Posted in Portuguese

Vergonha

A text from a few days ago with thanks to Butt_roidholds for the corrections

Em Inglaterra, celebramos o Dia da Mãe em Março, ao contrário da maioria dos países, onde as pessoas esperam até Maio* porque não amam** as suas mães tanto quanto nós amamos as nossas.

Regra geral, nunca perco o dia, mas neste ano andei distraído e esqueci-me completamente. Eu e a filha entrámos em pânico. Ela começou a fazer uns queques (naquela altura não sabíamos que ela estava com covid). Entretanto abri o site Interflora para enviar flores para a avó dela, que é também a minha mãe. Que desgraça.

*I wrote “até ao Maio” but that’s doubly wrong. Firstly you don’t need the article in front of the name of the month, and secondly you don’t use “a” after esperar. It would normally be esperar para (wait to be able to do something) or esperar por (wait for) or esperar em (wait in expectation)… Hm… The definitions in brackets are pretty loose there. This is why a site like Linguee is so useful: you can see actual examples of these kinds of constructions and get a sense of when they are used.

**Apparently my joke misfired because although “amar” is changing to be more like the English verb “love”, traditionally Portuguese people would use “gostar” or “adorar” when talking about their parents so my attempt at a cheeky joke just made me sound like Oedipus

Posted in Portuguese

A Couple of Short Texts

Some shorties with corrections

A Casa de Harry Potter Com Qual Mais Identifico

Se o mundo de Harry Potter fosse realidade e se o chapéu selecionador fosse colocado na minha cabeça, acho que o seu veredito seria “Hufflepuff” (Lufa-Lufa*). Não tenho o heroísmo que é necessário aos membros da Gryffindor (Grifinória). Não sou racista nem malévolo, portanto não seria bem-vindo na casa Slytherin (Sonserina). Falta-me a inteligência dum Ravenclaw (Corvinal), mas quanto às qualidades da casa Hufflepuff – trabalhador, leal, paciente, gordinho – tenho todos a dar com o pau! Nós Hufflepuffs lemos muito, mas jamais dobramos o canto da página. Bebemos chocolate quente. Aprendemos português, mas fazemos muitos erros de gramática e adoramos trocadilhos.

*I added Portuguese names for the houses because I felt like it was worth knowing them but they’re actually only from the Brazilian version. I’m pretty sure the PT-PT translations use the original names.

A portuguese corrector deals with a misplaced pronoun.

Guerra Civil

(this is me trying to explain the concept of an online knitting community imploding under the weight of its wokeness in one of the posts about knitting that became “This Lã is Your Lã“)

Imaginem* o seguinte: (1) há um site com mil membros (2) um aderente do site um dia escreve um comentário polémico… Sei lá, talvez esteja zangado por ver um outro membro a tricotear com uma espécie de lã específica que, antigamente, era usada exclusivamente por um grupo étnico chileno qualquer na sua malha tradicional. (3) outros membros do site concordam. É tão desrespeito para com** aquele povo. Que desgraça! Que safada! (4) A pessoa que mencionou a lã ouve falar da discussão e vem explicar o seu motivo para ter escolhido a lã e os amigos dela apoiam-na. (5) a discussão aquece. Os apoiantes do comentador não gostam da explicação. Alguém tem uma bisavó daquele grupo étnico e na sua opinião, está situação trata-se de racismo….enfim, sabem como estas tempestades correm nas redes sociais. Em breve, uma facção é expulsa. Era isso que queria descrever.

*In English you don’t have to think to much about whether you are addressing one person or many people when you write online but in Portuguese you need to choose an ending for your verb and here I addressed one person “imagina” but I was reminded that since a lot of people might be reading, “imaginem” was better. And further down, “sabem” in place of “sabes”

** “para com” was added by the corrector. I used “a”, and I have to admit I’m shook because I have no idea why the double preposition…

Posted in Portuguese

Trabalho de Casa

Eu e a minha filha ambos tínhamos bué* de trabalho para fazer hoje. Montes. Ela estava a entrar em pânico porque ainda não tinha escrito** dois ensaios sobre aspectos de filosofia. Eu sugeri que ela se sentasse à mesa comigo e que trabalhássemos juntos com uma vela perfumada e o álbum favorito dela.

A noite foi bem sucedida. Ela conseguiu escrever tudo. Entretanto, explicou-me a sua opinião sobre Berkeley (basicamente é a seguinte: “é um idiota e deve calar a boca”). Ela disse que “não é possível distinguir entre percepção subjectiva e entendimento veridico”, uma afirmação da qual não entendi patavina, e “Aristóteles era grego” (fiquei muito orgulhoso porque já sabia disso).

