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Halloween Special #2 – Contos de Terror No Escritório – Sangue, Morte e Folhas de Cálculo

My Portuguese practice texts are in Hallowe’en mode, and I’m still getting good mileage out of a book called “Between the Spreadsheets” which I read and reviewed on my other blog, The Data Swarm. Its last chapter is called “Data Horror Stories” and that seemed like a pretty good subject to work with. This one is quite a lot less serious than the data swarm one but it was a lot more fun to write [props to Dani Morgenstern for the corrections]

Cover of “At The Spreadsheets of Madness” by X L Lovecraft

Na semana passada, li um livro chamado “Entre as Folhas de Cálculo” (“Between the Spreadsheets” em inglês) que explica o problema dos “dados sujos” em projetos* informáticos e como resolvê-lo antes de ligar o novo sistema.

No último capítulo, a autora fala de “contos de terror” em relação aos dados que prejudicaram as reputações das empresas e causaram problemas graves aos funcionários. Mas parece-me que “conto de terror” não é a analogia certa. Os terríveis monstros dos clássicos do terror nunca utilizaram folhas de cálculo. Por exemplo, quando o Drácula foi apanhado com a boca na botij….hum…na senhora**, era só por causa da sede. Se tivesse um portátil com uma janela aberta com o MS Excel, a história seria muito diferente. Melhor? Pior? Quem sabe?

Igualmente, se o Chthulhu e os seus amigos não fossem deuses antigos mas sim contabilistas, teriam inspirado um sentimento de pavor nas mentes dos seres humanos com as suas tabelas dinâmicas arrepiantes e isso seria… Diferente…

Acho que todos nós podemos concordar que há apenas duas coisas piores do que um deus antigo que utiliza o MS Excel: (1) uma bruxa licenciada em gestão de projetos e (2) um lobisomem que quer explica os seus motivos com ajuda do MS PowerPoint durante 3 horas.

*=I’m not sure if anyone’s noticed but when I used to write my texts in italki the person who did most of the corrections hated the AO and always insisted I used old spellings. In this case it would have been “projectos”. But on WritestreakPT they are a bit more modern. This is probably for the best since the AO is the standard you should use for tests and so on.

**= “Apanhado com a boca na botija” means “caught with your mouth on the bottle” and it’s equivalent to “caught red handed” except in this case, he’d be caught red-mouthed slurping blood from the neck of his helpless victim.

OK OK I know botija isn’t strictly speaking a bottle it’s a sort of big jar thingy but it’s hard to translate OK, leave me alone.

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Hallowe’en Special #1 – Filmes de Terror Slasher

Corrected Text from u/WritestreakPT. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections

Filmes de terror slasher são um género clássico do cinema assim como a ficção científica, os filmes de guerra e as comédias sobre rapazes adolescentes a tentarem perder a virgindade.

Lembro-me das minhas primeiras experiências com este género, principalmente o Halloween e o Nightmare on Elm Street (“Pesadelo em Elm Street”). O Halloween era mais realista porque o antagonista é um homem vivo mas ainda assim, não raras vezes, o realizador (John Carpenter) tomou algumas liberdades com as leis do tempo e do espaço para ter o assassino num lugar inesperado para assustar Jamie Lee Curtis (e nos espectadores!) vez após vez.

A saga do Pesadelo em Elm Street era mais engraçada e tornou-se cada vez mais ridícula ao longo dos anos, mas tinha os seus sustos na mesma! Mas a bolha rebentou finalmente com a estreia do Scream, que deu cabo da magia do género. Os protagonistas explicaram, de modo pormenorizado, as regras do assassinato no grande ecrã logo antes de eles mesmos passarem a ser vítimas. Depois disso, tornou-se quase impossível fazer um filme do género slasher porque toda a gente ironizaria os clichés.

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Como Fazer Flexões de Braços

Começa na posição prona, com os pés juntos e com todo o teu peso no peito.

Coloca os mãos no chão, tão distantes* quanto for confortável (se estiverem mais distantes uma da outra, os músculos do peito terão de trabalhar mais, se estiverem mais perto**, os triceps braquiais irão retirar mais do treino)

Estende os braços devagar de modo a que*** o peito fique erguido do chão, até os cotovelos ficarem direitos. Mantém os abdominais contraídos**** e a coluna vertebral neutra.

