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Uma História Familiar

O meu pai emprestou-me um caderno do seu pai, (meu avô, obviamente) que ele escreveu numa máquina de escrever nos anos setenta do século passado. As páginas datilografadas* contêm as suas memórias da vida na Irlanda no início do século XX.

Abri o livro de modo aleatório e deixei os meus olhos cair num parágrafo(1):

[O avô dele] John Rogers tem um nicho no templo da fama por ter, como jovem ministro da Igreja, demitido o ainda mais jovem Patrick Bronte, o pai das autoras, do seu cargo na escola da Igreja em Glascar. O motivo da demissão foi que Patrick tinha estado a prestar atenção a uma rapariga na escola, uma doença profissional de professores novos.

Quem sabe, esta demissão pode ter dirigido os passos do Patrick rumo à Igreja de Ballyreney e daí para a universidade de Cambridge e a Igreja Anglicana e a esposa que daria à luz a Charlotte, a Emily, o Patrick e a Anne. Quem sabe, mesmo?

E eu pensei “🤯” ou, como dizemos em. Inglês “🤯”.

Não estava à espera disso!

*=datilografado is the right word here because we’re talking about a typewriter but I originally wrote “digitadas” because digitar is the generic word for typing letters into devices. Typos are erros de digitação for the same reason.

Typewritten text describing the dismissal of Patrick Bronte
“Paying Attention” eh?

Footnotes – apparently this isn’t some huge bombshell. The incident is mentioned in Patrick Bronte, Father of Genius by Dudley Green. On Page 24 it says Bronte was “caught among the corn stacks kissing one of his older pupils, a red-haired girl called Helen”.

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Anjos – Carlos Silva

Anjos de Carlos Silva

Anjos é um romance de ficção científica, editado pela Editora Divergência. A história tem lugar numa Lisboa futurista, após um segundo terramoto ter derrubado a cidade atual, deixando os planeadores construir uma nova cidade nas ruínas, ainda maior e ainda mais magnífica.

Os protagonistas são os Anjos, guardiões da cidade e donos de um computador incrível chamado YHVH. A história é fixe apesar de ter um enredo desses sobre o qual não se deve questionar demais. Há um sabor de cyberpunk, sobretudo no desenlace mas acho que o autor está o seu melhor nas cenas mais humanas: interações entre personagens, batalhas, caças e tal.

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Relatório DB Novembro

Seguindo o conselho da praptipanda e da dani_morgenstern, já vi a nova edição do Relatório DB com Diogo Batalhadealjubarrota. É muito engraçado.

Diogo Bataguas explains pá
“Fuck off, pá!”

Parece que toda a gente está a falar da rubrica “Tema Mais Grande Do Mês” no qual o apresentador, Diogo Batguano responde ao menosprezo do Trevor Noah. O Trevor tinha feito algumas piadas sobre Portugal, dizendo que o país não produz nada de* interessante além de cães de água. O Senhor Batmimton explicou as vantagens de viver num país com um serviço nacional de saúde e sem metralhadoras por todo o lado. Falou também dos bens exportados pelo país, tais** como cortiça, vinho, cortiça, golos marcado pelo Ronaldo e hum… Já mencionei cortiça?

E fez tudo isso em inglês com legendas portuguesas. Às vezes a divergência entre as legendas e o diálogo tem muita graça. Perto do final, enquanto ele está a explicar o uso da palavra “pá”, as legendas dizem “Vai pentear macacos pá” para traduzir as palavras de uma atriz*** que exclama “Fuck off, pá!”

Os fãs do programa estão a apoiar o seu pedido de “Just Say Pá, Trevor”. Ou seja, se disser “pá” no seu programa, o país absolvê-lo-á

It’s starts at about 12:45 #justsaypátrevor

*=Nada de interessante (“nothing of interesting”) seems a but surprising but there it is!

**=I usually use “tal como” but of course the tal (“such”) is an adjective so needs to change with plurals

***=apparently she’s a comedian and youtuber called Luana do Bem

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Subjunctives

Random witterings based on the subjunctive exercises in the C1 course. Notes below. Thanks to Cataphract for correcting the original

Ainda que tenha tentado muitas vezes entender os tempos verbais mais… Profissionais, digamos assim, deste* idioma, continuo confuso. Já fiz um exercício** hoje de manhã, chumbei (quarenta e dois por cento, que desgraça!) e fiz novamente. Apesar de ter revisto as respostas todas, não conseguiria passar, nem que*** a nota das escolhas múltiplas tivesse aumentado, porque as respostas escritas permaneceram cem por cento erradas (o site não mostra exemplos correctos deste tipo de questão, o que não é muito prestável!).

