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Expectation Vs Reality

A couple of corrected texts. Thanks to the ever-helpful Dani_Morgenstern for the corrections

Amanhã

Quando acordar amanhã, vou comer um pequeno almoço saudável. Depois, vou escrever o meu texto neste subreddit (em vez de adiar a tarefa até à hora de dormir!) e fazer um exercício do curso Português Para Estrangeiros. Tendo acabado o trabalho de casa, acho que vou experimentar dar uma corrida (não tenho certeza porque tenho dores de joelho). De tarde, sei lá, se calhar passarei uma hora na horta comunitária a plantar cebolas e ervilhas de cheiro.

Hoje

Acordei com dor nas costas. Desperdicei duas horas no Twitter a dizer disparates. Ainda não corri, mas pelo menos estou a escrever este texto antes do meio-dia. Expectativas vs realidade…

OK, já chega. Está na hora para fazer alguma coisa útil.

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A Invenção do Dia Claro

Li este livrinho inteiro, da capa até à contracapa num só dia mas não é assim tão impressionante porque tem menos de 40 páginas.

A Invenção Do Dia Claro

O escritor é José de Almada Negreiros (geralmente conhecido simplesmente por “Almada” se não me engano). Almada fazia parte do movimento modernista nas primeiras décadas do século passado e do grupo ao redor da Revista Orpheu, mas este livro é mais brando do que os anteriores. O editor da sua página de Wikipedia atribui esta mudança de estilo a uma atitude mais construtiva depois da Grande Guerra. Em resultado disso, quando o autor leu o primeiro texto da terceira parte (“a flor”) em palco, houve* quem risse em voz alta, achando que era algo satírico o humorístico, mas não era, era sincero.

O estilo da escrita é muito bonito e não me custou entender apesar da ortografia desconhecida, oriunda duma época antes do que nós pensamos como “velha ortografia” a(c)tualmente.

*Haver is one of those verbs that almost doesn’t seem to make sense in the perfect tense. The perfect tense is usually used for things that happen and then they’re over, as opposed to the imperfect which describes things that happen continuously over time. Haver usually means something like “to exist” or “to be present” and how can something exist as a one-off? Surely if you exist you exist continuously. In this sentence I’m describing this scene of someone reading something on the stage and the audience is there at the start of the performance and they remain in place throughout the performance. If that isn’t the criteria for imperfect tense I don’t know what is. But the translator suggests I describe the scene one of two ways

quando o autor leu (o texto) em palco, houve quem risse

Or

quando o autor lia (o texto) em palco, havia quem risse

So in the first example, he read it once (leu) and the audience were there on that one occasion (houve), and in the second example, he used to read it (lia) and they were there (havia).

What I don’t seem to be able to say is that he read it (leu) for an audience that was just there (havia).

OK useful exercise since it helps me. Understand when to use havia vs houve. I think I’m stuck in thinking about imperfect and perfect in a way that’s more like my o’level French and I need to just rid myself of that way of thinking.

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Auscultadores

A amiga da minha filha utiliza auscultadores sem fio (airpods) mas está sempre a perdê-los. Ou seja perde sempre* um fone. Eu também desperdicei dois pares de auscultadores por perder um fone. O problema é o tamanho destes dispositivos. São minúsculos. Se deixares um fone cair ao** chão, não será fácil encontrá-lo.

A amiga dela fez exatamente isso: deixou um fone cair na rua, e logo depois um carro o atropelou e lá foram cem euros pelo cano abaixo.

Empresas de telemóveis, chega de Bluetooth. Fios! Queremos fios!

*=perde sempre, not sempre perde. Adverb after the verb.

**=ao, not no. It falls *to* the floor, not *on* the floor

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Some corrections

Here are some short texts with footnotes pointing out some of the gotchas.

Aprendizagem de Uma Croma*

Estou a ensinar a minha filha a escrever código python. Leva sempre** três vezes mais tempo do que é necessário porque lhe falta a confiança*** e de cada vez que experimentamos uma coisa nova ela começa com “Ó pai, não consiiiigo, não é posííível” e por aí a diante até que ela olha novamente e repara na solução.

Hoje, programámos o “jogo da velha****” e durante os férias*****, vamos fazer um jogo antigo tipo arcade, chamado Snake (“Cobra”). Valha-me Deus! Irei precisar de tanta paciência.