Abaixa o corpo de novo para o chão.

Descansa. Já sofreste o suficiente. Precisas é***** de um café e da empatia da tua família.

*=Interesting one this. I made this singular and thought of “distant” as applying to the situation as a whole, but of course there are two feet so the adjective has to change too. Odd how little differences in the language make you imagine a situation slightly differently. I read a book a couple of years back called “The Language Hoax” by John McWhorter that argued against the idea that different languages shaped the way we see the world and I think he makes a lot of good points and yet things like this seem like little crumbs of evidence to the contrary.

**=This one almost broke my brain, because although “distante” was changes to “distantes” in the previous sentence, “perto” stays as “perto” even though on the face of it, it’s describing the exact same arrangement of arms and legs. Why? Because perto is an adverb not an adjective. The word it is describing is “estiverem” not “braços”. I know, I know, Just go and make a cupof tea and meditate on it for a while, it’ll make sense after a while.

***I put “tal como” here. Such that the chest touches the floor, but it was changed to “In such a way that the chest touches the floor”.

**** I put “ligados” thinking that would do for “engaged” as in “keep your abs engaged” but no. Contracted.

***** I think this is my first successful attempts to insert one of these little emphatic “é”s into a sentence. Sadly I made a mistake in another part of teh sentence so it wasn’t a 100% success, but I’ll call it a small vitory!

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Maremoto – Djamilia Pereira de Almeida

Maremoto de Djaimilia Pereira de Almeida
Maremoto

Este livro conta a história de Boa Morte da Silva, nativo de Bissau, residente em Lisboa e as suas amizades, principalmente com uma mulher sem abrigo que se chama Fatinha. Há capítulos narrados na terceira pessoa mas a maioria na primeira, como se o protagonista estivesse a falar à sua filha que ainda mora em Bissau e que mal conhece (nem sequer sabe se ou não ela está viva)

É muito bem escrito, até eu sou capaz de apreciar a confiança com a qual ela esboça as personagens e as cenas nas quais eles se encontram. Como muitos livros portugueses, custou-me julgar o “tom” da história. Na maior parte, havia um sentido de ternura em relação às personagens, sobretudo na amizade entre Boa Morte e a Fatinha mas também há momentos de humor.

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Quiz: New Squids on the Blog

Hey, do you want to try a little game? It’s a game about games. Meta.

Here are some descriptions in Portuguese of British children’s games. See if you can work out which one I am desperately trying to describe in my clunky, awkward Portuguese. They’re all traditional playground favourites – the original challenge was to list the games that would be included in Squid Game if it were to be remade in your own home country, so they should be pretty recognisable but I’ll put the answers at the bottom.

Credit section: didn’t come up with the list: I pinched it off a friend on another site but it “bateu certo com as escolhas que eu faria”. The very kind u/dani_morgenstern corrected the first 6 of the texts and u/H_doofenschmirtz sorted the last, but I’ve made some minor changes since, so any remaining goofs are my own)

British squid Game - Conkers
Probably a bit of a clue here, but which one is it?

Game 1

Neste jogo, uma pessoa é escolhida para ficar no centro do campo (provavelmente um parque infantil ou recreio ou uma parte da rua). Os concorrentes (quantos mais melhor!) ficam por um lado. Quando o bulldog está pronto, grita o nome do jogo e os outros correm do seu lado para o lado oposto sem serem derrubados.
Cada jogador apanhado fica no centro com o primeiro e o processo repete-se até um único jogado fica por apanhar. Essa pessoa é o vencedor. Como podem imaginar, este jogo causa muitos ferimentos. Existe uma versão menos violenta, no qual o so tem de tocar nos outros em vez de os atirar ao chão mas isso é uma seca.

