Today’s text only had one correction. I can’t really believe that and suspect the corrector was being lenient so there might be a few more cock-ups in here. I knew it was too good to be true. I’ve amended it now. Thanks to Dani for the corrections.
Há um livro de Evelyn Waugh chamado “Scoop”. Em português o título é “Enviado Especial” porque Scoop não se traduz bem. Literalmente significa “pegar numa porção de algo com uma ferramenta ou utensílio tal como uma colher de servir ou uma concha” mas também tem um significado figurativo – ser o primeiro jornal/jornalista a anunciar uma notícia super-interessante.
O livro conta a história de um jornal, o “The Daily Beast” (sim, como o website – roubaram o título do Waugh!), cujo proprietário se chama Lord Copper (Senhor Cobre, Dom Cobre*? Eu sei que um nome não se traduz mas diverte-me traduzir na mesma). É uma personagem assustadora. Os seus funcionários não ousam negar nenhuma afirmação que venha dos seus lábios, por muito errado que esteja.
Portanto, se tiver razão, os funcionários dizem “Sem Dúvida Senhor Cobre” (definitely Lord Coooere), mas se estiver errado, só dizem “Até certo ponto, Senhor Cobre” (Up to a point, Lord Copper)
* correct answer for a translation of the English word Lord is Lorde.
Here’s a text from Thursday about how everything is the fault of The Gays.
Na segunda-feira, havia uma notícia sobre o líder da Igreja ortodoxa russa. Disse que os valores liberais do ocidente estavam entre os motivos da invas… hum…peço desculpa… da “operação militar” na Ucrânia, e acima de tudo, citou as “marchas de orgulho gay” por serem “projetadas para demonstrar que o pecado é uma variação do comportamento humano”
Esta não foi a primeira vez que um líder da Igreja culpou os homossexuais pelos problemas do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, há quem acredite que agitar uma bandeira arco-íris contribui para tempestades e terramotos.
Então, a mensagem é muito nítida: a homossexualidade é mais perigosa do que qualquer outra força no universo. A Ucrânia estava a construir uma reserva de lésbicas termonucleares e Putin foi forçado a intervir. Não havia outra hipótese.
Just after writing this text, someone randomly retweeted this video into my timeline. Woah. Maybe the churches are following the wrong JC: José Cid instead of Jesus Christ.
Quando mencionam o nome de José Cid, nunca penso nas músicas dele. Só me lembro, sim, deste seu momento extraordinário de 2006. Imagine não ser homofóbico, it’s easy if you try. pic.twitter.com/BeS8wtqq1u
I wrote a couple of knitting-related texts so here they are with corrections. To explain the puns: Lã=Wool, Tricô is knitting, from the French Tricot. The verb form can be “tricotar” or “tricotear” or just “fazer tricot” and finally, Malha can mean knitwear (among other things; it’s generally any kind of mesh or netting), but confusingly the verb form “malhar” doesn’t mean “to knit”. If you look it up on Priberam it has heaps of different meanings but none of them is what you think it’s going to mean. Likewise if you Google “malhador” you’ll find it’s mainly personal trainers and people in the fitness industry. It’s confusing. There are corrections at the bottom of each. I’m out here trying to learn from my mistakes and I hope they’re helpful to others too. As usual, thanks go out to the correctors on r/Writestreakpt – in this case, Dani Morgenstern and Cataphract – for their patient explanations.
The Many-Coloured Lã
1 – Malhasculinidade Tóxica
Sou velho e por isso há muitos aspectos da cultura moderna que não entendo. Entre eles, há uma comunidade de tricotadeiros (e outros fãs de lãs) que é uma das comunidades mais “politicamente correctas” e condenatórias na Internet (Intermalha?). Há várias histórias de sites dedicados à malha nos quais os membros se juntam em várias fações rivais que acreditam serem mais santas do que as outras e entram em guerra civil*
O exemplo mais recente é uma polémica que tem a ver com um site chamado knitting.com. O site é assunto de uma série no YouTube porque uma empresa chamada “ecom crew” (basicamente “equipa de negócios online”) comprarou o domínio com o propósito de estabelecer uma loja Online. Boas notícias não é? Mais lojas significa que haverá mais opções. Mas há um problema: foi fundado por dois homens brancos. Para mim, isto é positivo. Tradicionalmente, o tricô era considerado uma atividade feminina; se houver homens que** querem tricotar, força, digo eu. Mas nem todos vão concordar comigo e não há problema. Afinal, se não gostares de um site, há um remédio fácil: não o visites.
