Why Those Two Things?

It’s not that unusual for words to have multiple meanings but I came across the word “caqui” today and its two meanings are (1) basically the same as “khaki” in English and (2) a persimmon. I guess I’d assume if a colour is also a fruit you’d expect it to be the colour of that fruit: orange, raspberry, lime green, etc. But caquis aren’t caqui, are they?
Having said that, Khaki is a pretty confusing colour in English too. It has a different pronunciation in Britain vs the US, so when I first heard my dad use it, he was looking for paint for some toy soldiers we were painting and he said he needed “car-key colour” so I wondered why he wanted to paint them silver. Years later, when I was living in Maryland, working with adults with learning disabilities, a psychologist said he was wearing “cacky pants” and I guessed what he meant but it didn’t stop me chuckling childishly.
Canção de Engate
I haven’t done a song translation for while and I fancied having a go at “Cancao de Engate” by António Variações. There aren’t many decent videos of it and anyway he’s a bit hard to follow because of his distinctive singing style so if you don’t know it, try this orchestral acoustic version by Tiago Bettencourt
My sense, going into it, is that it uses a lot of slightly oblique language so this is going to be a tricky one, but here goes…
| Tu estás livre e eu estou livre E há uma noite p’ra passar Porque não vamos unidos Porque não vamos ficar Na aventura dos sentidos | You’re free and I’m free* And there’s a night to get through Why don’t we get together Why don’t we get Into the adventure of the senses |
| Tu estás só e eu mais só estou E tu tens o meu olhar Tens a minha mão aberta À espera de se fechar Nessa tua mão deserta | You’re alone and I’m alone too And you have caught my eye You have my open hand Ready to close On your lonely hand |
| Vem que o amor não é o tempo Nem é o tempo que o faz Vem que o amor é o momento Em que eu me dou Em que te dás | Come, because love is not time Nor is it time that makes it Come, because time is the moment In which I give myself And you give yourself |
| Tu que buscas companhia E eu que busco quem quiser Ser o fim desta energia Ser um corpo de prazer Ser o fim de mais um dia | You who are looking for company And me who is looking for whoever wants To be the end of this energy To be a body for pleasure To be the end of another day |
| Tu continuas à espera Do melhor que já não vem Que a esperança foi encontrada Antes de ti por alguém E eu sou melhor que nada | You keep waiting For something better that isn’t coming Because what you hope for has already been found By someone before you And I am better than nothing |
| Vem que o amor não é o tempo Nem é o tempo que o faz Vem que o amor é o momento Em que eu me dou Em que te dás x3 | Come, because love is not time Nor is it time that makes it Come, because time is the moment In which I give myself And you give yourself x3 |
* I’m sorry, but I am a man of a certain age but I am already reading this in a Mr Humphries voice
Hey, well that wasn’t as bad as I thought it would be. One of the easier ones I’ve done, in fact!
Vírgulas 3: Vírgulas Furiosas Pontuação Tóquio
Alem das regras positivas e negativas, a página que estou a saquear nesta série inclui algumas dúvidas sobre o uso de vírgula:

Antes de “e” , como já disse, basicamente não precisamos duma vírgula (vim, vi e venci) mas existem exceções: (1) quando o sujeito muda: “eu escrevi, errei, tu corrigiste” (2) quando o “e” faz parte duma expressão intercalada na oração: “faço receitas deliciosas, e sempre saudáveis, para a família”
Depois de “mas” a situação é igual: de forma geral, não precisamos duma vírgula, mas às vezes há uma expressão intercalada que precisa de uma vírgula por direito próprio “escrevi um texto, mas, apesar de ter feito um esforço, não foi suficiente para erradicar os erros tolos.”
Antes de “que” precisamos duma vírgula quando o “que” fizer parte duma oração adjetiva, mas não precisamos de usar quando a palavra introduz uma expressão integral. Ou seja, a presença de “que” não altera as regras dadas nos textos anteriores.
Finalmente, deixem-me acrescentar uma nota sobre números. Isto não faz parte da página mas nós anglófonos estamos acostumados a escrever números grandes com vírgulas e a separar as casas decimais com um ponto. Em português o vírgula aparece onde usamos o ponto decimal (π= 3,1415926535blablabla). Às vezes, vejo números muito grandes com pontos a separar os grupos de três algarismos (1.000.000) mas isto é errado, segundo este artigo do Ciberdúvidas: para ser certinho, é melhor usar espaços: 1 000 000.
Vírgulas 2: Bram Stoker’s Vírgula
Escrevi anteontem sobre as regras de quando usar a vírgula. Roubei-as todas desta página
A página também tem regras de quando *não* usar. Parece-me que isto deve ser óbvio: “quando nenhumas das condições anteriores se aplicam” mas há outras regras, portanto aqui vou eu:
Não se deve usar uma vírgula nos casos seguintes:
Entre o sujeito e o verbo quando juntos: “O presidente de Portugal, é fã dos Abba.”
Entre o verbo e o complemento: “A minha filha está a estudar, francês.”
Entre orações subordinadas adjetivas restritas. Estas frases, embora sejam semelhantes a uns exemplos nos quais a vírgula é essencial, não levam vírgulas porque a oração subordinada acrescenta informações essenciais para o sujeito: “O homem que ganhou a corrida tem uma só perna”. A oração “que ganhou a corrida” acrescenta informações, tal como no exemplo das “orações subordinadas adjetivas explicativas” no texto anterior mas neste caso a oração subordinada é essencial para identificar a pessoa em foco.
Antes de oração adverbial consecutiva: “Ela comeu tanto que as suas mandíbulas ficaram fatigadas”
Para preservar o ambiente, a ONU manda que, a partir de 2025, todos nós temos de restringir o nosso uso de vírgulas, pontos-e-vírgulas e hífenes para não desperdiçar papel nem tinta. Por isso, quer apliquem as regras, quer não, ninguém pode usar mais de 50 vírgulas por semana.
Vou terminar esta série amanhã. Entretanto, desejo-vos um bom fim de semana e um feliz dia das mentiras*.
*O dia das mentiras is April Fools Day. That’s when I wrote this text originally, hence the paragraph about the United Nations (ONU) limiting the use of commas.
Vírgulas 1: Girlfriend, In a Comma
This is the first in a three-part séries about com a use in portuguese. I’ve written it in portuguese and based it on this page. It’s actually written in Brazilian portuguese but dint hold that against it, I’m pretty sure it’s sound. Thanks to Dani for the corrections.
Em inglês, existem várias regras para o uso de vírgulas, mas, como acontece com a maior parte das regras do meu idioma, ninguém presta a mínima atenção. As regras que governam a distribuição de vírgulas numa frase portuguesa são semelhantes, mas há diferenças e ainda por cima, importam mesmo.
As vírgulas têm as funções seguintes:

- Separam termos coordenados e independentes numa lista (tirando o último par de termos onde existe o “e”.
- Isolam palavras repetidas no enunciado. Por exemplo “A lontrinha é fofa, fofa”.
- Separam o lugar e a data em situações como “Lisboa, 1755”.
- Destacar o aposto (uma explicação ou um resumo) duma palavra ou frase. Por exemplo, “Olivia, a minha filha, faz sopa incrível”.
- Destacar vocativos. Por exemplo “Obrigado, Olivia, pela sopa”.
- Indicar partículas e expressões de continuação, correção ou explicação como “ou seja”, “aliás” e “pelo contrário”.
- Separar conjunções adversativas, por exemplo “todavia” e “porém”. “Mas” é uma exceção que não leva vírgula.
- Realçar hipérbatos. Um hipérbato é uma expressão intercalada na oração, que interrompe o fluxo de uma frase, como, por exemplo, custe o que custar”. Pessoalmente, uso muitos hipérbatos, por falta de confiança, mesmo que compliquem a gramática. Acho que é um mau hábito que devo deixar para trás.
- Isolar anacolutos. Eh pá, estamos no fundo da caixa de gramática agora, não é? Um anacoluto é uma expressão mais ou menos perdida e deslocada no início de uma frase. Por exemplo “Adolescentes, sempre na cama até à hora de almoço”.
- Indicar elipse de um verbo: “Jojo se tomava por Voltaire e Pierre, por Casanova”
- Separar orações unidas por “e” mas que têm sujeitos diferentes. Sou fã de vírgulas com “e” quando elucida o significado da oração. Portanto. Gosto desta regra.
- Separar orações subordinadas adjetivas explicativas. Por exemplo “George Orwell, que escreveu muitos livros sobre o perigo do socialismo, lutou pelo socialismo em Espanha.
- Separar orações subordinadas adverbiais da oração principal. Também uso esta configuração frequentemente: “Apesar do tema trágico, houve também muito riso”
Shorties
Short texts that were too little to be posts in their own right. Thanks to Talures, Butt Roidholds and Dani Morgenstern for the help.
Um Livro Denso
Estou a ler um livro em inglês sobre mecânica quântica. O autor é um cristão e os seus livros, além de explicarem as bases* da disciplina, tenta esboçar a sua opinião sobre o relação** entre a ciência e a teologia. Quando era jovem, os meus amigos, estudantes de química, leram uma trilogia pelo mesmo autor. Eu era cristão também mas hoje em dia, tornei-me ateu. Mas… Não sei porquê mas apeteceu-me ler este livro que mal entendo cujo autor afirma uma religião da qual deixei de ser membro. 🤷🏼
* As bases or O básico but not “Os Básicos” which I used, translating directly from “The basics”
** Relação is a relationship between things; relacionamento is a relationship between people.
O Presságio