Monty Python
Not that kind of python

*=Cromo/a means nerd

**=Leva sempre not sempre leva. “It takes always…” not “It always takes…”

***=I always find the construction of this kind of sentence difficult because it’s so far from English. We’d say “she lacks confidence” but in Portuguese it’s more like “confidence is lacking to her”

****=noughts and crosses /tic tac toe

*****=There are different words for holiday and they have different meanings so it’s worth taking time to pick the right one. Férias =time off work, so it’s the correct word here because I’m talking about the couple of weeks off school. There’s also “Feriado” which is a statutory holiday such as Christmas day itself, New Year etc. And finally there’s “Festas” which is more like a party ora celebration but “Boas Festas” os the nearest Portuguese equivalent to the American “Happy Holidays”

Um Caminho Longo

Ontem, dei uma voltinha daqui ao outro lado da cidade. O meu percurso seguiu as curvas do Rio Tamisa desde Richmond (ao oeste) até à* barreira contra inundações (ao leste) o meu plano era fazer a viagem de ida e volta que teria sido 50 milhas, mas depois de chegar à meta, estava com bolhas nos pés e as minhas pernas estavam rígidas e sem vida. Manquei mais cinco milhas mas não me senti capaz de regressar, portanto virei para a estação e fui de comboio para casa.

*=The “from” and “to” is interesting since the words used are “desde” (which is also used to mean “since”) and até (which usually means “until”). On top of that, it’s not just “até” but “até a/à” – until to (the) barrier.

I also learned a new word “entrevado” which describes the state I was in when my legs had ceased working: crippled.

The Coliniad

A Festa de Natal

Eu e o meu irmão falámos com o nosso pai ontem. Ele disse que não culpa o governo pelas festas de natal do ano passado, uma das quais teve lugar no apartamento do primeiro ministro e outras nos escritórios dos funcionários quando o mundo estava em plena crise.

Nós ficámos espantados. Posso perdoar muito na resposta à pandemia que apanhou muitos países de surpresa, mas isso vai alem* do que é aceitável na minha opinião. Traíram a nossa confiança.

*This was suggested as an improvement to my “é fora” – it’s outside of what’s acceptable. Instead, it says it goes beyond what’s acceptable.

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Vendas de Porta-Bagagens

Factos Verídicos Fam. Thanks to Cataphract for the corrections

Há quem adore participar em mercados de coisas de segunda mão que decorrem muitas vezes antes do nascer do dia 😱. Não compreendo este desejo mas existem tais pessoas. A sério.

A escola da minha filha tem uma “boot sale” (venda de porta-bagagens*) que tem lugar uma vez por mês. É organizada por voluntários, maioritariamente pais de estudantes mas há também professores e pais de ex-estudantes e os lucros financiam actividades extra-curriculares.

Hoje de manhã, a minha mulher levantou-se cedo para ajudar na venda de hoje. Infelizmente havia um atraso na entrada no qual era localizada. Às 6.32 uns chalupas que levam as vendas demasiado a sério começaram a queixar-se.
“Deixem-nos entrar. Os carros já estão a andar” e tanto faz.
Os voluntários recusaram porque não receberam “luz verde” e um gajo de vinte e tal anos começou a berrar na cara dum voluntário “Vai-te foder seu filho de puta. Deixa-nos entrar”. O voluntário é velho mas felizmente, é português assim como a minha mulher, e os descendentes de Afonso I o Conquistador não se submetem a este tipo de javardices e intimidação. Não lhe permitiram entrar até que tudo estivesse seguro.

*aka porta-malas, aka bagageira

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Futebol Escolar

I wrote this text to use some of the interjections (interjeições) mentioned in an exercise of the C1 Textbook exercise. It’s probably a bit stilted as a result.

Thanks for Dani Morgenstern and Gui R11 for the corrections.

A equipa correu para o campo, cheia de confiança.

Força! Coragem!” gritaram os pais deles, que ficaram de pé* perto da entrada .

Logo que os jogadores chegaram ao centro, um defensa ajoelhou-se brevemente para assinalar o seu apoio ao movimento de “Vidas Negras Importam”.