Mas isso não chega. Membros da comunidade ficaram zangados. Apesar de o site ainda não ter aberto, havia já denúncias contra estes homens: iriam “homensplicar***” o tricô: iriam roubar padrões de outros sites; eram racistas contra chineses (por acaso, ambos os homens são casados com chinesas, mas ninguém quer saber). A empresa encara um grande desafio: já contratou muitas pessoas e investiu muito dinheiro em construir o site, mas, uma vez que tantos dos seus clientes estão a espalhar boatos de que os homens querem principalmente tricotar bandeiras nazis ou seja o que for, a sua estratégia de comercialização está à beira de ser frustrada antes da estreia do site!
*I think this is a pretty complicated sentence and my first attempt went so wrong that the correction ended up saying something other than what I was driving at. This is my second go and I hope it’s better. I’m talking about rival factions breaking out on message boards and denouncing each other for their lack of purity.
**There’s a whole show dedicated to men who knit in the Açores in this video from RTP. Their accents. Wooh, mama!
***This word actually does exist as an equivalent of “mansplain” although if you paste it back into gtranslate it translates it as “mensplicate” which is now my favourite word.
Mensplication Femsplicated
2 – Tricãô
Escrevi um texto ontem sobre os malucos na comunidade de tricô, mas no mesmo dia ouvi falar de um projecto que está em andamento aqui nesta ilha húmida que restaura a minha fé neste passatempo. A nossa rainha está quase a chegar ao sexagésimo aniversário do seu reinado. O instituto de mulheres hum… Como posso descrever o instituto de mulheres? É um clube de senhoras que tem* uma reputação de ser tradicional, antiquado, talvez conservador**. O instituto está a fazer um jogo. Vários membros tricotaram cãezinhos*** de lã. São corgis (a raça preferida de sua majestade). Irão esconder estes brinquedos em vários sítios na cidade. Quem encontrar um pode ficar com ele, claro, mas há um que contém um corgigo… hum… um código que dá acesso a uma festa para celebrar o aniversário da Rainha Isabel
Gosto muito disto. É a minha história preferida da semana que tem a ver com a malha.
*We have this dilemma in English too, but it’s not often that’s its as clear as this. The way the sentence is set up, the subject is a club (masculine singular) for women (feminine plural), so when we get into the verb, are we talking about the women – in which case we have to use têm – or the club – which would be tem. My thinking was that the Women’s Institute has a slightly old-school vibe and thats what some people like about it – so I’m talking about the club’s reputation. If you look at it the other way then we have to imagine that there are all these women who have a reputation for being a bit fuddy-duddy and one day someone takes them aside and says “Hey, Violet, nice twinset. The rest of us were chatting and we wondered if you had considered joining the WI with the rest of your kind?”
**Who knew one sentence could have so many pitfalls in it? OK, so we’ve established that we need “tem” and not “têm” but now we’ve got another noun in the mix. When I wrote the first draft, I was thinking in English and translating “a conservative reputation” – uma reputação conservadora. But is it really the reputation that’s Conservative? Don’t we mean that the club (or the women) has (or have) a reputation for being Conservative? So if I’m thinking of the club, my adjectives need to align with the gender of the club, surely? And for good measure, I needed to reword the sentence slightly.
So, taking those last two bullets into account, I changed “O Instituto de Mulheres (…) é um clube de senhoras que têm uma reputação tradicional, antiquada, talvez conservadora.” to “O Instituto de Mulheres (…) é um clube de senhoras que tem uma reputação de ser tradicional, antiquado, talvez conservador”
***Cãozinho is one of those tricky words like Qualquer whose plural form changes in the middle. It’s not surprising though because it’s related to “Cão”.
Eu e a minha filha ambos tínhamos bué* de trabalho para fazer hoje. Montes. Ela estava a entrar em pânico porque ainda não tinha escrito** dois ensaios sobre aspectos de filosofia. Eu sugeri que ela se sentasse à mesa comigo e que trabalhássemos juntos com uma vela perfumada e o álbum favorito dela.
A noite foi bem sucedida. Ela conseguiu escrever tudo. Entretanto, explicou-me a sua opinião sobre Berkeley (basicamente é a seguinte: “é um idiota e deve calar a boca”). Ela disse que “não é possível distinguir entre percepção subjectiva e entendimento veridico”, uma afirmação da qual não entendi patavina, e “Aristóteles era grego” (fiquei muito orgulhoso porque já sabia disso).
*I wrote this the other day after seeing that tweet I mentioned here
**Good illustration of the perils of directly translating the English that’s in your head. I wrote “feito” in place of “escrito” because in English we say “I haven’t done my essay” but think about it: you don’t DO an essay, your WRITE it.
Today’s post is a writing challenge with the title “Books that changed how you look at the world”. For some reason, what came to mind was a book that I found very influential when I was a student but which I wouldn’t subscribe to now. And, as I’ve said in the text, even when I was a fan, I seem to have taken a very different life lesson from it than most of the writer’s other fans! Anyway, as usual I made mistakes and I’ll put the more interesting corrections at the bottom. Thanks to Dani Morgenstern for the help.
