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Uma Experiência Inglesa de Quase-Morte

Tento usar o vocabulário sobre o clima/tempo e também praticar expressões idiomáticas.

Quando levantei-me, estava com a pulga atrás de orelha. Alguma coisa estava errada mas não sabia o quê. Tudo parecia normal, mas… ainda sabia que era rés-vés Campo do Ourique*. Vesti-me com cuidado, olhando em volta de mim com olhos de lince. E também com orelhas de coelho. Como gostaria de ter asas dum pássaro. Voaria deste apartamento para morar numa árvore e ser feliz. notebook_image_686272
Onde estava? Ah, sim.
Finalmente, fui à sala de jantar e cozinhei ovos com cogumelos para o meu pequeno almoço Enquanto estou a cozinhar, a minha esposa apanhou-me com a boca na botija, a comer Nutella do frasco com uma colher grande. Tinha de pagar o pato. Enquanto comi, li o jornal “The Guardian”.
O boletim meteorológico disse “O sol vai brilhar todo o dia”.
“Que bom”. pensei, mas ainda tinha o sentimento de receio. Saí do apartamento, vestido em calções, um t-shirt, ténis e óculos de sol. Andei de bicicleta ao longo do rio até ao centro de Londres. O caminho é longo e o dia estava quente. O meu rosto ficou vermelho**. Quando cheguei, o céu tinha mudado. Estava acinzentado. De repente, o ar tornou-se frio e começou a chover. Que horror! Liguei à minha esposa. “Fofinha!”, eu disse, “estou com frio”.
Ela respondeu “Podes tirar o cavalinho da chuva”.
“Mas não há cavalinhos aqui. Andei de bicicleta!”
Por enquanto, chovia a cântaros.
“Vai chatear Camões!” gritou, desligando.

Entrei numa loja para comprar uma chapéu-de-chuva. Quando saí, a temperatura abaixou e estava a nevar. Lembrei-me da minha sensação péssima desta manhã. Tinha feito um erro terrível. Tinha acreditado num boletim meteorológico inglês e agora estava convencido que me aconteceria um morte de coisas horríveis. Foi um osso duro a roer. O granizo batia no meu corpo gelado e as minhas pernas azularam.
Liguei à minha esposa outra vez. “Vou bater as botas, fofinha”, disse eu. “Adeus… Ó… Não faz mal, o sol voltou a brilhar.”
Pus a guarda-chuva no lixo e voltei para casa. Quando estava a meio caminho de lá, começou a relampaguear e a trovejar.

*= This phrase isn’t quite right in this context

**=Originally “avermelhou”

Thanks to Sophia for her Portuguese corrections and Rubens and Belo for their Brazilian ones. Rubens also put me wise to verbs made from colours, of which there are three examples here – avermelhar (to turn red), acinzentar (to turn grey) and azular (to turn blue). They seem to be used more widely in Portuguese than their English language equivalents – redden, blacken, etc. For example, “It’s highlighted in yellow” is just “amarelou” (perfeito pretérito simples de “amarelar”)

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Dois Artigos

This iTaki notebook entry is pretty thin stuff as politics goes but it was a good way of challenging my vocabulary, so…

25abrilHoje, dois artigos no jornal “Publico” chamaram a minha atenção. Nos dois o objecto é Portugal e a sua lugar em Europa. O primeiro artigo se publicou ontem, no aniversario do “revolução dos cravos”. Este artigo diz que um quinto da população do Portugal têm saudade do “Estado Novo” (o governo de Salazar e, depois dele, Marcelo Caetano, que dominaram o pais entre 1933 e 1974). Surpreendi-me. Não entendo como tanta gente num pais como Portugal podem sentir simpatia por um governo que tinha muitas características do fascismo! O artigo sugere que uma razão importante atrás desta simpatia de autoritarismo está a crise económica. E esta conclusão parece razoável: Nos tempos difíceis, as vezes, algumas pessoas voltam-se aos partidos que oferecem respostas fáceis, mensagens claros e uma imagem de força. Felizmente, a maioria dos Portugueses não concordam. Eles orgulham-se do seu pais e da sua revolução.
Entretanto, um outro pais de Europa, nomeadamente Polónia, já há um governo da direita. O partido Lei e Justiça ganhou as eleições de 2015, prometendo as medidas fortes contra a imigração. Eles afirmam que os migrantes muçulmanos do meio-oriente ameaçam o seu modo de viver. (Como se diz em Português “Pffff!”?) De qualquer maneira, alguns dias atrás, um estudante Português do programa “Erasmus*” foi atacado por um homem. Este homem (um militar) chamou-lhe “lixo” e lhe puxou pelo cabelo e pela roupa. O motivo, segundo o artigo, foi racismo. Pode ser que o homem não gostou do seu sotaque, sua pele… não sei.
Este artigo é o mais popular no website de Publico hoje. É um lembrete a todos para que as nações da Europa rejeitaram o fascismo muitos anos atrás. Somos melhores, mais fortes, quando trabalhamos juntos, ajudando uns aos outros.

