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Omã

Ouviu as notícias de Omã? Aparentemente, há quase vinte anos, foi localizado os restos duma nau ao largo duma ilha perto do sultanato. Ninguém sabia o nome dele mas recentemente, o governo pediu a uma empresa britânica para tentar salvá-la. Logo ficou aparente que esta era A Esmeralda – a embarcação de Vasco da Gama, que esteve naufragada no século XVI.

Como sabe, naquele período da História, Portugal era um império muito poderoso. Vasco da Gama era o navegador que navegou cerca do Cabo da Boa Esperança para chegar à Índia em 1498*. Esta realização formou parte da sua grande viagem de 1497-1499. Uns anos mais tarde, em 1502**, a nau voltou a navegar, comandada por Vicente Sodré e foi nesta viagem que o barco se perdeu.

Neste dia de viagens seguras e fácieis, é estranho pensar agora sobre Vicente Sodré, e o seu lugar de descanso, no fundo do mar, quase esquecido pela História. Que corajoso ao desafiar uma viagem em volta do mundo desconhecido numa nau de madeira! É difícil de pensar num acto equivalente hoje em dia. Talvez voar no espaço

*mil quatrocentos e noventa e oito.

**mil quinhentos e dois

Thanks again to Sophia for help with the corrections.

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O Alarde

Esta manhã, como todas as outras, acordei às cinco. Tomei o pequeno-almoço de oito ovos crus e um copo de sumo de laranja. Vesti uns calções, uma t-shirt, meias curtas e sapatilhas de corrida (deixei-as na cadeira a noite passada). Saí do apartamento e corri uma maratona (uma corrida que consiste em quarenta e dois vírgula dois quilómetros). Voltei duas horas mais tarde, espremi o suor da minha t-shirt e comi o segundo pequeno-almoço de mais quatro ovos.

Passei o resto da manhã a fazer flexões com um saco de areia nas minhas costas para fazê-las de forma mais difícil. Depois do almoço (mais onze ovos… e uma uva para os hidratos de carbono) e ler algumas paginas de “Level Up Your Life” de Steve Kamb para a motivação, comecei de fazer os exercícios verdadeiros: halterofilismo. Corri para o ginásio (só fica a vinte quilómetros do meu prédio), levei o haltere maior e ergui-o em cima da minha cabeça com uma mão. Como em todos as tardes, fiquei no ginásio durante cinco horas. Fiz duzentos agachamentos de forma correta, trezentos supinos, mil duzentas e quinze elevações, duas horas a saltar à corda e uma hora de treino intervalado de alta intensidade. Depois disto, bebi um shake de proteínas e fiz os meus alongamentos.
Se tivesse uma fotografia deixaria-a aqui mostrar os meus músculos enormes e barriga definida mas não tenho. Desculpe. Em vez disto, há uma imagem doutro homem que é quase tão forte como eu.

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This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

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Amor de Perdição – Free Download!

Fiquei feliz de encontrar o livro audível de Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, disponível de fazer o download gratuitamente em Librivox ontem. Librivox é um projecto voluntário para narrar vários livros de domínio público e distribui-los na internet. Há também outras obras Portuguesas, incluindo Os Lusiadas mas parecem narradas por Brasileiros, assim evito os seus sotaques pelas razões habituais. Espero ouvir isto cedo!

O Comentário em Librivox diz:

Amor de Perdição é uma das obras mais marcantes de Camilo, um dos mais importantes e proliferos romancistas portugueses. Inspirado nos amores de Romeu e Julieta, Camilo conta-nos a história do amor proibido de seu tio Simão, de intrigas, crimes e desespero. Mas a história relata-nos também o seu próprio sofrimento, já que Camilo a escreve na Cadeia da Relação do Porto, onde está preso por um amor proibido

…or in English…

I was really pleased to come across a free download of the audiobook of Love of Perdition* by  Camilo Castelo Branco on Librivox the other day. Librivox is a voluntary project to record audio versions of public-domain works for distribution via the internet. They have a few other Portuguese works too, including The Lusiads but they seem to be recorded by someone in Brazil so I’m avoiding the accent for the usual reasons. I’m looking forward to this though!

