Não me apetece trabalhar hoje. É cansativo e já fiz muito durante a minha vida. Acho que mereço ganhar a lotaria nacional. Não compro bilhetes mas não me importa. Mereço ganhar de qualquer maneira. Porque é que ainda não aconteceu? Responsabilizo o governo.
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Um Homem na Cozinha
Two daily texts about cooking. I’m grateful to Patis12 for marking them
1 Novos Tempos
Não, não sou Carlos Moedas* mas cá em casa há muitas coisas novas a surgir. A minha esposa está no autocarro, a caminho para o seu novo emprego, portanto a distribuição de tarefas domésticas tem de mudar. Eu é que fico em casa mais. Eu é que tenho de fazer o jantar.
Não há problema nenhum, mas as minhas habilidades domésticas estão mesmo enferrujadas depois de tanto tempo. Espero que não destrua o apartamento todo!
2 Um Homem na Cozinha

Este texto é uma sequela do de ontem. Consegui fazer o jantar sem a cozinha se incendiar. Assei um haggis (acho que não existe uma palavra português para haggis: haggis é haggis – uma receita escocesa feita do estômago, fígado, coração, pulmões e… Várias outras partes da ovelha com aveia e gordura. Mas no meu caso, foi um haggis Vegetariano. Já tentaram retirar os pulmões de uma lentilha, malta? Não é nada fácil. E precisam de miiiilllhaaaares! Com o haggis, fiz puré de batatas e ervilhas cozidas. Adorei.
*The current mayor Lisboa, despite being something of an old hack promised ‘new times’ of he was elected in place of the former socialist head honcho. He’s very anti bike lane, apparently. Boo. Hiss.
Uma Cobra

Durante a minha corrida hoje de manhã, vi uma serpente* à minha frente. Era finíssima e curta com 20 centímetros de comprimento. Assumi que era uma espécie nativa mas acabei por descobri que não é. É um tipo de cobra nativo da** América (do Canadá, México e Estados Unidos) chamada “ringneck” por causa do anel de escamas brancas à volta do pescoço. É rara por aqui mas houve vários avistamentos durante os últimos 5 anos.
*serpente and cobra are synonyms and both just mean snake. I didn’t see an actual cobra in Richmond Park, you’ll be glad to know!
**native of America, not native to america as it would be in english
Cem Quilómetros Numa Bicla
Here are a couple of short texts written on the aftermath of my recent overnight sponsored cycle ride, when I was feeling completely Entramelado Thanks to Cataphract for the help.
Part 1

Fiz um treino ontem*: andei de bicicleta durante 8 horas. Comecei às 23h e cheguei a meta às 7 desta manhã. Cem quilómetros, sobrinhos! O evento chama-se “Nightrider” (hum… Ciclista noturno?) Gostei imenso, mas as minhas pernas estão tão cansadas e quanto às minhas nádegas… Tanta dor!
Depois do evento, a empresa ofereceu uma sanduíche de fiambre mas foi nojenta. “Que se lixe” pensei eu, atirando-a para o lixo. Fui à procura de algo mais agradável.
*It was Saturday to Friday really but I wrote the original text a few days ago
Part 2

Às vezes, quando tomei parte em corridas, os anfitriões arranjam uma empresa fotográfica para tirar fotos oficiais para que os participantes possam comprar fotos do seu momento de glória. Os organizadores da maratona de ciclismo de há uns dias fizeram a mesma coisa mas nos estávamos todos vestidos de capacete e ninguém parece bonito numa coisa dessas. Duvido que vendam muitas.
Talk Talk
I wrote a short text about speaking. Thanks to csc_3 for the help with this one.
A minha cunhada visitou a irmã dela ontem, o que me deu oportunidade de falar português. A minha mulher costuma* falar inglês em casa, mas quando a família se junta, a conversa passa para português. Falei bem (na minha opinião!), mas estou consciente de ter feito** alguns erros de concordância e tal. Preciso de falar mais.
*dammit, I seem to have some sort of weird mental block about whether to write “costuma” or “customa”
** Hm, when I originally wrote this, I was trying to say “I was conscious of making errors” while I was speaking but by the time the corrector finished straightening out the grammar it said “I am conscious of having made errors” which is also true but I was trying to describe my feeling of self-consciousness in the moment so the meaning has changed slightly.