Os Artigos
Crise leva um quinto dos portugueses a terem saudade dos tempos antes do 25 de Abril
Estudante português terá sido vítima de ataque racista na Polónia

*= Erasmus é um programa do UE para deixar as estudantes aprenderem nos outros países da união.

 

Thanks to Rubens for the corrections.

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O Sistema de Transporte Em Lisboa

Hoje li este artigo no website do jornal Portugues “Publico”
http://p3.publico.pt/actualidade/ambiente/20282/rede-de-metro-alargada-e-seis-mil-novas-bicicletas-nas-cidades

O artigo afirma que tanto Lisboa como Londres vão aumentar o seu sistema de transportes. Especificamente, o governo decidiu alargar as redes do Metropolitano e promover outras formas de transportes, incluindo veículos eléctricos e “car-sharing” (no que os trabalhadores que conduzem até ao local de trabalho dão uma boleia uns aos outros e por isso usam um carro em vez de três ou quatro) para melhorar o ar e reduzir níveis de dióxido de carbono e outros poluentes desagradáveis.
Além disso, a coisa que mais me interessa é onde o artigo menciona a intenção de melhorar as condições para o uso de bicicletas. Como muitas cidades no mundo desenvolvido, Lisboa reconhecer o problema de der demasiados automóveis nas ruas. Esta situação é prejudicial para o ambiente e para a saúde pública, e pode atrasar o crescimento da economia local por causa de impedir do movimento livre dos trabalhadores entre a sua casa e o seu emprego. 350px-Metro_Lisboa_with_suburban_railway_lines

Mas infelizmente, como
mostrado por a experiência em Londres, marcar um novo caminho de bicicleta com tinta azul não basta. Se a gente não nos sentimos seguros para dar uma passeio de bicicleta, não vamos usá-las. É importante fazer caminhos segregados, e considerar o desenho de todo o sistema de transportes na cidade, para criar um ambiente onde todos os utentes da estrada possam viajar em segurança.

Espero que estas medidas deem certo e melhorarem as condições nas cidades mais importantes de Portugal

Thanks Sophia, Rubens and Bruna for helping me with corrections when this appeared on iTalki.

 

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O Prefeito De Londres

No dia cinco de Maio, haverá uma eleição aqui em Londres, para escolher um prefeito novo. Os dois candidatos maiores chamam-se Zac Goldsmith e Sadiq Khan.
Sadiq Khan representa o Labour Party (o partido dos trabalhadores). Se estivesse perfeitamente cândido, não sei muito dele. Hoje o primeiro ministro acusou-o de ser associado ao daesh porque é muçulmano e tem o apoio dum pregador radical muçulmano, mas quando as alegações estavam a ser investigadas, pareciam vazias (obviamente!).
Entretanto, o seu rival, Zac Goldsmith é interessante. É riquíssimo, jovem e um bom falador. Tem um compromisso forte com o ambiente, que o faz estranho no seu partido, o Conservatives (o partido de centro-direita). Muitas pessoas admiram-no, mas nesta eleição, a sua campanha é horrível, divisionista e com um ar de racismo.
As principais questões da eleição são os preços dos imóveis (porque ninguém pode comprar uma casa a menos que tenha um trabalho muito bom) e a infraestrutura do transporte (para evitar engarrafamentos, mortes de ciclistas, e falta de tempo de trabalho).

