A minha filha tem estado num “reading slump” (ouvi adolescentes portugueses a usar esta frase inglesa – adivinho que não há equivalente em português…?) nos meses passados. Como muitas raparigas da sua idade, frequentemente escolhe o telemóvel com as redes sociais e vídeos em vez dum livro e, por isso, não tem lido muitos livros neste ano.
Contudo, recentemente, tudo isso mudou. Alguém disse-lhe que há de experimentar “A Court Of Thorns and Roses” de Sarah J Maas. Agora, ela está completamente viciada na série. Ontem, apenas 50 páginas não foram lidas* e eu disse-lhe “só termine este capítulo e então desligue o candeeiro”. Mas hoje, quando acordei-a, perguntei “quantas páginas faltam agora?” ela respondeu “hum… Pai, já acabou. Comecei o segundo livro.”
Ela permaneceu acordada até duas horas de manhã e até subiu um tamborete para atingir a sequela** (que era por cima dum estante alto porque ela soube que havia um “spoiler” na capa dela). Finalmente acordou a sua mãe para discutir o argumento e as personagens, e a mamã, muito cansada, disse-lhe para não fazer asneiras e voltar para cama imediatamente!
Fico contente de ver que ela voltou a ler mas espero que não perca o sono e não esteja cansada na escola por causa do seu novo entusiasmo!
*=I tried “deslidas” for “unread”. Computer said no.
**=Apparently this sentence is a bit of a mess but I don’t have a better one, so…Anyway, she climbed on a stool to reach the sequel
Escolhi este livro por causa do seu título que parece a primeira frase duma piada. O assunto tem a ver com como escrever textos humorísticos. O autor, tem uma teoria de que existem certos elementos – ou seja certas técnicas – comuns aos grandes escritores de cada época. Estes são os seguinte:
Opor uma coisa a uma outra para ver o contraste entre elas.
Imitar alguma coisa, como vemos no caso da sátira em que políticos são escarnecidos dia-a-dia na televisão.
Virar uma coisa de pernas para o ar (gosto muito desta frase!) para subverter as expectativas do leitor.
Aumentar uma coisa para ver quanto pesa, quanta graça, uma ideia pode suportar
Mudar uma coisa para outro sítio para surpreender o leitor com trocadilhos e jogos verbais.
Repetir uma coisa para fazer uma palavra quotidiana mais absurda por causa da repetição.
Daí a diante vou procurar estes elementos enquanto leio qualquer livro humoroso.
Finalmente, O Sr Pereira (que, convém assinalar, é um humorista português muito bem conhecido) dá as suas opiniões sobre do sentido de humor e o propósito do riso na vida dum ser humano. A sua conclusão é que uma gargalhada ajuda-nos a esquecer-nos do espectro da morte. Mas não podemos evitar a morte e por isso, afinal, o riso é inútil e o alivio não dura muito. “…talvez apenas durante o tempo que dura a gargalhada. Às vezes nem tanto.”
“Era Uma Vez Um Cravo” é um livro escrito por José Jorge Letria sob a forma de um poema. Conta a história de um cravo na manhã do dia 25 de Abril de 1974. Uma florista ofereceu-o a um militar que passou pela frente da loja dela. Pô-lo na sua espingarda. Há muitos desenhos da vida lisboeta na madrugada da revolução: as praças, as pessoas com penteados e roupas típicas dos anos setenta… Mas até para mim, um cidadão de um outro país, o poema deu-me um sentido de emoções do povo: a alegria, o orgulho, o alívio de serem libertados enfim.
Apparently that last post was the 200th on this blog. I can hardly believe it! My other blog only has about 5 posts on it!
OK, so news: I came across a podcast recently called sbroing which has – among other things – an audio recording of O Principezinho, one of the books I read during last year’s maratona de leitura. When I first found it, I was disappointed to find that the first couple of episodes had expired from iTunes and were no longer available but more recently I have found their website, where the complete set of chapters is preserved in the archive. Excitement! So I have downloaded the whole thing to listen to later, plus a few of their other episodes. If you like audiobooks too, you should definitely check it out!
I have no idea how “sbroing” is pronounced in portuguese. It’s one of those words – like “wook” that don’t seem like arrangements of letters that would happen in Portuguese but there they are anyway.
I recently changed my Portuguese book tuber of choice. My new favourite is called Cat in the Net. She makes shortish videos (5-7 minutes or so) about books she has read, and that’s perfect for me. She talks at a frenetic pace but I find I can follow her accent well enough, and she is very funny, so I don’t tune out. Her latest video is about a Christmas reading challenge she’s doing with some other youtubers. There are 5 hosts and about 40 people involved on Facebook.
I don’t think I want to join the group itself, partly because I don’t want to get into Facebook (Twitter is addictive enough, thanks) but mostly because they are all in their twenties and I am easily old enough to be their dad. Well, you know, if I’d been a bit of a slag in about 1994. That’s the thing about youtube: the people who make the videos tend to be young and have young person tastes, so as much as I enjoy it as a way of honing my listening skills, I often feel a bit out of place, bordering on creepy. Hi ho.
