Here’s a text I wrote in Writestreakpt a couple of days ago about the hack of the Portuguese Vodafone network. I’ve put some notes at the bottom based on the corrections kindly supplied by leao_louro
Segundo as notícias, a perda de serviços móveis de Vodafone Portugal ontem foi resultado de um ataque criminoso.
Este problema piora todos os anos. Criminosos e terroristas são capazes de roubar os dados de empresas e até de governos regionais para pedir resgates. Além de perder milhões de dólares, a reputação da empresa (ou da sua marca) está em jogo e caso a vítima do ataque seja uma organização que faz parte da rede de apoio a* pessoas vulneráveis, pode haver perda de vida, mesmo que a empresa pague.
Para não se tornarem alvo de ataque, as empresas do mundo têm de treinar os seus empregados para perceber os riscos que correm no dia-a-dia. Para além disso**, muitas estão no processo de transferir os seus dados para plataformas como Amazon Web Services, onde há mais segurança, embora se perca alguma conveniência porque os funcionários têm de esperar enquanto os aplicativos se conectam à “nuvem”. O Jeff Bezos gosta muito disto mas para nós é um chatice.
Uma vez que os ciberataques são possibilitados pela anonimidade das criptomoedas, o preço desta vigilância e os danos causados quando os criminais são bem sucededidos*** é um tipo de imposto que todos nós pagamos pela Bitcoin.
*Another one of those stray prepositions. I wanted to write “para” but switched to “de”, but no, I should have picked “a”.
**I used “ainda por cima” instead of “para além disso” but that was a wrong choice since its more often used when you’re emphasising something bad. “My wife left me and on top of that, she took my favourite mug” would be a good case to use ainda por cima
***I wrote “quando os criminosos sucedem” but succeed in the sense of “do well” isn’t really a thing. The definitions of suceder on Priberam all have to do with happening afterwards, taking the place of, or inheriting. So “bem sucedido” is where it’s at, baby.
Here’s a series of three Portuguese Writestreak texts about m’wife’s birthday treat, with notes at the bottom. (thanks to eqdif, gws-lthrowaway and Dani. Morgenstern for the tips)
Part 1 (Wednesday)
The Cake
A minha esposa faz anos hoje. Ela nasceu umas semanas antes de mim, por isso tenho uma oportunidade de brincar com ela por causa da sua grande idade a cada ano que passe, durante o intervalo entre o aniversário dela e o meu.
A nossa filha fez um bolo com morangos e recheio que foi mil vezes melhor do que qualquer bolo que eu já tenha feito. Amanhã, planeamos assistir a um concerto no centro da cidade.
Part 2 (Thursday)
Hoje à noite vamos assistir um concerto que vai ter lugar numa igreja. Numa igreja? Sim, a igreja de St Martin in the Fields fica na praça Trafalgar no centro de Londres e além de ser uma igreja tradicional, foi bem conhecida nos anos oitenta e noventa pelo seu apoio a pessoas sem abrigo que havia naquela zona e naquela altura.
Hoje em dia é mais famosa pelo programa de concertos apresentados no edifício e os seus arredores. A minha esposa quer ouvir As Quatro Estações de Vivaldi, recompostas por Max Richter. Confesso que não faço a mínima ideia como uma música composta por um italiano em meados do século XVIII* pode ser recomposta por um alemão qualquer no século atual. Ou é as Quatro Estações de Vivaldi ou é uma obra nova… Mas o que sei eu? Sou um gajo inculto que não sabe nada.
Part 3 (Friday)
Como já disse ontem, fomos juntos à igreja de St Martin in the Fields (cujo nome significa São Martinho nos Campos… Hum… Aqui vem uma digressão: a igreja é dedicada ao São Martinho de Tours na França. Quando a Igreja original foi construído naquele sítio na idade média, ficava fora do muro, e fora do que naquela altura era Londres, num campo, e ainda hoje retém o “in the fields” por causa disso, apesar de Londres ter crescido de tal modo que a igreja fica no centro da cidade atual, ao pé da coluna de Nelson e perto do palácio e do parlamento)
Hum… Onde é que eu estava? Pois, enfim** chegámos a horas e sentámo-nos na primeira fila ao pé (ou seja “ao cotovelo”) dos músicos. Estava tão perto dos violinistas que os podia ter lambido se me apetecesse, mas não os lambi porque teria sido uma asneira. A música era bonita e, lá dentro da igreja, o ambiente combinou-se com o som para produzir efeito mesmo arrebatador.
