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Lara Martins

I thought I’d published this ages ago but then when I went to look for it I couldn’t find it, so here you go, slightly late. It’s a two-parter. I wrote one text before the concert and a second after. There are notes at the bottom about some of the corrections

Lara Martins at St Paul's Church Covent Garden
Lara Martins at St Paul’s Church Covent Garden

Hoje à noite (à hora de jantar, especificamente*) haverá um concerto da Lara Martins na igreja de São Paulo em Covent Garden. A Lara é uma atriz e cantora que protagonizou a Carlota no espectáculo The Phantom of the Opera (o Fantasma da Ópera) durante muitos anos. Uma vez que sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa cá em Inglaterra posso entrar sem pagar (mas paguei na mesma com uma doação porque os teatros precisam de dinheiro depois da pandemia)
A cantora vai apresentar o seu novo disco, “Canção” no qual ela canta duas músicas de Daniel Bernardes, as Treze Canções de Amor de Camargo Guarnieri (também em português pois é brasileiro) e mais quatro (quatro!!!) em espanhol, escritas por um argentino chamado Astor Piazolla. Vou levar alguns trapos comigo para enfiar nos ouvidos** e tapá-los quando ela cantar noutra língua.

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Fui ver um concerto ontem à noite. Cheguei cedo ao*** centro da cidade e andei à procura de comida. A certa altura****, durante este processo de obter alimentos, perdi o meu livro mas não me apercebi do vazio no meu bolso até mais tarde.
Enquanto um rato ia mordiscando o meu livro perdido num beco qualquer eu cheguei à igreja onde encontrei uma mulher diante da porta. Era a própria Lara Martins!
O concerto foi fixe. Ela cantou com o compositor Daniel Bernardes, entre outros. Fiquei tão feliz por estar num evento público assim com outras pessoas (apesar de sermos poucos e estarmos bem separados!) Foi organizado pela sociedade Anglo-Portuguesa. A voz da Lara***** é incrível, a música bonita, e a igreja/sala de concertos lindíssima.

* =Meh, well it was my dinner time, although the corrections pointed out that Portuguese people tend to eat later, and restaurants open later, so if you arranged to meet “at dinner time” you’d probably miss each other by an hour or two.

**=I wrote “nos meus ouvidos” but you have to say “stick them in the ears” not “stick them in my ears” in Portuguese

***=Another unexpected preposition change: I always want to arrive in the centre of town but in Portuguese you arrive at the centre of town.

****=I wrote “algures” like we might say, in a slightly informal style, when describing a series of events “somewhere in there I lost my book”. I should have known this would be wrong.

*****=I wrote “a sua voz” but of course, the way Portuguese possessive work, it sounded like I was saying “the Anglo Portuguese Society’s voice” because it follows straight after a sentence referring to the organisers. I can’t even fix it by saying “a voz dela” because society is feminine and singular too. Gah! I suppose I really should have got my thoughts in better order, but failing that, I just have to be more specific and say “Lara’s voice”

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Supergigante – Ana Pessoa

A review of the book I’ve been reading. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections.

Acabo de fechar a capa deste livro juvenil. É um livro daqueles que não tem um enredo muito bem definido mas está cheia de emoção. O narrador é um adolescente cujo avô faleceu recentemente. O rapaz, que se chama Edgar (também conhecido pela alcunha* “Rígel”) está a correr e a pensar. O livro é um registo dos seus pensamentos. Afirma que o dia em questão era simultaneamente o pior e o melhor dia da sua vida. O pior porque o seu avô desapareceu pela chaminé do crematório acima** e o melhor porque a Joana (irmã do seu amigo Júlio) beijou-o. Os sentimentos saltam na sua cabeça, tornando cada vez maior e o próprio Edgar sente-se maior. É o Rígel, uma estrela, uma supergigante azul, 18 vezes maior e milhares de vezes mais brilhante do que o sol. A corrida ajudá-lo a fazer sentido dos seus pensamentos até ao final quando está capaz de falar sinceramente com a Joana.