So anyway, although I won’t be signing up, I might just follow along with the challenge and read five books – two English, three Portuguese – and make my own video (for this blog, not wider consumption) in which I talk about them in Portuguese for the practice. It’ll give me a fun structure for my language learning over the Christmas break.
The challenge is
Ler um livro que te transmita um sensacao de conforto [I thought I’d read The Small Bachelor by PG Wodehouse in English because Wodehouse is totally in my comfort zone]
Ler um livro do teu género favorito [Walking Dead book 6 in Portuguese]
Ler um livro que te faça de alguma forma lembrar o natal [A Child’s Christmas in Wales, by Dylan Thomas, in English]
Ler um livro que te faça lembrar a infancia [Histórias da Terra e do Mar by Sophia de Mello Breyner Andresen]
Ler um livro que te tenha* sido oferecido [Romance da Raposa by Aquilino Ribeiro]
*I’m interested in the use of the present subjunctive here. I wonder why they’ve written it this way. I guess it’s a slightly fancy way of saying it: “read a book that you might have been offered” rather than “read a book that you have been offered”
“Quanto vale um livro electrónico?” parece um pergunta simples até o momento em que se começa a pensar nela. Po um lado, o livro não tem valor porque não existe; Quando é vendido, a empresa não perde nada e não tem menos livros do que antes. Ao outro lado, sem dúvidas, os que compram os ebooks gostam deles e por isso, não se importam de pagar preços quase altos do que os livros físicos. Isto é um milagre de alguma forma: Amazon e as outras empresas que fazem negócios no mundo dos livros os livros conseguem vender o mesmo livro, sem fim e sem custos de fabricação mas os clientes ainda entregam o dinheiro sem queixas. Para mim, os livros electrónicos não chegam. Apenas o papel, solido e confiável é suficiente para uma experiência óptima da leitura. Quero cheirar a polpa da madeira, às vezes o pó dos anos longo na estante. Quero sentir a capa debaixo do polegar. Quero encher a estante com tesouros da livraria. Além disso, não quero que acontece uma situação como bateria fraca durante um capítulo divertido. Mas gostos não se discutem. Eu sei que existem pessoas que verdadeiramente preferem os livros electrónicos. Nunca compreenderei essas pessoas mas devo de reconhecer que têm muitas boas razões para as suas preferências esquisitas. Um “kindle” deixa o seu dono carregar uma biblioteca inteira na mala ou na bolsa. Não necessita que uma floresta seja cortada para fazer mais livros. Também, suponho que poupam muito dinheiro por não terem de comprar mais estantes para casa mas na minha opinião é uma casa desgraçada por não ser cheia de livros bonitos.
Enquanto que eu não me gosto, é claro que hoje em dia há muitas pessoas que gostam dos ebooks e afinal, neste ponto descobrimos a resposta verdadeira: o valor de um livro electrónico é o que alguém concorda pagar.
É um facto não muito conhecido que a substância preta em que este livro foi imprimido não é tinta, mas LSD. Se rasgasse uma página e engolisse um dos pedaços, veria um unicórnio a dançar num arco íris enquanto o Timothy Leary tocava a guitarra eléctrica com os dedos do pé.
Acabo de ler um livro dum escritor angolano que se chama “Ondjaki”. É um livro para jovens, e o protagonista é um miúdo angolano que mora em Luanda. O argumento concerne a um concurso da Radio Nacional de Angola. Os Ouvintes deviam de escrever uma história infantil, e pelo primeiro prémio, um concorrente ganharia uma bicicleta com as cores da bandeira nacional (vermelho, preto e amarelo).
O miúdo sonhou com aquela bicicleta e fez planos para compartilhá-a com os seus amigos, Isaura e “Jorge TemCalma” (que é designado assim porque nunca tinha calma!). Infelizmente, não têm ideia para uma história, mas o seu vizinho era um escritor muito conhecido e tinha uma caixa cheia de letras* para histórias não publicadas, que inventou enquanto que ele coçava os bigodes. O miúdo decidiu que precisava de roubar aquela caixa e usar uma ideia do escritor para ganhar a bicicleta.
As personagens eram interessantes e credíveis. Por exemplo, a Isaura morava numa quinta e conhecia todos os bichos na área, as lagartas, os sapos, as lesmas, e tinha-lhes dado nomes próprios. Os nomes eram de vários heróis socialistas: os sapos chamam-se Fidel e Raul, e o gato Gandhi, por exemplo. O efeito foi muito engraçado!
*=I’m not sure about “Letras” here. Letras can mean either letters of the alphabet or lyrics of a song, whereas it seems to mean notes or outlines towards a book. The Brazilian (“Angel’s Roses”) who marked it left it in place but the Portuguese teacher who looked at it wanted to correct it. So either it’s an idiomatic use of the word that exists in Brazil and Angola but not Portugal or else maybe it’s a child’s way of expressing what they saw in the box – a lot of letters on a page. In fact, in a couple of places, they talk about seeing “Letters and accents too” so maybe that’s right. They also talk about a magical glow, so maybe the whole description of the box is clouded by fantastical language that I just can’t punch though.
