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As Vergonhas do Império

O penúltimo capítulo do Ser Português de Frei António é dedicado às Vergonhas do Império. Como muitos países europeus, Portugal compartilha na vergonha de ter participado no tráfico global de escravos que já existia em África, e de ter agravado aquele tráfico ao mesmo tempo que espalhava o evangelho cristão pelo mundo. Mas em vez disso, o autor escolheu eventos do passado distante: o abandono de Ceuta pelo infante dom Henrique e a crise de sucessão em 1580, precipitada pela morte dum outro Henrique, Dom Henrique. Pois, entendo, mas acho que, face ao título desta secção, existem eventos mais recentes que têm mais impacto na sociedade nos dias de hoje.

Depois, fala da perseguição dos judeus e, mais recentemente, dos crimes da PIDE e também do alcoolismo, que, na minha opinião, tem pouco a ver com o Império em si, mas concordo que o alcoolismo é uma praga surja onde surgir.

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“Rússia e Europa, Uma Parte do Todo” de José Milhazes: Opinião

José Milhazes: Russia e Europa: uma parte do todo

Here’s a review I did of this non-fiction audiobook. I was surprised at how easy it was to follow. It’s read really clearly and the vocabulary isn’t too bad, so if the topic interests you, I can recommend it. Of course it’s written before the current war in Ukraine so it’s a little out of date, but it is a good primer all the same. You might remember Milhazes in his role as a pundit earlier this year, when he shocked the nation by translating a Russian crowd chant a little too literally.

Estou a ouvir um audiolivro de José Milhazes. O título do livro é “Russia e Europa – uma Parte do Todo”. É uma tentativa de descrever a história daquele país, enfatizando os laços que o ligam aos outros países do continente, para que o vejamos como uma nação com a sua própria história, em vez de o tratar como uma ameaça e mais nada.

Uma grande parte dos conteúdos fala sobre a fricção entre a Rússia e o ocidente (especificamente a EU e os EUA) por causa das invasões dos seus vizinhos, o que não se inscreve* rigorosamente dentro do tópico, mas não faz mal, vale mesmo a pena considerar a perspetiva russa neste conflito, mesmo que não haja desculpa para o que está a acontecer.

*Interesting correction here. I originally wrote it as “o que não é rigorosamente dentro do tópico” but that doesn’t work as a word-for-word translation.

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O Sucesso

Frei António guardou as coisas mais famosas do país para o oitavo capítulo. Nessas dez páginas, o autor esboça as personagens de Vasco da Gama e o seu Homero, Camões. Também esboça as histórias e as delícias do pastel de Belém e o vinho do Porto. Finalmente, descreve duas importações /adaptações do médio-oriente: o azulejo e a caravela.

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Meia Boquice

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON I posted this on reddit a week or so back but somehow didn’t manage to send it to the right sub so it didn’t get corrected. So caveat emptor: it’s probably full of mistakes.

Segundo Frei António, no terceiro capítulo deste livro que estou a ler, um outro aspeto do caráter nacional é que “somos meia boca” ou seja que os portugueses se satisfazem com realizações médias. Não querem falhar mas também não se sentem sob pressão para exceder o normal.

Como exemplos, o autor oferece duas comidas: pão com chouriço, e ovos estrelados com batatas fritas, ambos exemplos de almoços que faltam ambição (Hum… OK…). Também escreve sobre a roupa: homens que usam chinelos fora de casa (“estamos e não estamos calcados”) e mulheres que andam sempre de avental (“passa(m) a ideia de estar(ão) a trabalhar, podendo não estar(em)”)

Mais descabido de tudo, o autor acha que os políticos portugueses querem “ficar no meio do muro, nem para um lado e nem para o outro” (dá como exemplos Adriano Moreira e Freitas do Amaral) Eh pá, em meados do último século, o país passou por décadas de ditadura quase fascista e logo depois parecia em perigo de se tornar ditadura comunista. Ainda nos dias de hoje há partidos da extrema-direita e a extrema-esquerda. Não é comigo, claro, mas tanto quanto sei existem montes de políticos com crenças fortes!

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Individualidade

Florbela Espanca

O sétimo capítulo do livro do Frei António aborda o conceito da individualidade. Mais uma vez, o autor fala desta palavra “manha”, mas de forma mais positiva do que a dos capítulos passados. Escreve sobre a habilidade dos portugueses para se desenrascarem de problemas. Como exemplos desta característica, sugere a poeta Florbela Espanca e, no campo da gastronomia, “comer na gaveta” e “o bolso do português” (ambos truques para esconder comida dos olhos dos outros para não partilhar o que é nosso).