A. Capa de Supergigante de Ana Pessoa
Supergigante de Ana Pessoa

* I originally used “apelido” here, since that’s the translation gtranslate gives for nickname. At the time I thought this was weird since apelido also means surname. Sure enough, the person marking the work was confused and said Alcunha was the better choice. Apelido is only used that way in Brazil, it seems.

** pela chaminé acima =up the chimney

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Prazer, Camaradas

Quite a long text, this. I split my review up over three days. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections. I’ve put quite a few footnotes at the bottom where the mistakes were interesting enough to warrant it.

As you’ll see in the text, I had quite a bit of trouble getting hold of a copy due to the only online supplier, FNAC, refusing to guarantee delivery due to the supply chain mess we have referendummed ourselves into, so if you’re in the UK and interested in this, you might have to wait a while.

Tive oportunidade de ver este filme num festival de cinema português há dois anos mas estava doente. Logo depois, chegou a covid e a estreia do filme foi andou adiada*. Finalmente, quando reabriram as lojas online, havia problemas com as encomendas internacionais nesta ilha parva.
Enfim, depois de tantos obstáculos, a minha sobrinha (que é muito simpática) entregou-me uma cópia** depois de fazer férias na Madeira.
Tenho tantas coisas para dizer! Mas não quero sobrecarregar as professores, portanto irei escrever mais amanhã e provavelmente fico com alguns pormenores até o dia a seguir***!

O filme que mencionei ontem conta a história de um grupo de estrangeiros que chegam a**** Portugal em 1975 para participar na criação de uma melhor sociedade depois da queda do Estado Novo. São marxistas e passam o verão numa quinta cooperativa. Os protagonistas apresentam-se no início do filme. “O meu nome é Mick e tenho 18 anos” diz um idoso de sessenta e tal anos, e os outros também se declaram “jovens” de grande idade. Fiquei curioso, mas acontece que os realizadores tomaram a decisão de usar habitantes da aldeia, agricultores das cooperativas e até uns estrangeiros que realmente fizeram a peregrinação ao centro da ação pós-revolucionária. Portanto, cada pessoa na tela tinha cabelos cinzentos mas protagoniza a um jovem radical e idealista*****. Além disso, utilizam iPhones e não há tentativa nenhuma de recriar o mundo dos anos setenta. É uma ideia gira, com resultados mistos. Mas vou escrever mais amanhã!

A filme tenta esboçar as atitudes dos portugueses e dos estrangeiros e das****** pessoas de diversas gerações em relação ao sexo*******. Naquela época, a Europa estava em plena revolução sexual mas Portugal tinha sido reprimido por um governo conservador e por uma igreja que andava de mãos dadas. Os estrangeiros trabalham nos campos (mesmo que sejam fracas, comparados com os camponeses) e trazem com eles a cultura da igualdade dos géneros e do amor livre.
Às vezes, este contraste entre culturas é iluminador ou até engraçado, sobretudo quando o idealismo dos jovens faz parte do diálogo. Por exemplo, há uma cena em que três estrangeiras aparecem num sonho dum jovem marxista (um jovem com barba grisalha!) Afagam os seus próprios seios ao tentar seduzi-lo.
“Fumo, Pedro, não só em casa mas na rua e no mercado também.”
“Não há melhor método de mudar as relações de produção do que beijar em público e fazer muito amor”.
Infelizmente, há cenas um bocado menos efecazes e até embaraçosas, mas isso não me importa muito. Adorei o filme e fico contente por tê-lo visto.

*adiado (delayed) not atrasado (late)

**I used the word “exemplar” which is the word I usually use for a copy of a book but although not fully wrong, “cópia” was given as a suggested improvement in the context of a film.

*** O dia a seguir (the day to come) not o dia depois (the day after)

****They arrive “a Portugal” not “em Portugal”. A good example of an unexpected preposition change between languages. We would definitely arrive in Portugal, not at it.