O homem na fila atrás da minha ficou entusiasmado e perdeu controlo da língua. Andava a dizer “Vibes” repetidamente. Não vou tentar traduzir, mas basta dizer que era um hipster chato***. Eu não liguei mas as senhoras estavam perto de o estrangular com uma máscara anti-covid.
Infelizmente eu e a minha filha estávamos cheios de sono mas não importou muito. Às vezes, estar com sono num espectáculo é agonia, mas a hora voou e em breve estávamos na rua e a caminho para casa.
Inside St Martin’s
* I think it was quite early in the century, actually, I just like “em meados de…” for some reason.
** This possibly isn’t a great choice. The corrector remarked that it sounded negative since ” ‘enfim’ está muito associado a suspiros” but it’s not grammatically incorrect so I’m leavin’ it!
*** I originally wrote “um hipster sem senso” intending to convey that he is utterly senseless, but when I did my usual thing of copying my Portuguese into gtranslate, it translated it as “a no-nonsense hipster”. Say what now? I usually use gtranslate as a way of checking my first drafts. If it comes up with a really surprising translation that’s a good indicator that I’ve picked the wrong word, or made a typo, or that predictive text has changed an “e” to an “é” yet a-bloody-gain, but it has its limits of course and I think this is just a flat-out mistake. These things are usually built by analysing real translations by real translators. If you look up “sem senso” in linguee, it only has one example of “sem senso” on its own (as opposed to something like “sem senso comum”), and I can’t see the wider context but I think the translator has made a poor choice.
This is probably what’s led to gtranslate translating it that way. But that’s OK, because I’ve learned something: the fact that there are so few examples tells me is that “sem senso” is obviously not used in Portuguese. What could I have said instead? Sem senso comum? Nah. Sem sentido? Maybe but it makes me think he has no sense of taste smell touch etc, rather than that he is just a moron, so I decided to describe him as “chato” (annoying) instead.
No ano passado, prestei muita atenção às notícias sobre as autárquicas mas, desta vez, a eleição passou me quase despercebida no meu sofá*. Estava desperto** para os acontecimentos, claro, mas só de modo ténue. Ouvi uns podcasts, vi uns tuites. Hoje, há um vídeo na Internet – provavelmente já viste – no qual um jornalista fala das legislativas e finge pedir uma explicação sobre o leque de partidos que fizeram parte.
É óbvio que os termos políticos, como “Liberal” e “socialista” têm significados (ou seja valores?) diferentes em países diferentes, e isso é bem ilustrado pelo contraste entre Portugal e os EUA.
* One of the problems of trying to reproduce my own writing style in Portuguese is that its not always easy to distinguish jokes or deliberately odd expressions from actual mistakes. I am really trying to say “It went almost unnoticed on my sofa” but of course that sounds weird in English so in Portuguese, I had suggestions like “passou quase despercebido enquanto estava no meu sofá” which is probably a more normal way of expressing it.
** I originally wrote that I was conscious (“consciente”) of the goings-on but that seems not to be the way Portuguese speakers use that word. Instead they are awake to it.
Oscar Wilde disse uma vez “Consigo resistir a tudo menos à tentação” e eu concordo. Não como porcarias* desde que não existem em casa, mas hoje a minha esposa fez montes de bolachas para a macaquinha e a amiga dela mas quando voltei para casa, ainda restavam montes e eu é que as comi.
Entretanto, instalei um novo jogo neste telemóvel e agora não consigo desistir de abrir a janela por cada dez minutos. Eu cá preciso de mais vontade para perder peso e ficar mais produtivo.
*=The word I originally used here was “petiscos”, which I usually think of as meaning snacks, but they’re only savoury snacks. The suggestions I was given, in addition to “porcarias” (actually means something like “filth” but can refer to any sort of junk food) were “guloseimas” (sweets) or “gordices” (fattening things)
Here’s a text I wrote, with correction notes at the bottom. Thanks to Eqdif and Dani_Morgenstern for the help. I’ve finished my thirty day yoga experiment now but as you can see we’re still using it as a family workout despite the lack of floor space in our flat. Writing about yoga on here has brought me a lot of new follows and likes from yoga-related bloggers, which is nice (hello yoga peeps!) but I hope they don’t think I’m some sort of fitness influencer because I can’t live up to that kind of expectation!