Chega!” bradou uma voz vinda de uma localização** indeterminada “Credo! Livra!” Evidentemente alguém desaprovou.

Logo depois houve algumas respostas de outros espectadores em redor: “Chiu!” “Caluda” e ainda mais francamente “Cala a boca*** seu parvo”****
Enquanto os jogadores se preparavam, havia murmúrios de “Irra! Ora, despache-se, árbitro, estamos todos congelados!”

O jogo começou e quase imediatamente o novo avançado-centro marcou um golo.

Oh! Viva” berraram os adultos da linha lateral.
Mas de repente o barulho acabou quando um defesa da equipa adversária foi deslizando até às pernas do atacante, fazendo-o tropeçar com força*****.

“Cuidado!”

O rapaz caiu ao chão. Houve um suspiro coletivo e o campo ficou sossegado.

Oxalá não esteja assim tão mal” murmurou uma mulher perto da baliza******. “Tomara!”*******

“Claro! Sim!”

O árbitro chegou ao sítio e dobrou-se ao lado do jogador. Uns momentos depois, os dois levantaram-se.

“Ufa! Arre!” disse o pai da vítima. “O meu heroizinho vai lutar mais um dia!”

“Ah ah” riu o seu amigo

“Que pena” disse o pai do guarda-redes da outra equipa, mas ninguém ouviu.

Far cry from small boys in the park
Jumpers for goalposts

*=i keep muddling “a pé” (on foot) and “de pé” (standing)

**=I wrote “locação” but that only means “the act of finding something”. If you want to talk about something’s position it has to be localização

***=”Cala-te” or “Cala a boca”. I wrote “Cala-te a boca” which I now realise must have made me sound like that Joe Dolce song, “shaddap you face” (if you’re too young to remember that, ask auntie YouTube)

****=This form of words seems really odd in English. It sounds like it should mean “your fool” but that “seu” is just how it’s done if you want to say “you fool” (or you anything else) in an emphatically disdainful way.

*****=This whole sentence was a mess and I obviously didn’t have the slightest idea how to describe this sort of action.

******=golo is a goal as in “scored a goal” but the frame and net of the goal is a baliza. The same word has a few other uses. For example, it also means “parallel parking” – the act of backing into a parking space and then swiveling the wheels to tuck in the front.

*******=According to the book, Pudera has the same meaning as Tomara so I used that but the book seems to be wrong – the corrector didn’t recognise it as such and priberam doesn’t either, so that’s good enough for me.

I’ve used quite a lot of football terms here. A lot of them are variable and they are definitely all different in Brazil. There’s a wiki page that describes the various positions in football if you’re interested.

Posted in English, Portuguese

Buarque Ode

I’ve really got quite evangelical about this Chico Buarque song, you know. I insist that everyone should learn Portuguese so they can appreciate its greatness. Here’s something I wrote about it in WritestreakPT, and this probably won’t be the last time I mention it either!

Acabo de ler um capítulo do meu livro (“Idiotas Úteis e Inúteis” de Ricardo Araújo Pereira) no qual o autor descreve uma canção do cantor brasileiro Chico Buarque chamada “Construção”. A letra da canção tem um ritmo ligeiramente diferente do que o padrão. Porquê*? Seguindo o Ricardo, é por causa de… Hum… uma palavra desconhecida. Ainda por cima, mal consegui pronúnciá-la! Estava a ler na cama e o dicionário na mesa de cabeceira também a desconhecia, portanto tive de aguardar até hoje de manhã.

A palavra era “Proparoxítono”**. Significa que a palavra tem o acento tónico na antepenúltima sílaba. Todas as palavras de cada linha são proparoxítonas. Em resultado disso, a canção soa muito diferente de qualquer outra canção portuguesa que já ouvi.
Que colheita boa! Num único capítulo, aprendi uma nova palavra, ouvi falar duma nova canção (que é mesmo bonita – acreditem!) e ganhei um novo ponto de vista sobre a língua.