Esqueço-me sempre* de ler o tópico do dia. OK… Livros que mudaram a o meu ponto de vista. Há vários. Já li montes de livros ao longo da vida e confesso que 90 por cento passam pelo meu cérebro sem deixarem uma marca. Outros “esculpem”a minha perspetiva de uma maneira progressiva. Ou seja, não estou consciente de grandes efeitos mas, ano após ano, as minhas opiniões sobre vários tópicos ficam mais pormenorizadas e mais matizadas em resultado de ler livros (de ficção e de não-ficção) que alimentaram o meu pensamento.
Mas livros que mudaram completamente a minha perspectiva? Há poucos. Provavelmente o que mais me marcou foi um livro que delineia um modo de agir e de pensar com o qual, hoje em dia, não concordo, mas que naquela altura, batia certo. O livro é o “Back to Freedom and Dignity” de Francis Schaeffer. O autor escreveu-o como resposta cristã às obras de psicologia, principalmente o behaviorismo** de BF Skinner. Que grande seca, né? Mas naquela altura, eu era*** um cristão que não entendia como sustentar a minha fé e simultaneamente participar na vida intelectual e política (esta frase soa pretenciosa, eu sei mas era um jovem). O livro abriu uma porta para uma determinada maneira de encarar a vida. Este processo durou 5 ou 6 anos e acabou por dar cabo da minha fé, mas cresci muito durante a tentativa de resolver o conflito. Ainda por cima, ouvi recentemente que o legado de Schaeffer foi o contrário do que seria suposto: milhares de cristãos evangélicos americanos leram os seus livros e ficaram inspirados a juntarem-se ao lado conservador da política no seu país (principalmente contra o aborto). Se fosse vivo hoje, acho que Scheaffer não apoiaria o que o partido republicano se tornou mas não há dúvida de que é um dos arquitectos principais a sua ideologia.
Entretanto, aqui estou eu, um centrista ateu!
*i originally wrote “Sempre me esqueço” because Sempre is one of those words that changes the position of the reflexive pronoun but of course the mistake I had made was to put sempre as the first word in the sentence like in English (“I always forget”) but in Portuguese it goes after the verb, so the reflexive verb can remain in its proper place.
**o found this word online and it does exist, but apparently there’s a more portuguesified version too: “comportamentalismo”
Será que vocês se lembram do pisco-de-peito-ruivo que nos adoptou recentemente? Ficámos apaixonados pelo homenzinho. Visitou-nos todos os dias por várias semanas. Infelizmente, já nos abandonou. Havia um grupo de chapins reais que colonizou o alimentador fora da janela, e hoje em dia até os chapins não vêm porque o alimentador foi descoberto por dois pombos e um periquito que andam a lutar, um contra os outros, e os passarinhos pequenos não ousam visitar.
Here are a couple of texts about my second attempt to walk from here to the Thames Barrier and back along the Thames Path (a round trip of 50 miles). Autocorrect seems to have deliberately messed up a lot of words to spite me, but I’ll put the more interesting corrections down at the bottom
1. O Pequeno Almoço
Saí da casa muito cedo para dar um passeio. Comprei uma sandes de fiambre de um carrinho* perto da ponte. Enquanto estava à espera, um dos homens a trabalhar no próximo carrinho (uma peixaria) fazia uma pausa para fumar um cigarro. Depois, voltou ao seu trabalho mas, durante todo este tempo, usava a mesma luva plastica azul. Nojento! De que serve uma luva descartável se a usas enquanto estás a colocar um cigarro entre os lábios, meu javardola?
Eu não disse nada disso, claro, mas fiquei contente por ter escolhido uma sandes em vez duma sardinha crua. Que alívio que eu não seja uma foca**.
* = The corrector queried whether it was really a “carrinho” since he associated that with this sort of thing 👉 we-e-ell, it wasn’t quite like that but it definitely did have wheels. It was a mobile, wooden bench that could be used for a pop up market and then taken away when not in use. Possible alternatives would be “rulote” (caravan – definitely not!) or banca (a stand or stall). Banca kinda works, but I think if that as more of a static structure so I’ll stick with carrinho and hope it doesn’t sound too ridiculous.
** Trocadilho de bónus: Um leão andava à caça logo de manhã e apanhou uma girafa. Qual a refeição? Pescoço Almoço
2. O Resto do Dia
Antes do natal, fiz uma tentativa de andar daqui para a barreira contra inundações – uma viagem de 50 milhas de ida e volta. Falhei por causa de ter bolhas nos pés. Mas o passeio de ontem (o que descrevi no texto, que comecei com um pequeno-almoço* perto da ponte) foi uma segunda tentativa e desta vez consegui! Parti antes das 8 e continuei a colocar um pé à frente do outro** 87000 vezes durante 16 horas até atingir*** a meta e voltei para casa antes da meia noite. Tive bolhas nos pés e dores nas pernas. Comi uma tigela de chilli, mas depois, quando fiquei a pé, o meu corpo comecei a tremer e acabei por me sentar novamente . Bebi mais alguma coisa e deitei-me. Acordei com muita fome. Estou fraco e sinto-me como se tivesse uma gripe mas vale a pena!