This isn’t the routine we were doing but it’s by the same instructor and it seems to fit the theme of the text!
A minha filha anda cada vez mais obcecada com a saga* Walking Dead, traduzida em francês. Mas ela precisa de ajuda portanto lemos juntos. Hoje passámos umas horas a ler. Uma vez que não tinha feito o meu yoga diário** (29 dias malta!), sugeri “faz uma sessão de Yoga comigo e depois lemos mais umas páginas.” ela concordou mas com pouco entusiasmo.
Durante a aula, estavamos de pé, ela no meu lado esquerdo, com as ancas dobradas***, as cabeças viradas para baixo e os braços pendurados frouxamente em direcção ao chão.
A professora disse “vira a cabeça para a direita”. Obedecemos. “Depois, volta para o centro… Agora, vira a cabeça novamente mas desta vez para a esquerda.”
Virei a cabeça na direção dela. Ela estava ainda virada para mim. Os nossos olhos encontraram-se e ela gemeu “Riick Grrriiimes”. Desatámos às gargalhadas.
* Although Série can be used it’s used to refer to a TV series, and I’m talking about the series of graphic novels, hence the word saga instead.
** Despite ending in an a, yoga is masculine apparently.
*** what I’m describing here is what the yoga instructor calls a “forward fold”, but the expression I tried to use – “dobrados da anca” = “bent from the hips” doesn’t really work so I’ve used the suggested “with our hips bent”. TBH, it’s a slightly odd phrase even in English, so I shouldn’t be that surprised but I’m pretty sure it’s how she describes the pose.
Acabei de passar uma hora com a minha filha, a ler uma banda desenhada francesa (uma tradução do The Walking Dead). Foi muito divertido mas o meu cérebro está sobreaquecido* por causa de todo o esforço. Às vezes, lamento a decisão dos nossos antepassados de construirem uma torre até ao céu. Por resultado da sua vaidade, aqui estamos nós a falar várias línguas. A vida seria mais fácil se falássemos todos o mesmo idioma**, principalmente se fosse inglês.
*Although this is definitely what I wanted to say, it’s not a very common phrase and Desanipt, who corrected it (thanks Desanipt!) suggested “está em papa” or “está a deitar fumo” instead
**One of those annoying words that looks like it ought to be feminine but isn’t.
The choice of The Walking Dead was influenced by my saying I’d enjoyed reading it in Portuguese, and found it a good way of learning to read early on, because the pictures give you context and nudge you along towards understanding. I’ve talked about that in the graphic novel section of the blog if you’re interested. They’ve translated quite a lot of them into European Portuguese.
Neste segundo volume da coleção, a autora apresenta mais sete “contos interligados” (ou se prefires, capítulos dum romance). Ela sabe contar uma história, e os seus contos lêem-se bem.
A trama que os une é muito interessante, com elementos religiosos e sobrenaturais que me intrigaram. Mas senti como se a história estivesse a perder a sua força perto do final. Esticou a última cena durante muitas páginas, focando a atenção do leitor nos aspectos mais românticos e rebuscados do enredo, em lugar dos acontecimentos apocalípticos desencadeados nos capítulos anteriores que, para mim, parecem mais interessantes. Mas quem sabe, talvez queira ficar com algumas surpresas na manga para o terceiro livro. Estou em pulgas para saber!
Em suma, o livro é muito bem conseguido mas estou à espera de mais sobre… Não, não vou dar spoilers mas basta dizer que há muitas pontas soltas!
A few short, corrected texts with annotations from the lovely people at r/writestreakpt
A Trabalhar Durante a Noite
Durante o isolamento que acompanhou a primeira vaga da pandemia, acostumei-me a deitar-me cedo e a acordar cedo, mas, de vez em quando, ando atarefado e passo uns dias a trabalhar muito tarde, ou até fico acordado a noite toda por causa dos prazos que fazem parte do meu profissão. Felizmente esta semana não está assim tão cansativa mas já houve um dia em que trabalhei até 1 de manhã. Acho que vou tirar umas horas para descansar hoje, uma vez que a tempestade já passou.
