A Casa No Bosque é parte* dum par de livros escrito por Susana Morais, dona do site “Portuguese Lab”. Este foi escrito para estudantes do nível B2 (intermédio) e o outro é mais básico, de nível A2. Ambos têm áudio e alguns exercícios para estimular a compreensão. É curto (o áudio é quase uma hora), portanto é um conto, não um romance.
Muitas histórias educativas acabam por ser aborrecidas, mas Susana Morais escreve muito bem e a história é engraçada. Contudo, confesso que não prestei atenção o suficiente aos nomes das personagens portanto perdi o fio da meada. Vou ouvir novamente e anotar a nome de cada pessoa à medida que é dita.**
*I tried to day it was “one of a pair” but that’s not a thing, apparently
**And I did and it made a lot more sense in the second pass when I understood why some of the other characters were there. It really is good. I definitely recommend it and the A2 equivalent. I mentioned them in a post a few days back.
Participei em mais uma aula de história ontem. Como sempre, os professores falaram dos eventos mais importantes da história de Portugal, como a reconquista da Península Ibérica por um exército sob a liderança de Karl Marx, a fundação do país por Dom Karl I, a vitória contra os espanhóis na batalha de Aljubarrota, durante a qual um jovem padeiro chamado Karl Marx matou sete castelhanos que se tinham escondido no seu forno, e a primeira viagem de circum-navegação do mundo por Karlão de Marxalhães.
De qualquer maneira, houve uma mulher que dormiu durante a aula inteira,desde o início ao final. Normalmente, os professores pedem aos alunos para silenciar os microfones mas esta senhora deixou o dela ligado. Portanto, de cada vez que ela roncou ou respirou profundamente, o Zoom, achando que ela disse alguma coisa, trocou a imagem do professor para a da senhora adormecida. Eu não conseguia parar de rir.
O Trabalho de Casa de hoje é sobre a religião e a ciência. O primeiro texto centra-se na figura de William Lane Craig. Eu sempre pensei que Craig fosse Americano (Oriundo* dos EUA) mas pelos vistos nasceu na América do Sul, num país onde se fala português. Ouvi um discurso dele em que ele defende que é logicamente impossível Deus criar um mundo sem mal enquanto os seres humanos forem livres. Uma vez que as pessoas tenham a vontade própria, é inevitável a existência do mal. Guerra, assassinatos, pobreza… Mas também fenómenos naturais tais como depressão, cancro, morte de crianças, deficiências mentais. Este gajo não consegue imaginar um mundo sem estas coisas em que nós permanecemos independentes.
Fiquei irritado com tal parvoíce. Para desanuviar**, assisti a um vídeo d’A Charada da Bicharada que é um livro infantil da Alice Vieira, com ilustrações bonitas e um modo de usar palavras que acho encantador. Assim, utilizei a minha vontade para escolher o bem. Espero que Deus tenha reparado nisso e, da próxima vez que ele crie um mundo, deixe os habitantes com os prazeres e sem os sofrimentos. Obrigado.
*I really like this word. It sounds like the name of a fairy queen or something but it just means something like “coming from”, “native to” or “originating in”
**Wow, I’d never come across this word before. The corrector suggested it as an alternative to some bad choice I’d made. It’s like diffuse tension, or unwind.
O meu trabalho de casa de hoje é assistir o documentário Lisboetas de Sérgio Trefaut. Conheces? Ai, que seca. Tem cem minutos de duração. Não há narração nem argumento, só gravações de conversas na rua, numa sala de espera e outros lugares quotidianos.
As personagens falam de escudos e também de euros, portanto acho que as conversas têm lugar na segunda metade dos anos noventa do século passado. Pois bem, mas a situação hoje em dia é muito diferente e não acho que consiga aprender assim tanto destas conversas aborrecidas.
Aguentei durante 15 minutos e depois desisti porque perdi a vontade de viver.
Occasionally people write to me and tell me they’ve found this blog helpful in some way and I’m always really delighted that someone else out there in the darkness is going through the same struggles with grammar and has found something in these pages they can use to help them improve.
This is the first time someone has taken the trouble to tell me how shit my Portuguese is though. Well, that’s not very motivating is it? Oh well, never mind. The text of the day was about vaccine denialism and conspiracy theories, so I’m going to salve my ego by telling myself that she’s probably a tinfoil-hat-wearer and that her urge to fling poop at random language bloggers has more to do with seeing her beliefs challenged than it does with whatever defects she found in the text.
