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Como Fazer Flexões de Braços

Começa na posição prona, com os pés juntos e com todo o teu peso no peito.

Coloca os mãos no chão, tão distantes* quanto for confortável (se estiverem mais distantes uma da outra, os músculos do peito terão de trabalhar mais, se estiverem mais perto**, os triceps braquiais irão retirar mais do treino)

Estende os braços devagar de modo a que*** o peito fique erguido do chão, até os cotovelos ficarem direitos. Mantém os abdominais contraídos**** e a coluna vertebral neutra.

Abaixa o corpo de novo para o chão.

Descansa. Já sofreste o suficiente. Precisas é***** de um café e da empatia da tua família.

*=Interesting one this. I made this singular and thought of “distant” as applying to the situation as a whole, but of course there are two feet so the adjective has to change too. Odd how little differences in the language make you imagine a situation slightly differently. I read a book a couple of years back called “The Language Hoax” by John McWhorter that argued against the idea that different languages shaped the way we see the world and I think he makes a lot of good points and yet things like this seem like little crumbs of evidence to the contrary.

**=This one almost broke my brain, because although “distante” was changes to “distantes” in the previous sentence, “perto” stays as “perto” even though on the face of it, it’s describing the exact same arrangement of arms and legs. Why? Because perto is an adverb not an adjective. The word it is describing is “estiverem” not “braços”. I know, I know, Just go and make a cupof tea and meditate on it for a while, it’ll make sense after a while.

***I put “tal como” here. Such that the chest touches the floor, but it was changed to “In such a way that the chest touches the floor”.

**** I put “ligados” thinking that would do for “engaged” as in “keep your abs engaged” but no. Contracted.

***** I think this is my first successful attempts to insert one of these little emphatic “é”s into a sentence. Sadly I made a mistake in another part of teh sentence so it wasn’t a 100% success, but I’ll call it a small vitory!

Posted in English, Portuguese

Quiz: New Squids on the Blog

Hey, do you want to try a little game? It’s a game about games. Meta.

Here are some descriptions in Portuguese of British children’s games. See if you can work out which one I am desperately trying to describe in my clunky, awkward Portuguese. They’re all traditional playground favourites – the original challenge was to list the games that would be included in Squid Game if it were to be remade in your own home country, so they should be pretty recognisable but I’ll put the answers at the bottom.

Credit section: didn’t come up with the list: I pinched it off a friend on another site but it “bateu certo com as escolhas que eu faria”. The very kind u/dani_morgenstern corrected the first 6 of the texts and u/H_doofenschmirtz sorted the last, but I’ve made some minor changes since, so any remaining goofs are my own)

British squid Game - Conkers
Probably a bit of a clue here, but which one is it?

Game 1

Neste jogo, uma pessoa é escolhida para ficar no centro do campo (provavelmente um parque infantil ou recreio ou uma parte da rua). Os concorrentes (quantos mais melhor!) ficam por um lado. Quando o bulldog está pronto, grita o nome do jogo e os outros correm do seu lado para o lado oposto sem serem derrubados.
Cada jogador apanhado fica no centro com o primeiro e o processo repete-se até um único jogado fica por apanhar. Essa pessoa é o vencedor. Como podem imaginar, este jogo causa muitos ferimentos. Existe uma versão menos violenta, no qual o so tem de tocar nos outros em vez de os atirar ao chão mas isso é uma seca.

Game 2

Este jogo era um dos mais cruéis possíveis, uma vez que a pessoa que estava a apanhar (em inglês dizemos “It”*) (“aquilo”? Ou talvez “A Coisa”, como a tradução do romance de Stephen King) tinha de perseguir os outros jogadores, geralmente do sexo oposto (pelo menos naquela altura, perseguir os do mesmo sexo nunca, nunca, nunca aconteceria!). Ao apanhar alguém, o caçador e o caçado davam um beijo, um ao outro. Digo que o jogo é cruel porque toda a gente corria muito devagar quando era alguém bonito ou um beto a caçar, mas andava muito depressa quando o perseguidor era alguém feio ou impopular. Muitas vezes, gritavam “Oh! Que nojo”. Os nerds, os esquisitos, os de roupas fora da moda nunca se sentiriam** mais excluídos do que durante este jogo.