* miraculously the corrector found only one single error in this entire thing except that they thought this should change to “por quê?”. This surprised me a bit because explanations of the various types of por/que usually have only 3 forms and “por quê” is not one of them. According to ciberdúvidas it can be used if you are asking “for what?” but it doesn’t mean “why” according to Elsa Fernandes’s book so at the risk of sounding arrogant, I don’t think the corrector was quite on the mark here. [UPDATE – A better corrector came along and agreed that yes, I was right about Porquê, but they have also pointed out some other mistakes which I have since corrected in the text above. It wasn’t terrible…]

** Amazingly there is a second word for this. Two words meaning “having the accent on the antepenultimate syllable”! It’s like the Eskimos and snow! The other word is Esdrúxulo.

And finally if you’re wondering what you call words that have the stress on the final or penultimate syllable they are oxítono and paroxítono respectively.

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Halloween Special #2 – Contos de Terror No Escritório – Sangue, Morte e Folhas de Cálculo

My Portuguese practice texts are in Hallowe’en mode, and I’m still getting good mileage out of a book called “Between the Spreadsheets” which I read and reviewed on my other blog, The Data Swarm. Its last chapter is called “Data Horror Stories” and that seemed like a pretty good subject to work with. This one is quite a lot less serious than the data swarm one but it was a lot more fun to write [props to Dani Morgenstern for the corrections]

Cover of “At The Spreadsheets of Madness” by X L Lovecraft

Na semana passada, li um livro chamado “Entre as Folhas de Cálculo” (“Between the Spreadsheets” em inglês) que explica o problema dos “dados sujos” em projetos* informáticos e como resolvê-lo antes de ligar o novo sistema.

No último capítulo, a autora fala de “contos de terror” em relação aos dados que prejudicaram as reputações das empresas e causaram problemas graves aos funcionários. Mas parece-me que “conto de terror” não é a analogia certa. Os terríveis monstros dos clássicos do terror nunca utilizaram folhas de cálculo. Por exemplo, quando o Drácula foi apanhado com a boca na botij….hum…na senhora**, era só por causa da sede. Se tivesse um portátil com uma janela aberta com o MS Excel, a história seria muito diferente. Melhor? Pior? Quem sabe?

Igualmente, se o Chthulhu e os seus amigos não fossem deuses antigos mas sim contabilistas, teriam inspirado um sentimento de pavor nas mentes dos seres humanos com as suas tabelas dinâmicas arrepiantes e isso seria… Diferente…

Acho que todos nós podemos concordar que há apenas duas coisas piores do que um deus antigo que utiliza o MS Excel: (1) uma bruxa licenciada em gestão de projetos e (2) um lobisomem que quer explica os seus motivos com ajuda do MS PowerPoint durante 3 horas.

*=I’m not sure if anyone’s noticed but when I used to write my texts in italki the person who did most of the corrections hated the AO and always insisted I used old spellings. In this case it would have been “projectos”. But on WritestreakPT they are a bit more modern. This is probably for the best since the AO is the standard you should use for tests and so on.

**= “Apanhado com a boca na botija” means “caught with your mouth on the bottle” and it’s equivalent to “caught red handed” except in this case, he’d be caught red-mouthed slurping blood from the neck of his helpless victim.

OK OK I know botija isn’t strictly speaking a bottle it’s a sort of big jar thingy but it’s hard to translate OK, leave me alone.

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Como Fazer Flexões de Braços

Começa na posição prona, com os pés juntos e com todo o teu peso no peito.

Coloca os mãos no chão, tão distantes* quanto for confortável (se estiverem mais distantes uma da outra, os músculos do peito terão de trabalhar mais, se estiverem mais perto**, os triceps braquiais irão retirar mais do treino)

Estende os braços devagar de modo a que*** o peito fique erguido do chão, até os cotovelos ficarem direitos. Mantém os abdominais contraídos**** e a coluna vertebral neutra.

Abaixa o corpo de novo para o chão.

Descansa. Já sofreste o suficiente. Precisas é***** de um café e da empatia da tua família.

*=Interesting one this. I made this singular and thought of “distant” as applying to the situation as a whole, but of course there are two feet so the adjective has to change too. Odd how little differences in the language make you imagine a situation slightly differently. I read a book a couple of years back called “The Language Hoax” by John McWhorter that argued against the idea that different languages shaped the way we see the world and I think he makes a lot of good points and yet things like this seem like little crumbs of evidence to the contrary.