But obviously there’s still a lot to do so I’ll keep working hard and hope not to attract too many more critics! *wipes away tears with pages torn out of Português Atual 3*
O Senhor Carona defende que a confiança na autoridade da ciência está cada vez mais sob ameaça porque quando ouvimos factos desconfortáveis é tentador acreditar em mentiras calmantes. Vemos pessoas que não querem acreditar no aquecimento global, portanto não acreditam. É assim tão fácil. De mesma forma com covid há negacionistas que não querem usar máscara e zangam-se quando outros lhes pedem para a usar em público.
Na opinião dele, o JMT está a apoiar esse tendência por tratar os dois “pontos de vista” – o da ciência e o do negacionismo – como se fossem iguais, ou pelo menos como se fossem concorrentes num debate.
Infelizmente, a opinião do JMT não está disponível a quem não seja assinante do Público, portanto não sei se esta crítica é justa no caso dele, especificamente, mas de forma geral, acho que tem razão. O respeito pela ciência e a “fé cega” nela são muitos vezes visto como sinónimos nas bocas de populistas e chalupas em geral e é isso que a frase “aceitacionista acéfalo” implica. Mas acreditamos na ciência porque é um processo que tem mais sucesso do que a religião ou a adivinhação. Não é uma questão de fé mas sim de respeitar quem saiba mais do que nós próprios.
A maior diferença de opinião que tenho neste assunto é que ele afirma que “A verdade fica para segundo plano, quando a mentira nos conforta” mas na minha humilde opinião, não se trata de conforto. Muitas vezes, as teorias da conspiração são ainda mais perturbadoras do que a realidade. Os governos do mundo, dirigidos por pedófilos e aldrabões, querem silenciar o povo com máscaras e envenenar as nossas crianças com químicos tóxicos? Que pode ser mais assustador do que isso? A psicologia da chalupice é mais complicada do que um desejo de estar confortável.
Here are some short texts with footnotes pointing out some of the gotchas.
Aprendizagem de Uma Croma*
Estou a ensinar a minha filha a escrever código python. Leva sempre** três vezes mais tempo do que é necessário porque lhe falta a confiança*** e de cada vez que experimentamos uma coisa nova ela começa com “Ó pai, não consiiiigo, não é posííível” e por aí a diante até que ela olha novamente e repara na solução.
Hoje, programámos o “jogo da velha****” e durante os férias*****, vamos fazer um jogo antigo tipo arcade, chamado Snake (“Cobra”). Valha-me Deus! Irei precisar de tanta paciência.
Not that kind of python
*=Cromo/a means nerd
**=Leva sempre not sempre leva. “It takes always…” not “It always takes…”
***=I always find the construction of this kind of sentence difficult because it’s so far from English. We’d say “she lacks confidence” but in Portuguese it’s more like “confidence is lacking to her”
****=noughts and crosses /tic tac toe
*****=There are different words for holiday and they have different meanings so it’s worth taking time to pick the right one. Férias =time off work, so it’s the correct word here because I’m talking about the couple of weeks off school. There’s also “Feriado” which is a statutory holiday such as Christmas day itself, New Year etc. And finally there’s “Festas” which is more like a party ora celebration but “Boas Festas” os the nearest Portuguese equivalent to the American “Happy Holidays”
Um Caminho Longo
Ontem, dei uma voltinha daqui ao outro lado da cidade. O meu percurso seguiu as curvas do Rio Tamisa desde Richmond (ao oeste) até à* barreira contra inundações (ao leste) o meu plano era fazer a viagem de ida e volta que teria sido 50 milhas, mas depois de chegar à meta, estava com bolhas nos pés e as minhas pernas estavam rígidas e sem vida. Manquei mais cinco milhas mas não me senti capaz de regressar, portanto virei para a estação e fui de comboio para casa.
*=The “from” and “to” is interesting since the words used are “desde” (which is also used to mean “since”) and até (which usually means “until”). On top of that, it’s not just “até” but “até a/à” – until to (the) barrier.
I also learned a new word “entrevado” which describes the state I was in when my legs had ceased working: crippled.
