Posted in Portuguese

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado

32734503.jpg“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” é um livro infantil, escrito por Jorge Amado, um brasileiro, com ilustrações de um outro brasileiro – Carybé. Conta uma “história dentro duma história”. A Manhã conta ao Tempo uma história sobre os dois animais para ganhar uma rosa azul e “fazer menos pesada a eternidade”. A história trata-se num parque onde um gato malhado aterroriza todos os animais com exceção duma andorinha. Apaixona-se por este pássaro mas é “o amor que não ousa miar o seu nome”, digamos assim, porque um gato não pode casar-se com uma andorinha, nem sequer num livro infantil. Os capítulos são estações do ano, com divagações do autor nos vazios entre capítulos.

As ilustrações são encantadoras e fazem-me lembrar “O Principezinho”. Na ultima página até há um desenho duma cobra a devorar um mamífero dalgum tipo, que é obviamente reminiscente da imagem mais conhecida daquele livro.

Apesar de ser um livro infantil, há muito vocabulário desconhecido. Não sei se isso é porque é velho, mas “O Banqueiro Anarquista” é ainda mais velho, mas achei-o mais fácil. Talvez seja por causa do país de origem… Enfim, o livro é giro apesar do facto que precisei dum dicionário ao pé de mim.


Thanks are due to H Lewis (not, I assume, the editor of the New Statesman) who corrected this. It was corrected very Brazilianly so I have had to decide which changes to retain and which not. I hope the result is more-or-less correct.

Posted in Portuguese

O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

26621640

O Banqueiro Anarquista é um conto escrito pelo famoso poeta Fernando Pessoa. Faz parte duma coleção (também chamada “O Banqueiro Anarquista”) publicada pela* Relógio d’Água.

O conto trata-se da vida dum homem rico, burguês que afirma que, ao contrário do que a gente pode achar, é um anarquista, e não simplesmente um anarquista teórico, mas um anarquista a sério que aplica a teoria à sua própria vida. Aqueles gajos que atiram bombas são meros amadores comparados com o banqueiro. Sentado num restaurante, o banqueiro conta ao seu amigo como é que as reviravoltas do seu raciocínio o levaram ao seu actual modo de viver. É um bom exemplo de como uma pessoa se pode enganar, por sofisma e acaba por adoptar um modo de viver ao contrário às suas crenças mais fortes por um método aparentemente puro e rigoroso. É muito engraçado.

Acho que o livro se lê bastante bem. Como um novato da língua portuguesa, fiquei preocupado por começar um livro escrito por um dos gigantes de literatura portuguesa, mas há muitos palavras de política e economia que tornam tudo mais fácil porque são muito parecidas com os cognatos ingleses.

*=I would have gone for “pelo” because Relógio is masculine but it’s the name of a publisher (a editora) so it’s feminine.

Posted in English

Two Become One

Here’s an interesting thing I noticed yesterday: it’s pretty commonplace in portuguese to use collective nouns like “a gente” and “a família” as purely singular and not really acknowledge that the unit is made up of several people. This happens in english too but the portuguese are more strict. For example, we’d usually say “my family is coming to dinner” but not “the people is angry” because people is plural, whereas gente isnt. Yesterday I came across this sentence

Tanto nós como o casal nosso amigo, não estamos interessados em viagens muitas horas”

The highlighted bit means “our friend the couple”. In other words, the married couples is treated as a unit to the extent that it is “our friend” rather than the two individuals being “our friends”.

Posted in Portuguese

Licença Para Protagonizar

Havia uma questão bastante polémica nas redes sociais na semana passada; um boato de que o realizador dos filmes de James Bond pensa em escolher Idris Elba para protagonizar o espião no próximo episódio. Ele seria o primeiro actor negro neste papel caso isso aconteça.

UntitledOra bem, para os fãs dos livros (e para racistas também, obviamente!) isto pode ser um problema. Leitores frequentemente se queixam que realizadores de filmes não usam fidelidade o suficiente quando adaptam livros para o cinema. Há excepções, claro: de vez em quando, um realizador escolhe um elenco muito diferente para sublinhar um aspecto do enredo (por exemplo, um Othello Branco numa cidade de mouros, ou um Hamlet feminino). Noutros casos, realizadores fazem filmes baseados em livros estrangeiros e adaptam-nos para usar actores da sua própria nacionalidade para evitar a necessidade de usar legendas. Nenhum destas situações descreve o situação com James Bond.

Mas há uma problema para quem quiser se opor qualquer actor que não cabe no modelo de Ian Fleming: de acordo com os livros, Bond é branco sim, mas também é velho o suficiente para ter lutado na segunda guerra mundial. Se se importa com o personagem original, deve perceber que o Elba é velho demais para protagonizá-lo, mas é mesmo assim para qualquer outro candidato!

