É impressionante que o criador deste vídeo conseguiu contar a lenda dentro de 35 segundos. É difícil entender tudo por causa da rapidez do falador mas depois de 4 vezes, compreendi tudo.
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Dom João I (Projecto da História Portuguesa)

#uncorrectedportugueseklaxon
Dom João I* foi aclamado rei depois dum interregno de dois anos, uma crise causada pelo facto da próxima pessoa na linha de sucessão, Dona Beatriz, ser casada com o rei de Castela. Os Castelhanos queriam aproveitar a situação para agarrar os laços de poder e absorver o país. João, (naquela altura chamado “Mestre de Avis”) foi um dos pretendentes ao trono e ele liderou o exército português com o seu Condestável, Dom Nuno Álvares Pereira na batalha dos Atoleiros e depois na Batalha de Aljubarrota. Este segundo segurou a independência de Portugal.
Depois de se tornar Rei, Dom João mandou construir o Mosteiro da Batalha. Também assinou o Tratado de Windsor, que confirmou um Tratado que já existia com Inglaterra (A sua esposa, Filipa de Lencastre, era também inglesa) e pôs de pé o império ao mandar Dom Nuno para Ceuta com 200 navios e montes de tripas**. Um dos marinheiros, O Infante Dom Henrique, quando voltou para casa, estabeleceu uma escola náutica, e pouco depois, começaram os descobrimentos: portugueses desembarcaram na Madeira e na Ilha de Santa Maria nos Açores.
Hoje em dia, o cognome de Dom Joao é “O de Boa Memória” e isso é apropriado porque ele deixou várias lembranças que permanecem atá agora: O mosteiro ainda existe, o Tratado de Windsor ainda está em vigor, e o país existe, que sem D. João podia-se tornar parte de Espanha.
*=”Dom João o Primeiro” não “Dom João Um”, precisamente tal como em inglês
**= O epíteto de “Tripeiros” que se refere aos Portuenses, tem a sua origem nesta viagem
Opinião: Caim (José Saramago)
Acabo de ler o “Caim” de José Saramago. Custou-me muito ler, não apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas também porque este escritor é famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam através de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiúsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusão para um estudante como eu. Felizmente, já li a Bíblia, que me ajudou muito.
Toda a gente conhece a historia de Caim, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão. Nas mãos de Saramago, este assassino original torna-se um rebelde contra o Senhor. Depois da sua expulsão do jardim, Caim percorre o mundo e viaja involuntariamente no tempo, entre épocas e locais, onde se encontram as personagens dos contos mais infames do testamento antigo. Assiste a queda das muralhas de Jericó, agarra a mão de Abraão quando está ao ponto de sacrificar o seu filho, e foge com Job do fogo e enxofre que engolem Sodoma.
A sua conclusão é que Deus é rematadamente maluco, e por isso, este próprio Caim tenta fazer alguma coisa muito ambiciosa: nada mais nada menos do que frustrar a vontade do Senhor, mas não quero explicar precisamente como, ou com que nível de sucesso, porque não quero dar spoilers!
Saramago ganhou o Prémio Nobel nos anos noventa, e mereceu: este livro é impressionante. O protagonista é um ser humano, mais realista, e melhor realizado que o da Bíblia. Trata-se principalmente de uma crítica de religião, mas já temos tantas daquelas! Também é uma história divertida. Por exemplo, na cena com Abraão, Caim amaldiçoa o patriarca pela sua falta de humanidade e sentimentos dignos de um pai. Isso serve como acusação poderosa contra Deus, mas na página seguinte, quando chega o anjo, há um momento de comédia que me fez rir em voz alta. Além disso, o livro foi escrito num modo brincalhão e ligeiro, apesar dos seus parágrafos gigantescos. Cá para mim, o livro foi um desafio mas não foi trabalho.
Uma Revista
Durante a minha estadia no Porto, fui assistir a uma “revista” no Teatro Sá de Bandeira. Foi a um espectáculo longe fora da minha experiência, consistiu numa série de canções, juntadas por uma peça de teatro. Os protagonistas chegaram um a um: os músicos logo no início, depois o José Raposo, depois a Vera Mónica e finalmente a Sara Barradas (que estava grávida e quase a dar à luz a sua bebé*!).

O enredo da peça deixou os dois actores mais velhos falarem com a Sara sobre as suas viagens pelo mundo, e então, cantaram músicas de vários países. Havia canções em espanhol, francês, italiano e até uma dos The Beatles**. Os actores mudaram de roupas muitas vezes, ou pelo menos colocaram um chapéu ou qualquer outro acessório entre as canções. Também havia alguns “sketches”, tal como “A História da Minha Ida à Guerra de 1908″de Raul Solnado. Isto e duas canções (duas!) foram as únicas coisas que já conhecia.
A maioria da audiência era sénior mas havia algumas pessoas mais jovens e crianças, e acho que foi um evento adequado a toda a família. Enfim, gostei muito da experiência.