*****I started off translating, in my head “each one… Had grey hair but they portrayed…”. But in Portuguese you don’t tend to use the “they”, so this shift from singular to plural in the same sentence doesn’t really work, and my “protagonizavam jovens radicais…” got switched to “protagonizava um jovem radical…”.

****** I keep making this mistake. In English we would say “of the Portuguese and the foreigners but in Portuguese it has to be” of the Portuguese and of the foreigners.

******* it would sound weirdly formal in English but the “em relação” is necessary here.

Posted in English, Portuguese

Robert Dinheiro’s Waiting, Talking Portuguese

I’ve been looking at words related to money and I’ve put together some short paragraphs that use them in context

This has absolutely nothing to do with the text, I just like puns, OK?

Os meus vizinhos oferecem alvíssaras (a reward) a quem forneça informações sobre o seu cão que desapareceu no domingo passado.

O governo já aumentou os impostos (taxes) apesar de ter prometido não agravar a carga fiscal (tax burden).

O meu contabilista (accountant) pratica honorários (professional fee) muito altos mas vale a pena

Além da propina (tuition fee) que pagava à universidade tinha de pagar uma joia (subscription fee) ao clube Marxista e manter a minha quota (periodic membership fee) em dia. Caso contrário, eu ficaria “cancelado”.

O meu avô recebe dividendos (dividends – not a hard one to guess, that!) modestos* cada ano em resultado dos seus investimentos (investments – another easy one!) . Comprou um por cento das ações (stocks. I’ve seen “títulos” and “papéis” used in this context. See here for example) duma empresa chamada “Apple” em 1978 e os lucros (profits) do seu capital cobrem as despesas (expenses) da sua humilde mansão numa pequena ilha privada no mar das Caraíbas.

A minha filha ganha (earns) bem com o seu serviço de ama mas vive connosco sem pagar renda (rent free: renda can also mean “income” in other contexts as well as rent). É rica. Penso em pedir-lhe um empréstimo (loan) mas a taxa (rate) de juros (interest) que ela aplica é bastante alta.

Depois de receber uma indemnização (compensation) do meu empregador, fui ao banco fazer um depósito (deposit, obviously) e depois à tasca praticar o levantamento do copo.

*This useage of “modesto” to describe something as small and unshowy, is not actually given in the dictionary but seems to be used as in English alongside the more normal use of modest to mean a person who is not boastful.

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Toutinegra

Toutinegra, uma banda desenhada portuguesa

Toutinegra é uma banda desenhada portuguesa escrita por André Oliveira com ilustrações de Bernardo Majer. Conta a história de duas crianças de nove anos que moram numa aldeia esquecida. A mãe adoptiva do menino é uma louca que provocou um acidente de carro que causou a morte da mãe biológica dele e a quem, por alguma razão que não compreendo é permitido ficar com o bebé que ela encontrou no carro.

Os dois encontram uma criatura negra num moinho abandonado na floresta que “traz más notícias” a quem vai morrer ou a quem vai perder alguém. A influência da criatura inicia uma série de eventos trágicos. Gostei do estilo e dos desenhos (bastantes simples e ingénuos) mas acabei por não me sentir satisfeito com a história. Quase deu em êxito mas… Sei lá… Ficou muitas coisas* por explicar e o enredo parece um pouco rebuscada e incompleta.

*This is a weird one. A lot of people will just say “muita coisa” in spoken portuguese, just like “muita gente”, or like you might say “a lot of stuff” in English. But it is meant to be plural according to Ciberduvidas.

Posted in English, Portuguese

Some more corrected texts

Here are a few more texts from the Writestreakpt subreddit with some notes. Thanks as ever to Teafvigoli and Dani Morgenstern for the corrections.

