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A Sereia de Mongaguá

A Sereia de Mongaguá

Esta BD é uma das mais esquisitas que já li. Não consigo explicar o enredo: um vidente que prevê o futuro nas suas tatuagens, um realizador bêbedo, uma cega, uma atriz que quer tornar-se numa sereia, e uma taxidermista que sabe realizar o sonho dela fazem parte de um nó de histórias interligadas e surreais. O resultado é indescritível. Fiquei boquiaberto. O que é que acabei de ler?

It’s seriously messed up. I think it is Brazilian originally but the version I have is in PT-PT.

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Ronda Das Mil Belas em Frol

Ronda Das Mil Belas em Frol - Mario de Carvalho

Este livro de Mário de Carvalho é uma coleção de contos sobre sexo. O narrador tem relações com uma nova mulher de seis em seis páginas, o que há de ser cansativo. Ainda por cima, utiliza palavras de cinquenta euros. Acho que abri o dicionário dez vezes por página. E amiúde encontrei-me a fitar uma folha sem a definição de que estava à procura. Talvez esteja na hora de comprar um dicionário maior.

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Trabalhoolismo

Já que estou acordado às onze e meia da noite, a olhar para o meu portátil, pergunto-me se existe uma palavra semelhante à inglesa “workaholic”: alguém que não sabe largar as suas tarefas e relaxar.

Anyway, to answer my own question, the answer is “viciado em trabalho”.

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A União Ibérica

Durante um turno no hospital onde trabalha, a minha mulher foi chamada por uma enfermeira.

-Falas espanhol, não falas? Perguntou ela
-Hum, sim, mais ou menos, respondeu a Catarina
-Ótimo. Está aqui um espanhol. Fala com ele.
Ela aproximou-se dele e cumprimentou-o com… Sei lá, “Buenos Dias” ou uma abominação linguística qualquer.
-Sou português, respondeu o homem.

Passaram algum tempo a falar-se na sua língua nativa.

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Apparently, That Was All Wrong

I wrote a post a couple of days ago, based around a joke. I was a bit surprised because the person who corrected my text said that I had made hardly any mistakes and that, contrary to what I thought, the joke worked well because “levar (…) ao jardim zoológico” and “levar (…) para o jardim zoológico” were interchangeable.

Well, that was all bollocks. The person in question was Brazilian and not very “picuinhas” at all. I had, of course, made plenty of errors, and the joke doesn’t work either. Sorry if any of you told it at a party and were met with blank stares. Taking a penguin to the zoo on a visit and taking it to be permanently housed at the zoo are too different in Portuguese for this misunderstanding to arise.

Um agente da PSP viu um homem num carro com 6 pinguins no banco de trás. Fez-lhe sinal para encostar o carro.

– Isto não pode ser, disse o polícia. O senhor tem de levar estes pinguins para o jardim zoológico.

O homem concordou e arrancou em direção ao zoológico.

No dia seguinte, o agente viu o mesmo homem a conduzir na Avenida Almirante Reis* com os mesmos pinguins. Mais uma vez, fez-lhe sinal para que estacionasse e aproximou-se do carro, parando várias vezes para evitar os ciclistas.

– Ó meu senhor, o que é que está a acontecer? Eu disse-lhe ontem que tinha de levar estas aves para o zoológico zoológico.

-Sim, disse o motorista. E curtiram muito. Hoje vamos para o cinema.

*this bit about the cyclists on the Avenida Almirante Reis is irrelevant and I only put not in to demonstrate my familiarity with urban planning controversies in Lisboa.

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O Jardim Zoológico

(This post is completely wrong – I’ve posted an update here and I suggest you ignore this and read that instead!)

Here’s a joke I translated and asked if it worked. The person who marked it said it was fine, but he also offered very few corrections so maybe he’s just an easy-going type who makes allowances. Anyway, the reason I thought it would flop was the difference between “levar ao jardim zoológico” (take them to visit) and “levar para o jardim zoológico” (take them for the long term) would make it hard for a misunderstanding like this to occur. But he seemed to like it so maybe its OK. Try telling it to a Portuguese person and see what their reaction is.

Um agente da PSP viu um homem num carro com 6 pinguins no banco de trás. Indicou-lhe para encostar o carro.

– Isso não dá, disse o polícia. O senhor deve levar estes pinguins para o jardim zoológico.

O homem concordou e arrancou em direção ao jardim.

No dia seguinte, o agente viu o mesmo homem a conduzir na Avenida Almirante Reis* com os mesmos pinguins. Indicou-lhe mais uma vez para se estacionar e aproximou-se ao carro, pausando de vez em quando para evitar as ciclistas.

– Ó meu senhor, o que é que está a acontecer? Eu disse-lhe ontem que devia levar estas aves para o zoológico zoológico.

-Sim, disse o motorista. E curtiram muito. Hoje vamos para o cinema.

*this bit about the cyclists on the Avenida Almirante Reis is irrelevant and I only put not in to demonstrate my familiarity with urban planning controversies in Lisboa.

