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JK Rowling: Expecto Patreon!

This isn’t something I’d normally put here but it’s in portuguese and I can’t think what else to do with it, so here we are. It’s a review of an english-language video. Why? Well, that’s all explained in the opening paragraph. It was a good experience: I don’t often write this kind of post, so I learned some new vocabulary and constructed sentences that stretched my grammatical capacity to the breaking point. The whole thing took hours and hours and hours, but I think it’s been a useful exercise and almost justified the headache of having to watch the bloody thing twice. I have to sound the #UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON though. Likely full of grammatical errors. Maybe the odd factual one too but fewer than in the material I’m criticising, you can be assured of that!


Há umas semanas, recomendei um podcast sobre a polémica em torno da autora JK Rowling por ela ser um feminista critica ao genero1. Uma amiga seguiu a minha recomenda mas gostava menos do que eu. Não há problema, cada um tem o seu gosto! Em troca, durante a nossa discussão ela recomendou um vídeo no YouTube por um inglês chamado Shaun. Não me apetecia, mas ela lembrou-me das palavras dum doutor famoso “Quid Pro Quo, Clarice” – ela ouviu o meu, portanto devia reciprocar. Isso é justo.

Mas porque é que não me apeteceu? Antes de mais, já conhecia este YouTuber e não gostava dele porque é um desses homens que gosta de papaguear opiniões certinhas sem pesar o outro lado do argumento (em contraste, o podcast tem um episodio inteiro dedicado ao ponto de vista de dois críticos da Rowling). Até quando concordo com os vídeos dele, não quero ser alimentado de colher, mas neste caso concreto, não concordo de todo. Portanto, sejam avisados que neste blogue provavelmente irei resmungar muito por ter de ouvir o seu sotaque de Scouser2 a dizer disparates mais uma vez. 😊 Eu tenho tanto para dizer mas não é nada fácil arrumar os meus pensamentos num comentário no Reddit. Por isso, estou a escrever este blogue para responder ao vídeo.

Aqui está o vídeo para quem quiser ver.

Introdução

Neste vídeo, o narrador utiliza uma estratégia de “culpa pelas associações”. Ou seja, não tem nada a dizer contra o que a autora disse mas quer insinuar que ela é má porque jantou uma vez com alguém que fez isto, ou ela retweetou uma vez alguém que acredita isso, e patati patatá3… Um argumento de culpa pelas associações estratégia é justa poucas vezes: quem tenha amigos nazistas geralmente não é muito simpático. Mas, regra geral, a estratégia não chega, porque todos nós temos amigos, familiares e pessoas que seguimos nas redes sociais com quem, no fim das contas, não concordamos sobre cem por cento da leque de questões sociais. Às vezes discordamos veementemente mas, uma vez que não é fora do razoável, não deixamos de estar amigos.

Então, neste blogue, vou avaliar as personagens criticadas pelo YouTuber e fazer duas perguntas: (a) É assim tão má como o Shaun afirma? E se for, (b) Será que a ligação entre esta pessoa e JK Rowling é tão forte que podemos dizer que a lama adere a ela?

Está bem? Boa. Vamos a isso.

Magdalen Berns (2:00)

O Shaun abre o jogo por mencionar um tweet no qual a Magdalen Berns fala de “Blackface Actors”. Ou seja, ela compara homens que imitam mulheres (não só pessoas transgéneras mas também artistas “drag” se não me engano) com atores que pintam os rostos de negro. Não há dúvida nenhuma que esta afirmação é muuuuiiiito polémica. Pessoalmente, não diria, mas acho que é interessante fazer a comparação. Porque é que Justin Trudeau a usar maquilhagem cor de castanho é um escândalo porque está a troçar negros mas um homem no Ru Paul’s Drag Race não leva a mesma reação por troçar mulheres? A resposta não é assim tao fácil.

Ela fazia vídeos sobre este tipo de homem sobretudo: não os que só querem viver em paz mas os que querem homensplicar4 do que é que é ser mulher ou ser lésbica. Este vídeo por exemplo é um desabafo hilariante mas também brutal contra um homem que merece mesmo “levar uma descasca”! Também fez vídeos sobre o “teto de algodão”5 (inglês “cotton ceiling”) a ideia de que uma lésbica que não quer namorar com quem tenha um pénis é transfóbica.

Não sou lésbico (deve estar óbvio mas vivemos em 2023!) mas percebo porque é que uma lésbica discordaria com isto.