*I wrote this the other day after seeing that tweet I mentioned here

**Good illustration of the perils of directly translating the English that’s in your head. I wrote “feito” in place of “escrito” because in English we say “I haven’t done my essay” but think about it: you don’t DO an essay, your WRITE it.

Thanks to Dani Morgenstern for the corrections.

Posted in Portuguese

That Complaint Email In Full

(Tch – embarrassing typo in the title of the first version of this – I need to get better at proofreading)

Well, I said I’d write an email to complain about Biblio so here it is

Exmo Senhor(a)

Fico muito contente por ver que existe uma aplicação portuguesa que disponibiliza* audiolivros portuguesas fora do controlo das grandes empresas americanas. Espero que esteja a ser bem sucedida. Já ouvi metade de um livro e quero vos informar sobre um pequeno defeito que, se fosse acertado, tornaria a aplicação mais útil para os leitores.

Parece que a app não tem permissão de continuar quando uma notificação toca ou quando o sistema operativo põe o ecrã em suspensão. Não sei especificamente como, mas o audiolivro sempre pára depois de um ou dois minutos. Tenho de tocar no ecrã para pôr a narração de volta em andamento. Isso é chato porque quero colocar o meu telemóvel no bolso enquanto estou a caminhar ou a fazer jardinagem, mas não é possível com a vossa aplicação.

Espero que este problema seja fácil de remediar porque quero comprar mais livros no futuro.

Obrigado.

Com os melhores cumprimentos,

*=related to that false friend I mentioned the other day of course. Disponibilizar = to make available

Posted in Portuguese

A Técnica Robôrussopomodoro

This text is from a few days ago and includes some “expressões de realce” (emphatic expressions) from a video by Speak Portuguese Like a Native which I’ll include down at the bottom along with some notes based on the corrections (thanks Butt Roidholds) and some more blurb about the aftermath…

Estou a experimentar a técnica pomodoro para aumentar a minha produtividade. Há 3 dias que experimento mas ainda não sei se ou não funciona bem. Tenho uma* app que mede 25 minutos de trabalho, durante os quais** simula os sons duma biblioteca para alimentar a concentração. Depois, há cinco minutos de descanso (e sons de pássaros a cantar) assinalados por uma voz que diz “está na hora de relaxar”. A voz é robótica e ainda por cima tem um sotaque russo***. Um robô russo a exigir relaxamento ajuda lá a tranquilidade.

O gestor do projeto telefonou-me e perguntou ” sempre escreveste o relatório que prometeste?”

Respondo “*Não, cheguei* a escrever, porque estou escondido no armário para evitar o robô russo que me quer matar”.

* App é uma menina. Its short for aplicação

** We would normally treat the twenty five minutes as a single block of time so i wrote “o qual” but we need to think of the minutes as plural: 25 individual minutes during all of which we are working… Oh and by the way, I’ve used “mede” meaning “measures”. The corrector, Butt Roidholds, commented that this isn’t very idiomatic but that it was at least understandable. TBH, I think it sounds a bit weird in English too. Probably should have rephrased the whole thing but hi ho…

*** Really Russian? I’m not sure exactly where the text-to-speech engine’s accent is supposed to be from but to my ears, that was how it seemed. I wrote the original version of this a day or two before Russia’s unprovoked attack on Ukraine. I had figured out that I could change the words so the voice would say “Sod this for a lark” at pause time and “Time to kick ass” five minutes later, so I was quite enjoying it, but since the invasion I haven’t been in the mood to listen to anything with even a vaguely Russian accent. It was just annoying the shit out of me, so I uninstalled it.

Here’s the original video I am trying to crib from

Posted in Portuguese

Danificado

Corrected Text – thanks to gws-lthrowaway for the help

Sign outside Richmond Park during storm Eunice

Saí de casa* ontem para ir correr no parque mas infelizmente, quando lá cheguei, havia um sinal na portão a dizer “Fechado. Perigoso – Não entrar”

Houve uma tempestade em partes da Europa ocidental na sexta-feira. Continua a ter efeito ainda hoje (oiço o vento enquanto escrevo este texto) mas o pior já passou. Nos arredores do parque, e na cidade, havia danos por todo o lado: árvores caídas, cercas abaladas e barracas de jardim destruídas. Não havia nada tão grave como os danos de tempestades que chegam a matar centenas de pessoas nas ilhas tropicais, nem tão forte como um tornado que levou a casa de Dorothy para a terra de Oz, mas para nós foi um choque!

Árvore caída

*de casa not da casa. I left house not left the house.

