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Individualidade

Florbela Espanca

O sétimo capítulo do livro do Frei António aborda o conceito da individualidade. Mais uma vez, o autor fala desta palavra “manha”, mas de forma mais positiva do que a dos capítulos passados. Escreve sobre a habilidade dos portugueses para se desenrascarem de problemas. Como exemplos desta característica, sugere a poeta Florbela Espanca e, no campo da gastronomia, “comer na gaveta” e “o bolso do português” (ambos truques para esconder comida dos olhos dos outros para não partilhar o que é nosso).

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Brandura

Vamos continuar com esta leitura do “Ser Português”. O próximo capítulo aborda a brandura que, na opinião do autor é mais uma característica do povo português.

Mais uma vez, o autor apresenta exemplos; Dom João III, que foi demasiado brando para se opor à entrada da inquisição no país, e dos otomanos na Europa durante o seu reinado; Mário Soares, cuja popularidade se prendeu com este paradigma* nacional. Bastou-lhe ficar no centro, afastando-se igualmente das duas alas políticas e esse ar brando tornou possível a sua carreira apesar da falta de vontade reformista.

Também aponta a** sesta e a crença no destino como exemplares da brandura dos portugueses, o que faz todo o sentido. O carapau alimado também***. Sinceramente não entendo porque é que cada capítulo usa um prato para ilustrar um aspeto do caráter nacional. Talvez se entendesse, isto seria a chave que desvendaria tudo. Ou talvez não. E nós bretões: Qual será a comida que exemplifica a nossa alma coletiva? O Greg’s Sausage Roll, claro.

*One of those masculine ends-with-a words.

**Aponta doesn’t need a preposition. It means “point out” rather than “point”.

***I neglected to mention the other dish mentioned in the chapter: açorda. Well, it’s true, not much is milder than açorda, which is sometimes translated as bread soup, although it’s more like bread sauce. Is bread sauce even a thing in 2022? My mum still makes it at Christmas but I don’t recall seeing it anywhere else. It’s just mushed up bread with a bit of onion and a few herbs chucked in. Recipes here: açorda vs bread sauce.

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Sensibilidades

Segundo o Frei António, a sensibilidade portuguesa é leve e superficial. “Daí que não haja em Portugal verdadeiros santos e muito menos místicos”. São dados vários exemplos como Fernando Pessoa e Zé do Telhado. Mais uma vez sinto como se me estivesse a passar alguma coisa ao lado: consigo pensar em muitos adjetivos para descrever Fernando Pessoa mas “superficial” não estaria na lista. Também diz que a laranja e o figo são exemplos de alimentos que mostram esta qualidade. O futebol também. E a inveja. Parece um “mad lib” preenchido de palavras aleatórias.

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Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses
Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses” é um livro de Joana Amaral Dias. Além de ser um livro e um audiolivro, o texto foi lançado como podcast e foi assim que o ouvi. A capa do livro tem uma foto dum rosto escondido por uma máscara de hóquei, tipo Jason Voorhees dos filmes “Sexta-feira 13” , mas não é um desses romances de terror que descrevem crimes de tal forma bizarros e ultrajantes que existe uma espécie de diversão perversa, entrelaçada com o choque de assassinatos tão assustadores. Em vez disso, trata-se de histórias de “crime verídico” mais quotidianas. Os contos abordam casos de pessoas que matam por causa de ciúmes incontroláveis, ou simplesmente por cobiça por dinheiro. Até há pessoas com doenças mentais (sem ser psicopatia) que matam elementos das suas próprias famílias de modo sórdida e nojenta. Acho que os fãs deste género podem gostar desta obra. Já eu, nem por isso. Achei-o ligeiramente deprimente e fiquei aliviado quando cheguei ao fim.

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Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro

Continuando a minha leitura do “Ser Português” de Frei António (António Lameira) cheguei ao quarto capítulo, cujo título é “Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro”. O autor afirma que os portugueses têm um medo, incutido pela Igreja, que os fez conservadores. Mas ao mesmo tempo, têm uma vontade forte de explorar. Em resultado disso, “quando se está fora, sente-se a saudade, mas quando se fica, também se sente a saudade de querer partir”.

Como sempre, o autor fornece vários exemplos destas tendências: Santo António, que perseguiu os albigenses por serem heréticos e Oliveira Salazar que ainda projeta uma sombra sobre o país. Também cita o gosto de bacalhau salgado, a rotina diária e a preferência por sapatos pretos.

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A Manha Mais Uma Vez

Following in from the post from a couple of days ago

Para ilustrar o capítulo sobre a manha (sobre o qual escrevi há dois dias) António Lameira oferece alguns exemplos: o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira por ter ficado calado durante uma época de ditadura e opressão do povo, Aníbal Cavaco Silva, cuja presidência foi, na sua opinião, manchada por corrupção em relação a um banco. (o BPN, presumo?)