A Berns era jovem e irritada e estava a morrer de cancro de cérebro. Não havia tempo para ser delicada. Disse o que disse sem filtro. Fez erros? Sim, sem dúvida. Apesar de ser da extrema esquerda, espalhou uns memes da direita (Shaun exagere a quantidade destes – Entre os 16,800 tweets dela existem talvez uma meia-dúzia que mencionam o Milo Yiannopolis em termos mornos – 4 sobre George Soros (os que ele mostrou foram literalmente os únicos!). E blablabla. Também insultou algumas pessoas que podia ser aliados, quer transsexuais (Blair White) quer não (Arielle Scarcella). Ela odiar-me-ia também, acho eu, mas confesso que tinha um fraquinho pelo seu modo destemido de falar. Disse uma vez “antes ser ofensiva do que uma mentirosa”. Preciso disso num t-shirt!

E então. Porque é que JK Rowling não falou dos erros da Magdalen no seu elogio? Suponho que havia duas razoes: todos nós temos aliados nesta vida e apoiamos estes aliados apesar dos seus errozinhos. Mas além disso, porque a Magdalen tinha falecido poucas meses antes. O senhor Shaun quer que ela fale de má língua sobre a recém-morrida? Que parvoíce!

Interlúdio (4:30)

“It would be premature to come to any conclusions at this point” Ah, pois é, Shaun, Tenho toda a certeza de que estás a manter a mente aberta!

Posie Parker (4:50)

Nesta secção do vídeo, aproximo-me a concordar com o YouTuber. Posie Parker também me inquieta. É uma personagem muito diferente dos feministas ao jantar da Rowling. Não fala como feminista. Até defende que “temos de abandonar o feminismo” (veja aqui os pormenores). Ao que parece ela acha aceitável colaborar (palavra da semana!) com ativistas da direita cujos motivos são longe de feminista. Claro, Shaun exagera isto, porque exagera tudo, mas tem razão, até certo ponto. Hesito em criticar alguém tão corajosa: homens nos protestos contra os seus eventos não hesitam em ameaçá-la. Um veio com uma faca. Ninguém na esquerda quer saber, claro. Mas apesar de tudo, não consigo suportar a relutância dela em denunciar os grupos extremistas que querem usar o seu movimento.

E qual é a ligação entre JK Rowling e Posie Parker? Shaun admite que umas convidadas no jantar já recusaram a trabalhar com a Parker. E não existem fotos das duas mulheres juntas, mas apesar destes factos inconvenientes, o Shaun oferece duas provas da sua aliança:

Primeiro, ela fez dois tweets contra os homens que vieram para praguejar e dar soco as mulheres ao evento da Parker. Ainda bem. Merecem.

Segundo, ela jantou com duas mulheres que falaram num evento de Posie Parker. Ou seja, JK Rowling jantou com alguém que partilhou um palco com alguém que falou com homens direitistas. Parece um jogo de “Seis graus de Kevin Bacon” não é? Uma delas publicou um artigo sobre o evento no qual distanciou-se da Parker por causa da intervenção do grupo e explicou a foto da bandeira e várias outras coisas mencionadas no vídeo, mas Shaun roubou a foto sem ler o texto porque Shaun é Shaun.

Tanto quanto sei, este tweet é o único no qual JKR menciona o nome da Parker, mas se não me engano, simpatiza com ela e com os seus objetivos, ainda que as duas tenham perspetivas muito diferentes e não trabalham juntas.

Maya Forstater (11:00)

Porque é que a Maya Forstater falou numa discussão sobre o abuso da lei? Provavelmente porque ela perdeu o seu emprego por ter opiniões fora da moda. Havia mais uma feminista na mesma discussão e as duas falaram sobre a liberdade de expressão. Ela não é antiaborto (quase ninguém no Reino Unido é antiaborto. Não é em causa aqui, ou pelo menos não é um assunto que influencia eleições como nos EUA, graças a Deus). Não sei se ela soubesse que o ADF tinha raízes no cristianismo mas ainda que soubesse, liberdade de expressão é liberdade de expressão. Os advogados têm direito à sua opinião errada.

Helen Joyce & Helen Staniland (12:55)

Esta parte da denúncia do Shaun é o mais irritante de todos. Helen Joyce escreveu um livro há algum tempo. Não li mas já ouvi 2 ou 3 entrevistas das dezenas disponíveis no Youtube e parece-me uma mulher que fala com muito cuidado, sem exagero e sem ódio. Existem horas sem fim dela a falar online, mas Shaun baseou a sua malsinação em um só minuto de um só vídeo que citou fora do contexto (que surpresa!) Vi o vídeo. É este (4:50-6:00).