Game 2

Este jogo era um dos mais cruéis possíveis, uma vez que a pessoa que estava a apanhar (em inglês dizemos “It”*) (“aquilo”? Ou talvez “A Coisa”, como a tradução do romance de Stephen King) tinha de perseguir os outros jogadores, geralmente do sexo oposto (pelo menos naquela altura, perseguir os do mesmo sexo nunca, nunca, nunca aconteceria!). Ao apanhar alguém, o caçador e o caçado davam um beijo, um ao outro. Digo que o jogo é cruel porque toda a gente corria muito devagar quando era alguém bonito ou um beto a caçar, mas andava muito depressa quando o perseguidor era alguém feio ou impopular. Muitas vezes, gritavam “Oh! Que nojo”. Os nerds, os esquisitos, os de roupas fora da moda nunca se sentiriam** mais excluídos do que durante este jogo.

Game 3

Ui! Como descrever este jogo? Sei lá. OK, prestem atenção, pois isto vai ser difícil: temos cá em Inglaterra uma espécie de árvore que nós chamamos “Castanheira de Cavalo” mas o nome português é Castanheira da Índia. Os seus frutos são quase iguais às castanhas bem conhecidas, vendidas nas ruas durante o outono, tirando dois factos importantes: têm um sabor nojento*** e são muito venenosas.
Portanto, em vez de comer os frutos, utilizamo-los num jogo. Furamos as castanhas com um espeto (de metal. Não somos ferreiros****). Depois enfiamos uma corda pelo buraco e fazemos um nó por baixo. Para que a castanha balance na ponta da corda.

No início do jogo, o primeiro jogador ergue a sua castanha e bate na castanha do outro. Continua assim até o jogador falhar o alvo e então os dois jogadores trocam posições, com o segundo a bater na castanha do primeiro. O vencedor é o último com uma castanha não partida.

Game 4

Há argumentos sem fim sobre o nome deste jogo. Assim como o terceiro, é um jogo daqueles que têm nomes diferentes nas várias cidades e zonas do país. Mas é um jogo bem simples.

Dois jogadores (ou quatro se quiserem jogar em equipa) ficam de pé***** aos lados opostos da rua. O primeiro jogador joga a bola (normalmente uma bola de futebol******) para o outro lado e tenta faz a bola bater na berma e saltar de volta para o seu próprio lado. Dobram os pontos se apanharem a bola antes que ela bata no chão. Depois tem oportunidade de fazer uma tentativa******* de bónus do centro da rua, e continuam assim até que falharem. O jogo termina quando a mãe dum jogador o chamar para jantar. O vencedor é o concorrente com mais pontos quando rebenta a bolha.

Quando era novo, este jogo era o mais aborrecido de sempre mas ao mesmo tempo, viciante. Só jogávamos se não houvesse nada mais para fazer mas uma vez que começávamos, continuávamos durante a tarde toda. E há quem ande a jogar na nossa rua em 2021 ainda que existam portáteis e consolas.

Game 5

Este jogo é muito parecido com o Luz Vermelho, Luz Verde, o primeiro desafio na série. Um jogador está de pé, longe dos outros. Está pessoa é… Uma espécie de animal… Os restantes perguntam-lhe as horas e se por exemplo a resposta for “três” os jogadores dão 3******** passos na sua direção. Podem avançar com grande passos ou delicados passinhos. O seu objetivo é aproximar-se do outro lado e tocar nas costas do animal, mas há um perigo. A qualquer momento, em lugar de dizer as horas, o animal pode gritar “hora de jantar” e correr atrás dos concorrentes mais próximos. A primeira pessoa a ser apanhado torna-se o animal da próxima ronda.

Game 6

Este jogo é muito mas mesmo muito fácil. O objetivo é pontapear uma bola de futebol contra as nádegas dum amigo.

É isso. Esse é o jogo.

Game 7

Este jogo era muito popular nas ruelas de Middlesborough mas quase desconhecido noutros lugares. Um grupo de jovens (aposto que eram todos rapazes) juntavam-se no jardim duma casa alheia. Em voz baixa, diziam “pedimos desculpa, estamos no seu jardim” e iam repetindo esta frase, em voz cada vez mais alta até que uma pessoa dentro de casa ouvisse o barulho e espreitasse lá para fora. Naquela altura, os jovens todos tinham de circundar a casa e escapar através do quintal por trás, por qualquer rumo disponível: por cima da cerca, através da sebe, a evitar os cães ou as galinhas. Ninguém furtava nada. O nome é um mistério. Rapazes, hem?