Na minha opinião, existem duas opções: um é aceitar o facto de que Bond deixou de ser um personagem literário. Tornou-se uma “marca”, tal como o Doctor Who que pode (por causa de ser um alienígena!) assumir qualquer rosto, nacionalidade ou sotaque. O segundo é deixar James Bond reformar-se. Ele é um guerreiro antigo de uma época passada. Hoje em dia, precisamos de novos heróis!

Posted in English

More About Consulates

I thought I’d add a quick blog post in english to follow up the text I’ve just written in portuguese, for the benefit of anyone who might be going to the portuguese consulate to conduct any sort of business, but especially for anyone who needs to register their marriage and change the name on their ID Card, maybe in preparation for applying for citizenship or applying for a passport. I guess in the age of Brexit there will be a lot of people having to brave the bureaucracy. Sigh.

portuguese-passport-big

First of all, you can only make bookings online on the consulate website and they come available at stupid o’clock at night, so you’ll need to plan this well in advance.

Second, the list of necessary documents the consulate supplies isn’t entirely complete, as I’ve mentioned in my test. For a start, if you’re like us, wanting to register a marriage, you’ll need your other half. In other words, a portuguese woman can’t go along, prove she is married and get her name change processed, she has to bring her estrangeiro husband along and have him sign some stuff at the same time. On top of that, the husband’s birth certificate and the marriage certificate both have to have been issued within the last 6 months. If you have the originals, sorry, but those won’t do, you have to have them reissued. You can do this online without too much effort and at a reasonable cost, and it only takes a few days to arrive, although if, like me, you need to ask for three extra copies because the appointment keeps being rescheduled, you might come under suspicion of identity fraud!

And third, prepare for a slightly tedious day. Although both parents need to be there, it’s best not to bring a child if you can avoid it. In our case, the funcionario got a bit arsey when our thirteen-year-old came, and there aren’t many children with the patience to stick it out for three or four hours in a mouldy building with an all-pervading air of bureaucratic intransigence. What I said in the text is not an exaggeration: we were talking to the manager of the office and staff did keep ambling in without knocking and asking her basically the same question. Their system was down and nobody quite knew what to do about it. They wanted to cancel our appointment and make us come back again but m’wife wasn’t going to put up with that nonsense. There really was a 2014 calendar on the wall and she actually discussed the cases & personal situations of 4 other cases just as chit-chat while we were sitting right in front of her. There were boxes everywhere and the general atmosphere was of complete chaos. It’s no wonder the consulate in London has such a terrible reputation among portuguese emigrants.

I’m not one of nature’s managers, but I could definitely imagine a few changes someone could make to make the whole thing easier for everyone. For a start, just fixing the website to show the correct details of what to bring would save hours a week dealing with wasted appointments of people who don’t have the right things with them. That would make life easier both for the staff and for the vistors. A few signposts, a bit of training in procedures, some customer focus, a few hours spent putting the boxes away in a cupboard… it honestly wouldn’t take much to turn things around and make it work better for everyone.

Posted in Portuguese

O Segundo Casamento

A minha esposa e eu renovámos o nosso casamento nesta semana. Não foi pela nossa escolha. Casámos há mais de dezesseis anos mas ela nunca mudou o nome nos seus documentos. Quando viajamos, passamos por fronteiras com o seu cartão de identidade com o seu nome de solteira. Mais recentemente, tentámos 3 vezes fazer a mudança mas não conseguimos. Há instruções no site do consulado para quem quer fazê-lo mas são incompletas. Então, desperdiçámos muito tempo em agendamentos que falharam por razões de ordem técnica.
Mas nesta vez, chegámos no consulado com todos os documentos necessários, preenchemos os formulários, esperemos durante duas horas enquanto vários funcionários entravam, sem bater à porta, e fizeram a mesma pergunta ao seu chefe. Fitámos ao calendário de 2014 e as pilhas de caixas por todo o lado com paciência. Eu falei português bem.
Enfim, se deu em sucesso e agora estamos casados em Portugal além do Reino Unido.

Posted in Portuguese

O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças

11732049“O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças” é o quarto livro que já li de Afonso Cruz. Até agora, é a mais difícil de todas as suas obras para mim, um aluno da língua portuguesa, mas ainda é bastante fácil. A história começa no Império Austro-Húngaro ao final do século XIX e continua pela primeira guerra mundial até a segunda. Pelo caminho, o protagonista, Jozef Sors (baseado em Ivan Sors, o avô do autor) serve o seu país na primeira guerra, posto num balão, apaixona-se, enche muitos cadernos de desenhos, sobretudo de olhos, viajam para os estados unidos e perde os seus pais.