Durante estes setenta segundos elas falam de pessoas a fazer transição. Principalmente falam de jovens (vão viver “for 50, 60, 70 years” – então não são velhos). Dizem que, se for possível, seria melhor se o mínimo possível número de jovens seguissem um caminho medical que os deixaria dependente de hormonas e de cirurgia, com problemas medicais durante a sua vida toda. Corinna Cohn, por exemplo, fez a sua transição há 30 anos, mas hoje em dia a taxa de jovens a pedir hormonas e cirurgia é centenas de vezes maior do que naquela época. As Helens falaram disto tudo: não escolheram as palavras bem na minha opinião, mas é óbvio, para quem oiça honestamente, o que estão a dizer. Ao invés de ouvir honestamente, o Shaun conseguiu imaginar que esta breve conversa era evidência de que elas quisessem matar pessoas como fizeram os nazis. Isso não é falta de entendimento por parte de Shaun. É uma mentira. Pura e simples.

Alison Bailey (14:20)

Ah! Ah! Incrível. Um homem branco e heterossexual a insinuar que uma lésbica negra é racista e homofóbica. Espero que não seja necessário explicar quão ridículo é isto.

Julie Bindel (16:02)

Julie Bindel é fixe. Já li o seu livro sobre prostituição. A minha esposa comprei, e ocorreu-me que eu não tinha pensado muito nisso. Não concordo com tudo que escreveu mas acho que há muito no livro que faz sentido. Até críticas dela – mesmo que não concordem – se forem honestos, têm respeito pelo seu trabalho (por exemplo Sara Pascoe elogiou-a enquanto discordava com as suas conclusões, em “Sex, Power, Money“, que é um ótimo livro). Mas nao é apenas uma escritora. Também fez parte de campanhas Há quem odeiem também, mas hum… “odeiadores… vão odiar…?” Ah ah, há de ser errado!

Mas de volta aos Shaunices. Julie Bindel fez um discurso com Jennifer Lahl, uma bioeticista que acha que a maternidade por substituição6 é prejudicial aos filhos. Não existem montes de fóruns nos quais este assunto seria bem-vindo, portanto a Lahl acabou por falar, segundo Shaun, duas vezes em discursos agendados pelo Heritage Foundation. Mais uma vez entramos num jogo de Seis Graus de Kevin Bacon: Rowling – Bindel – Lahl – Heritage. Quatro passos. E Shaun insinua de que Julie Bindel é “aberto a trabalhar com grupos antiaborto”. Isto estica a verdade tanto que é basicamente mais uma mentira. Ela falou com milhares de pessoas em discussões ao longo dos anos como feminista e jornalista ativa. Ao que parece uma destas pessoas também falou num palco com membros do Heritage Foundation. E daí? A Lahl também falou à ONU. Será que a ONU é manchada pela associação com ela também? Duvido.

Pessoas de diversas opiniões falam uns com os outros todos os dias e ainda bem, porque precisamos de falar mais. Não sei muito sobre o Gary Powell mas aposto que é mais ou menos igual…. Espera lá, depois de escrever isto, fiquei curioso e fiz uma pesquisa. No vídeo ao qual Shaun referiu, o anfitrião introduz o Powell como “A gay rights advocate for nearly 40 years” (1:50) e ninguém na plateia gritou nem o denunciou. O gajo explica o seu ponto de vista e a origem desta controvérsia neste artigo. Não li, mas se quiseres saber mais, só precisas de clicar.

Caroline Farrow (17:30)

O que mais me marcou nesta secção foi quando o Shaun descreveu a Caroline Farrow de direitista, extremista etcétera, não usou a palavra mais adequada: Católica. Caroline Farrow é uma católica. Pessoalmente, sou ateu mas respeito os direitos de pessoas religiosas terem as suas crenças antiquadas. E quanto mais piedosos que sejam, mais conservadores. Não me surpreende que o Shaun não disse “Católica” porque queria sugerir que a Farrow escolheu as suas opiniões por motivos de odio ou porque foi subornada por conservadores americanos ou seja o que for.

Então, Shaun quer que nós acreditemos que JK Rowling é fascista e antiaborto porque ela respondeu a um tweet de uma ativista católica que dirige uma organização católica. Bem, olhe, aqui está a minha prova de que António Costa, primeiro-ministro da república portuguesa é fascista e antiaborto, porque saudou o líder da maior e da mais conservadora organização católica de sempre: a Igreja Católica!

Espera Lá…Que Raios????