Game 3

Ui! Como descrever este jogo? Sei lá. OK, prestem atenção, pois isto vai ser difícil: temos cá em Inglaterra uma espécie de árvore que nós chamamos “Castanheira de Cavalo” mas o nome português é Castanheira da Índia. Os seus frutos são quase iguais às castanhas bem conhecidas, vendidas nas ruas durante o outono, tirando dois factos importantes: têm um sabor nojento*** e são muito venenosas.
Portanto, em vez de comer os frutos, utilizamo-los num jogo. Furamos as castanhas com um espeto (de metal. Não somos ferreiros****). Depois enfiamos uma corda pelo buraco e fazemos um nó por baixo. Para que a castanha balance na ponta da corda.

No início do jogo, o primeiro jogador ergue a sua castanha e bate na castanha do outro. Continua assim até o jogador falhar o alvo e então os dois jogadores trocam posições, com o segundo a bater na castanha do primeiro. O vencedor é o último com uma castanha não partida.

Game 4

Há argumentos sem fim sobre o nome deste jogo. Assim como o terceiro, é um jogo daqueles que têm nomes diferentes nas várias cidades e zonas do país. Mas é um jogo bem simples.

Dois jogadores (ou quatro se quiserem jogar em equipa) ficam de pé***** aos lados opostos da rua. O primeiro jogador joga a bola (normalmente uma bola de futebol******) para o outro lado e tenta faz a bola bater na berma e saltar de volta para o seu próprio lado. Dobram os pontos se apanharem a bola antes que ela bata no chão. Depois tem oportunidade de fazer uma tentativa******* de bónus do centro da rua, e continuam assim até que falharem. O jogo termina quando a mãe dum jogador o chamar para jantar. O vencedor é o concorrente com mais pontos quando rebenta a bolha.

Quando era novo, este jogo era o mais aborrecido de sempre mas ao mesmo tempo, viciante. Só jogávamos se não houvesse nada mais para fazer mas uma vez que começávamos, continuávamos durante a tarde toda. E há quem ande a jogar na nossa rua em 2021 ainda que existam portáteis e consolas.

Game 5

Este jogo é muito parecido com o Luz Vermelho, Luz Verde, o primeiro desafio na série. Um jogador está de pé, longe dos outros. Está pessoa é… Uma espécie de animal… Os restantes perguntam-lhe as horas e se por exemplo a resposta for “três” os jogadores dão 3******** passos na sua direção. Podem avançar com grande passos ou delicados passinhos. O seu objetivo é aproximar-se do outro lado e tocar nas costas do animal, mas há um perigo. A qualquer momento, em lugar de dizer as horas, o animal pode gritar “hora de jantar” e correr atrás dos concorrentes mais próximos. A primeira pessoa a ser apanhado torna-se o animal da próxima ronda.

Game 6

Este jogo é muito mas mesmo muito fácil. O objetivo é pontapear uma bola de futebol contra as nádegas dum amigo.

É isso. Esse é o jogo.

Game 7

Este jogo era muito popular nas ruelas de Middlesborough mas quase desconhecido noutros lugares. Um grupo de jovens (aposto que eram todos rapazes) juntavam-se no jardim duma casa alheia. Em voz baixa, diziam “pedimos desculpa, estamos no seu jardim” e iam repetindo esta frase, em voz cada vez mais alta até que uma pessoa dentro de casa ouvisse o barulho e espreitasse lá para fora. Naquela altura, os jovens todos tinham de circundar a casa e escapar através do quintal por trás, por qualquer rumo disponível: por cima da cerca, através da sebe, a evitar os cães ou as galinhas. Ninguém furtava nada. O nome é um mistério. Rapazes, hem?

Answers

  1. British Bulldog
  2. Kiss Chase (The Portuguese version of this game is called Bate-pé.)
  3. Conkers/Cheggies
  4. Kerby/Gutters
  5. What’s The Time Mr Wolf? (the Portuguese equivalent of this is called “Mamã da licença?”)
  6. Red Arse (this is the only one I hadn’t actually played before – the person who wrote the list is younger than me so maybe it’s after my time)
  7. Theft and Shrubbery

Theft and Shrubbery provavelmente não existia na realidade – um comediante contou a história num programa televisivo e afirmou que era verdadeira mas… 🤔)

Correction Notes

* in Portuguese the equivalent to “you’re it” is “és tu a apanhar”.

** I thought I’d be clever here and use mesoclise because it’s in the conditional tense but it’s a negative statement so you have to use proclise. Don’t know what either of those words mean? Don’t worry, it’s not as complicated as it sounds. It’s just about where the pronoun goes, relative to the verb.