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Onde – José Luís Peixoto

Onde de José Luís Peixoto

Segundo a sinopse na contracapa, este livro é “difícil de resumir”. Pois, e para um estrangeiro, é difícil de entender! Não tenho a mínima familiaridade com Abrantes, Constância e Sardoal, as três vilas perto de Lisboa sobre as quais José Luís Peixoto escreveu estes textos. Cada um trata de um sítio (um jardim, um outeiro, uma biblioteca, seja o que for) nessa região do país, mas o tema é mais ambicioso do que um simples guia turística. Ao invés disso, o autor tenta abranger temas mais universais. Acho que a experiência de ler o livro teria sido mais enriquecedora se eu tivesse mais conhecimento dos sítios onde os textos têm as suas raízes, mas mesmo sem saber nada, curti dos textos como poesia.

You can find the locations listed in Onde by José Luís Peixoto by rummaging around on Google Maps (this link just shows the three villages, not the sixty odd specific locations discussed on the book)

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Grammar Practice

Verb conjugations and prepositions from Português Outra Vez. The conjugations are easy enough, the prepositions, as usual, are confusing.

Não consigo tratar a Adelaide por “tu” (I can’t call Adelaide “tu”)

Os polícias caíram sobre os assaltantes que foram apanhadas em flagrante (The police fell upon the thieves, who were caught red handed)

A notícia correu em todos os jornais.(The news ran in all the papers)

As traseiras do prédio dão para o cemitério (The rear of the building faces the cemetery)

O Zé é tão parecido fisicamente com o pai. E em matéria de teimosia também sai ao pai. (José is so physically similar to his dad. And as for stubbornness too, he takes after his dad)

Costumo tratar com carinho as minhas empregadas, para que se sintam à vontade (i usually treat my employees with kindness so they feel at ease)

O estudante coreano saiu-se muito bem na prova oral de língua portuguesa (The Korean student did very well in the spoken Portuguese test)

Depois daquele escândalo, o político caiu em desgraça e foi esquecido por todos (After the scandal, the politician fell into disrepute and was forgotten by everyone)

Tento convencer-te mas vejo que não consigo levar-te a gostar de jazz. (I try to convince you but I see that I can’t make you like jazz)

Não resisti àqueles bombons de ginja: acabei com eles em dois tempos (I couldn’t resist those sour cherry sweets: I polished them off in two goes)

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Estes Dias – Bernardo Majer

Estes Dias de Bernardo Majer

Parece-me que não tenho paciência para livros portugueses nesta altura. Ando a ler BD. “Estes Dias” de Bernardo Majer é uma série de retratos de pessoas em transição sem enredos fortes. Em cada um, seguimos a vida do protagonista durante algum tempo e logo a história chega ao fim e começa a próxima. O “ritmo” do diálogo e a lentidão do enredo (na medida que existe) fizeram-me lembrar as BD do Jiro Taniguchi mas falta o foco (e a qualidade dos desenhos) de Taniguchi cujo génio fica nas delongas e no silêncio, que sublinham os pormenores da vida. Ah ah, porque é que estou a fazer esta comparação? Taniguchi é um gigante e quase ninguém chega aos calcanhares dele.  Mas ainda assim, este livro parece estar em busca daquel mesma atmosfera na introspeção das personagens, nas lacunas e nos momentos de reflexão na natureza à sua volta.

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A Rainha Está Morta*

Como já sabem, a nossa rainha faleceu ontem e, assim como a maioria de nós, estou triste e vou demorar um pouco para me acostumar ao “novo normal” porque a rainha era rainha desde antes do meu nascimento – e eu sou um velhote de merda.

She said I know you and you cannot sing

Mas não quero repetir coisas que estão espalhadas por todo o lado nas redes sociais. Há quem escute um álbum famoso dos The Smiths. Isso fez-me lembrar que, em 1986 (?) fui a um concerto dessa banda numa sala de concertos na minha terra. Abriram com “The Queen Is Dead” mas alguém atirou alguma coisa (um copo?) à cabeça de Morrissey (o cantor). Membros da organização levaram-no do palco. Os outros membros da banda saíram logo depois.

Muitas pessoas estavam a cantar “Hang the thrower” (“enforquem o lançador”)

Vinte minutos depois, quando a polícia tinha cercado o sítio, confirmou-se o fim do concerto.

Lembro-me de que o meu amigo estava triste naquele dia por causa da sua namorada ter deixado de ser a sua namorada. Tanto quanto eu sei, eu ainda eram um verdadeiro fã dos The Smiths que ainda não tinha tido uma namorada.

* Definite grey area in the ser/estar dilemma that plagues English learner. We’re usually told ser is for permanent, unchanging conditions and estar for a temporary state. And what could be more permanent than death? But no, it’s estar. Later on she “era rainha”. Why? Being dead is more permanent than being Queen. But it’s because being Queen is a definition of who she is. It’s a defining quality.

In fact you’d be more likely to say “a rainha morreu” but this is a translation of the album so…