Claro que isto não é surpreendente. Têm filosofias divergentes mas também têm objetivos em comum, e as vezes é necessário colaborarmos com pessoas com quais discordamos, se o Shaun não se importa. Aqui está tudo que a JK Rowling já escreveu no seu Twitter sobre o aborto, para quem quiser saber mais.

Matt Walsh (18:00)

Não há dúvida de que Matt Walsh tem Satanás na marcação rápida7, mas Shaun é desonesto por ter mostrado um único tweet da sua discussão online. A Rowling abriu o jogo por castigar o Walsh por criticar uma organização feminista. Depois, admitiu que havia bons aspetos da filme do Walsh (o único tweet que Shaun usou) mas não elogiou o realizador. Depois, escreveu montes de tweets sobre Walsh. Este fio de 4 tweets, por exemplo, não admite qualquer dúvida.

Mais uma vez, é importante perceber isto; Shaun não entendeu mal esta conversa. É um autoproclamado “YouTuber Profissional” que tem tempo o suficiente para fazer pesquisas minuciosas (mais minuciosas do que a minha neste blog!). Shaun sabe bem disto. Não é um erro. Quando disse que JK Rowling é um amigo de Walsh que elogiou o seu trabalho, estava a mentir.

Vários Outros (Resto do Vídeo)

Falto-me a paciência para escrever sobre cada um destes e ainda por cima o blogue já é demasiado grande. Obviamente, ao fim do vídeo está a raspar o fundo do tacho8 para qualquer migalha da ofensa. Na boa, ela trocou tweets com duas chalupas aleatórias, comprou uma t-shirt que ridiculariza a primeira-ministra de Escócia (ah ah, adorei!) e estabeleceu uma casa de acolhimento para crianças, trabalhando de mãos dadas com alguém com opiniões conservadoras, há 18 anos. É uma sopa de tudo-nadas.

Very Nice Young Man
Não faço a mínima ideia de quem é este javardola, mas aposto que é inscrito no Patreon do Shaun.

Enfim, o Shaun resuma: JK Rowling é um amigo da extrema-direita e descaracteriza os seus oponentes. Mas, como eu já disse, Shaun é que descaracteriza os seus oponentes quando nomeia-a uma amiga da extrema-direita. Quanto à noção de feministas “críticas ao género” serem cada vez mais dispostos a trabalhar lado a lado com a direita, isto não tem pés nem cabeça. Bem, a Posie Parker é outra coisa mas nem sequer se chama feminista. E cada assalto nela por homens violentos agindo em nome dos “direitos de transgéneros” alimenta a sua vontade e traz ainda mais publicidades.

Isto tudo é um bom exemplo dum fenómeno perturbador nesta sociedade (refiro ao mundo anglófono; não conheço a sociedade portuguesa bem o suficiente para comentar). Estamos cada vez mais polarizada9. Enquanto os partidos da direita apodrecem sob influência de figuras como Trump e Farage, os partidos da esquerda exijam-nos afirmar coisas impossíveis como “quem diz ser mulher é mulher” (literalmente e sem reserva) e nomeiam a gente que recusa repetir isto de “transfóbicos”. Os republicanos nos estados unidos exploram (mais uma palavra da semana!) esta avenida de argumentação, ganhando eleitores por método de apontar às absurdidades da esquerda que, incrivelmente, chegam a ser ainda mais parvas do que os bitaites10 do Trump, e o resultado é muito mas mesmo muito feio. Precisamos de partidos políticos capazes de esboçar uma política construtiva em relação aos transsexuais que não é baseada em disparates. Igualdade e seguridade para todos e sem besteira!

Shaun menta sem vergonha e exagera quase tudo. Quanto à culpa pelas associações, seria muito fácil conectar praticamente qualquer famoso, com outros de qualquer ideologia. Se soubesse mais sobre o Shaun, e se tivesse tempo e rendimentos de Patreon, podes crer que poderia fazer conexões de quatro passos entre ele e várias canalhas também mas não serviria para nada é além disso o gajo é anónimo, e sou preguiçoso.

JK Rowling é uma autora cujo livros alegram as vidas de milhões de pessoas de todas as idades e que usa os lucros para estabelecer abrigos para vítimas de assédio sexual e resgatar órfãos ucranianos e assim por diante. Por outro lado, o Shaun é um Youtuber profissional que ganha dinheiro por (neste caso concreto) lançar merda em direção a alguém que não merece, porque os seus apoiantes no Patreon querem ouvir tal calúnia. E ainda por cima a bruxa bloqueou-o no Twitter. Coitadinho de Shaun.


