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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) Intervalo

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Entre os capítulos seis e sete, há um Intervalo em que o autor elogia um artigo na revista “New Yorker”, chamado “The Talking Cure“.

O argumento do artigo pode ser resumido num titulo dum secção do capitulo: “As Crianças Precisam de Palavras Como de Vitaminas” ou seja, tem um instinto para línguas faladas e precisam de adultos que querem falar com eles  para alimentar a sua fome de palavras porque a sua inteligência não se cresce senão num ambiente rico em palavras. Devem fazer parte numa conversa que faz sentido e em que os pais ouvem e responder as palavras de criança também, obviamente. Ou seja, se não participem em diálogos, e não ouvem historias, não podem absorver as regras, as palavras que precisam para ser adultos inteligentes, livres e com confiança!

Concordo cem por cento, e seguimos esta filosofia quando nasceu a nossa filha. Infelizmente, o que mais lamento é que demorei tanto para aprender português, a língua da minha mulher, e por isso não conseguimos fornece-la com um ambiente rico em duas línguas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #5

Este capitulo lida com a família de línguas que inclui o português. O autor desenvolve ainda mais o tema das línguas regionais iniciado no capítulo 4. Infelizmente, não tenho conhecimento o suficiente da geografia e as línguas da Península Ibérica para entender tudo. Por exemplo, confesso que nunca tinha ouvido falar do Couto Misto, um micro-estado que existia na fronteira entre Portugal e Espanha até ao século XIX, e embora seja sempre interessante aprender coisas novas, não consegui compreender todas as informações sobre as subtilezas do sotaque, ortografia e cultura da região que, ao que parece, seria interessante ou até desafiante para os lusófonos. Ora bem, é falta minha, e talvez um dia se torne mais nítido mas nesta altura, houve grandes partes que não penetraram na minha ignorância!

Cá para mim, a coisa mais interessante é a história alternativa que começa na página 99, em que o autor tenta fornecer uma resposta à pergunta “Como é que a língua portuguesa teria sido diferente se Portugal não tivesse ganho a sua independência da Espanha em 1640?”) Claro isto é muito especulativo, mas apesar disso é muito interessante e ilumina os acidentes de história que separam as línguas umas das outras e eleva algumas ao estado de “língua nacional” enquanto que outras se tornam dialectos.

 

Thanks Fernanda for the corrections

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Mulheres (Carol Rossetti)

Carol Rossetti é uma artista brasileira. És bem conhecida nas redes sociais por a sua série de ilustrações afirmativas no tema da diversidade de mulheres do mundo. Desenhou mulheres brancas e negras, velhas e jovens, heterossexuais e lésbicas, com diversos tamanhos, profissões e opiniões. Cada mulher tem a sua própria página com ilustração bem colorida e uma legenda que explica a sua vida. De forma geral, cada uma encontra-se sob os olhos de pessoas que desaprovam o seu modo de viver, e a autora oferece uma mensagem de apoio a cada uma delas para afirmar os seus direitos e aumentar a sua auto-estima.

Confesso que as vezes eu também torci o meu nariz. Mas o propósito do livro é muito simples: quer aprove quer não, não é da conta de qualquer outra pessoa o que é que uma mulher faz na sua própria vida.

O projeto é uma boa ideia, mas funciona melhor como imagens individuais no Internet. Juntos num livro, tanta positividade pode tornar-se chata. Depois de vinte eu iria querer viver numa ilha longe de pessoas que exigem tanto respeito.

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A Pior Banda do Mundo

22711886Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, isso é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro… mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçada, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.

Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #4

No quarto capítulo do seu livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa”, Marco Neves lista as dez línguas de Portugal (Dez? Sim. dez, embora algumas sejam faladas só..hum… em Espanha) e faz uma tentativa de responder à pergunta “há línguas piores do que outras?” Aprendi muito com esta primeira secção. Como o autor diz, as dez “nem sequer inclu[em] o inglês algarvio”, e não fazia ideia que havia tantos idiomas no país. Quanto à segunda parte… hum… considero que a sua explicação do mecanismo que torna as línguas mais ou menos complicadas não seja completamente convincente. Pois, claro, como estrangeiro, estou a tornar a língua mais simples pelo método de fazer tantos erros (querido leitor, imploro-te não impeça este processo por corrigindo-os!) mas quando tento imaginar um processo que possa tornar o inglês mais complicado, não consigo. Será que alguém introduziria uma sistema de géneros arbitrários se não invadíssemos um outro país nos próximos séculos? Acho que não.

Mas, diga-se o que se disser, devo admitir que não tenho a sua formação em línguas e é mais do que possível que esteja enganado, e como sempre, tenho muito interesse no assunto, e opiniões polémicas são sempre bem vindas, embora nem sempre concorde!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #3

O terceiro capítulo do meu livro é o meu favorito até agora. É um discurso sobre línguas e as suas ligações aos conceitos de identidade nacional e fraternidade entre países. Faz referência  ao “imperialismo linguístico” de Vladimir Putin e as tácticas de ditadores de todas as épocas, em que a língua nativa do povo subjugado se esconde, ou ainda melhor se elimina da escola e da praça pública para que possam arrasar o espírito das pessoas. Também se trata da topografia das línguas que surgiram da raiz latina na Europa, evoluíram por percursos diferentes, e escolheram as suas próprias ortografias. O alvo do autor, digamos assim, é o Acordo Ortográfico, que tem o objectivo de apagar as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu (ou seja entre as formas escritas), de maneira a apagarem pequenas diferenças que uma grande parte do povo do país mais pequeno considera muito importante para a sua auto-estima. Portanto, tem-se encontrado uma resistência teimosa por pessoas que se sentem ameaçadas por uma cultura mais poderosa.

O capítulo é muito interessante e alimenta mesmo a reflexão. Além disso*, é escrito num estilo muito nítido. Apesar da complexidade do assunto, até um estudante de Português, tal como eu, poderá entender.

Thanks to Sofia and Carla for the corrections

*=I wrote “ainda por cima” which means the same kind of thing but it’s more negative. This bad thing happened and ainda por cima this even worse thing happened as opposed to “além disso”: I baked a cake and além diddo I made biscuits too

 

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #2

No segundo Capítulo de “Doze Segredos da Língua Portuguesa”, o Marco Neves fala de sotaques, e faz a pergunta “Existe uma língua padrão, sem sotaques?”

Pois claro, não há. Se alguém falasse sem sotaque, soaria como se fosse um robot. Na realidade, cada um tem o seu própria sotaque, que revela donde é, de qual classe vem, quantos anos tem, e ainda mais.

Este ponto de vista é muito liberal e lembra-nos que ninguém tem o direito de dizer que a sua maneira de falar é melhor do que a do resto do país. Sinto-me confortável com este modo de pensar até que encontrar um cidadão dos Estados Unidos que diz “adoro o seu sotaque inglês! É tão fofo!” Então, de repente, esqueço-me da opinião filosófica e começo a gritar “NÃO SOU EU QUE TENHO SOTAQUE, RAIOS PARTA, ÉS TU!!!*”

 

Obrigado pela ajuda, Lais e Sofia

*=someone who didn’t understand the point of this daft joke, pointed out that I do have an accent. This is a bit depressing since it seems to imply I’d failed to convey the point I was trying to make but my reply was: “Isso mesmo! Só queria dizer que todos temos os nossos próprias de vista, incluindo eu, e não é sempre racional e razoável. Imagino que inglês é inglês-inglês e inglês americano é um perversão grotesco falado por Trump. Por outro lado, para os americanos, nós parecemos personagens dum filme antigo que nos vistamos como Robin Hood e adoremos a rainha. Uma vez, um gajo americano perguntou-me “poderias simplesmente largar o teu sotaque e falar numa maneira normal como nós”? Ora bem, eu sei que ambos tínhamos um sotaque mas o meu orgulho nacional tomou controlo e a minha resposta era “a língua chama-se inglês porque vem da Inglaterra, pá! és tu que tens sotaque!” Como penses que reagirias se um brasileiro te fizesse a mesma pergunta?”

