Boa tarde e Força Benfica!*
O meu livro preferido é “1984” de George Orwell. A protagonista chama-se Winston Smith, e vive em Inglaterra no futuro. O livro foi escrito em mil novecentos e quarenta e oito. Naquele ano, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro parecia o futuro, apesar de que só tinha quinze anos! É uma “utopia negra” que trata a manipulação da história e do idioma para controlar os cidadãos. Nas páginas dele há muitas frases bem conhecidos por exemplo “Big Brother is Watching You” (“O filho mais velho esta a olhar-te”)
Mas por quê digo-lhe isto? Boa questão.
Hoje, quando estava a falar com a minha professora, ela lembrou-me que os Portugueses usam o relógio de vinte e quatro horas. Por outras palavras, se forem três da tarde, é comum dizer “as quinze”. Agora, em Inglês, isso seria muito estranho. Além disso, é tão estranho que o Orwell utilizou a estranheza como um bom efeito. O livro começa assim:
“It was a bright cold day in April and the clocks were striking thirteen” (quer isto dizer “Estava um dia claro e frio em Abril, e os relógios estavam a tocar as treze”)
Quando um leitor inglês lê isto, os seus pensamentos correm como seguinte:
– Estava um dia claro e frio… [Mm-hm, O clima… bom. É normal. Que mais?]
– em Abril… [a primavera. Que bom. E o que mais?]
– e os relógios estavam [o tempo. O que pode ser mais normal do que o tempo?]
– a tocar as treze [O QUÊ????? Não é possível! Só há doze números num relógio. O que se passou?]
Neste ponto, o leitor deve pegar numa chávena de chá para acalmar-se.
Mas acho que em Portugal, esta frase não parece nada estranha…?
Mais tarde, o leitor descobre que no futuro, muito terá mudado, e uma destas coisas será a medida do tempo.
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*=Para ser honesto, não me importa mas estou a tentar parecer como um português autêntico. Por outro lado, se fosse português estaria a ver o jogo, né? Hum.

Hoje, dois artigos no jornal “Publico” chamaram a minha atenção. Nos dois o objecto é Portugal e a sua lugar em Europa. O primeiro artigo se publicou ontem, no aniversario do “revolução dos cravos”. Este artigo diz que um quinto da população do Portugal têm saudade do “Estado Novo” (o governo de Salazar e, depois dele, Marcelo Caetano, que dominaram o pais entre 1933 e 1974). Surpreendi-me. Não entendo como tanta gente num pais como Portugal podem sentir simpatia por um governo que tinha muitas características do fascismo! O artigo sugere que uma razão importante atrás desta simpatia de autoritarismo está a crise económica. E esta conclusão parece razoável: Nos tempos difíceis, as vezes, algumas pessoas voltam-se aos partidos que oferecem respostas fáceis, mensagens claros e uma imagem de força. Felizmente, a maioria dos Portugueses não concordam. Eles orgulham-se do seu pais e da sua revolução.


Ontem, fui com a minha filha e a sua amiga ao nosso lote. Fizemos preparações para cultivar legumes. Tiramos algumas pequenas plantas que tinham crescido ali e usamos uma ancinho para preparar a terra para as sementes.