*** One of the weird idiosyncrasies of the language is that the verb “saber” can mean “ter sabor” (see here, definition #9) but it seems to be a bit tricky to use. I tried “sabem nojento” but that was a no.

**** Quite pleased with this. It’s a reference to an idiomatic expression – the first one on this list.

***** It’s always struck me as odd that there isn’t a dedicated word for “stand” in Portuguese, you just have to say ficar/estar de pé (stay/be on foot)

****** Football is the name of the game, not the object so you can’t just say “comprei um futebol”, it has to be a football ball. Uma bola de futebol.

******* I went a bit too literal here and used “tiro” (shot) but no, unless there’s a gun involved, it’s not that.

******** You give three steps (dar), not make three steps (fazer) or take three steps (apanhar)

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Lôá Perdida No Paraíso

Lôá Perdida No Paraíso by Dulce Maria Cardoso

Nem sequer sabia que a Dulce Maria Cardoso tinha escrito um livro infantil mas aqui está! É uma maravilha. Adorei as ilustrações de Vera Tavares e a história em si é divertida, sendo baseada na história do Jardim do Éden, mas com uma grande diferença: há uma deusa (“menina Deus”) em lugar do Deus da Bíblia. A editora, Tinta da China publica sempre livros de alta qualidade e este não é exceção. Tem páginas espessas e uma capa dura. Até cheira bem*.

Lôá Perdida No Paraíso
Lôá Perdida No Paraíso

*=I always get this wrong: it smells well, not smell good. There’s a song by Amália that includes the line “Cheira bem, cheira a Lisboa” so I should probably learn the words to that I guess.

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Lara Martins

I thought I’d published this ages ago but then when I went to look for it I couldn’t find it, so here you go, slightly late. It’s a two-parter. I wrote one text before the concert and a second after. There are notes at the bottom about some of the corrections

Lara Martins at St Paul's Church Covent Garden
Lara Martins at St Paul’s Church Covent Garden

Hoje à noite (à hora de jantar, especificamente*) haverá um concerto da Lara Martins na igreja de São Paulo em Covent Garden. A Lara é uma atriz e cantora que protagonizou a Carlota no espectáculo The Phantom of the Opera (o Fantasma da Ópera) durante muitos anos. Uma vez que sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa cá em Inglaterra posso entrar sem pagar (mas paguei na mesma com uma doação porque os teatros precisam de dinheiro depois da pandemia)
A cantora vai apresentar o seu novo disco, “Canção” no qual ela canta duas músicas de Daniel Bernardes, as Treze Canções de Amor de Camargo Guarnieri (também em português pois é brasileiro) e mais quatro (quatro!!!) em espanhol, escritas por um argentino chamado Astor Piazolla. Vou levar alguns trapos comigo para enfiar nos ouvidos** e tapá-los quando ela cantar noutra língua.

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Fui ver um concerto ontem à noite. Cheguei cedo ao*** centro da cidade e andei à procura de comida. A certa altura****, durante este processo de obter alimentos, perdi o meu livro mas não me apercebi do vazio no meu bolso até mais tarde.
Enquanto um rato ia mordiscando o meu livro perdido num beco qualquer eu cheguei à igreja onde encontrei uma mulher diante da porta. Era a própria Lara Martins!
O concerto foi fixe. Ela cantou com o compositor Daniel Bernardes, entre outros. Fiquei tão feliz por estar num evento público assim com outras pessoas (apesar de sermos poucos e estarmos bem separados!) Foi organizado pela sociedade Anglo-Portuguesa. A voz da Lara***** é incrível, a música bonita, e a igreja/sala de concertos lindíssima.

* =Meh, well it was my dinner time, although the corrections pointed out that Portuguese people tend to eat later, and restaurants open later, so if you arranged to meet “at dinner time” you’d probably miss each other by an hour or two.

**=I wrote “nos meus ouvidos” but you have to say “stick them in the ears” not “stick them in my ears” in Portuguese

***=Another unexpected preposition change: I always want to arrive in the centre of town but in Portuguese you arrive at the centre of town.

****=I wrote “algures” like we might say, in a slightly informal style, when describing a series of events “somewhere in there I lost my book”. I should have known this would be wrong.

*****=I wrote “a sua voz” but of course, the way Portuguese possessive work, it sounded like I was saying “the Anglo Portuguese Society’s voice” because it follows straight after a sentence referring to the organisers. I can’t even fix it by saying “a voz dela” because society is feminine and singular too. Gah! I suppose I really should have got my thoughts in better order, but failing that, I just have to be more specific and say “Lara’s voice”

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Supergigante – Ana Pessoa

A review of the book I’ve been reading. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections.