First off, James Bond. It’s my second time writing about this topic. I’m obviously obsessed. I should start a campaign. #jamesBondSoOld

Streak 007
Na minha voltinha pelas avenidas do Twitter nesta madrugada outonal, percebi que estamos novamente a falar sobre a questão de atores negros (como o Idris Elba) a protagonizar personagens brancos (como o Comandante James Bond do serviço secreto)

Sou velho e falta-me a paciência para os apoiantes* dos dois lados desta questão:
Por um lado: "Olha pá, os livros (que já li, acredita!) descrevem um homem branco. É branco"
Por outro lado: "O público é cada vez mais jovem e cada vez mais diverso. Precisamos de um Bond jovem e mais (gay/femino/negro/qualquer group demográfico)"

Sou fã de livros e até certo ponto concordo com o primeiro grupo. Mas eu realmente li alguns livros de Ian Fleming e sei que o protagonista tinha lutado na segunda guerra mundial antes de se tornar espião. Em 2021 o gajo deve ter mais de 100 anos! Portanto este raciocínio de vamos-seguir-os-livros só faz sentido se os filmes todos se desenrolassem nos anos cinquenta/sessenta. (E eu asistiria a um filme desses! Soa fixe!)
Entretanto sugiro que os novos filmes tomem uma nova direção. Deixemos o Bond em paz para usufruir da sua reforma. Criemos novos agentes de géneros e raças diversas e vamos aproveitar algo novo!

*=i originally wrote “para os dois lados” and it was corrected to “para ver os dois lados”. Hm, OK, I guess my original wording isn’t good Portuguese but the second one isn’t quite right: it’s not that I don’t have patience to see the argument from both sides, I’m just annoyed by the way the question gets turned into a sort of litmus teat of patriotism vs iconoclasm. So I changed it to “don’t have patience for the supporters of either side”. I hope this is better but I haven’t gone back to pester the person who made the corrections.

The next uses a sentence I found in my book as a model, trying to make new sentences in the same format, using the “gerundio”

Três frases segundo um modelo

Modelo
"A lua cheia abraçava o rio Tejo, projectando sobre ele tons frios e leitosos" (c19, "Anjos" de Carol Silva)

1

"A luz do sol banhava as árvores, iluminando-as e fazendo abrir as primeiras flores da primavera"

2

"A terra abanava furiosamente, abalando as torres do castelo e partindo as paredes de Lisboa"*

3

"O chefe gritava de raiva, borrifando os funcionários todos com saliva**"

*Although this isn’t wrong the corrector suggested “fazendo ruir os muros”. Parede does mean wall but it’s just a wall dividing one room from another inside the house, whereas muro is the wall dividing inside from outside: so the external wall of a house, a city wall, the Berlin Wall. Ruir means crumble, so it’s a good one in this context.

**also not wrong but got another suggested change: “cobrindo os funcionários de gafanhotos”. This is intriguing – so gafanhotos means grasshoppers but can also mean flecks of spit? Not according to priberam or the Dicionário Informal but I did manage to track down some examples like here for example. Excellent! I’m definitely using that at the next chance I get! “Baba” is a less formal word for drool/saliva too, so I probably should have thought to use that.

Jonathan Groff as King George III drool-singing
Cobrindo os revolucionários de gafanhotos
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Aristedes De Sousa Mendes

Acabei de ler um texto sobre Aristedes De Sousa Mendes. Nunca ouvi falar dele. No início da segunda guerra mundial, era cônsul português em Bordéus na França. Quando a invasão de França começou, milhares de refugiados, incluindo um grande quantidade de judeus, apresentaram-se no seu consulado.

Aristides de Sousa Mendes do Amaral Abranches
Aristides de Sousa Mendes

Naquela altura os governos de Portugal e da Espanha foram ditaduras e apesar de serem neutros, compartilharam alguns valores em comum com os Nazis e não queriam admitir pessoas apátridas em fuga do exército alemão. O senhor De Sousa Mendes afirmou que “Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus” portanto ele com a ajuda da sua mulher um filho e mais um funcionário passaram três noites a emitir vistos e a carimbar passaportes.