The Coliniad
A Festa de Natal
Eu e o meu irmão falámos com o nosso pai ontem. Ele disse que não culpa o governo pelas festas de natal do ano passado, uma das quais teve lugar no apartamento do primeiro ministro e outras nos escritórios dos funcionários quando o mundo estava em plena crise.
Nós ficámos espantados. Posso perdoar muito na resposta à pandemia que apanhou muitos países de surpresa, mas isso vai alem* do que é aceitável na minha opinião. Traíram a nossa confiança.
*This was suggested as an improvement to my “é fora” – it’s outside of what’s acceptable. Instead, it says it goes beyond what’s acceptable.
O meu pai emprestou-me um caderno do seu pai, (meu avô, obviamente) que ele escreveu numa máquina de escrever nos anos setenta do século passado. As páginas datilografadas* contêm as suas memórias da vida na Irlanda no início do século XX.
Abri o livro de modo aleatório e deixei os meus olhos cair num parágrafo(1):
[O avô dele] John Rogers tem um nicho no templo da fama por ter, como jovem ministro da Igreja, demitido o ainda mais jovem Patrick Bronte, o pai das autoras, do seu cargo na escola da Igreja em Glascar. O motivo da demissão foi que Patrick tinha estado a prestar atenção a uma rapariga na escola, uma doença profissional de professores novos.
Quem sabe, esta demissão pode ter dirigido os passos do Patrick rumo à Igreja de Ballyreney e daí para a universidade de Cambridge e a Igreja Anglicana e a esposa que daria à luz a Charlotte, a Emily, o Patrick e a Anne. Quem sabe, mesmo?
E eu pensei “🤯” ou, como dizemos em. Inglês “🤯”.
Não estava à espera disso!
*=datilografado is the right word here because we’re talking about a typewriter but I originally wrote “digitadas” because digitar is the generic word for typing letters into devices. Typos are erros de digitação for the same reason.
“Paying Attention” eh?
Footnotes – apparently this isn’t some huge bombshell. The incident is mentioned in Patrick Bronte, Father of Genius by Dudley Green. On Page 24 it says Bronte was “caught among the corn stacks kissing one of his older pupils, a red-haired girl called Helen”.
Anjos é um romance de ficção científica, editado pela Editora Divergência. A história tem lugar numa Lisboa futurista, após um segundo terramoto ter derrubado a cidade atual, deixando os planeadores construir uma nova cidade nas ruínas, ainda maior e ainda mais magnífica.
Os protagonistas são os Anjos, guardiões da cidade e donos de um computador incrível chamado YHVH. A história é fixe apesar de ter um enredo desses sobre o qual não se deve questionar demais. Há um sabor de cyberpunk, sobretudo no desenlace mas acho que o autor está o seu melhor nas cenas mais humanas: interações entre personagens, batalhas, caças e tal.
Seguindo o conselho da praptipanda e da dani_morgenstern, já vi a nova edição do Relatório DB com Diogo Batalhadealjubarrota. É muito engraçado.
“Fuck off, pá!”
Parece que toda a gente está a falar da rubrica “Tema Mais Grande Do Mês” no qual o apresentador, Diogo Batguano responde ao menosprezo do Trevor Noah. O Trevor tinha feito algumas piadas sobre Portugal, dizendo que o país não produz nada de* interessante além de cães de água. O Senhor Batmimton explicou as vantagens de viver num país com um serviço nacional de saúde e sem metralhadoras por todo o lado. Falou também dos bens exportados pelo país, tais** como cortiça, vinho, cortiça, golos marcado pelo Ronaldo e hum… Já mencionei cortiça?
E fez tudo isso em inglês com legendas portuguesas. Às vezes a divergência entre as legendas e o diálogo tem muita graça. Perto do final, enquanto ele está a explicar o uso da palavra “pá”, as legendas dizem “Vai pentear macacos pá” para traduzir as palavras de uma atriz*** que exclama “Fuck off, pá!”
Os fãs do programa estão a apoiar o seu pedido de “Just Say Pá, Trevor”. Ou seja, se disser “pá” no seu programa, o país absolvê-lo-á
It’s starts at about 12:45 #justsaypátrevor
*=Nada de interessante (“nothing of interesting”) seems a but surprising but there it is!
**=I usually use “tal como” but of course the tal (“such”) is an adjective so needs to change with plurals
***=apparently she’s a comedian and youtuber called Luana do Bem