The Librivox blurb says:

Love of Perdition* is one of the most remarkable works of Camilo, one of the most important and prolific Portuguese novelists. Inspired by the loves of Romeo and Juliet, Camilo recounts the history of the forbidden love of his uncle Simão, of the intrigues, crimes and despair. But the story tells us also of his own suffering, because Camilo wrote it in the Cadeia da Relação in Porto, in which he is imprisoned for a forbidden love.

*=I believe it’s known as “Doomed Love” in the standard translation, actually.

Thanks again for Sophia for help correcting the original version of this.

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E se não há casas-de-banho!?!?

Ontem, fui ao “Soho Teatro” no centro de Londres para ver uma comédia chamada “What if there is no toilet?” (“E se não há casas-de-banho?”).
notebook_image_669088É um espectáculo duma comediante australiana que se chama Felicity Ward. Eu sei, parece um tema muito estranho para uma comédia, mas foi muito engraçado, e muito agradável. A Felicity Ward falou da sua vida com Síndrome do Intestino Irritável e a ansiedade de estar longe duma casa-de-banho e precisar de fazer coco ou xixi. No começo do espectáculo,
pude ver no palco uma sanita em vez duma cadeira, e em cada lado do palco, havia uma pirâmide de papel higiénico. A meio do espectáculo, ela abriu a sanita, e fora dela tirou uma garrafa de água, e começou a beber! Mais tarde, quando contou uma história embaraçosa, produziu umas folhas do papel higiénico de dentro da sanita e fez um bigode de papel higiénico para ela mesmo. Se alguns membros da audiência quisessem sair das suas cadeiras para usar a casa-de-banho, ela pediu-lhes fazer um sinal “T” com as suas mãos para indicar as suas intenções. Por isso, eles vieram a ser membros do “Team Toilet” (em inglês, isto é talvez equivalente a “Equipe do Banheiro”)
O que a Felicity Ward acha da vida em Inglaterra? Não pode acreditar como é difícil de procurar uma casa-de-banho pública. “Em Kings Cross, custa 50p para usar a casa-de-banho, mas apercebi-me que há dois pianos, para os viajantes usarem gratuitamente. Fiz xixi num piano”.

Reflections

This was quite a tricky one when I wrote it on iTalki because at least one of the people who helped correct it had underestimated how icky it was. When I said she took toilet paper out of the toilet, I guess it seemed like I meant she put toilet paper into the toilet, which, on the face of it, seems more likely.

In fact, even the translation of “toilet” is a bit tricky. I originally went with “E se não há sanitas!?!?” for the title. Sanita is the actual bit you sit on – the throne, if you like, but I think the feeling was “Casa-De-Banho” (the room the toilet is in) was the salient point. The trouble is, “house of bath” sounds a bit off to me. I dunno. The translators of the Bible had similar problems. In 1 Samuel 24, David goes into a cave to “cover his feet” (squat down for reasons you can imagine, in a way that will make his robes drape down over his feet). Obviously this  phrase means nothing to a modern speaker of english, so various translators of the various versions of the Bible such as “relieve himself”, “make water” or “go to the bathroom”. I love the idea that, in the desert, hundreds of years before Christ, he’s going into a cave, flicking a switch and finding an avocado-coloured bathroom suite, tiles and a bog-brush.

Another contentious word was “cocô” which is the way the Brazilians write “poo”. M’wife tells me it’s “coco” in Europe, although, confusingly that also means “coconut”. I assure you, she wasn’t worried about needing a coconut. Does the orthographic agreement cover poo, I wonder?

I left “Equipe do Banheiro” as it was, as a translation of “Team Toilet”, even though it’s more of a Brazilian way of saying it, The European version suggested was “Equipe da Casa-de-Banho”. The reasons for choosing the Brazilian were (1) it sounds more like a team name and closer to the rhythm of “Team Toilet” and (2) Felicity Ward is Australian so she speaks a hideous, barbarous travesty of English* so why not translate her words in a  hideous, barbarous travesty of Portuguese**?

