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Desafogadamente

I came across this word today and was strangely pleased by it. The root of it is the verb “afogar” whose main meanings are “to drown” or “to submerge”, but which has some related meanings which go along the lines of “to impede” or “to choke”, both of which make sense: you can imagine how being impeded or stifled might feel, figuratively, like being immersed in water, of how being choked or strangled would deprive you of breath just as surely as being drowned would.

So building on “afogar”, or rather its past participal “afogado” we’ve got the prefix “des” making it negative and the suffix “mente” making it an adverb, and we end up with “desafogadamente”, which you could literally render as “undrownedly”, but seems to be used to mean something like “freely” or “without hindrance”. Excellent stuff! Definitely using that at the next chance I get!

Affogato
Affogato (image courtesy of Leva Kisunaite)

Afogar is quite an easy verb to remember if you’re a fan of delicious Italian treats because you’ve probably come across an affogato. If you don’t know it, it’s a dessert consisting of a scoop of vanilla ice cream with coffee poured over it. This combination of cold and creamy with hot and bitter is literally “affogato al café” or “drowned in coffee” and it’s the same word, just italianified.

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Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro

Continuando a minha leitura do “Ser Português” de Frei António (António Lameira) cheguei ao quarto capítulo, cujo título é “Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro”. O autor afirma que os portugueses têm um medo, incutido pela Igreja, que os fez conservadores. Mas ao mesmo tempo, têm uma vontade forte de explorar. Em resultado disso, “quando se está fora, sente-se a saudade, mas quando se fica, também se sente a saudade de querer partir”.

Como sempre, o autor fornece vários exemplos destas tendências: Santo António, que perseguiu os albigenses por serem heréticos e Oliveira Salazar que ainda projeta uma sombra sobre o país. Também cita o gosto de bacalhau salgado, a rotina diária e a preferência por sapatos pretos.

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Typo… Or is it?

I couldn’t work out what this word was doing here. Reduto is like redoubt, so it’s a kind of fortress… So what’s it doing in this sentence? I didn’t know so I asked.

He’s saying that, despite their natural conservatism, portuguese people have a redoubt – an unvanquished corner of their heart – where they nurture a longing for something else out there.

OK, makes sense. I thought I’d found a typo but instead I found some new vocabulary.

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A Manha Mais Uma Vez

Following in from the post from a couple of days ago

Para ilustrar o capítulo sobre a manha (sobre o qual escrevi há dois dias) António Lameira oferece alguns exemplos: o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira por ter ficado calado durante uma época de ditadura e opressão do povo, Aníbal Cavaco Silva, cuja presidência foi, na sua opinião, manchada por corrupção em relação a um banco. (o BPN, presumo?)

Também escreve sobre duas coisas menos polémicas: a alheira e o pastel de bacalhau: a primeira porque foi inventada pelos judeus para enganar os católicos que os queriam os perseguir, e o segundo porque se trata dum método de esticar uma quantidade de bacalhau até que quase não exista. Frequentemente é nada mais do que batata, salsa uma memória de escamas.

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Typos

Typos tend to be annoying at the best of times, but they can be super-confusing when they come up in portuguese texts because you don’t know if they are real typos or if it’s just some aspect of the language that you’re not familiar with. I was pretty sure about this one but had to go and ask. It is one of course. The fact that the stray “seu” is right next to the right word, “sei”, makes it obvious how it happened.

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A Manha

Here’s a text based on the second chapter of “Ser Português” by António Lameira, aka Frei António. Thanks to Dani Morgenstern for the correction

Seguindo* o livro “Ser português” um aspeto do caráter nacional é a manha e a “chico espertice”. No âmbito deste traço de personalidade pouco simpático, o autor, António Lameira descreve “a desconfiança, a gabarolice, o medo do ridículo, a promessa religiosa, a inveja e o medo latente de algum mal.” O Lameira culpa estas características por vários problemas do passado (a ditadura, a inquisição) e atitudes modernas que, se eu as descrevesse, acho que pareceria ligeiramente “lusofóbico” mas suponho que ele sabe do que está a falar. Diz que o verbo “amanhar-se” (resolver uma situação através de um truque, um engano ou até por métodos ilegais) é uma dessas palavras que não tem equivalente noutras línguas.