 

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Uma Quinta Pequenininha Na Cidade – Parte 3

Hoje, voltei outra vez ao lote com a minha filha e a sua amiga. Trouxemos algumas ferramentas (tínhamos ido à loja sexta-feira para comprá-las). Conseguimos plantar as batatas, e fazer algumas outras obras. Enquanto elas puseram as batatas sob a terra, subi um escadote com uma serra e comecei a cortar os ramos das árvores ao lado do lote para deixar a luz chegar às folhas das plantas na terra.
Depois de três horas, bebemos um copo do sumo benemérito, evoltamos a casa.

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Além disso, passamos uma plante do ruibarbo para fora do solo para um balde, onde pode crescer sem problemas. Este é o balde preto na esquina do lote nesta fotografia.

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Uma Quinta Pequenininha Na Cidade – Parte 2

notebook_image_682667Ontem, fui com a minha filha e a sua amiga ao nosso lote. Fizemos preparações para cultivar legumes. Tiramos algumas pequenas plantas que tinham crescido ali e usamos uma ancinho para preparar a terra para as sementes.
Mas quando acabamos de preparar, ficamos desapontados: as batatas que trouxemos estavam podres e havia pequenos insectos brancos a viver nas folhas. Não pudemos plantá-las.

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O Calão Português

This text is about Portuguese slang. I have corrected it using guidance from Sophia and added answers to the questions in quote text after each. Thank you Sophia.

Acho que este caderno é *muito* específico do Português de Portugal. Se és brasileiro, obrigado por ler mas talvez seja melhor deixar que uma pessoa portuguesa corrija. :^)

Estou a ler um livro e um dos capítulos trata do calão português, mas o livro é bastante velho (de mil novecentos e noventa e cinco – todos os preços mencionado nos textos são em escudos!) e por isso suspeito que muitas frases e palavras estejam desactualizadas. Podes dizer-me se estas ainda são usados nas ruas de Lisboa hoje em dia por favor? Não quero aprender algumas coisas se já não são usadas.

Chui = O polícia (“cuidado com os chuis!”)

Actualmente diz-se “Bófia”

Amigo da onça = Um amigo falso (isto tem origem, aparentemente, numa brincadeira brasileira sobre um caçador e o seu amigo que não acreditou nas suas historias)
Cacau (ou pilim, massa, prata, papel, grana, milho, utu, carcanhol, taco, cifrões) = dinheiro (“tem cacau para ir ao bar mais tarde?”)

Grana: usa-se no Brasil

(Dinheiro = Money, guita, papel, massa; prata é usado por exemplo na Colômbia)

Pau = Em 1995, significava “Escudos”. Existe um equivalente para Euros agora?

(continua-se a usar vulgarmente “paus”. Podemos dizer: “Vais dar 80 paus por esse disco rigido?” Também é muito comum os dealers de droga usarem “paus” em vez de falarem em €)

Bater a bota = Morrer (“O meu porquinho da India é tanto velho. Talvez vá bater a bota daqui a pouco”)

(continua a ser usado, tal como muitos outras expressões)

Chavalo/Chavala = Rapaz/Rapariga (“Conheces esta chavala?”)
Estar-se a borrifar para = Não se importar com alguma coisa (O meu sobrinho diz todos os dias sobre Justin Beiber. Estou-me a borrifar para as músicas dele)

(borrifar ou marimbar)

Ya = sim (“Estudas Português?” / “Ya!”)

(continua-se a usar e lemos como os alemães, significa “sim” só que em Alemão escreve-se “ja”. Há quem acrescente um “p” e fica “yap”)

Grosso = bêbedo (“O Senhor Soares, porque é que ameaçou dar-me umas salutares bofetadas?” / “Nao sei, estava grosso”)

(Para alguém bêbado, dizemos apenas “bêbado”, mas se a pessoa está com uma bebedeira podemos dizer que tem uma “piela”)

Porreiro = Agradável (Adoro Paris na primavera. É porreiro, pá!”)