Acabo de fechar a capa deste livro juvenil. É um livro daqueles que não tem um enredo muito bem definido mas está cheia de emoção. O narrador é um adolescente cujo avô faleceu recentemente. O rapaz, que se chama Edgar (também conhecido pela alcunha* “Rígel”) está a correr e a pensar. O livro é um registo dos seus pensamentos. Afirma que o dia em questão era simultaneamente o pior e o melhor dia da sua vida. O pior porque o seu avô desapareceu pela chaminé do crematório acima** e o melhor porque a Joana (irmã do seu amigo Júlio) beijou-o. Os sentimentos saltam na sua cabeça, tornando cada vez maior e o próprio Edgar sente-se maior. É o Rígel, uma estrela, uma supergigante azul, 18 vezes maior e milhares de vezes mais brilhante do que o sol. A corrida ajudá-lo a fazer sentido dos seus pensamentos até ao final quando está capaz de falar sinceramente com a Joana.

A. Capa de Supergigante de Ana Pessoa
Supergigante de Ana Pessoa

* I originally used “apelido” here, since that’s the translation gtranslate gives for nickname. At the time I thought this was weird since apelido also means surname. Sure enough, the person marking the work was confused and said Alcunha was the better choice. Apelido is only used that way in Brazil, it seems.

** pela chaminé acima =up the chimney

Posted in Portuguese

Prazer, Camaradas

Quite a long text, this. I split my review up over three days. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections. I’ve put quite a few footnotes at the bottom where the mistakes were interesting enough to warrant it.

As you’ll see in the text, I had quite a bit of trouble getting hold of a copy due to the only online supplier, FNAC, refusing to guarantee delivery due to the supply chain mess we have referendummed ourselves into, so if you’re in the UK and interested in this, you might have to wait a while.

Tive oportunidade de ver este filme num festival de cinema português há dois anos mas estava doente. Logo depois, chegou a covid e a estreia do filme foi andou adiada*. Finalmente, quando reabriram as lojas online, havia problemas com as encomendas internacionais nesta ilha parva.
Enfim, depois de tantos obstáculos, a minha sobrinha (que é muito simpática) entregou-me uma cópia** depois de fazer férias na Madeira.
Tenho tantas coisas para dizer! Mas não quero sobrecarregar as professores, portanto irei escrever mais amanhã e provavelmente fico com alguns pormenores até o dia a seguir***!

O filme que mencionei ontem conta a história de um grupo de estrangeiros que chegam a**** Portugal em 1975 para participar na criação de uma melhor sociedade depois da queda do Estado Novo. São marxistas e passam o verão numa quinta cooperativa. Os protagonistas apresentam-se no início do filme. “O meu nome é Mick e tenho 18 anos” diz um idoso de sessenta e tal anos, e os outros também se declaram “jovens” de grande idade. Fiquei curioso, mas acontece que os realizadores tomaram a decisão de usar habitantes da aldeia, agricultores das cooperativas e até uns estrangeiros que realmente fizeram a peregrinação ao centro da ação pós-revolucionária. Portanto, cada pessoa na tela tinha cabelos cinzentos mas protagoniza a um jovem radical e idealista*****. Além disso, utilizam iPhones e não há tentativa nenhuma de recriar o mundo dos anos setenta. É uma ideia gira, com resultados mistos. Mas vou escrever mais amanhã!

A filme tenta esboçar as atitudes dos portugueses e dos estrangeiros e das****** pessoas de diversas gerações em relação ao sexo*******. Naquela época, a Europa estava em plena revolução sexual mas Portugal tinha sido reprimido por um governo conservador e por uma igreja que andava de mãos dadas. Os estrangeiros trabalham nos campos (mesmo que sejam fracas, comparados com os camponeses) e trazem com eles a cultura da igualdade dos géneros e do amor livre.
Às vezes, este contraste entre culturas é iluminador ou até engraçado, sobretudo quando o idealismo dos jovens faz parte do diálogo. Por exemplo, há uma cena em que três estrangeiras aparecem num sonho dum jovem marxista (um jovem com barba grisalha!) Afagam os seus próprios seios ao tentar seduzi-lo.
“Fumo, Pedro, não só em casa mas na rua e no mercado também.”
“Não há melhor método de mudar as relações de produção do que beijar em público e fazer muito amor”.
Infelizmente, há cenas um bocado menos efecazes e até embaraçosas, mas isso não me importa muito. Adorei o filme e fico contente por tê-lo visto.