 

*=joking, obvs***

**=joking again, obvs****

***=I probably shouldn’t over-explain but you know I’ll get hate mail if I don’t lay it out for the benefit of humourless people in Canberra

****= ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto São Paolo.

 

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Por Falta Dum Prego

Tentei traduzir um poema inglês, usando o pretérito imperfeito do conjuntivo… Espero que o efeito não seja demasiado horrível….

Se não houvesse um prego, a ferradura perder-se-ia.

Se a ferradura se perdesse, o cavalo cairia.

Se o cavalo caísse o cavaleiro seria morto.

Se a cavaleiro fosse morto, o exército se renderia

Se o exército se rendesse, o Reino seria arruinado.

Por falta dum prego, o Reino seria arruinado.

Reflections

This is a translation of a poem in English that has quite a few variations but goes something like this:

For want of a nail the shoe was lost,
for want of a shoe the horse was lost,
for want of a horse the knight was lost,
for want of a knight the battle was lost,
for want of a battle the kingdom was lost.
So a kingdom was lost—all for want of a nail.

I only picked it because it seemed like a good excuse to use a lot of subjunctives.

When I originally wrote it I made the silly mistake of simply looking up the word “nail” in the dictionary and simply using the first word (“Unha”) that came up. Thus it was that I published a notebook entry in iTalki that seemed to suggest that the kingdom could be lost because of the lack of a fingernail!

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Felizmente o Leite… (Tradução de “Fortunately the Milk” por Neil Gaiman)

Só há sumo de laranja no frigorífico. Nada mais para pôr nos cereais a menos que ache o ketchup ou a maionese ou mesmo o sumo da salmoura seriam apetitosos nos seus Toastios, mas eu não achei assim, e nem a minha irmã, embora ela comera muitas coisas estranhas na sua vida, tal como cogumelos em chocolate.

“Não há leite” disse a minha irmã.

“Não”, eu disse, olhando atrás da compota no frigorífico. Nenhum mesmo.

A nossa mãe saíra para uma conferência. Estive a apresentar um documento sobre lagartos. Antes de sair, lembrou-nos das coisas importantes que se precisa de fazer quando não estiver presente. O meu pai estava a ler um jornal. Não acho que ele dá muita atenção ao mundo quando lê o seu jornal.

“Ouviste-me?” a mamã perguntou, estava desconfiada. “O que eu disse?”

“Não esquecer de levar as crianças para o treino da orquestra amanhã; há violino na quarta-feira; congelaste jantar para cada noite que estarás ausente e rotulaste-os; a chave extra da casa está com os Nicolsons; o canalizador chega na segunda-feira de manha e não usar a sanita ou puxar o autoclismo até depois da sua visita; alimentar o peixe dourado; amas-nos e regressas na quinta”, disse o meu pai.

Acho que a minha mãe ficou surpresa. “Sim, tudo bem”, ela disse. Deu-nos beijinhos . Então disse “Ó, e estamos quase sem leite. Precisa-se de comprar algum.”

Quando saiu, o meu pai e eu tomámos uma chávena de chá. Ainda há leite.

Descongelámos o Jantar Número Um, mas fizemos uns erros. Por isso, fomos a um restaurante índiano . Antes de ir para a cama, o Papa fez-nos duas canecas de chocolate quente para compensar para O Sentimento da Falta da Mamã

This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version there. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

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O “Brexit”

O Primeiro Ministro do Reino Unido anunciou recentemente a data do referendo para decidir a saída da União Europeia. Para muitos britânicos, esta questão é cheia de emoção. Mas quais emoções? Saudades duma idade do ouro quando a Grã Bretanha tinha grande poder no mundo? Medo dum futuro incerto? Antipatia aos novos vizinhos da Polónia, do Roménia ou mesmo da Síria (chegando dos países perto do Mediterrâneo).
Como muitas vezes, quando ouvia os debates, acho que a realidade perdeu-se nas discussões emocionais. Não temos um Donald Trump Inglês… ainda, mas há um perigo de despertar os aspectos mais feios do nosso carácter nacional.