Decidi deixar o exercício para amanhã. Entretanto, se revir**** as informações sobre os significados, e os graus de probabilidade das várias estruturas (“mesmo que”, “caso” e os outros marcadores que introduzem o modo conjuntivo), talvez fique mais capaz de lidar com este curso do caraças!

*=idioma is one of those Greek derived words that ends in a but is still masculine.

**=for some reason my spellchecker got it into its head that this word was spelled with an s so it kept changing it. Luckily in Android there’s a way of holding down your thumb on a predicted word and telling it never to predict that again, so I’ve done that now.

***=This pair of words, “nem que” comes up a fair bit in this exercise and I hadn’t really been conscious of it before. It means “even if” and its one of those constructions that needs a subjunctive verb.

****=review. I wrote “rever” which os the infinitive but this is a future subjunctive and it looks like the infinitive of a totally different verb!

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Everybody Must Get Sconed

Já alguma vez encontraste uma palavra invulgar que não costumas ouvir/ler e depois a mesma palavra surge numa conversa ou numa revista ou onde quer que seja durante os próximos dias?

Bunfight at the OK Tea Rooms

É só uma coincidência. Ou talvez a palavra seja mais comum do que pensamos mas ficamos mais sensíveis à sua presença por causa desse primeiro momento de atenção.

Recentemente mencionei a apresentação dum livro na embaixada de Portugal na qual a autora leu um parágrafo em voz alta. O parágrafo falava da família dela a comer scones. Isso captou a minha atenção porque não costumo ouvir portugueses a falar destes petiscos ingleses. No dia seguinte, um amigo português publicou uma imagem de scones no seu insta.

Ontem, estava a ler o meu livro (“Anjos” de Carlos Silva) e o capítulo 25 começa assim “Com alguma cerimónia e algum orgulho, o empregado pousou a travessa metálica no centro da mesa. Scones, croissãs, compotas, queijo, fiambre…” hum não quero escrever mais porque isto faz crescer água na boca. Mas ficas com uma ideia não é?
E hoje abri o Twitter e Deparei-me com um tweet de alguém a partilhar a um artigo num jornal que destaca, entre outros pontos turísticos, “o maior scone do mundo” que é servido num café em Sintra.

Há uma espécie de mania dos scones em andamento por lá ou quê?

(It’s referred to as the Baader Meinhof Phenomenon, or Frequency Illusion apparently. Learning lots of new stuff, not just Portuguese, from Dani today. Still though: 4 times in 4 days seems pretty frequent and I can’t believe it was purely illusory.)

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Grumpy Author

Comma

Um comentário num outro texto fez-me lembrar uma citação que achei muito marcante. Um escritor inglês chamado Martin Amis descreveu a experiência de ter submetido o seu livro a um redactor que sabia todas as regras da pontuação mas não entendeu (na opinião do Amis!) o ritmo do seu estilo literário. Espero conseguir traduzi-la fielmente:
“Ele inseriu vírgulas nos espaços onde pertenciam, cada uma um minúsculo corte de papel na minha alma”

My favourite bits of this are “espero conseguir traduzi-la” – I hope to be able to translate it – because it is less stuffy than the awful subjunctive construction I used to begin with, and “cada uma um” – because I originally wrote “each one was a tiny papercut on my soul” but the corrector said o cojld leave out the word “was” and just write it as “each one a tiny papercut on my soul” which is much, much better.

With thanks to Cataphract for the corrections

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Organizar o Discurso

Neste texto, tento usar algumas expressões do curso C1 que ajudam o escritor organizar um discurso. A história (da apresentação) é verdade mas confesso que ainda não li o livro que foi apresentado, portanto é provável que o meu resumo dos conteúdos é errado.

_No que se refere à_ história dos nossos tempos transtornados, já há vários livros editados que descrevem os efeitos da crise, mesmo que estamos ainda em plena pandemia. É interessante ler os opiniões does escritores mas _é de salientar_ a dificuldade de entender, numa maneira nítida, um evento histórico quando estiver a acontecer.

_Pode-se citar a título do exemplo_, um livro chamado “O Diário da Bela Vista” de Clara Mecedo Cabral, que foi apresentado ontem no consulado português em Londres. _Eis um exemplo_ do género, _exemplificando_ alguns dos melhores aspectos dum diário da vida contemporânea _bem como_ a contraste entre a sua vida em Londres e em Lisboa.