*adiado (delayed) not atrasado (late)

**I used the word “exemplar” which is the word I usually use for a copy of a book but although not fully wrong, “cópia” was given as a suggested improvement in the context of a film.

*** O dia a seguir (the day to come) not o dia depois (the day after)

****They arrive “a Portugal” not “em Portugal”. A good example of an unexpected preposition change between languages. We would definitely arrive in Portugal, not at it.

*****I started off translating, in my head “each one… Had grey hair but they portrayed…”. But in Portuguese you don’t tend to use the “they”, so this shift from singular to plural in the same sentence doesn’t really work, and my “protagonizavam jovens radicais…” got switched to “protagonizava um jovem radical…”.

****** I keep making this mistake. In English we would say “of the Portuguese and the foreigners but in Portuguese it has to be” of the Portuguese and of the foreigners.

******* it would sound weirdly formal in English but the “em relação” is necessary here.

Posted in English, Portuguese

Robert Dinheiro’s Waiting, Talking Portuguese

I’ve been looking at words related to money and I’ve put together some short paragraphs that use them in context

This has absolutely nothing to do with the text, I just like puns, OK?

Os meus vizinhos oferecem alvíssaras (a reward) a quem forneça informações sobre o seu cão que desapareceu no domingo passado.

O governo já aumentou os impostos (taxes) apesar de ter prometido não agravar a carga fiscal (tax burden).

O meu contabilista (accountant) pratica honorários (professional fee) muito altos mas vale a pena

Além da propina (tuition fee) que pagava à universidade tinha de pagar uma joia (subscription fee) ao clube Marxista e manter a minha quota (periodic membership fee) em dia. Caso contrário, eu ficaria “cancelado”.

O meu avô recebe dividendos (dividends – not a hard one to guess, that!) modestos* cada ano em resultado dos seus investimentos (investments – another easy one!) . Comprou um por cento das ações (stocks. I’ve seen “títulos” and “papéis” used in this context. See here for example) duma empresa chamada “Apple” em 1978 e os lucros (profits) do seu capital cobrem as despesas (expenses) da sua humilde mansão numa pequena ilha privada no mar das Caraíbas.

A minha filha ganha (earns) bem com o seu serviço de ama mas vive connosco sem pagar renda (rent free: renda can also mean “income” in other contexts as well as rent). É rica. Penso em pedir-lhe um empréstimo (loan) mas a taxa (rate) de juros (interest) que ela aplica é bastante alta.

Depois de receber uma indemnização (compensation) do meu empregador, fui ao banco fazer um depósito (deposit, obviously) e depois à tasca praticar o levantamento do copo.

*This useage of “modesto” to describe something as small and unshowy, is not actually given in the dictionary but seems to be used as in English alongside the more normal use of modest to mean a person who is not boastful.

Posted in Portuguese

Toutinegra

Toutinegra, uma banda desenhada portuguesa

Toutinegra é uma banda desenhada portuguesa escrita por André Oliveira com ilustrações de Bernardo Majer. Conta a história de duas crianças de nove anos que moram numa aldeia esquecida. A mãe adoptiva do menino é uma louca que provocou um acidente de carro que causou a morte da mãe biológica dele e a quem, por alguma razão que não compreendo é permitido ficar com o bebé que ela encontrou no carro.

Os dois encontram uma criatura negra num moinho abandonado na floresta que “traz más notícias” a quem vai morrer ou a quem vai perder alguém. A influência da criatura inicia uma série de eventos trágicos. Gostei do estilo e dos desenhos (bastantes simples e ingénuos) mas acabei por não me sentir satisfeito com a história. Quase deu em êxito mas… Sei lá… Ficou muitas coisas* por explicar e o enredo parece um pouco rebuscada e incompleta.

*This is a weird one. A lot of people will just say “muita coisa” in spoken portuguese, just like “muita gente”, or like you might say “a lot of stuff” in English. But it is meant to be plural according to Ciberduvidas.

Posted in English, Portuguese

Some more corrected texts

Here are a few more texts from the Writestreakpt subreddit with some notes. Thanks as ever to Teafvigoli and Dani Morgenstern for the corrections.