**=This one almost broke my brain, because although “distante” was changes to “distantes” in the previous sentence, “perto” stays as “perto” even though on the face of it, it’s describing the exact same arrangement of arms and legs. Why? Because perto is an adverb not an adjective. The word it is describing is “estiverem” not “braços”. I know, I know, Just go and make a cupof tea and meditate on it for a while, it’ll make sense after a while.

***I put “tal como” here. Such that the chest touches the floor, but it was changed to “In such a way that the chest touches the floor”.

**** I put “ligados” thinking that would do for “engaged” as in “keep your abs engaged” but no. Contracted.

***** I think this is my first successful attempts to insert one of these little emphatic “é”s into a sentence. Sadly I made a mistake in another part of teh sentence so it wasn’t a 100% success, but I’ll call it a small vitory!

Posted in English, Portuguese

Quiz: New Squids on the Blog

Hey, do you want to try a little game? It’s a game about games. Meta.

Here are some descriptions in Portuguese of British children’s games. See if you can work out which one I am desperately trying to describe in my clunky, awkward Portuguese. They’re all traditional playground favourites – the original challenge was to list the games that would be included in Squid Game if it were to be remade in your own home country, so they should be pretty recognisable but I’ll put the answers at the bottom.

Credit section: didn’t come up with the list: I pinched it off a friend on another site but it “bateu certo com as escolhas que eu faria”. The very kind u/dani_morgenstern corrected the first 6 of the texts and u/H_doofenschmirtz sorted the last, but I’ve made some minor changes since, so any remaining goofs are my own)

British squid Game - Conkers
Probably a bit of a clue here, but which one is it?

Game 1

Neste jogo, uma pessoa é escolhida para ficar no centro do campo (provavelmente um parque infantil ou recreio ou uma parte da rua). Os concorrentes (quantos mais melhor!) ficam por um lado. Quando o bulldog está pronto, grita o nome do jogo e os outros correm do seu lado para o lado oposto sem serem derrubados.
Cada jogador apanhado fica no centro com o primeiro e o processo repete-se até um único jogado fica por apanhar. Essa pessoa é o vencedor. Como podem imaginar, este jogo causa muitos ferimentos. Existe uma versão menos violenta, no qual o so tem de tocar nos outros em vez de os atirar ao chão mas isso é uma seca.

Game 2

Este jogo era um dos mais cruéis possíveis, uma vez que a pessoa que estava a apanhar (em inglês dizemos “It”*) (“aquilo”? Ou talvez “A Coisa”, como a tradução do romance de Stephen King) tinha de perseguir os outros jogadores, geralmente do sexo oposto (pelo menos naquela altura, perseguir os do mesmo sexo nunca, nunca, nunca aconteceria!). Ao apanhar alguém, o caçador e o caçado davam um beijo, um ao outro. Digo que o jogo é cruel porque toda a gente corria muito devagar quando era alguém bonito ou um beto a caçar, mas andava muito depressa quando o perseguidor era alguém feio ou impopular. Muitas vezes, gritavam “Oh! Que nojo”. Os nerds, os esquisitos, os de roupas fora da moda nunca se sentiriam** mais excluídos do que durante este jogo.

Game 3

Ui! Como descrever este jogo? Sei lá. OK, prestem atenção, pois isto vai ser difícil: temos cá em Inglaterra uma espécie de árvore que nós chamamos “Castanheira de Cavalo” mas o nome português é Castanheira da Índia. Os seus frutos são quase iguais às castanhas bem conhecidas, vendidas nas ruas durante o outono, tirando dois factos importantes: têm um sabor nojento*** e são muito venenosas.
Portanto, em vez de comer os frutos, utilizamo-los num jogo. Furamos as castanhas com um espeto (de metal. Não somos ferreiros****). Depois enfiamos uma corda pelo buraco e fazemos um nó por baixo. Para que a castanha balance na ponta da corda.

No início do jogo, o primeiro jogador ergue a sua castanha e bate na castanha do outro. Continua assim até o jogador falhar o alvo e então os dois jogadores trocam posições, com o segundo a bater na castanha do primeiro. O vencedor é o último com uma castanha não partida.

Game 4

Há argumentos sem fim sobre o nome deste jogo. Assim como o terceiro, é um jogo daqueles que têm nomes diferentes nas várias cidades e zonas do país. Mas é um jogo bem simples.