O Meu Cabelo
Preciso de ir ao cabeleireiro mais uma vez. Que chatice. Já cortei há pouco tempo mas o homem deixou-o demasiado longo no topo, e é quase impossível penteá-lo para mostrar a minha verdadeira beleza.
Odeio cortar o cabelo. Tenho de tirar os óculos. Depois, não posso ver nada. É quando os puser na cara de volta, que raio de penteado vou ter? Ainda por cima há (1) um risco de apanhar covid porque o cabeleireiro não usa máscara e ainda pior (2) um risco de ser obrigado a fingir interesse no resultado dum jogo de futebol qualquer.
Penso em rapar a cabeca toda a mim próprio mas tenho cinquenta e tal anos e se ficasse careca toda a gente pensaria* que era só por vaidade, para disfarçar a calvície masculina. Mas tanto faz, às vezes, acho que quanto mais depressa perder o cabelo todo, melhor.
*= I keep treating this as plural because “people” is plural in English
A Escolher Um Novo Livro
Uma das melhores sensações nesta vida miserável é quando acabamos um livro, pousamo-lo na mesa de cabeceira e perguntano-nos “Hum, qual destes livrinhos deliciosos da minha estante mais me apetece como a próxima leitura?”
Ontem, o meu leque de opções incluía uma coleção de textos de Miguel Esteves Cardoso, uns clássicos, um bocadinho de poesia, alguns tipos de não ficção sobre racismo, história e trabalho, entre outros, mas decidi escolher um mimo: um thriller de quinhentos páginas chamado Segredo Mortal de Bruno M Franco.
A couple of text corrections on the same subject – first written before my visit to the solicitors office on Friday…
O Advogado
Em 2019, fiz um pedido de adquirir cidadania portuguesa em conjunção com a minha cidadania britânica, por causa do brexit e das minhas circunstâncias pessoais. Felizmente, ambos os países permitem dupla cidadania (ao contrário da Espanha). O processo foi indeferido em 2020 e caiu no esquecimento durante as primeiras fases da pandemia, mas estou a candidatar-me mais uma vez à cidadania portuguesa. Hoje, tenho uma reunião marcada com um advogado português que vai certificar o meu formulário e depois os documentos todos irão no correio para Lisboa!
And then after…
A Advogada
Enganei-me ontem. Escrevi um texto intitulado “o advogado” mas acabei por descobrir que era uma advogada. OK, eu sei, não era erro nenhum porque sem saber o género da pessoa, usamos o masculino por padrão, mas sinto-me obrigado a corrigir a palavra! Fui para lá de bicicleta, e quando cheguei fui informado de que o elevador estava avariado então tive de subir as escadas para o quarto andar. Na sala de espera, havia um cão branco de pêlo longo que me permitiu afagá-lo enquanto a advogada assinava e certificava o documento. Depois, o documento, junto com as cópias dos certificados e tal, foi num envelope para o correio e já estáa a caminho para Lisboa.
I hope it goes without saying that although this is loosely based on reality, I’ve exaggerated a lot, partly for comic effect, but mostly so I could practise using those possessive indirect object pronouns I wrote about the other day. Most of the actual violence described is in the service of grammar practice. No husbands or imaginary MPs were harmed during the making of this blog post.
Ao acordar* hoje de manhã, a minha mulher estava zangada comigo. Ela esbofateu-me** a cara. Porquê? O que é que fiz de errado? Vasculhei a memória mas não tinha feito nada. Pelo menos nada de que ela saiba. Perguntei-lhe e ela explicou: tinha sonhado que estávamos de férias numa casa à beira-mar mas logo de manhã (ainda no sonho), convidei o Jacob Rees Mogg (um político inglês) para tomar o pequeno almoço connosco. Depois, demos uma voltinha, juntos num barco e ela sentiu-se contrariada porque nem sequer teve oportunidade de segurar um remo, bater-lhe a cabeça e atirar o corpo borda fora***. Acordou com coração despedaçado
Nada disso me diz respeito: nós os maridos somos incapazes de influenciar os sonhos das nossas mulheres mas elas culpam-nos na mesma.
*I wrote “Acordando” because today’s C1 exercise was about gerunds and although not technically wrong it’s unusual.
**Rare case where I didn’t use a pronoun and the corrector told me to put it in (it’s usually the other way around) because its more impactful and less ambiguous.