Answers

  1. British Bulldog
  2. Kiss Chase (The Portuguese version of this game is called Bate-pé.)
  3. Conkers/Cheggies
  4. Kerby/Gutters
  5. What’s The Time Mr Wolf? (the Portuguese equivalent of this is called “Mamã da licença?”)
  6. Red Arse (this is the only one I hadn’t actually played before – the person who wrote the list is younger than me so maybe it’s after my time)
  7. Theft and Shrubbery

Theft and Shrubbery provavelmente não existia na realidade – um comediante contou a história num programa televisivo e afirmou que era verdadeira mas… 🤔)

Correction Notes

* in Portuguese the equivalent to “you’re it” is “és tu a apanhar”.

** I thought I’d be clever here and use mesoclise because it’s in the conditional tense but it’s a negative statement so you have to use proclise. Don’t know what either of those words mean? Don’t worry, it’s not as complicated as it sounds. It’s just about where the pronoun goes, relative to the verb.

*** One of the weird idiosyncrasies of the language is that the verb “saber” can mean “ter sabor” (see here, definition #9) but it seems to be a bit tricky to use. I tried “sabem nojento” but that was a no.

**** Quite pleased with this. It’s a reference to an idiomatic expression – the first one on this list.

***** It’s always struck me as odd that there isn’t a dedicated word for “stand” in Portuguese, you just have to say ficar/estar de pé (stay/be on foot)

****** Football is the name of the game, not the object so you can’t just say “comprei um futebol”, it has to be a football ball. Uma bola de futebol.

******* I went a bit too literal here and used “tiro” (shot) but no, unless there’s a gun involved, it’s not that.

******** You give three steps (dar), not make three steps (fazer) or take three steps (apanhar)

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Lôá Perdida No Paraíso

Lôá Perdida No Paraíso by Dulce Maria Cardoso

Nem sequer sabia que a Dulce Maria Cardoso tinha escrito um livro infantil mas aqui está! É uma maravilha. Adorei as ilustrações de Vera Tavares e a história em si é divertida, sendo baseada na história do Jardim do Éden, mas com uma grande diferença: há uma deusa (“menina Deus”) em lugar do Deus da Bíblia. A editora, Tinta da China publica sempre livros de alta qualidade e este não é exceção. Tem páginas espessas e uma capa dura. Até cheira bem*.

Lôá Perdida No Paraíso
Lôá Perdida No Paraíso

*=I always get this wrong: it smells well, not smell good. There’s a song by Amália that includes the line “Cheira bem, cheira a Lisboa” so I should probably learn the words to that I guess.

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Uma Corrida

Tenho tentado muitas vezes recentemente correr 10 quilómetros dentro de uma hora, mas em corrida após corrida os meus tempos tenho andado do lado errado da hora. Pois, tenho meio século*. Quiçá não deva estar assim tão chocado com** o meu declínio!
Mas enquanto há vida há esperança. Ontem finalmente atingi o meu objetivo. Depois de passar 5 semanas a treinar e a evitar hidratos de carbono e de ter perdido quatro quilogramas, fiz mais uma corrida num parque, à*”” chuva e cruzei a meta em 57:05. Muuuuiiito mais rápido do que o normal. Fiquei tão orgulhoso. Ainda há vida nestas pernas velhas.

(quando os organizadores deu me o meu número pessoal, foi 666. Que susto! Espero que a minha vitória não seja devida a Satã)

*=Tenho meio século sounds better than tenho um meio século – I have half century = I’m half (a) century old.