1 This form of words isn’t really common on the interent which is probably a good sign, but this seems to be the equivalent to what, in english, is known as a “gender critical feminist” – ie, a person who holds that, when it comes to matters of policy, a person’s biological sex is more important than their subjective sense of what gender they most closely identify with.

2 Or maybe he’s from the Wirral, I don’t know. I’m from Lancashire and all these southern accents sound the same to me.

3 Probably won’t translate well, this one….

4Amazingly, this word actually exists – see the (Brazilian) video embedded in this post

5 Sadly, this phrase has seeped out of english and polluted other languages too. Sometimes, I feel like US cultural imperialism might have its downsides… Nah, it’ll be fine.

6 This is one of those phrases I never would have come across if I hadn’t done this post: it means surrogacy.

7 New phrase this: Marcação rapida = Speed Dial, but I don’t know if “has x on speed-dial” is something people say in Portugal. I landed on it because I was having trouble coming up with the right word. I kept trying different words I knew. but it always ended up sounding either libelous (He’s a CRIMINAL!!!) or feeble (He’s a SCOUNDREL!!!). Insults are a real test of vocab control. I like “He has Satan on Speed-dial” though.

8 Scraping the bottom of the pan = Scraping the bottle of the barrel. Another new expressão idiomática!

9 Why “polarizada” and not “polarizados”? Well, becuase FLiP told me to. I originally wrote it with an -os but it got biffed. I think it’s referring back to “sociedade” before the brackets. It’s not us, as individuals, who are polarized, it’s our society. The more I think about it, the more both options look wrong to me now!

10 Have I really not mentioned this word before? I first saw it on a poster a few years ago in…. Porto, I think. It’s a really good word for what Trump does.

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Oh Lordy, it’s Eurovision Tonight!

And I haven’t even heard the portuguese entry yet. Right, let’s get this up on screen and see what it’s like

Wow, it’s pretty good actually. I can’t see it winning – it’s no Amar Pelos Dois – but it’s better than the last few entries. There are some lyrics online, so here’s a translation.

First of all, the name. It should just be “Oh heart” but that sounds weird so I’m going to randomly insert the word “my” to make it sound more natural

PortugueseEnglish
Ai, coração
Que não me deixas em paz
Não me dás sossego, não me deixas capaz
Tenho a cabeça e a garganta num nó
Que não se desfaz e nem assim tu tens dó
Sinto-me tonta, cada dia pior
Já não sei de coisas que sabia de cor
As pulsações subiram quase pra mil
Estou louca, completamente senil
Oh my heart
That doesnt leave me in peace
That doesn’t give me calm, leaves me incapable
I have my head and my throat in a knot
That won’t untie itself and you have no pity
I feel dizzy, worse every day
I don’t know thigs I used to know by heart*
My pulse is up to almost a thousand
I’m crazy, completely senile
O peito a arder, a boca seca, eu sei lá
O que te fazer, amor, pra mim assim não dá
Porque parece que nem sou mais eu
Ai, coração
Ai, coração
Diz-me lá se és meu
My chest burning, my mouth dry, i don’t know
What to do to you, it’s not working out like this
Because it seems like I’m not myself any more
Oh my heart
Oh my heart
Tell me if you are mine
As horas passam e o sono não vem
Ouço as corujas e os vizinhos também
O meu juízo foi-se e por lá ficou
Alguém me tire deste estado em que estou
O doutor diz que não há nada a fazer
‘Caso perdido’, vi-o eu a escrever
Ando perdida numa outra dimensão
Toda eu sou uma grande confusão
The hours pass and the sleep doesn’t come
I listen to the owls and the neighbours too
My judgement left and stayed away
Someone take me out of this state I’m in
The doctor says there’s nothing that can be done
“Lost cause” I saw him write about me
I’m lost in another dimension
I’m all in a muddle
O peito a arder, a boca seca, eu sei lá
O que te fazer, amor, pra mim assim não dá
Porque parece que nem sou mais eu
Ai, coração
Ai, coração
Ai, coração
Diz-me lá se és meu
My chest burning, my mouth dry, i don’t know
What to do to you, it’s not working out like this
Because it seems like I’m not myself any more
Oh my heart
Oh my heart
Oh my heart
Tell me if you are mine
O peito a arder, a boca seca, eu sei lá
O que te fazer, amor, pra mim assim não dá
Porque parece que nem sou mais eu
Ai, coração
Ai, coração
Ai, coração
Ai, coração
Diz-me lá se és meu
My chest burning, my mouth dry, i don’t know
What to do to you, it’s not working out like this
Because it seems like I’m not myself any more
Oh my heart
Oh my heart
Oh my heart
Oh my heart
Tell me if you are mine

*Why doesn’t “cor” mean colour here? Well, cast your mind back to this post a few weeks back. The lyrics of that one talk about knowing “letras de cor” – knowing them off by heart. So it’s just an old usage of cor, meaning the same as coração.