 

I’m also endebted to Kamenko, who sent me a link to this dictionary of Portuguese slang

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Porque é que é difícil comprar livros de escola em segunda-mão em Inglaterra

Em Inglaterra, há muitas livrarias de segunda-mão e muitas “Oxfam shops” (lojas de caridade) que vendem livros muito baratos. Mas quando quis comprar “Portugal, Língua e Cultura”, não o encontrei e tive que pagar muito dinheiro numa loja “online”. Para quê?
Há duas razões. A primeira razão é que não há muitas pessoas em Inglaterra que querem estudar Português. É triste mas verdade. E se alguém quer aprender, não usaria um livro de escola. É mais provável que usasse gravações ou alguma coisa como isso. E a segunda razão é que os livros de escola não são como os romances. Uma pessoa que acaba de ler um romance apenas o lê, mas uma pessoa que acaba de usar livros de escola usufrui-deles*! O livro será com palavras nos espaços vazios! Páginas serão tiradas! O livro será uma ruína!
E por isso, é quase impossível encontrar um livro sem danos e a lei da oferta e da procura causa preços altos.

*= I originally said “destroyed it” rather than “made use of it” but it amounts to the same thing and usufruir is such a good word, cognate with the almost-never-used English word “Usufruct” and giving rise to the idea that the plight of the textbook is akin to the tragedy of the commons.

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Londres

Maybe it’s because I’m writing early in the morning, or maybe just because of the high-falutin’ tone of this writing but I suspect this text is even more error-prone than my usual, and since it’s in reply to someone else’s text it probably won’t get corrected. I quite liked it though because it used a lot of very unfamiliar words, so I’m transferring it here.

Parabéns! Claro que vivendo aqui melhorou as tuas habilidades em inglês. Com certeza, concordei contigo sobre os preços de imóveis no capital. É um problema serio para o eleição do prefeito do Londres em poucas semanas. Se tivesses escolhido uma cidade mais pequena, estaria mais barato, mas já não posso imaginar viver em qualquer outro lugar. Vai se sentir mais em casa depois dum tempo. Londres é uma cidade mais cosmopolita e muito etnicamente diverso agora, com gentes de tudo o mundo (no meu caso, apenas do norte da Inglaterra!) e por isso, em muitos maneiras, há muitos de nós que sintamo-nos estrangeiros, mas depois do tempo, este sentimento comum nos une a todos.

Which I hope means something like…

Well done! Living here has obviously done wonders for your language skills. I definitely agree with you about the price of property in the capital. It is a serious issue for the mayoral election in a few weeks. If you had chosen a smaller town it would have been a lot cheaper, but I can’t imagine living anywhere but here now. You’ll start to feel more at home after a while. London is a very cosmopolitan, ethnically diverse city now, with people from all over the world (in my case, only from the North of England!), so in a sense, there are a lot of us who feel like visitors, but after a while, that shared sense brings us all together.

It’s an answer to a Brazilian’s description of the moving to London.

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Os Feijões: Uma Poema

Eis uma tradução dum poema de William Shakespeare para praticar as minhas orações proporcionais

notebook_image_679298Os Feijões, os feijões
São bons para o coração* 
Quanto mais os comeres
Mais te peidas
Quanto mais te peidares
Melhor te sentes
Portanto vamos comer feijões
Em todas as refeições

Desculpem-me, os meus amigos, mas menti. Não foi escrito por Shakespeare. Eis a verdade, crua e nua:É um poema do pátio da escola, mas “O Cisne de Avon**” teria o escrito se não estivesse ocupado em escrever todas estas peças de teatro!

I’m slightly embarrassed at how many people offered corrections on this and saw me at my worst, telling fart jokes I remembered from 1977, but never mind. Anyway, footnotes:

*=I want this to be “os corações” for the rhyme but tbh, “for the hearts” doesn’t really make sense unless you happen to be a Time Lord, so poetry loses out to biology in this case.

**=”The Swan of Avon”. I have no idea if this phrase means anything at all outside of this little island.

Thanks again to Sophia, Rubens and Beatriz for corrections on iTalki