**=chocado com is another of those situations where the preposition isn’t what you expect. It’s “shocked with” not “shocked by”

***=and another! At the rain, not in the rain.

I got my clock time about 5 days later and it was even better! Under 56! Hail Satan!
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Lara Martins

I thought I’d published this ages ago but then when I went to look for it I couldn’t find it, so here you go, slightly late. It’s a two-parter. I wrote one text before the concert and a second after. There are notes at the bottom about some of the corrections

Lara Martins at St Paul's Church Covent Garden
Lara Martins at St Paul’s Church Covent Garden

Hoje à noite (à hora de jantar, especificamente*) haverá um concerto da Lara Martins na igreja de São Paulo em Covent Garden. A Lara é uma atriz e cantora que protagonizou a Carlota no espectáculo The Phantom of the Opera (o Fantasma da Ópera) durante muitos anos. Uma vez que sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa cá em Inglaterra posso entrar sem pagar (mas paguei na mesma com uma doação porque os teatros precisam de dinheiro depois da pandemia)
A cantora vai apresentar o seu novo disco, “Canção” no qual ela canta duas músicas de Daniel Bernardes, as Treze Canções de Amor de Camargo Guarnieri (também em português pois é brasileiro) e mais quatro (quatro!!!) em espanhol, escritas por um argentino chamado Astor Piazolla. Vou levar alguns trapos comigo para enfiar nos ouvidos** e tapá-los quando ela cantar noutra língua.

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Fui ver um concerto ontem à noite. Cheguei cedo ao*** centro da cidade e andei à procura de comida. A certa altura****, durante este processo de obter alimentos, perdi o meu livro mas não me apercebi do vazio no meu bolso até mais tarde.
Enquanto um rato ia mordiscando o meu livro perdido num beco qualquer eu cheguei à igreja onde encontrei uma mulher diante da porta. Era a própria Lara Martins!
O concerto foi fixe. Ela cantou com o compositor Daniel Bernardes, entre outros. Fiquei tão feliz por estar num evento público assim com outras pessoas (apesar de sermos poucos e estarmos bem separados!) Foi organizado pela sociedade Anglo-Portuguesa. A voz da Lara***** é incrível, a música bonita, e a igreja/sala de concertos lindíssima.

* =Meh, well it was my dinner time, although the corrections pointed out that Portuguese people tend to eat later, and restaurants open later, so if you arranged to meet “at dinner time” you’d probably miss each other by an hour or two.

**=I wrote “nos meus ouvidos” but you have to say “stick them in the ears” not “stick them in my ears” in Portuguese

***=Another unexpected preposition change: I always want to arrive in the centre of town but in Portuguese you arrive at the centre of town.

****=I wrote “algures” like we might say, in a slightly informal style, when describing a series of events “somewhere in there I lost my book”. I should have known this would be wrong.

*****=I wrote “a sua voz” but of course, the way Portuguese possessive work, it sounded like I was saying “the Anglo Portuguese Society’s voice” because it follows straight after a sentence referring to the organisers. I can’t even fix it by saying “a voz dela” because society is feminine and singular too. Gah! I suppose I really should have got my thoughts in better order, but failing that, I just have to be more specific and say “Lara’s voice”

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Prazer, Camaradas

Quite a long text, this. I split my review up over three days. Thanks to Dani Morgenstern for the corrections. I’ve put quite a few footnotes at the bottom where the mistakes were interesting enough to warrant it.

As you’ll see in the text, I had quite a bit of trouble getting hold of a copy due to the only online supplier, FNAC, refusing to guarantee delivery due to the supply chain mess we have referendummed ourselves into, so if you’re in the UK and interested in this, you might have to wait a while.

Tive oportunidade de ver este filme num festival de cinema português há dois anos mas estava doente. Logo depois, chegou a covid e a estreia do filme foi andou adiada*. Finalmente, quando reabriram as lojas online, havia problemas com as encomendas internacionais nesta ilha parva.
Enfim, depois de tantos obstáculos, a minha sobrinha (que é muito simpática) entregou-me uma cópia** depois de fazer férias na Madeira.
Tenho tantas coisas para dizer! Mas não quero sobrecarregar as professores, portanto irei escrever mais amanhã e provavelmente fico com alguns pormenores até o dia a seguir***!

O filme que mencionei ontem conta a história de um grupo de estrangeiros que chegam a**** Portugal em 1975 para participar na criação de uma melhor sociedade depois da queda do Estado Novo. São marxistas e passam o verão numa quinta cooperativa. Os protagonistas apresentam-se no início do filme. “O meu nome é Mick e tenho 18 anos” diz um idoso de sessenta e tal anos, e os outros também se declaram “jovens” de grande idade. Fiquei curioso, mas acontece que os realizadores tomaram a decisão de usar habitantes da aldeia, agricultores das cooperativas e até uns estrangeiros que realmente fizeram a peregrinação ao centro da ação pós-revolucionária. Portanto, cada pessoa na tela tinha cabelos cinzentos mas protagoniza a um jovem radical e idealista*****. Além disso, utilizam iPhones e não há tentativa nenhuma de recriar o mundo dos anos setenta. É uma ideia gira, com resultados mistos. Mas vou escrever mais amanhã!