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Mais Um Meio-Falso Amigo

Today’s post is a callback to a previous one – the one about the word “Colaborador“. While writing it, I noticed another interesting phrase that stimulated some detective work. Thanks to ITeachPTPT, also known as Aprender PT-PT on Facebook. If you’re looking for a teacher, go and have a look!

Enquanto estava a reescrever um texto de há uns dias sobre a palavra “colaborador”, deparei-me com este tweet. Queria averiguar se entendia bem a expressão “Não é modernidade, é exploração” porque não batia certo para mim como anglófono e suspeitava que fosse um erro de digitação.

Se não me engano, isto não tem nada a ver com a exploração que fez Vasco da Gama. (inglês “exploration”) mas trata-se de… Hum… Abusar a diferença de poder ou de conhecimento entre duas pessoas, como, neste caso concreto, uma empresa e o seu empregado (inglês “exploitation”).

Abri o priberam e lá estava a sexta definição de exploração: basicamente tem os dois significados.

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Colaboradores e Trabalhadores

Trabalhadores e colaboradores

Here’s an interesting thing I saw on Instagram and thought would be a good topic to talk about. It’s about the subtle difference of meaning between the portuguese word “colaborador” and the English equivalent “collaborator”. Thanks to Talures for the help with this one.

Uma amiga publicou uma foto da sua lapela com um distintivo que dizia

Colaborador Trabalhador.

Não percebi o significado, porque o cognato inglês de “colaborador” é usado geralmente para traidores que colaboram* com os invasores que ocuparam o seu país nativo. Mas ela explicou e eu li uma página sobre o assunto. Colaborador é uma espécie de jargão corporativo. Algumas empresas nomeiam os empregados de colaboradores, porque trabalhador tem uma conotação de trabalho manual nas fábricas e nas quintas.

Mas há quem não goste da palavra, porque disfarça a relação entre empregador e empregado. Como a minha amiga disse “para fazer passar a ideia que os trabalhadores também são parte da empresa”.

Não é comigo, porque não trabalho numa empresa portuguesa, mas de forma geral, ainda que não goste destas gírias que crescem como um fungo nas reuniões de negócios, não acho assim tão problemático trabalhadores se sentirem parte da empresa – até certo ponto. Desde que a empresa não seja má.

*The corrector suggested changing this to past tense to match the verb later in the sentence but although I can see that’d normally be the right call, I don’t think I agree on this specific case. For example you could imagine a Ukrainian collaborating (present tense) with Russians who invaded (past tense) the country. As she pointed out, it’s probably better to avoid the ambiguity by making it simpler and eliminating the extra verb: “Pessoas que colaboram com os agressores do seu país” or something like that.

I don’t have the image I was talking about but this gives you a flavour of the controversy!
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Barco Negro

I’m pretty sure I’ve at least mentioned this song before because it’s so great, but I’ve never got around to doing a translation of it. Amália Rodrigues is an interesting character in her own right, and she’s had a huge influence on musicians, both traditional and avant-garde. This song is about a woman who’s lost her husband at sea and she’s sleeping on the beach waiting for him to come home and feeling like he’s still with her somehow even though everyone tells her its hopeless.

Thank you very much, Monsieur Trenet

Barco Negro (Black Boat)

PortugueseEnglish
De manhã, que medo que me achasses feia
Acordei tremendo deitada na areia
Mas logo os teus olhos disseram que não
E o sol penetrou no meu coração
Mas logo os teus olhos disseram que não
E o sol penetrou no meu coração
In the morning, so scared that you’d find me ugly
I woke up shaking, lying on the sand
But then your eyes told me no
And the sun penetrated my heart
But then your eyes told me no
And the sun penetrated my heart
Vi depois numa rocha uma cruz
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia que não voltas
Then I saw a cross on a rock
And your black boat was dancing in the light
I saw your arm waving between the loose sails
The old women at the beach say you’ll never come home
São loucas! São loucas!
Eu sei meu amor, que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor me diz
Que estás sempre comigo
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor me diz
Que estás sempre comigo
They’re crazy! They’re crazy!
I know, my love that you never even left
Because everything around me tells me
That you’re always with me
I know, my love that you never even left
Because everything around me tells me
That you’re always with me
No vento que lança areia nos vidros
Na água que canta no fogo mortiço
No calor do leito dos bancos vazios
Dentro do meu peito estás sempre comigo
No calor do leito dos bancos vazios
Dentro do meu peito estás sempre comigo
In the wind that throws sand against the windows
In the water that sings, in the dying fire
In the bed of empty benches
In my breast, you’re always with me
In the bed of empty benches
In my breast, you’re always with me
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor me diz
Que estás sempre comigo
Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir
Pois tudo em meu redor me diz
Que estás sempre comigo
I know, my love that you never even left
Because everything around me tells me
That you’re always with me
I know, my love that you never even left
Because everything around me tells me
That you’re always with me
Posted in English

