprestar a sua voz à campanha dele, dizendo “socialismo mata”. Sendo assim, acho que, se o partido comunista decidisse apoiar Seguro (que é socialista) isso daria mais munições ao inimigo, portanto não é um simples questão de se juntarem contra o fascista.
Mas que sei eu? Não sou especialista nesta merda toda, mas espero que os cidadãos de Portugal escolhem com cuidado nesta próxima volta,
Os Presidenciais e Manuel João Vieira
Não estou a prestar muita atenção às eleições presidenciais que decorrem hoje, no dia 18 de Janeiro. O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa não é candidato mas há um leque de homens cinzentos e uma mulher cinzenta prestes a tomar as rédeas do estado, entre eles o javardo Andre Ventura, Henrique Gouveia e Melo, o almirante que dirigiu a resposta do país ao pandêmico e… este tipo genial que aparece dia após dia no meu insta a empolgar o povo com as suas ofertas de vinho canalizado e Ferraris para todos. Até o The Guardian (“o The” é certo, por mais estranho que pareça) deu espaço à campanha desse candidato. E já estava curioso sobre o homem, mas hoje de manhã este vídeo apareceu nas minhas notificações. Eh pá, o gajo também sabe cantar? E claro que sabe, porque antes de ser o próximo presidente da república (ok, probably not, but I can dream, can’t I?) era cantor, artista e membro de várias bandas. Aqui está no canal de David Antunes.
Há algum tempo, comecei a seguir um outro Vieira, Tim Vieira que, naquela altura, era candidato mas retirou a sua candidatura em agosto, antes de ser formalizada junto do Tribunal Constitucional. O Tim foi um “tubarão” no sentido de ter sido membro do painel da versão portuguesa do “Shark Tank” (Dragon’s Den em Inglaterra), ou seja, é um empreendedor, mas na esfera política, O Vieira tubarão não chega* aos calcanhares do Vieira barbudo.
Quanto aos outros, estou-me nas tintas. Quem me dera que houvesse menos, porque não quero que os votos dos não fascistas dividam-se entre uma dezena de políticos profissionais, mas se não me engano haverá uma segunda votação, caso o resultado da primeira não seja conclusivo…. e ainda bem!

* e, se levares uma mensagem deste texto, espero que seja isto: “não chega”, ou mais precisamente, “não, chega”.