A filme tenta esboçar as atitudes dos portugueses e dos estrangeiros e das****** pessoas de diversas gerações em relação ao sexo*******. Naquela época, a Europa estava em plena revolução sexual mas Portugal tinha sido reprimido por um governo conservador e por uma igreja que andava de mãos dadas. Os estrangeiros trabalham nos campos (mesmo que sejam fracas, comparados com os camponeses) e trazem com eles a cultura da igualdade dos géneros e do amor livre.
Às vezes, este contraste entre culturas é iluminador ou até engraçado, sobretudo quando o idealismo dos jovens faz parte do diálogo. Por exemplo, há uma cena em que três estrangeiras aparecem num sonho dum jovem marxista (um jovem com barba grisalha!) Afagam os seus próprios seios ao tentar seduzi-lo.
“Fumo, Pedro, não só em casa mas na rua e no mercado também.”
“Não há melhor método de mudar as relações de produção do que beijar em público e fazer muito amor”.
Infelizmente, há cenas um bocado menos efecazes e até embaraçosas, mas isso não me importa muito. Adorei o filme e fico contente por tê-lo visto.

*adiado (delayed) not atrasado (late)

**I used the word “exemplar” which is the word I usually use for a copy of a book but although not fully wrong, “cópia” was given as a suggested improvement in the context of a film.

*** O dia a seguir (the day to come) not o dia depois (the day after)

****They arrive “a Portugal” not “em Portugal”. A good example of an unexpected preposition change between languages. We would definitely arrive in Portugal, not at it.

*****I started off translating, in my head “each one… Had grey hair but they portrayed…”. But in Portuguese you don’t tend to use the “they”, so this shift from singular to plural in the same sentence doesn’t really work, and my “protagonizavam jovens radicais…” got switched to “protagonizava um jovem radical…”.

****** I keep making this mistake. In English we would say “of the Portuguese and the foreigners but in Portuguese it has to be” of the Portuguese and of the foreigners.

******* it would sound weirdly formal in English but the “em relação” is necessary here.

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Uma Carta de Reclamação

Writing letters of complaint is a popular exam exercise. I’ve pinched a couple of phrases from a C1-level example, highlighted in the text

                    Londres, 5 de Outubro 2021

Assunto: Apagão* do site

Exmo Sr Zuckerberg

Venho por este meio*” apresentar uma reclamação relativa ao assunto em epígrafe***. Ontem, tentei entrar no seu site, Facebook, para ver memes sobre gatinhos mas o site estava em baixo. Ao falhar desta tentativa, dirigi-me ao Instagram mas isto também não deu êxito. Fui forçado a falar com a minha própria família e a ouvir as opiniões da minha esposa e da minha filha sobre o Squid Game.
Fiquei com marcas mentais que provavelmente nunca se curarão.
Devido a esta situação, gostaria de ser ressarcido pelo honorário do meu psicanalista e uma indemnização por danos causados. 2 biliões de dólares deverão ser suficiente.
Sem outro assunto de momento e aguardando uma resposta da vossa parte****
Com os melhores cumprimentos
_________

* “Apagão” “em baixo” are phrases I pinched from recent news articles but I don’t think the terminology is very fixed. The marker changed the latter to “tinha ido abaixo” But I’ve left it as it was since I guess the Jornal de Notícias has its reasons.

**This phrase is something like “I hereby”. Super-formal, obviously.

***This is referring to the title line so only works if you’ve written a subject at the top of the letter

****More formal boilerplate – Not having anything further to say and awaiting a reply in your part.

Zuckerberg reacting to a letter of complaint
The recipient reacts to my complaint letter

My wife tells me people really do write in this sort of formal style. Probably not about cat photos, but still…