O cônsul foi demitido no final, e faleceu uns anos depois em obscuridade e cheio de dívidas mas nos anos setenta, depois da revolução, foi reintegrado no corpo diplomático a título póstumo. Foi elogiado pelo heroísmo que ele mostrou naquela hora negra, durante a qual seja estimado que ele tenha salvo as vidas de cerca de 13000 judeus e mais 27000 refugiados.

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Corrected Texts

Written work
Typewriter by Florian Klauer (*)

My big push towards C1 mastery is going pretty well. I’ve finished two small books, half way through a bigger one, and I’ve been writing one full text and a few tweets each day, as well as doing an exercise from the textbook. In the spirit of I’m-doing-my-homework-online-and-you-can’t-stop-me-mwahahaha, here’s a catch-up on the texts I’ve done for far with marking notes.

Props due to all the teachers in r/writestreakpt for the help.

Rivalidades entre Adolescentes:
Uma amiga da minha esposa escreveu no Facebook que a filha dela já passou as férias todas na cama depois de ter caído enquanto fez "crowdsurfing" num festival.
Entretanto, uma colega dela, do mesmo ano, depois de fazer os exames acabou de ganhar uma competição de ténis.
Pois bem, uma competição entre escolas?
Não. O US Open

Sem erros, apparently 🙂

Sadly I didn’t do so well with the rest

O Que Gosto de Assistir em Português:
Hum, se não me engano, a palavra "assistir" tem um significado ligeiramente diferente em Brasil. Em Portugal, é mais usado no contexto de salas de concertos, estádios de futebol e lugares assim mas os brasileiros dizem "assistir à* televisão" Ora bem, adoro assistir concertos musicais. Infelizmente há poucos hoje em dia, mas temos bilhetes para um espectáculo da Dulce Pontes em Novembro aqui em Londres. Oxalá não haja** mais um aumento na taxa de casos neste filho-de-pandemia durante o resto do ano porque eu estaria de coração partido se perdesse esta oportunidade!

*I forgot televisão was feminine

** I used the subjunctive future here: “God willing, there won’t be a rise…” but the correct tense was subjuntcive present.

Perder Peso, Acrescentar Palavras Novas
Há algum tempo, mudei a língua padrão do meu telemóvel para português porque queria me acostumar à língua num contexto quotidiano. Ao fazer isto, forcei-me a pensar em Português. Recentemente, comecei uma dieta porque a minha barriguinha está cada dia mais um barrigão. Abri o aplicativo Samsung Health e vi que todos os alimentos listados estavam escritos em português. Isso não me surpreendeu de todo mas o que me admira mais era isso: embora achasse que já sabia os nomes de quase todos os alimentos, porque fazem parte do vocabulário básico de qualquer curso da língua, havia muitas coisas na minha "ementa pessoal" que eu desconhecia: damascos, broto de feijão*, molho de soja e passas**, por exemplo. Então, pergunto-me: será que as listas de vocabulário são limitados ou sou eu que sou "queque" e não como alimentos normais.

*=Broto de feijao turns out not to be a thing in Portugal and this probably shows up a weakness of this sort of online learning: some of the options are brazilian. I wrote another text about it later which you can find with a few scrolls down there 👇

**=Originally “uvas passas” which I’ve seen, but I think “passas” is the more natural way of saying “raisins”

This next one is a response to a brazilian guy who thought portuguese people were being snobbish about grammar

Gramática Transatlântica
Como falante de inglês, acho que os portugueses têm mais conhecimento da gramática brasileira do que têm brasileiros da gramática europeia por causa da tua indústria televisiva, ser maior e mais poderosa do que a de Portugal. Mas concordo que ouvi alguns portugueses nas redes sociais a desprezar o seu modo de falar. Faz-me lembrar do relacionamento entre o meu país (Reino Unido) e um país qualquer no lado oposto do Oceano Atlântico. Não é preciso mencionar o seu nome mas os habitantes falam a "nossa" língua e lançam mais filmes e mais séries e têm mais artistas musicais do que nós e impõem os nossos valores, ritmos de falar e ortografia a nós. Portanto o nosso único mecanismo de defesa é rirmos da sua ortografia, sotaque, tendência de votar em presidentes cor de laranja etcetera para mantermos o nosso respeito próprio. Então, concordo contigo até certo ponto. Claro que todos nós temos uma obrigação de ter respeito pelos outros, mas países pequenos olham para os seus primos no novo mundo com uma mistura de inveja e admiração e às vezes fazemos piadas por causa disto. "LOL, eles escrevem Colour sem u" dizemos nós, e "Por que raios é que não usam um agudo quando escrevem Pára" dizem os portugueses. É natural, desde que não se torne malicioso.