Acabamos de ver O Presságio (“The Omen” um filme dos anos setenta). A minha filha não tinha visto antes, mas eu, quando era novo, vi e fiquei profundamente aterrorizado. Naquela altura era um cristão de… Sei lá… Catorze anos?
Mas em 2023 a minha dezassetegenária mal soltou um guincho de espanto.
The Saud And The Fury
I had to use the verb “Saudar” in a sentence the other day. I don’t use it often and I was surprised to find that in the present tense most of the conjugations put an accent over the U:

This looked a bit weird to this foreigner. The first syllable or Saudar is pronounced to more-or-less rhyme with “loud” but saúdo is more like sa-OOD-oh, so it isn’t just cosmetic, it changes the sound of the root of the verb.
Not only is this not how conjugations usually work, it made me wonder whether there was any link to the word “saúde” (health). I asked in the portuguese fórum, but now I think of it, I probably should have just opened wiktionary. Basically, yes, they are distant cousins.
Saúde is from the Latin word for health or safety: salus.
Saudar is from salutare, meaning to protect, or to save. Well, it’s a verb form, but salutare and salus are certainly linked.
So in other words, although they have different meanings, they come from the same basic Latin root, with the L disappearing and the T gradually getting worn away to a D. Disappearance of soft sounds like Ls and Ds, and conversions of hard sounds like T and P to softer equivalents like D and B are both fairly common paths for Latin words becoming portuguese. So Potere in Latin became poder in portuguese, Sapere became saber, Salire became sair, videre became ver and so on.
Incidentally, saudade sounds like it’s in the same sort of area. Is that another long-lost cousin of Saudar and saúde? No, it used to be spelled Soudade, but it’s spelling changed over the yeas. It actually comes from the Latin Solitatem, meaning it’s related to Solitude in English and Soledad in Spanish.
Podcast
Ando a ouvir um podcast chamado “The Witch Trials of JK Rowling”. Como provavelmente já sabem, a autora está embrulhada numa controvérsia sobre as suas opiniões feministas. A jornalista que realizou o podcast nasceu numa família que fez parte duma igreja extremista, portanto já conhece bem o ponto de vista de quem quer incendiar livros e julgar outros por ter opiniões diferentes.
Ela está a tentar esboçar os paralelos entre a sua ex-igreja e os métodos dos “soldados” na guerra cultural. Assim, explora os dois lados da polémica e faz a pergunta central: “como é que sabemos se estivermos errados?”. É muito interessante. Recomendo.
Thanks very much to Talures for correcting this.
A Árvore Genealógica
Passei algum tempo hoje a pesquisar as carreiras militares de vários familiares. Como muitos homens de meia idade, desenvolvi um interesse pelo passado. Infelizmente não tenho a energia nem o tempo o suficiente para aperfeiçoar a árvore genealógica mas quanto mais descubro, mais surpreendido estou.
As vidas das gerações anteriores foram cheias de aflições.
Sequel written a couple of days later after a friend replied saying she was searching her family tree and that her family was the only one with that name in her country
Uau, a única família! O meu apelido é bastante raro mas comparado com essa nível de escassez, sinto-me como um Charizard a falar com um Mewtwo*.
Além de ter este apelido rarinho, também tenho uma árvore com raízes em três partes do Reino Unido, portanto tenho de adaptar-me aos sistemas divergentes durante a pesquisa, o que é uma seca. Tenho 144 ramos (folhas? Qual é a palavra apropriada?) mas a maior parte consiste em nomes e datas e mais nada.
And then more! It turned into a real back-and-forth, this one!
Como já disse ontem à Frollein_d, o meu apelido é bastante raro (ou melhor, achava que fosse raro antes da nossa conversa!). É irlandês e existe alguma incerteza sobre a sua origem. Há quem afirme que vem de uma aldeia perto de Dublin, que tem o mesmo nome. Há quem apoie outra teoria: que está relacionado com um deus-minhoca venerado pelos celtas. Quando era jovem, fiz uma viagem para a Irlanda para investigar a primeira teoria mas ninguém no posto turístico (esperem lá… Uma aldeia que tem um posto turístico? Sim senhora – há um torre lá. Olhem, não faço as regras) conhecia alguém cujo apelido seja igual ao nome da sua aldeia. Ainda não falei com o Deus-minhoca, mas seria incrível se conseguisse ouvir o seu ponto de vista.
* São pokemons. Sim, tive de perguntar ao Zé Google.
Thanks to Dani and Talures for the help with these.