Também escreve sobre duas coisas menos polémicas: a alheira e o pastel de bacalhau: a primeira porque foi inventada pelos judeus para enganar os católicos que os queriam os perseguir, e o segundo porque se trata dum método de esticar uma quantidade de bacalhau até que quase não exista. Frequentemente é nada mais do que batata, salsa uma memória de escamas.

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A Manha

Here’s a text based on the second chapter of “Ser Português” by António Lameira, aka Frei António. Thanks to Dani Morgenstern for the correction

Seguindo* o livro “Ser português” um aspeto do caráter nacional é a manha e a “chico espertice”. No âmbito deste traço de personalidade pouco simpático, o autor, António Lameira descreve “a desconfiança, a gabarolice, o medo do ridículo, a promessa religiosa, a inveja e o medo latente de algum mal.” O Lameira culpa estas características por vários problemas do passado (a ditadura, a inquisição) e atitudes modernas que, se eu as descrevesse, acho que pareceria ligeiramente “lusofóbico” mas suponho que ele sabe do que está a falar. Diz que o verbo “amanhar-se” (resolver uma situação através de um truque, um engano ou até por métodos ilegais) é uma dessas palavras que não tem equivalente noutras línguas.

Pois, pode ser, mas acho que essa falta de ética é um aspeto da natureza humana. Ainda que haja uma forma, ou um “sabor” específicos dos** portugueses, se está a implicar que vocês são os únicos que se comportam assim, seria um retrato pouco elogioso do país!

* Another habitual mistake I make is using “seguindo” in place of “segundo” as equivalent of “according to…” Seguindo means “following” so it seems like a better fit than segundo (“second”) but no, segundo is the word to use.

**One of those surprising prepositions: specific of the portuguese, it specific to them!

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Exames

A minha filha está a meio* da época de exames. Estes exames são uma espécie de ensaio para os exames da próxima primavera, os mais importantes da sua escolaridade porque determinam quais universidades a aceitarão. Ontem, fez o primeiro exame de informática; hoje, tem o primeiro teste de francês e amanhã vem aí o (único) exame de filosofia.

*I keep trying to use the phrase “em meados de…” in situations like this. I’ve come across it in the context of history where it’s used to describe (in a very vague way) the middle of a period, like you might say the second world war tool place in the middle of the twentieth century say. You can also use it to describe the mid part of a book, so using it here to describe her being in the middle of her exam period was a bit off. Here’s the priberam entry for meado. I could also have used “em pleno época de exames”.

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Sobrevivi

Fui ontem ao segundo dos dois eventos dos quais falei há uns dias. Foi a festa de aniversário duma amiga da minha esposa. A aniversariante arrendou um clube de barcos à vela e contratou uma banda que tocou músicas principalmente dos anos oitenta (mas com umas mais recentes pelo meio)

Antes da festa, senti-me como se fosse um condenado mas claro que uma perspetiva negativa não ajuda ninguém, portanto fiz um esforço para pensar de modo mais positivo e, para resumir uma longa história, curti a festa. Dancei como um cromo com todos os contabilistas, comi várias coisas desconhecidas. Foi uma noite divertida.

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Finalmente o Verão

Finalmente o Verão, escrito por Mariko Tamaki e ilustrado por Jillian Tamaki

(Hum, alguém que lesse este título logo depois do de ontem podia ficar com a impressão de que as estações se sucedem repentinamente aqui em Inglaterra, mas não, como vão ver, o texto de hoje é uma opinião sobre um livro)

Finalmente o Verão” é uma banda desenhada canadiana, escrita por Mariko Tamaki e ilustrada por Jillian Tamaki. Comprei. Existe uma tradução portuguesa e comprei-a na loja da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O livro conta a história de duas meninas que passam sempre as férias do verão numa aldeia perto da praia. Este ano, Rose, a mais velha, chega com a família e vai ter com a mais nova, Windy à casa dela. Exploram os arredores da aldeia, nadam no mar e conversam.

Mas este ano, está tudo subtilmente diferente porque as raparigas estão a aproximar-se da adolescência. Querem alugar e ver filmes de terror (que lhes dão muuuuiiito medo!) e falam com ansiedade de como os seus corpos se vão desenvolver (“Ha ha – peeeeeiiitos! Mamocas! Mamonas! Olha para estes melões tão sexy”). Mas além do humor, há um lado mais sombria: há um grupo de jovens mais crescidos (de 17-20 mais ou menos) que moram lá. Quase não reparam nas meninas mas as meninas veem e ouvem as suas conversas. Uma rapariga ficou grávida mas o (provável) pai do bebé não quer saber. Ainda por cima, a mãe de Rose está muito triste, até deprimida, por razões que nem Rose bem o pai compreendem completamente.

É uma história agridoce de que gostei bastante.

(Foyles sometimes has portuguese copies of popular graphic novel but they seem only to have the english version which is here if you’re curious)