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Brandura

Vamos continuar com esta leitura do “Ser Português”. O próximo capítulo aborda a brandura que, na opinião do autor é mais uma característica do povo português.

Mais uma vez, o autor apresenta exemplos; Dom João III, que foi demasiado brando para se opor à entrada da inquisição no país, e dos otomanos na Europa durante o seu reinado; Mário Soares, cuja popularidade se prendeu com este paradigma* nacional. Bastou-lhe ficar no centro, afastando-se igualmente das duas alas políticas e esse ar brando tornou possível a sua carreira apesar da falta de vontade reformista.

Também aponta a** sesta e a crença no destino como exemplares da brandura dos portugueses, o que faz todo o sentido. O carapau alimado também***. Sinceramente não entendo porque é que cada capítulo usa um prato para ilustrar um aspeto do caráter nacional. Talvez se entendesse, isto seria a chave que desvendaria tudo. Ou talvez não. E nós bretões: Qual será a comida que exemplifica a nossa alma coletiva? O Greg’s Sausage Roll, claro.

*One of those masculine ends-with-a words.

**Aponta doesn’t need a preposition. It means “point out” rather than “point”.

***I neglected to mention the other dish mentioned in the chapter: açorda. Well, it’s true, not much is milder than açorda, which is sometimes translated as bread soup, although it’s more like bread sauce. Is bread sauce even a thing in 2022? My mum still makes it at Christmas but I don’t recall seeing it anywhere else. It’s just mushed up bread with a bit of onion and a few herbs chucked in. Recipes here: açorda vs bread sauce.

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Sensibilidades

Segundo o Frei António, a sensibilidade portuguesa é leve e superficial. “Daí que não haja em Portugal verdadeiros santos e muito menos místicos”. São dados vários exemplos como Fernando Pessoa e Zé do Telhado. Mais uma vez sinto como se me estivesse a passar alguma coisa ao lado: consigo pensar em muitos adjetivos para descrever Fernando Pessoa mas “superficial” não estaria na lista. Também diz que a laranja e o figo são exemplos de alimentos que mostram esta qualidade. O futebol também. E a inveja. Parece um “mad lib” preenchido de palavras aleatórias.

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Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses
Psicopatas Portugueses

Psicopatas Portugueses” é um livro de Joana Amaral Dias. Além de ser um livro e um audiolivro, o texto foi lançado como podcast e foi assim que o ouvi. A capa do livro tem uma foto dum rosto escondido por uma máscara de hóquei, tipo Jason Voorhees dos filmes “Sexta-feira 13” , mas não é um desses romances de terror que descrevem crimes de tal forma bizarros e ultrajantes que existe uma espécie de diversão perversa, entrelaçada com o choque de assassinatos tão assustadores. Em vez disso, trata-se de histórias de “crime verídico” mais quotidianas. Os contos abordam casos de pessoas que matam por causa de ciúmes incontroláveis, ou simplesmente por cobiça por dinheiro. Até há pessoas com doenças mentais (sem ser psicopatia) que matam elementos das suas próprias famílias de modo sórdida e nojenta. Acho que os fãs deste género podem gostar desta obra. Já eu, nem por isso. Achei-o ligeiramente deprimente e fiquei aliviado quando cheguei ao fim.

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Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro

Continuando a minha leitura do “Ser Português” de Frei António (António Lameira) cheguei ao quarto capítulo, cujo título é “Conservadorismo que Irrompe Para O Futuro”. O autor afirma que os portugueses têm um medo, incutido pela Igreja, que os fez conservadores. Mas ao mesmo tempo, têm uma vontade forte de explorar. Em resultado disso, “quando se está fora, sente-se a saudade, mas quando se fica, também se sente a saudade de querer partir”.

Como sempre, o autor fornece vários exemplos destas tendências: Santo António, que perseguiu os albigenses por serem heréticos e Oliveira Salazar que ainda projeta uma sombra sobre o país. Também cita o gosto de bacalhau salgado, a rotina diária e a preferência por sapatos pretos.

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A Manha Mais Uma Vez

Following in from the post from a couple of days ago

Para ilustrar o capítulo sobre a manha (sobre o qual escrevi há dois dias) António Lameira oferece alguns exemplos: o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira por ter ficado calado durante uma época de ditadura e opressão do povo, Aníbal Cavaco Silva, cuja presidência foi, na sua opinião, manchada por corrupção em relação a um banco. (o BPN, presumo?)

Também escreve sobre duas coisas menos polémicas: a alheira e o pastel de bacalhau: a primeira porque foi inventada pelos judeus para enganar os católicos que os queriam os perseguir, e o segundo porque se trata dum método de esticar uma quantidade de bacalhau até que quase não exista. Frequentemente é nada mais do que batata, salsa uma memória de escamas.