M.I.R.I.A.M: Orelha Negra, featuring Vhils

I posted a music video yesterday, and I’ve got a few more lined up. This one doesn’t really ave any lyrics though, so consider it a palate cleanser. Orelha Negra are portuguese band and they’ve put one of their chilled-out tracks over some footage of Vhils doing his craxy explosive artworks. I’ve talked about Vhils before a couple of times and I quite like the effect of combining the two art forms in one.

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Pica do Sete

I’ve already done a translation of an Antonio Zambujo song – Flagrante – but it was in the context of a grammar lesson so I thought I’d come back and have a go at one of his others – Pica do Sete. I mainly chose it because it always bothers me. I think he’s singing about a woman who’s punching his ticket but in the video the woman is a passenger and he’s… well, stalking her, really. And at the end there’s a male conductor, so maybe she’s supposed to be narrating? I dunno, maybe spending some time really getting into the lyrics will straighten it out in my mind.

First of all, the title. As far as I understand it, “o Sete” is the number 7 tram. Pica is a bit trickier and I suggest being careful how you use it because it can mean lots of different things including a spliff (in portugal) or a penis (in brazil) so you know… handle the word with care! Anyway, in this context, it’s the ticket inspector. I think it comes from the verb picar which means to puncture something. You can read more about the life of a “pica” on Lisbon trams in this really good blog post written at around the time the song was released.

PortugueseEnglish
De manhã cedinho
Eu salto do ninho e vou pra paragem
De bandolete à espera do sete
Mas não pela viagem
Eu bem que não queria
Mas um certo dia vi-o passar
E o meu peito cético
Por um pica de elétrico voltou a sonhar
Early in the morning
I jump out of my nest and go to the tram stop
Wearing an Alice band, waiting for the number 7
But not for the journey
I didn’t really want it
But one day I saw him pass by
And my skeptical heart*
Went back to dreaming about a tram conductor
A cada repique
Que soa do clique daquele alicate
Num modo frenético
O peito cético toca a rebate
Se o trem descarrila o povo refila e eu fico num sino
Pois um mero trajeto no meu caso concreto é já o destino
Every time the bell rings
When that clipper makes its clicking sound
In a frenetic way
The skeptic heart sounds the alarm
If the tram derails, the people complain and I’m quite happy**
Because, in my case, the route is the destination.
Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira
Desta vida vão
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá
Que triste fadário e que itinerário tão infeliz
Cruzar meu horário com o de um funcionário de um trem da carris
Nobody believes the state my heart gets into
When the number seven picks me up
Until I think the ticket will jump out of my hand
Because in the path
That this life takes
Nothing pierces me like the conductor on the number 7
What a sad fate, what an unfortunate timetable
To cross my schedule with that of a tram employee
Se eu lhe perguntasse
Se tem livre passe pró peito de alguém
Vá-se lá saber talvez eu lhe oblitere o peito também
Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vão
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá
If I asked him
If he had a free pass for someone’s heart
Who knows, maybe I’ll invalidate*** his heart too
Nobody believes the state my heart gets into
When the number seven picks me up
Until I think the ticket will jump out of my hand
Because in the path
That this life takes
Nothing pierces me like the conductor on the number 7
Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vão
Mas nada me dá a pica que o pica do sete me dá
Mas nada me dá a pica que o pica do sete me dá
Nobody believes the state my heart gets into
When the number seven picks me up
Until I think the ticket will jump out of my hand
Because in the path
That this life takes
Nothing pierces me like the conductor on the number 7
Nothing pierces me like the conductor on the number 7

* The actual word is “chest” (peito) but “skeptic btreast” sounds weird

** Refilar and Sino both have multiple meanings. I originally thought the passengers are leaving the tram and queuing for the next one, but she is staying in, ignoring everything (metaphorically under a glass bell jar) because she wants to stay where she is. That doesn’t seem to case. Refilar usually means to grumble and complain and that’s what it means here. “Estar num sino” just means to be well-disposed and calm, according to this page. It doesn’t seem to be a very well-known expression though, judging by people’s reactions when I asked.