I think this lack of speaking practice is a problem I really need to get hold of. As I said a while ago, when I was feeling gloomy, speaking another language is a challenge when you’re an introvert who doesn’t really live for conversation in any language. But I need to make the effort to find a place to get some serious speaking time.
A joke that doesn’t work
Here’s a joke you can use at parties if you want people to look at you with a baffled, pitying expression:

Hoje em dia, os cães são autocolantes mas antigamente, se quisesse prender um cão numa parede ou seja o que for, teria de usar Cola Cão
Cola = glue and Cão (with an accent) means dog so I’m reading this as dog glue, even though I know it’s a brand of hot chocolate powder and Cao is short for Cacau. The joke is just riffing off the idea of what you might use dog glue for.
It doesn’t work because Cao is pronounced differently from Cão. More like “Cáu”. Apparently it took a couple of reads to even see what I was driving at. Disappointing. I was quite proud of it.
Entramelado
A minha mulher usou esta palavra (de forma feminina, claro!) para descrever o seu estado depois de uns dias de tensão, à espera de um e-mail* de confirmação dum novo emprego (que já chegou!), e um tornozelo torcido.
A palavra vem do famoso “dialeto madeirense” do qual o Carlos Rodrigues nos tem informado. Quer dizer doente, cansado e pouco capaz de se movimentar.
*FLiP suggested I change this to “correio eletrónico” but I’ve never heard anyone actually use that so that’s a no!
A Joaninha
This portuguese text was corrected by Patis12 (thanks!) and only had one error in it so apparently it is good Portuguese even if the biology leaves something to be desired. The theme of the day was “my favourite animal”
O meu animal preferido é a joaninha. É uma espécie de inseto híbrido, originário do cruzamento do besouro macho com um leopardo fêmea (uma conjugação pouco satisfatória para ambos os participantes).

Além de estar entre os insetos mais lindos*, as joaninhas têm um emprego muito importante no jardim que os tornam amigos do jardineiro: comem pulgões. São predadores selvagens que devoram os bichos que comem as plantas. Gosto muito deste facto porque gosto da ideia de ter um exército de besouros vermelhos com pontos pretos a lutar pela proteção dos meus feijões.
*alternatively “Além de ser dos animais mais lindos”. Good example of the distinction between ser and estar “as well as being one of the loveliest animals” uses ser because we’re defining it as a lovely animal but “as well as being among the loveliest animals” uses estar because it’s telling you about its location, albeit figuratively, within a hierarchy, not literally on a bush.
Paula Rego
Returning to the subject of the recently departed Paula Rego, this time in Portuguese. Thanks to Cataphract for the corrections

Faleceu anteontem em Londres a artista Paula Rego. A artista morreu em casa, junto dos filhos.
Paula Rego nasceu em Lisboa em 1935 (completou 87 anos no início deste ano) mas mudou de país para Inglaterra com 17 anos para estudar na escola Slade de arte, com o incentivo dos seus pais anglófilos. Ao longo da sua vida, a obra desta pintora abordou questões políticas tais como o abuso de poder e os direitos das mulheres (acima de tudo na luta pela disponibilidade do aborto) mas não se limitou a isso. Também pintou cenas da vida quotidiana, e contos de fada. As vezes, falou da sua arte “dar uma face ao medo”. Até pintou o retrato oficial do então Presidente da República, Jorge Sampaio.
Tornou-se* cidadão do Reino Unido, casou-se com um inglês, e até recebeu a ordem do império britânico, que lhe permitiu ser tratada por “Dame Paula Rego” (mas se alguma vez usou este modo de se referir a si própria, não sei!)
Foi galardoada por institutos de arte de vários países, incluindo o Turner Prize aqui no Reino Unido. Eu e a minha esposa fomos ver a exibição na Galeria Tate no ano passado. Foi a exibição mais abrangente de sempre das obras dela e o que mais me espantou foi a diversidade de estilos e de temas que ela conquistou. Experimentou muitos e atingiu sempre um efeito incrível em qualquer género da pintura.
*I wrote this originally so I’ve left it in but I’m not sure it’s accurate. I thought she’d acquired British citizenship while here but someone suggested she’d always had dual citizenship. I can’t confirm one way or the other so I’ve left it as it is but don’t quote me, okay.
Queria? Já Não Quer?
Here’s the Portuguese version of yesterday’s text. Thanks to Cataphract for the pointers.
Ouvi falar desta piadola há algum tempo. Por acaso, recentemente, li dois textos sobre o mesmo assunto. O primeiro no blog de Marco Neves e o segundo no site da Timeout Lisboa. Ambos tomaram a mesma posição, mas o do Neves é mais pormenorizado: o humor é baseado num literalismo exagerado. Ou seja, quando o cliente quer pedir um café com delicadeza, usa-se o pretérito imperfeito – “queria um café” – porque soa mais suave do que “quero”. Um empregado chico esperto, ouvindo este tempo verbal pode fingir não entender e daí a resposta “queria? Já não quer?”
Pessoalmente, acho esta tendência por parte dos empregados de Portugal muito engraçada e educativa mas tanto quanto entendo, o que mais irrita os cafeínodependentes* é a repetição. Ouvem sempre a mesma pergunta.
*cafeínodependentes not cafeínadependentes even though caffeine is spelled cafeína.