O livro foi resumido por um responsável da Junta da Freguesia da Estrela que editou o livro. _Sintetizando_ os seus pensamentos, _conclui-se que_ a freguesia tinha muito orgulho de apresentar este livro que dá tanto luz na história e na geografia daquele território.

Depois, _deu a palavra_ à autora, que falou mais uns minutos. Em breve ela convidou-nos experimentar uma espécie de conhaque regional chamado “Old Nosey” por causa do Duque de Wellington que passou por lá durante a guerra peninsular mas alguém chamou “_se me permites interromper_, posso pedir uma leitura de um ou dois parágrafos?” Na verdade, a apresentação tinha sido tão breve, suponho que ela quisesse ouvir mais. O parágrafo falou de scones (um tipo de petisco inglês) com manteiga portuguesa. Uma conjugação muito adequada à harmonia entre os nossos países!

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Toy Story – Com Diogo Cabeça-de-Batata

No texto de ontem falei do vídeo do Diogo Bataguas/Batuta/Batman/QualquerCoisa*. Mas não mencionei a maior estrela do vídeo, o Toy. Para ser sincero, nunca antes tinha ouvido falar desse senhor, mas andei à procura de vídeos das músicas dele. Parece que é boa música de festa mas não senti me uma grande pulsão* em comprar os seus álbuns.

Mas percebo o génio de contratar um cantor famoso daquele estilo de música para gravar o tema duma rubrica dum programa televisivo.

*=in the original version of yesterday’s text, I got Diogo Bataguas’s name wrong and called him Diogo Batuta.

**=not really the right word. I’m reading a book that has Sigmund Freud as one of its characters and he uses this word – it means an urge, in the psychological sense. It would have been better to say something like “não me senti compelido a comprar…”

Thanks to Dani for the grammar corrections. She’s also given me some factual corrections which I’ll pass along so as not to give the wrong idea:

The video is a web series, not a TV show. Diogo Bataguas is “um moço singelo” (a simple, innocent lad) who asks for contributions from his fans in order to be able to pay his team – namely, Sandro, who is always hungry

Toy doesn’t just sing party songs as I’ve described here, he also does emotional ballads and TV soap opera theme songs but he’s also known for being an interesting personality. He gave away tickets to his wedding to random fans and he… Invented a style of driving with his knees…? Speaking as a cyclist, this doesn’t exactly endear me to the bloke, to be honest, but apart from that he seems OK. One fellow learner told me (s)he had met him in a seafood restaurant in Azeitão and he had spoken warmly and at great length of his love for Canadian audiences. Telling this story later, (s)he found out that virtually everyone who has ever been to any restaurant in Azeitão has had a similar experience because he is “um senhor bastante gregário”.

He wasn’t hired to do the song, (it’s at about 7:55 in the video I linked to yesterday) Bataguas just mentioned he’d like to get Toy to sing it and fan pressure did the rest.

Some examples of his work:

Party music

Ballad

Knee driving

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Diogo Bataguas

Tentei ver um vídeo de Diogo Bataguas há anos mas não entendi patavina. Hoje de manhã experimentei mais uma vez, com o link sugerido pela Dani.

Consegui entender muito mas continuo a não achar engraçado porque ele fala tão rapidamente que os meus ouvidos mal conseguem decifrar as palavras antes de ele começar a a próxima frase e daí a diante, ando atrás da piada à espera de perceber o humor. Mas temos um ditado em inglês “O segredo da grande comédia é…. Hm… Como se diz ‘timing’*? Tempo? (Hm… Piadas tem mais graça quando o sol está a brilhar?) Sincronização? Acho que não. ‘temporização’? ‘cronometragem’? Pois… O meu problema é que, ainda que entenda as palavras, chego ao entendimento um meio segundo depois, e o humor fica estragado pelo atraso.

Tenho o mesmo problema com outros comediantes: Joana Marques (que aparece inesperadamente no vídeo), Salvador Martinha (estrela do primeiro programa português do Netflix, antes do Glória!), Bruno Nogueira e Mariana Cabral, entre outros. É frustrante.

Mas tenho ganas (ah ah, ainda estou a utilizar as frases de anteontem!) de rir com a comédia portuguesa, por isso continuo a experimentar vídeos de vez em quando. Um dia, vou conseguir!

*=There’s a very boring answer to this: they say “timing”. A couple of people pointed me to this Gato Fedorento sketch where a “javardola” (disgusting slob) seems elegant when he uses French words, but part way through he slips into using English words instead and doesn’t realise it. Timing is one of the words he uses.