***Obliterar obviously sounds like obliterate and usually means the same but one of the meanings Priberam gives is to invalidate something by means of a stamp or a mark or by piercing it – so basically what a tram conductor does to a ticket then!

OK, well I think we can be pretty sure that the narrator of the song is the female passenger and she’s got the hots for the male conductor. The singer is just voicing her interior monologue, not stalking her. I’ve highlighted the two words that give the clue: she says she’s wearing a bandolete – an alice band or hairband. Well, men can wear those but it’s unusual, and the woman in the video has one but Zambujo doesn’t. Then fuurther down he says “um pica” not uma pica, so it’s a male conductor.

If I were portuguese and wanted to study the equivalent male phenomenon, I guess I’d have to analyse the old sitcome “On the Buses”. Coincidentally, I’ve recently watched my first episode of that. My daughter is obsessed with Reece Shearsmith at the moment and apparently they are planning to do an On the Buses parody in the current series of Inside Number 9. I’m old but even I’m not old enough to remember it when it was first broadcast.

Further musings about the expression “estar num sino”

I gently pointed out in reddit that it was surprising that quite a well-known song had an expression in it that hardly anyone understood and people seemed to be fine with not knowing what he was in about. Obviously there are plenty of songs in English that are the same (try listening to the lyrics of “Whiter Shade of Pale” sometime for example) so it’s not really surprising, but I thought it was fun to ask if people were actually listening to the lyrics.

Fiz uma pergunta ontem sobre a letra de uma música do António Zambujo. Há uma expressão na canção que diz “Fico num sino” que mal entendi*. O que mais me marcou foi o facto de os** respondentes também não saberem o significado da frase. Mas… É uma canção bem conhecida não é? Será que grande parte das pessoas ouviram a música e pensaram “Pois é, está presa*** numa campainha. Faz todo o sentido”

* mal entendi meaning I barely understood it. Maybe should have written “entendi mal” (i misunderstood it) or não entendi (i didn’t understand it) to be more accurate.

**de and os are separate here because “o facto de” is a sort of standalone expression.

*** apesar do cantor ser masculino a narradora da canção não é.

Posted in English

Resources for Studying European Portuguese

Quite a lot has changed in the world of Portuguese learning in the last year or so, so I’ve updated all my resource pages, adding new audiobooks, graphic novels, podcasts and tricks I’ve come across in my language learning journey. If you’re new to the site, there are five of them and they are….

Portuguese Audiobooks

The Portuguese Audiobooks Page – where I have tried to list every source on the Interwebs for european portuguese audio books. It’s mostly paid of course, but there are a few free ones too if you’re on a budget. I love audiobooks and I couldn’t be happier to see how the number of available books has grown since the first edition of this page. We still have a long way to go before I’d say we’re spoiled for choice, but it’s a start!

Portuguese Language Hacks

The Language Hacking Page – The idea behind language hacking is to get out of a textbook mentality and into really using the language, so these aren’t study guides per se, just little things you can do to boost the background level of portuguese in your life. If you get it right, you can strengthen your grasp of what you’ve already learned, as well as absorbing a lot of useful vocabulary without feeling like you’re making a lot of effort.

Portuguese Learning Resources

The Online Learning Resources Page – where you’ll find everything I know about YouTube channels, websites, apps and virtual courses for new and not so-new learners. I’ve made quite a lot of edits here – dropped a youtube channel that no longer exists, as well as adding in a couple of new ones. Quite a lot has changed in teh world of apps too.

Portuguese Graphic Novels

The Portuguese Graphic Novels Page – where you’ll find (yes, you guessed it!) a whole load of comics and graphic novels I’ve read in portuguese. I’m a huge fan of these and think they’re a brilliant way of getting into reading in portuguese, simply because the illustrations give you enough context that you can often suss out the meaning of unfamiliar words without having to constantly refer to the dictionary.

Portuguese Study Guides

The Portuguese Study Guides Page – where I’ve listed and rated all the exercise books and textbooks I’ve used over the years. Some are old, some new, some basic, some advanced, and I’ve included my favourite audio course too.

Posted in English

Lei Da Rolha

Phrase of the day: “Lei Da Rolha”. Law of the cork. It’s equivalent to a gagging order, apparently. Not necessarily a full legal order, but might apply to a situation where a political leader tells his party members not to shoot their mouths off, say.