[Uau – Penso que estou mais optimista do que o normal. Acho que escrever em Português faz-me mais pessimista!]

Fotografia – Boris Johnson. Tem o cabelo do Trump mas não é tão mau como o do Trump

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As Notícias Loucas

A minha professora pediu-me escrever sobre as notícias loucas. Aqui em Inglaterra não há muitas vacas bravas que aterrorizam as nossas aldeias, mas há dois anos atrás, uma coisa muito estranha aconteceu aqui.
No oeste de Londres há um aeroporto chamado Heathrow. Durante os últimos… talvez quinze anos, vários governos tentaram construir uma nova pista neste aeroporto. Os habitantes de Richmond e Hounslow, que moram por perto ficaram com raiva, porque os aviões no céu acima das suas casas são sempre muito barulhentos.
notebook_image_668317Um dia, em Dezembro, um repórter de TV foi para as ruas de Richmond com um microfone e uma câmara. Perguntou às pessoas que faziam compras, o que achavam sobre o novo papel publicado por uma comissão estabelecido pelo governo de David Cameron.
Viu um homem a passar com umas malas e perguntou-lhe “Desculpe senhor, o que acha deste papel?”
De repente, apercebeu-se com quem estava a falar: Henry Winkler, ou “The Fonz” d0 famoso programa americano “Happy Days”. Winkler estava a fazer parte duma pantomina.
O Repórter ficou atrapalhado. Tentou lembrar-se da palavra famosa do Fonz mas não conseguiu. Disse “relaxed” em vez de “cool”. Coitado! Acho que deve ser um situação muito difícil!

This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version there. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

Reflections:

There’s a good example of a “false friend” here. A false friend is a word that looks like an English word, but means something else. In this case, I’ve tried to write “suddenly he realised who he was talking to”, and I originally used the word “realizar”, which is clearly from the same root as “realise” but in Portuguese it only has the sense of “achieve”. You occasionally hear this use of the word in english:

He worked hard and finally realised his ambition  of being the greatest kitten-juggler in Wolverhampton

However, when English speakers it usually means something like “achieved an understanding (of the situation)” which is so specific as to be basically a different meaning entirely. The Brazilians were understandably flummoxed that I seemed to be saying “he achieved who he was talking to”.

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Uma escola nova

Hoje é o dia quando as crianças nesta parte de Londres que têm dez ou onze anos descobrem o nome da escola secundária que vão para o próximo ano. A escolha das escolas é muito importante em Londres. Todas as pessoas estão dispostas a matar, de roubar ou mesmo de subornar para ter os seus filhos numa boa escola*. No Outubro passado, todas as famílias em Richmond com crianças dessa idade fizeram aplicações para cinco escolas e hoje temos o resultado!
A minha filha tem dez anos e esperou ser aceite numa escola que se chama Waldegrave. É uma escola só para raparigas. A minha esposa gostou dela porque as alunas parecem muito contentes e a minha filha gostei dela porque tem um teatro com um chão turquesa. Infelizmente, quando o correio electrónico chegou, as notícias não foram boas. Ela ficou na sua terceira escolha. Mas não faz mal. Ainda é um boa escola e de certeza ela estará muito contente lá. Fica no outro lado do rio. Talvez possa ir de barco para a escola.

*= estou a exagerar, mas não muito.

 

This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

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Every Day vs Everyday

“Every Day” tem uma muito ligeira pausa entre as palavras. Sublinhar a primeira sílaba em “every” e a palavra “day”. Isto significa em português “cada dia”

“Everyday” é uma simples palavra. Sublinhar a primeira silaba somente. Isto significa em português “quotidiano”

(This is an explanation of an English phrase for a Brazilian student of English who asked on iTalki)