Pois, pode ser, mas acho que essa falta de ética é um aspeto da natureza humana. Ainda que haja uma forma, ou um “sabor” específicos dos** portugueses, se está a implicar que vocês são os únicos que se comportam assim, seria um retrato pouco elogioso do país!

* Another habitual mistake I make is using “seguindo” in place of “segundo” as equivalent of “according to…” Seguindo means “following” so it seems like a better fit than segundo (“second”) but no, segundo is the word to use.

**One of those surprising prepositions: specific of the portuguese, it specific to them!

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Exames

A minha filha está a meio* da época de exames. Estes exames são uma espécie de ensaio para os exames da próxima primavera, os mais importantes da sua escolaridade porque determinam quais universidades a aceitarão. Ontem, fez o primeiro exame de informática; hoje, tem o primeiro teste de francês e amanhã vem aí o (único) exame de filosofia.

*I keep trying to use the phrase “em meados de…” in situations like this. I’ve come across it in the context of history where it’s used to describe (in a very vague way) the middle of a period, like you might say the second world war tool place in the middle of the twentieth century say. You can also use it to describe the mid part of a book, so using it here to describe her being in the middle of her exam period was a bit off. Here’s the priberam entry for meado. I could also have used “em pleno época de exames”.

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Sobrevivi

Fui ontem ao segundo dos dois eventos dos quais falei há uns dias. Foi a festa de aniversário duma amiga da minha esposa. A aniversariante arrendou um clube de barcos à vela e contratou uma banda que tocou músicas principalmente dos anos oitenta (mas com umas mais recentes pelo meio)

Antes da festa, senti-me como se fosse um condenado mas claro que uma perspetiva negativa não ajuda ninguém, portanto fiz um esforço para pensar de modo mais positivo e, para resumir uma longa história, curti a festa. Dancei como um cromo com todos os contabilistas, comi várias coisas desconhecidas. Foi uma noite divertida.

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Finalmente o Verão

Finalmente o Verão, escrito por Mariko Tamaki e ilustrado por Jillian Tamaki

(Hum, alguém que lesse este título logo depois do de ontem podia ficar com a impressão de que as estações se sucedem repentinamente aqui em Inglaterra, mas não, como vão ver, o texto de hoje é uma opinião sobre um livro)

Finalmente o Verão” é uma banda desenhada canadiana, escrita por Mariko Tamaki e ilustrada por Jillian Tamaki. Comprei. Existe uma tradução portuguesa e comprei-a na loja da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O livro conta a história de duas meninas que passam sempre as férias do verão numa aldeia perto da praia. Este ano, Rose, a mais velha, chega com a família e vai ter com a mais nova, Windy à casa dela. Exploram os arredores da aldeia, nadam no mar e conversam.

Mas este ano, está tudo subtilmente diferente porque as raparigas estão a aproximar-se da adolescência. Querem alugar e ver filmes de terror (que lhes dão muuuuiiito medo!) e falam com ansiedade de como os seus corpos se vão desenvolver (“Ha ha – peeeeeiiitos! Mamocas! Mamonas! Olha para estes melões tão sexy”). Mas além do humor, há um lado mais sombria: há um grupo de jovens mais crescidos (de 17-20 mais ou menos) que moram lá. Quase não reparam nas meninas mas as meninas veem e ouvem as suas conversas. Uma rapariga ficou grávida mas o (provável) pai do bebé não quer saber. Ainda por cima, a mãe de Rose está muito triste, até deprimida, por razões que nem Rose bem o pai compreendem completamente.

É uma história agridoce de que gostei bastante.

(Foyles sometimes has portuguese copies of popular graphic novel but they seem only to have the english version which is here if you’re curious)