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #1

O primeiro capítulo do livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” de Marco Neves é a sua tentativa lidar com a problema difícil de “saudade” e, mais geralmente, de palavras não traduzíveis.

O seu argumento é que esta questão nunca se trata de palavras literalmente intraduzíveis. Para elucidar este ponto de vista, há duas linhas de pensamento*. Por um lado, é sempre possível, traduzir qualquer palavra mas pode-se precisar de uma frase, ou pelo menos precisar que acrescente um adjectivo. Por outro lado, há muitas palavras aparentemente fáceis que se tornam, quando pensarmos nelas, mais complicadas. Quando um alemão diz “pão” em vez de “brot”, achamos que o entendemos, mas a imagem na sua mente é de uma comida escura e pesada, feita de centeio. Não é a mesma coisa do que o que está na cabeça dum ouvinte inglês ou português, e por isso, podemos dizer que é um tradução fiel?

Eu não tenho paciência para isso, mas afinal, chegou à conclusão certa. O que estas palavras nos dizem é: quais são os conceitos específicos que a gente se sente o suficiente que valha a pena inventar uma palavra especifica para não ser prolixo.  No final do capítulo, o autor dá muitos exemplos bonitos de tais palavras intraduzíveis de várias línguas.

 

*=originally “ataque” but apparently portuguese arguments don’t have lines of attack, the reasonable, fair-minded bastards!

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O Amor Infinito Que Te Tenho

Livro do Paulo Monteiro

Hum… O livro tem 60 páginas e contém 10 contos. Obviamente, estamos na presença dum autor que usa um estilo bem lacónico. As histórias são esquisitas, escuras, perturbantes – mais parecidas com os contos de Franz Kafka do que um BD tradicional. Na verdade, apenas dois contos têm a marca duma BD: balões de texto. Os outros são, propriamente, pequenas peças de ficção, alguns pouco maiores do que um tweet, ilustrados com desenhos escuros ou arrepiantes. Fico contente por ter lido mas não tenho a certeza se apreciei. Vou colocá-lo numa prateleira longe da minha cama para não ter pesadelos.

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Esteja em Alerta*

sunblockrobo02afA DGS (Direcção Geral da Saúde) emitiu um aviso ontem por causa duma previsão de temperaturas elevadas e ventos fortes nas terras altas e à beira do Atlântico. O conselho que dão é transportar uma garrafa de água a todo tempo para não ficar desidratado, ficar em casa (se for possível) durante as horas mais quentes do dia com as cortinas corridas, ou, ainda melhor, as persianas ou portadas fechadas para excluir os raios do sol, e vestir roupas leves e frescas

Fora de casa, o DGS recomenda que as pessoas usem protector solar com índice de proteção bem alto e óculos de sol.

Além disso, avisa que toda a gente evite refeições quentes ou “muito condimentadas”, embora esta última dica não faça sentido nenhum: os países bem conhecidos pelas suas cozinhas nacionais bem condimentadas são os países tropicais: Índia, México, e as ilhas Caraíbas, por exemplo, todos os quais têm climas muito mais quentes do que Portugal. Um caril com arroz nunca fez mal a ninguém!

Pois claro, cada pessoa é diferente. Os mais vulneráveis devem tomar ainda mais cuidado com a saúde do que a maioria.


Thanks to Thais, Carla for successive waves of help on this

*=I originally posted this on italki as “seja alerta – o seu país precisa de mais lertas” which is a literal translation of a crap joke “be alert – your country needs lerts”. It doesn’t really work though because being alert is an “estar” situation and being a lert is a “ser” situation.