Dois jogadores (ou quatro se quiserem jogar em equipa) ficam de pé***** aos lados opostos da rua. O primeiro jogador joga a bola (normalmente uma bola de futebol******) para o outro lado e tenta faz a bola bater na berma e saltar de volta para o seu próprio lado. Dobram os pontos se apanharem a bola antes que ela bata no chão. Depois tem oportunidade de fazer uma tentativa******* de bónus do centro da rua, e continuam assim até que falharem. O jogo termina quando a mãe dum jogador o chamar para jantar. O vencedor é o concorrente com mais pontos quando rebenta a bolha.

Quando era novo, este jogo era o mais aborrecido de sempre mas ao mesmo tempo, viciante. Só jogávamos se não houvesse nada mais para fazer mas uma vez que começávamos, continuávamos durante a tarde toda. E há quem ande a jogar na nossa rua em 2021 ainda que existam portáteis e consolas.

Game 5

Este jogo é muito parecido com o Luz Vermelho, Luz Verde, o primeiro desafio na série. Um jogador está de pé, longe dos outros. Está pessoa é… Uma espécie de animal… Os restantes perguntam-lhe as horas e se por exemplo a resposta for “três” os jogadores dão 3******** passos na sua direção. Podem avançar com grande passos ou delicados passinhos. O seu objetivo é aproximar-se do outro lado e tocar nas costas do animal, mas há um perigo. A qualquer momento, em lugar de dizer as horas, o animal pode gritar “hora de jantar” e correr atrás dos concorrentes mais próximos. A primeira pessoa a ser apanhado torna-se o animal da próxima ronda.

Game 6

Este jogo é muito mas mesmo muito fácil. O objetivo é pontapear uma bola de futebol contra as nádegas dum amigo.

É isso. Esse é o jogo.

Game 7

Este jogo era muito popular nas ruelas de Middlesborough mas quase desconhecido noutros lugares. Um grupo de jovens (aposto que eram todos rapazes) juntavam-se no jardim duma casa alheia. Em voz baixa, diziam “pedimos desculpa, estamos no seu jardim” e iam repetindo esta frase, em voz cada vez mais alta até que uma pessoa dentro de casa ouvisse o barulho e espreitasse lá para fora. Naquela altura, os jovens todos tinham de circundar a casa e escapar através do quintal por trás, por qualquer rumo disponível: por cima da cerca, através da sebe, a evitar os cães ou as galinhas. Ninguém furtava nada. O nome é um mistério. Rapazes, hem?

Answers

  1. British Bulldog
  2. Kiss Chase (The Portuguese version of this game is called Bate-pé.)
  3. Conkers/Cheggies
  4. Kerby/Gutters
  5. What’s The Time Mr Wolf? (the Portuguese equivalent of this is called “Mamã da licença?”)
  6. Red Arse (this is the only one I hadn’t actually played before – the person who wrote the list is younger than me so maybe it’s after my time)
  7. Theft and Shrubbery

Theft and Shrubbery provavelmente não existia na realidade – um comediante contou a história num programa televisivo e afirmou que era verdadeira mas… 🤔)

Correction Notes

* in Portuguese the equivalent to “you’re it” is “és tu a apanhar”.

** I thought I’d be clever here and use mesoclise because it’s in the conditional tense but it’s a negative statement so you have to use proclise. Don’t know what either of those words mean? Don’t worry, it’s not as complicated as it sounds. It’s just about where the pronoun goes, relative to the verb.

*** One of the weird idiosyncrasies of the language is that the verb “saber” can mean “ter sabor” (see here, definition #9) but it seems to be a bit tricky to use. I tried “sabem nojento” but that was a no.

**** Quite pleased with this. It’s a reference to an idiomatic expression – the first one on this list.

***** It’s always struck me as odd that there isn’t a dedicated word for “stand” in Portuguese, you just have to say ficar/estar de pé (stay/be on foot)

****** Football is the name of the game, not the object so you can’t just say “comprei um futebol”, it has to be a football ball. Uma bola de futebol.

******* I went a bit too literal here and used “tiro” (shot) but no, unless there’s a gun involved, it’s not that.

******** You give three steps (dar), not make three steps (fazer) or take three steps (apanhar)