Posted in Portuguese

Campo Vermelho

A semana passada foi um bico de obra para mim e trouxe vários transtornos à família toda: a carteira perdida de que falei ontem (ainda desaparecida – cancelei os cartões todos), a minha filha tem montes de trabalho de casa e ainda por cima foi traída por uma amiga, e a minha mulher anda preocupada porque teve uma entrevista de emprego mas ainda não sabe* o resultado. Estamos todos com muito stresse.

Fomos ver uma peça de teatro ontem à noite. O título era Red Pitch (Campo Vermelho). Tem lugar num campo de jogo num bairro em Londres onde três jovens negros praticam futebol. Têm os seus próprios sonhos, mas o seu bairro está num processo de modernização que vai dar cabo do** seu modo de vida. Soa pesado, eu sei e lá estávamos nós com as nossas cargas de stresse. Será que a peça acrescentaria mais miséria? Mas não a achámos pesada de todo. Acabou por ser muito divertida e muito engraçada. Apresentou um fim duma época mas com esperança pata a vida se formos valentes o suficiente, se trabalharmos e se ficarmos abertos às oportunidade que o destino apresenta.

*Just as an experiment I put “ouviu” here. As we might say in English “she hasn’t heard the result yet”. It was a no!

** I never see to use this expression right. I out “levar cabo a…” First of all, the expression is “levar a cabo” not “levar cabo a”, but that means carry something through right to the end – like if you were managing a project and you wanted to see it through to completion. The expression I should have used here is “Dar cabo de” which means to kill something off, end it or generally destroy it.

Posted in English

Perdi a Minha Carteira

Fui ao supermercado na quarta-feira e, no dia seguinte, não encontrava* a minha carteira. Vi nos bolsos das minhas calças, mas sem êxito. Liguei ao supermercado, andei lá e de volta a procurar pelo chão, mas não tive sorte. Provavelmente está algures em casa, mas acho que cheguei a hora de cancelar uns cartões de crédito. Uma chatice**.

* A good example of how not to translate too literally. I was thinking “I couldn’t find” = “Não consegui encontrar” but that’s not very Portuguese. Não encontrava is the way to go: I wasn’t finding it.

** o wrote “que chatice” (what a nuisance!) because its what I hear sometimes and I sometimes see on twitter people post some delicious treat they’re eating with the caption “Que chatice!” but apparently that’s more of a conversational thing and the best way of saying it in a written text is “uma chatice” – (which was) “a nuisance! ”

Posted in Portuguese

This Blows

Encontro de negócios com o inventor do soprador de folhagem:

“É tipo… Uma vassoura que emite gases com efeito de estufa…”

“Então… Não queremos investir nisso”

“E faz muito barulho. Soa como uma* moto”

“PORQUE É QUE NÃO DISSESTE ISSO ANTES? CALA-TE E LEVA O NOSSO DINHEIRO TODO!”

Posted in Portuguese

Esperto, Manhoso, What?

This is a text from a couple of days ago, based on the video I mentioned at the time. Most of the mistakes I made were pretty pedestrian: typos and such. But what piqued my interest was the attempt to find the right word to describe a response that was “a sick burn” or “a clever come-back” or something like that. In other words, not clever in the sense that it was informative, wise and well-considered but it was something sharp to completely undermine the opponent’s argument and turn the tables.

Vi um vídeo no tuitere hoje enquanto estava a comer o meu pequeno almoço. Um jornalista foi acusado por um deputado de Chega de ter feito afirmações falsas. O jornalista respondeu “Não sou eu que vou ser julgado amanhã por difusão de fake news e informações falsas. É o doutor, não sou eu”.

Não estava a entender porque é que a pessoa que partilhou o clipe achou que foi uma resposta demolidora. Pensei que o jornalista queria dizer “o povo vai ver este vídeo e formar a sua opinião”. Mas estava a falar mais literalmente. O deputado realmente estava num processo por ter difamado um ex líder dum outro partido. Sabendo isso, o vídeo (e a resposta das redes sociais) fez mais sentido!

Demolidora! That’s the word I went for in the end. How do you describe a really good zinger, an answer that sends your opponent away with their tail between their legs. Inteligente? Well, it probably is intelligent, but that’s not enough. Manhoso (cunning) seems wrong. Likewise sagaz, certeira, astuto: all in the right area but they don’t seem to fit. I opted for “esperto” but that’s more like something you’d say about a clever animal. You can use it about a human, but you have to be careful to make sure the context and intonation are clear because it’s easy to sound like you’re being ironic and putting the person down. I think I’ve mentioned “Chico Esperto” before, but that’s really used to describe someone who is either a selfish, untrustworthy piss-taker or someone who thinks they’re clever but isn’t.

Anyway, after knocking it back and forth, I settled on Dani’s suggestion of Demolidora – ie a demolishing response, which puts an end to the other side’s argument. That works for me!