(mas eu não sei qual é a origem da sua reclamação - isto não é uma defesa de qualquer comportamento mal educado)

Only boring mistakes here, from lack of attention.

Um Ingrediente de Culinária Chinesa
Mencionei "broto de feijão" num outro texto mas ao que parece foi um erro - ou pelo menos um brasileirismo*. Não consegui encontrar uma melhor tradução portanto irei descrevê-los na esperança de alguém entender o que estou a dizer! (imagem aqui)
Para fazer estas... coisas, precisamos de germinar os feijões para que a raiz e umas folhas emerjam da semente. Este processo leva uns cinco dias, mais ou menos mas vale mesmo a pena porque dá numa comida gostosa e saudável.
Colocar os grãos de feijão num frasco. Tapar o frasco com tecido (há quem use um pedaço de tule mas prefiro um saco de vegetais reutilizável com malha fina) segurado com um fio ou um elástico de borracha. Deixa entrar uns copos de água da torneira e depois inverter o frasco até a maioria da água se afastar.
Repete este procedimento de enchimento e esvaziamento 3 vezes por dia. Em breve, as cascas dos grãos partem-se e as raízes aparecem. Crescem dia após dia até o frasco estar cheio de rebentos**.
Usam-se com arroz ou com massa chinesa ("noodles") e vegetais tal como cenouras, couve chinesa e cebolinhas, salteados num "wok" (um frigideira com fundo redondo) com um molho picante tal como o molho agridoce***.

*=Brazilian words

**=Beansprouts. This is what I should have said instead of “broto de feijão” in the text about food logging ☝️

***=Sweet and sour

O Meu Tweet
Escrevi um tweet hoje. Fiz alguns erros? É uma paródia dum fado bem conhecido. Escrevi depois de resumir* o meu almoço (estou a tentar perder peso)
Oiça lá ó senhor abacate
Vai responder-me** mas com franqueza
Por que raios é que tens tantas calorias
És um fruto pá, deixa de me engordar.

*=The person who marked it changed this to “acabar”, but I’m trying to say I had been logging my food, writing up the ingredients so I can work out how fat I am going to get.

**=This line got changed to “Responde-me com franqueza” in the correction, but it’s based on a song called Oiça lá ó Senhor Vinho so I’m keeping as it is.

Vacinem-se!
O meu irmão conhece um jovem por volta de 30 anos (no meu mundo isso é jovem!) que recusou ser vacinado porque blablabla, vocês sabem as justificações de sempre. Já adivinhaste o final desta história trágica? Claro. Está numa cama no hospital. Não sei se este gajo é uma negacionista. Talvez tenha o medo de agulhas, sei lá, mas por qualquer razão, a sua vida está em perigo porque não chegou a engolir o sapo da vacina.
Vacinem-se!

Not much to say about this one.

A Filosofia
A minha filha está a estudar a filosofia. Começou por ler um livro chamado Sophie's World (O Mundo de Sopfia). Ela faz os seus julgamentos sobre cada filósofo baseados quase exclusivamente na suas opiniões de mulheres. Isto não é um exemplo de jovens serem "woke" mas sim uma regra geral: se alguém mora todos os dias numa cidade ou numa povoação onde 50 por cento dos habitantes são do sexo feminino mas não é capaz de entender que estas pessoas são seres humanos, diferentes dos homens*, sim, mas com capacidade igual de pensar... Raios, até estás filósofo pá?