Há muitos capítulos curtos e muitos tratam-se dum discurso sobre uma questão filosófica. O autor brinca com ideias da mesma maneira que no seu livro infantil “A Contradição Humana”, mas de forma mais desenvolvida. O livro também me lembra do audiobook que acabei de ouvir hoje: “Night Train to Lisbon” porque ambos contam histórias de homens da Europa central que chegam em Portugal. O escritor do último leva-o muito mais a sério. Em ‘O Pintor Debaixo do Lava-Loiças’ existe absurdidade, piadas e até desenhos. Infelizmente, cada um é um duplo imagem por causa da baixa qualidade do papel: o leitor pode vê-las no verso do papel também.

Enfim, gostei de ler o livro, mas o final deixou-me insatisfeito porque senti que a história ficou inacabada.

Posted in English

Cash

Words and phrases related to money

Estar teso / Ficar liso = to be skint

Bagatela = a bargain

Puxar os cordões à bolsa = control spending [“pull the purse strings”]

Abrir os cordões à bolsa = foot the bill

Massa/nota/pastel/guito = money

Cheio de nota = loaded with cash

Pipa de massa = a moneybags

Caloteiro = deadbeat – someone who doesn’t pay what they owe

Ao preço de a chuva = very cheap [“at the price of rain”]

Custar os olhos na cara = cost an arm and a leg [“cost the eyes in your head”]

Levar fiado = buy on credit

 

 

 

Posted in English

Transatlantic Witterings

images

I’m going to use this post as a notepad for brazilian language notes.

Abbreviations

I’ve been having skype language exchanges with a brazilian PE teacher who lives in Portugal, and that’s not too bad because he knows the euopean dialect, but I’ve also joined a sort of online gaming board made up of some brazilian dudes who talk in abbreviations, and that’s like being buffeted about inside a washing-machine full of abbreviations.

vdd=verdade
tva=estava
cmg=comigo
vlw=valeu (“thanks”)
ñ=não

One that flummoxed me was “blz” which, from the context I thought was a borrowed “please” (they use borrowed americanisms like “man” a lot so this is not as mad as it sounds) but it’s actually “beleza” which is a regional way of saying “ok” or “understand?” You reply with “beleza” if you get it and “não entendi” if not.

Galera

Galera seems to be used in more or less the same way as the portuguese “malta” in my group but I think it’s more like “team”

PQP

Means “Puta que pariu” literally ‘bitch that gave birth’ but less literally just a general all-purpose swear. Linguee translates it as “fucking hell”

Posted in Portuguese

O Retorno (Dulce Maria Cardoso)

12971382

Trata-se da história sobre os últimos dias da colónia portuguesa em Angola. Vemos a história pelos olhos dum adolescente. Logo no inicio da historia, a sua família está em casa em Angola, preparando para viajar a Portugal, mas há uma problema e o pai é detido pelas novas autoridades. O rapaz, a irmã e a mãe continuam a viagem para a nova vida na Europa.

Fiquei muito impressionado pelo segundo capítulo. É escrito como um discurso da directora dum hotel em que a família de retornados fica quando chega à “metrópole”. Não há nenhum parágrafo nenhuns, só um bloco de texto ininterrupto, que mostra como é que a directora fala com os hóspedes: rapidamente e sem escutar. Ela tem muito orgulho das cinco estrelas que tem o seu estabelecimento. Consola-os por método de descrever o azar das coitadas de famílias que também voltaram de África e se encontraram sem abrigo ou numa alojamento sujo ou dilapidado. Comparada com estas pessoas a família tem muita sorte! É um bom resumo para leitores tal como eu que tem pouco conhecimento sobre a situação dos retornados daquela época. Entrelaçado com a sua lista de desgraças, a directora explica as regras do hotel e repete as mais importantes muitas vezes. Através do discurso, revela-se que a directora é uma pessoa muito controladora. Pois claro, ela ajuda essa família e outras por disponibilizar o hotel, mas também não confia em todos os hospedes. O seu hotel não parece muito acolhedor, apesar das estrelas. O capítulo estabelece, brevemente e nitidamente, o contexto da história e o carácter da directora perfeitamente!

O resto da historia descreve a sua vida em Portugal, à espera do pai, com receio do pior, tentando estabelecer-se num país desconhecido, em que tudo está em fluxo e “os de cá!” têm preconceito contra “os de lá”. Às vezes, é tocante, às vezes engraçado. mas sobretudo, tive uma impressão muito forte do caos da época, pós-revolucionário, em que a república estava a tentar estabelecer uma nova ordem e simultaneamente a procurar abrigos para as ondas de retornados.

Thanks very much to Joyce for helping with the corrections. Joyce is Brazilian and I’m not 100% sure I correctly interpreted all the changes since some were typical grammatical differences (dropping definite articles before determinates, and not merging em and um to make num) and some spelling differences (which should be corrected by the AO but I am being difficult)