First off, James Bond. It’s my second time writing about this topic. I’m obviously obsessed. I should start a campaign. #jamesBondSoOld

Streak 007
Na minha voltinha pelas avenidas do Twitter nesta madrugada outonal, percebi que estamos novamente a falar sobre a questão de atores negros (como o Idris Elba) a protagonizar personagens brancos (como o Comandante James Bond do serviço secreto)

Sou velho e falta-me a paciência para os apoiantes* dos dois lados desta questão:
Por um lado: "Olha pá, os livros (que já li, acredita!) descrevem um homem branco. É branco"
Por outro lado: "O público é cada vez mais jovem e cada vez mais diverso. Precisamos de um Bond jovem e mais (gay/femino/negro/qualquer group demográfico)"

Sou fã de livros e até certo ponto concordo com o primeiro grupo. Mas eu realmente li alguns livros de Ian Fleming e sei que o protagonista tinha lutado na segunda guerra mundial antes de se tornar espião. Em 2021 o gajo deve ter mais de 100 anos! Portanto este raciocínio de vamos-seguir-os-livros só faz sentido se os filmes todos se desenrolassem nos anos cinquenta/sessenta. (E eu asistiria a um filme desses! Soa fixe!)
Entretanto sugiro que os novos filmes tomem uma nova direção. Deixemos o Bond em paz para usufruir da sua reforma. Criemos novos agentes de géneros e raças diversas e vamos aproveitar algo novo!

*=i originally wrote “para os dois lados” and it was corrected to “para ver os dois lados”. Hm, OK, I guess my original wording isn’t good Portuguese but the second one isn’t quite right: it’s not that I don’t have patience to see the argument from both sides, I’m just annoyed by the way the question gets turned into a sort of litmus teat of patriotism vs iconoclasm. So I changed it to “don’t have patience for the supporters of either side”. I hope this is better but I haven’t gone back to pester the person who made the corrections.

The next uses a sentence I found in my book as a model, trying to make new sentences in the same format, using the “gerundio”

Três frases segundo um modelo

Modelo
"A lua cheia abraçava o rio Tejo, projectando sobre ele tons frios e leitosos" (c19, "Anjos" de Carol Silva)

1

"A luz do sol banhava as árvores, iluminando-as e fazendo abrir as primeiras flores da primavera"

2

"A terra abanava furiosamente, abalando as torres do castelo e partindo as paredes de Lisboa"*

3

"O chefe gritava de raiva, borrifando os funcionários todos com saliva**"

*Although this isn’t wrong the corrector suggested “fazendo ruir os muros”. Parede does mean wall but it’s just a wall dividing one room from another inside the house, whereas muro is the wall dividing inside from outside: so the external wall of a house, a city wall, the Berlin Wall. Ruir means crumble, so it’s a good one in this context.

**also not wrong but got another suggested change: “cobrindo os funcionários de gafanhotos”. This is intriguing – so gafanhotos means grasshoppers but can also mean flecks of spit? Not according to priberam or the Dicionário Informal but I did manage to track down some examples like here for example. Excellent! I’m definitely using that at the next chance I get! “Baba” is a less formal word for drool/saliva too, so I probably should have thought to use that.

Jonathan Groff as King George III drool-singing
Cobrindo os revolucionários de gafanhotos
Posted in Portuguese

Aristedes De Sousa Mendes

Acabei de ler um texto sobre Aristedes De Sousa Mendes. Nunca ouvi falar dele. No início da segunda guerra mundial, era cônsul português em Bordéus na França. Quando a invasão de França começou, milhares de refugiados, incluindo um grande quantidade de judeus, apresentaram-se no seu consulado.

Aristides de Sousa Mendes do Amaral Abranches
Aristides de Sousa Mendes

Naquela altura os governos de Portugal e da Espanha foram ditaduras e apesar de serem neutros, compartilharam alguns valores em comum com os Nazis e não queriam admitir pessoas apátridas em fuga do exército alemão. O senhor De Sousa Mendes afirmou que “Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus” portanto ele com a ajuda da sua mulher um filho e mais um funcionário passaram três noites a emitir vistos e a carimbar passaportes.

O cônsul foi demitido no final, e faleceu uns anos depois em obscuridade e cheio de dívidas mas nos anos setenta, depois da revolução, foi reintegrado no corpo diplomático a título póstumo. Foi elogiado pelo heroísmo que ele mostrou naquela hora negra, durante a qual seja estimado que ele tenha salvo as vidas de cerca de 13000 judeus e mais 27000 refugiados.