*=Different from, not different to. Rare exmple where I shoud have used the expected preposition instead of overthinking it.

Dia de Reflexão
Hoje é dia de reflexão em Portugal. Tanto quanto entendo, isso significa que é um dia sem campanha, sem publicidades durante o qual os eleitores podem pensar nos factos antes de votar...? É isso? Ouvi falar deste tipo de pausa antes de eleições noutros países (Austrália?) mas não sabia que existia em Portugal também. É uma boa ideia. Precisamos de um dia desses. Não me quero meter na política de outros países mas acho que os Estados Unidos também precisam de alguns dias de reflexão antes das suas eleições. 365 devem ser suficientes*.

*= I really didn’t expect this to be plural. It’s a period of time. But in portuguese, its plural because multiple days.

Mundos Imaginários
Se eu vivesse num universo fictício, preferia que fosse o mundo literário de Blandings. Sim, eu sei, a maioria de pessoas querem viver num futuro com robôs, novos tipos de medicina, naves e o iPhone LXXXV (que seria uma grande desilusão por ser igual ao LXXXIV) mas cá para mim estas maravilhas "desbotam"* quando leio um livro de PG Wodehouse. Os enredos dele desenrolam-se num mundo onde não há violência, nem traição, nem adultério, nem depressão. Enfim, não há dificuldades graves nenhumas; os heróis concretizam sempre os seus objectivos pelos seus esforce e um monte de sorte mas os antagonistas, apesar de estarem vencidos, não sofrem destinos assim tão penosos. O milionário preconceituoso** não consegue casar com a protagonista feminina mas encontra uma mulher mais apropriada, capaz de tratar dos maus hábitos dele e que compartilha o seu amor de golfe. Cada fio da história acaba por ficar atado, toda a gente fica feliz e tudo vai pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis. É isso o meu paraíso.

*=I was aiming for something like “they pale in comparison”. This isn’t a portuguese expression but the corrector liked it and said it worked

**=preconceituoso not preconceito

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Sísifo – Gregório Duvivier e Vinicius Calderoni

Sísifo – Ensaios obre A Repetição em Sessenta Saltos By Gregório Duvivier and Vinicius Calderoni

#BRAZILIANPORTUGUESEKLAXON

Oi galera, estou escrevendo um comentário sobre um livro brasileiro embora eu aprenda português europeu. Blz!

Eu já conheci a obra de um dos autores, Gregório Duvivier por causa de uma conversa pública com Ricardo Araújo Pereira e ouvi falar dos seus programas televisivos. A cara é legal!

Neste livrinho, os dois rescrevem o mito de Sísifo, mesclado com outros fios culturais: Hamlet, a crise ambiental, memes, o teatro do absurdo. Nas palavras do Duvivier “‘A história se repete’ dizia Marx, ‘a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa’. Acrescentamos ‘a terceira vez como um gif'”. Para mim, esta explicação vale o preço do livro em si. Fez-me rir “kkk” disse eu. uh-oh, vem aí o cancelamento. “kkkkkk”, acrescentei, porque três cás* só não dá para ganhar amigos no mundo anglófono.

Apparently in Brazil K is written “cá”, not “capa” which makes sense because cácácá sounds like laughter whereas capacapacapa just sounds like a bunch of rooks fighting over a bag of chips.

Sísifo
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A Morte do Papa – Nuno Nepomuceno

A Morte do Papa (Nuno Nepomuceno)
A Morte do Papa

O dramaturgo russo Anton Chekov disse uma vez “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede, no seguinte ela deve ser disparada” , mas os escritores de thrillers portugueses modificaram este princípio: “Se no primeiro ato colocares uma pistola na parede” dizem eles, “no seguinte ela deve ser disparada contra o Papa”.

Ou talvez seja só impressão minha depois de ler este livro e o Vaticanum de José Rodrigues Dos Santos.

Disponibilidade: Bertrand / Kobo ebook / Kobo audiobook