* = isn’t that lovely? I’d never noticed how the articles and prepositions work together until Sofia corrected my grammar. “Estava grávida e quase a dar à luz a sua bebé”. She was pregnant and “almost ready to give her baby to the light”
** = On the other hand, “os The Beatles” os not so pretty.
Moedas Comemorativas
Notes on commemorative editions of the 100 Escudo coin. My daughter recently received a beautiful parcel containing 18 of these, big, chunky things with designs on them spanning years.
Ano Internacional do Deficiente (1981)
Mostra-se uma imagem do Jacob Rodrigues Pereira (1715-1780), que nasceu em Espanha, duma família cripto-judaica portuguesa e tornou-se educador de surdos em França.
D. Nuno Alvares Pereira / Batalha De Aljubarrota (1985)
Comemora 600 anos desde esta batalha, uma das maiores batalhas defensivas contra o exercito castelhano que tentou conquistar Portugal. Dom Nuno Alvares é considerado um génio de estratégia e ainda por cima, foi beatificado e canonizado pelo papa XVI em 2009, mas confesso que não faço ideia por quê.
Fernando Pessoa (1985)
São retratados nesta moeda o poeta mais conhecido e mais amado no país, e mais três gajos que o semelham esquisitamente…
D. Afonso Henriques (1985)
Comemora 8 séculos desde a morte de D. Afonso I, o conquistador, e o primeiro rei da primeira dinastia portuguesa.
X Aniversário da Autonomia Regional (1986)
Logo depois da revolução dos Cravos, a república portuguesa começou a reconstruir a democracia e isso resultou numa nova constituição, que foi publicada em 1976. dando autonomia regional para as ilhas, com os seus próprios hinos e bandeiras.
XII Mundial de Futebol (1986)
Dois homens a saltar por cima duma esfera… Não faço ideia do que é que estão a fazer…
Amadeo de Souza-Cardoso (1987)
O centésimo aniversário do nascimento deste pintor modernista cuja morte com 30 anos acabou com uma carreira promissora.
Nuno Tristão (1987)
É um motivo de vergonha para países tal como Portugal e a Inglaterra que tantos de nossos heróis também foram vilões. Esta moeda celebra a vida de um explorador que descobriu muitas zonas de África até então desconhecidos (pelo menos a nós europeus), incluindo o Rio Gambia (1446) mas o explorador também foi um mercador de escravos. Hum…
Diogo Cão (1987)
Diogo Cão era um dos navegadores que concretizaram a reputação do país como terra de exploradores. A data na moeda é 1486, ano do seu falecimento que ocorreu durante a sua segunda viagem para África do Sul em busca de Preste João. Foi retratado no Padrão dos Descobrimentos a grande escultura a beira do Rio Tejo, e foi imortalizado pela caneta de Fernando Pessoa no seu poema “Padrão”
Bartolomeu Dias / Cabo de Boa Esperança (1988)
O quingentésimo aniversario do regresso a portugal do explorador Bartolomeu Dias após da sua expedição além do cabo de Boa Esperança (O ponto mais a sul do continente da África.
Arquipélago Dos Açores (1989)
Comemora várias viagens de descoberta ao arquipélago entre 1427 e 1432. Ao que parece, as ilhas já eram conhecidas e por isso não percebo porque é que as viagens tiveram tanto significado, mas… sei lá, deve de haver alguma coisa que perdi.
Ilhas Canárias (1989)
Comemora a ocupação dos portugueses das ilhas desde 1336 até 1479. Depois, o Tratado das Alcáçovas-Toledo afirmou o controlo das ilhas pelos castelhanos enquanto Portugal ficou com as ilhas dos Açores e da Madeira.
Navegação Astronómica (1990)
Parece que esta moeda é apenas a celebração da Ciência. Não acho que celebre um aniversário ou a pessoa que a inventou, mas claro sem a navegação astronómica, os portugueses nunca teriam sido capazes de explorar o mundo antes do época do Sistema de Posicionamento Global e por isso é um tipo de especialidade nacional.
Camilo Castelo Branco (1990)
Celebra a vida do autor de “Amor de Perdição” e “Maria Moisés” entre outros.
Restauração da Independência (1990)
Comemora 350 anos desde a saída de Portugal da União Ibérica, que é um lembrete amargo para nós ingleses que há países no mundo capazes de saírem duma união política sem fazer-se uma desgraça. A União tinha permanecido durante 60 anos desde a guerra da sucessão portuguesa que resultou num espécie de governo imperial sob a coroa espanhol.
Antero de Quental (1991)
O senhor Antero foi um poeta do século XIX que fez parte (com Eça de Queiroz e Oliveira Martins) num movimento literário, Geração de 70, que pretendia revolucionar a cultura pela introdução de realismo. Confesso que não tinha ouvido do senhor anteriormente mas é um dos escritores mais importantes da literatura portuguesa**. Fernando Pessoa escrevi o elogio seguinte
Properly speaking there has been no Portuguese literature before Antero de Quental; before that there has been either a preparation for a future literature, or foreign literature written in the Portuguese language.