So I’ve finished my reading for this book blogging challenge and it’s been a brilliant source of motivation to read portuguese in massive (for me) doses. I’ve written reviews of all three books on iTalki and I wanted to make a recorded version as well to make some of the vocabulary stick, and my daughter, who is an expert on vlogging, helped me record it. It’s pretty dreadful though, I’m afraid… I’ve put it down at the bottom where it belongs
The Text Versions
I’m indebted to Natan, Wagner, Samuel, Milena, Gabriel, and especially Sophia and Rubens for their excellent corrections on all these reviews
O Principezinho
O Principezinho é um livro de Antoine de Saint-Exúpery, um autor e aviador francês. Li-o em Francês quando era jovem, e mais uma vez em Inglês quando tinha uns vinte anos porque um amigo deu-me uma cópia. Agora que estou a estudar Português, comprei a versão portuguesa e li-o para parte dum desafio de leitura.
O livro é pequeno, com muitos desenhos (aguarelas) e por isso é muito fácil para um aluno com poucos conhecimentos da língua. O argumento consiste num piloto perdido no deserto. Acho que este piloto é o próprio autor do livro. O seu avião não funcionava e ele estava a tentar consertá-lo. De repente, um rapazinho apareceu. Com as suas palavras primeiras, o rapazinho – o principezinho do título – pediu-lhe que desenhasse uma ovelha. Tinha muitas dúvidas sobre a vida na terra e contou uma historia da sua vida num pequeno planeta e da sua viagem através das estrelas. No caminho, encontrou muitas “pessoas crescidas” que tinham atitudes estranhas de adultos em toda parte: interessavam-se apenas por dinheiro, no seu próprio poder e nos seus trabalhos.
No curso da história, o protagonista fez muitas observações sobre as diferenças entre as crianças e os adultos. Aos adultos falta-lhes* de imaginação. Não compreendem nada por causa da sua obsessão com números. Adoro este livro!
*=Woah! This grammar was contorted into a shape I really wasn’t expecting by the people who marked it
O Mandarim
Como disse no registo passado, eu tive vontade de fazer parte dum desafio de leitura, e por isso li dois livros portugueses. Actualmente, estou a ler um terceiro – em inglês – e vou escrever sobre ele em português mais tarde.
O segundo livro foi “O Mandarim” de Eça de Queiroz, um famoso autor português do século XIX. “O Mandarim” é um conto muito curto dum homem que tem a oportunidade, por circunstancias sobrenaturais e esquisitas, matar um imperador chinês e herdar as suas grandes riquezas. A história lembrou-me dos livros “Faust” (de Goethe) e “Doctor Faustus” (de Christopher Marlowe). Confesso que não percebi tudo no livro. Hei de voltar a lê-lo mais tarde quando tiver mais tempo, mas no fim, o homem fugiu duma emboscada e regressou a Portugal.
Dentro da capa da minha copia existe um CD com a gravação duma mulher a ler a história, então posso praticar a compreensao auditiva do texto ao mesmo tempo que leio. Há também um apêndice lexical com traduções das palavras difíceis. Infelizmente, um dos capítulos estava ausente no CD, e as traduções são em espanhol! Ora bem, não faz mal. Tenho um bom dicionário e sou perfeitamente habilitado para ler um capitulo sem ajuda!
The Puppet
“The Puppet” (A Marioneta) é um livro de Ibrahim Al-Koni. Para ser honesto, estou a escrever este comentário antes de acabá-lo por… Por razões, OK, não importa nada o quais são as razões!
Ora bem, este livro é o segundo duma trilogia. É muito difícil mas muito interessante apesar disso. O argumento consiste num grupo de nómadas Tuaregs. No final do livro passado, acabaram a caminhar no deserto e estabeleceram um aldeia acerca dum oásis. No curso deste livro, a sua sociedade mudaram a seguir às ideias do Ibn Khaldun, um escritor árabe do século XIII. Escolheram um líder novo. Esse líder é a Marioneta do título. Os cidadãos mais ricos começaram a persuadi-lo a alterar as regras para deixarem de utilizar o ouro como dinheiro nas trocas comerciais. Estas mudanças, segundo Ibn Khaldun, enfraqueceram o povo que se preparou para o derrubarem por um novo, o mais forte grupo de nómadas. Ups – Spoiler alert! Isto vai demorar até o livro terceiro…
O jantar está pronto. Não tenho tempo para reler isto nem fazer as correcções. Ora bem, provavelmente haverá mais erros do que normalmente…
The Video Version
My daughter made the background and has recorded her own (english) review of the Little Prince, and answered some of the “Top 6” lists on the #HotSummerReading challenge page.