*The Acordo Ortográfico has opinions abiut hyphen use too. It’s maddening.
**I originally wrote “um pé antes do outro” because id heard the expression “pé ante pé” but that means walking stealthily, on tiptoe and it sounds very wrong in this context. In fact, the corrector write “dá a entender que estás a andar de costas” (“it gives the impression that you are walking backwards”) Well, that sounds like it should be my next challenge…
***I wrote “até atingi” (literally “until I reached” but Portuguese grammar doesn’t work like that. After a preposition you wheel out the infinitivo pessoal. “Until reaching”
Fico muito contente por ver que existe uma aplicação portuguesa que disponibiliza* audiolivros portuguesas fora do controlo das grandes empresas americanas. Espero que esteja a ser bem sucedida. Já ouvi metade de um livro e quero vos informar sobre um pequeno defeito que, se fosse acertado, tornaria a aplicação mais útil para os leitores.
Parece que a app não tem permissão de continuar quando uma notificação toca ou quando o sistema operativo põe o ecrã em suspensão. Não sei especificamente como, mas o audiolivro sempre pára depois de um ou dois minutos. Tenho de tocar no ecrã para pôr a narração de volta em andamento. Isso é chato porque quero colocar o meu telemóvel no bolso enquanto estou a caminhar ou a fazer jardinagem, mas não é possível com a vossa aplicação.
Espero que este problema seja fácil de remediar porque quero comprar mais livros no futuro.
Obrigado.
Com os melhores cumprimentos,
…
*=related to that false friend I mentioned the other day of course. Disponibilizar = to make available
This text is from a few days ago and includes some “expressões de realce” (emphatic expressions) from a video by Speak Portuguese Like a Native which I’ll include down at the bottom along with some notes based on the corrections (thanks Butt Roidholds) and some more blurb about the aftermath…
Estou a experimentar a técnica pomodoro para aumentar a minha produtividade. Há 3 dias que experimento mas ainda não sei se ou não funciona bem. Tenho uma* app que mede 25 minutos de trabalho, durante os quais** simula os sons duma biblioteca para alimentar a concentração. Depois, há cinco minutos de descanso (e sons de pássaros a cantar) assinalados por uma voz que diz “está na hora de relaxar”. A voz é robótica e ainda por cima tem um sotaque russo***. Um robô russo a exigir relaxamento ajuda lá a tranquilidade.
O gestor do projeto telefonou-me e perguntou ” sempre escreveste o relatório que prometeste?”
Respondo “*Não, cheguei* a escrever, porque estou escondido no armário para evitar o robô russo que me quer matar”.
* App é uma menina. Its short for aplicação
** We would normally treat the twenty five minutes as a single block of time so i wrote “o qual” but we need to think of the minutes as plural: 25 individual minutes during all of which we are working… Oh and by the way, I’ve used “mede” meaning “measures”. The corrector, Butt Roidholds, commented that this isn’t very idiomatic but that it was at least understandable. TBH, I think it sounds a bit weird in English too. Probably should have rephrased the whole thing but hi ho…
*** Really Russian? I’m not sure exactly where the text-to-speech engine’s accent is supposed to be from but to my ears, that was how it seemed. I wrote the original version of this a day or two before Russia’s unprovoked attack on Ukraine. I had figured out that I could change the words so the voice would say “Sod this for a lark” at pause time and “Time to kick ass” five minutes later, so I was quite enjoying it, but since the invasion I haven’t been in the mood to listen to anything with even a vaguely Russian accent. It was just annoying the shit out of me, so I uninstalled it.
Here’s the original video I am trying to crib from
Corrected Text – thanks to gws-lthrowaway for the help
Saí de casa* ontem para ir correr no parque mas infelizmente, quando lá cheguei, havia um sinal na portão a dizer “Fechado. Perigoso – Não entrar”
Houve uma tempestade em partes da Europa ocidental na sexta-feira. Continua a ter efeito ainda hoje (oiço o vento enquanto escrevo este texto) mas o pior já passou. Nos arredores do parque, e na cidade, havia danos por todo o lado: árvores caídas, cercas abaladas e barracas de jardim destruídas. Não havia nada tão grave como os danos de tempestades que chegam a matar centenas de pessoas nas ilhas tropicais, nem tão forte como um tornado que levou a casa de Dorothy para a terra de Oz, mas para nós foi um choque!
*de casa not da casa. I left house not left the house.