D. António, Prior do Crato (1995)
Marca 400 anos desde a morte deste rei (ou seja pretendente ao trono). D. António teve uma vida cheia de histórias. Acompanhou D. Sebastião na campanha em Marrocos e foi preso na batalha onde o rei morreu. Depois do seu regresso a Portugal, António reclamou o trono mas foi negada porque varias pessoas tinha dúvidas que fosse o filho legitimo do seu “pai”, D. Luís. continuou a afirmar o seu direito de ser rei durante a crise da sucessão portuguesa, quando o país perdeu a sua independência e ficou sujeito ao Rei Felipe I (Felipe II de Espanha) e acabou por ser exílio na Inglaterra com o inimigo do seu inimigo, a rainha Isabel I.
Centenário da Autonomia Dos Açores (1995)
As Ilhas ganharam a sua independência administrativa em 1895, até o estado novo reestabeleceu controlo sobre as ilhas em 1928.
* PADRÃO (Fernando Pessoa – Mensagem)
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
** Let’s have a look:
Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem…
Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. –
Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,
É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.
Violino
From the Facebook page of the Anglo-Portuguese Society:
Setúbal
Fui ontem para a residência do embaixador português em Inglaterra, para ouvir um discurso sobre o Festival de música de Setúbal. O director contou a história da origem do festival, o motivo pelo qual foi estabelecido, e descreveu os efeitos benéficos para a cidade. Foi muito um discurso interessante. As escolas participam no festival, o que traz oportunidades para estudantes de música, ainda que alguns tenham deficiências físicas ou mentais. As comunidades imigrantes também fazem parte do projecto, e isso aumentou o seu sentimento de pertencimento. Trouxe benefícios nas áreas de economia, de infraestrutura e de saúde e bem estar.
Uma estudante nativa de Setúbal tocou violino, e depois havia uma recepção com petiscos e vinho. 
Home Not Alone
Last night I went to a meeting of the Anglo-Portuguese Society at the residence of the Portuguese ambassador. There were no Ferrero Rochers but apart from that it was pretty good. I’ll to a texto about it later.
One of the things that interested me was that the guy talked about translating the word “Home” into Portuguese, which they had done, he said, using 7 different words. So – someone asked – what were the words? He couldn’t remember. The obvious ones are casa (house) lar (the word used in the equivalent of home sweet home – “lar doce lar”. Terra de mãe (the town or village you call home) seems like a string contender too. I felt like I’d heard the phrase “no colo da família” (something like ‘in the lap of the family’) too. Then there are more prosaic words like “domicílio”, “residência”, “habitação”.
Hm.
Oh wait, I just had the idea of er… You know… Googling it!
Here’s the site. Judging by the names of the events, it looks like I missed “ninho” (nest) and they mention “palácio” as well, which I suppose could be your home if you were posh…
Feminismo Negro em Portugal
Um gajo que sigo no Twitter mencionou uma historia do Jornal Público (“Feminismo negro em Portugal: falta contar-nos”) sobre o desenvolvimento de feminismo negro em Portugal. Como muitos países europeus, Portugal tem uma história de colonialismo e escravatura, e isso trouxe muitos novos habitantes que, mais tarde, tornaram-se cidadãos e o artigo descreve as mudanças da população e destaca o papel de mulheres negras.
A história começa no século XVI, muito antes da palavra “feminismo” ser usada, mas era possível encontrar negras a participar politicamente na sociedade portuguesa. No inicio do século XVIII foi apresentado por mulheres uma petição de reclamação contra as perseguições quotidianas da comunidade negra.
Mais tarde, no fim do século XIX, tendo a escravatura sido já abolida, vê-se uma nova oportunidade de participação. Claro que isso não continuou durante o novo estado, enquanto todas as forcas liberais foram subjugadas pelo governo Salazarista.

A mulher mais interessante do meu ponto de vista, foi a Virgínia Quaresma, que nasceu em 1882, e viveu uma vida cheia de acção politica até a sua morte com 90 anos. Ela foi uma das primeiras mulheres a licenciar no Curso Superior de Letras na Escola Normal de Lisboa. Tornou-se jornalista (a primeira no país) e redactora duma revista feminista. Foi um membro activo de várias ligas feministas, pacifistas e republicanas durante os anos antes da primeira guerra mundial, e viveu abertamente como lésbica apesar do clima moral daquela época. Foi seleccionada pelo serviço diplomático, e viajou para o Brasil muitas vezes com a namorada dela onde arranjou eventos culturais para cultivar ligações entre os dois países.
Quero agradecer Alisson pela ajuda.
By the way, can we talk about that outfit VQ is wearing? Dapper AF!
In Da Club
Looking at Anglo-Lusitanian clubs and societies in London to see if there are any that might be worth joining. There’s a complete list here of all clubs for lusophones in the UK, but I’m going to list the ones that are most interesting for general interest (ie, not just football of cod-admiration) in London and that don’t look defunct (e.g., if their websites only have events in the past I’m not botherin’.
Anglo-Portuguese Society – events and speeches. Quite posh. £49 to join
Academia do Bacalhau – seems to be inactive judging by how out of date its events are but you need to click on the link to see their amazing logo
Grupo Típico Português – It’s a bit full-on for me but might be of interest to some
Portuguese Chamber of Commerce – Networking for business people
Little Portugal – Not really a club as such but an interesting little project about Portuguese people in London.