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Mulheres (Carol Rossetti)

Carol Rossetti é uma artista brasileira. És bem conhecida nas redes sociais por a sua série de ilustrações afirmativas no tema da diversidade de mulheres do mundo. Desenhou mulheres brancas e negras, velhas e jovens, heterossexuais e lésbicas, com diversos tamanhos, profissões e opiniões. Cada mulher tem a sua própria página com ilustração bem colorida e uma legenda que explica a sua vida. De forma geral, cada uma encontra-se sob os olhos de pessoas que desaprovam o seu modo de viver, e a autora oferece uma mensagem de apoio a cada uma delas para afirmar os seus direitos e aumentar a sua auto-estima.

Confesso que as vezes eu também torci o meu nariz. Mas o propósito do livro é muito simples: quer aprove quer não, não é da conta de qualquer outra pessoa o que é que uma mulher faz na sua própria vida.

O projeto é uma boa ideia, mas funciona melhor como imagens individuais no Internet. Juntos num livro, tanta positividade pode tornar-se chata. Depois de vinte eu iria querer viver numa ilha longe de pessoas que exigem tanto respeito.

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A Vida Nas Palavras de Inês Tavares (Alice Vieira)

6585700Adoro este livro, embora seja infantil. É o segundo livro desta autora que já li, mas não acho que será o último!

A história é contada numa série de entradas num diário por uma rapariga de treze anos. A protagonista, Inês, não escreve no seu diário diariamente, portanto só há 19 capítulos que se estendem de Janeiro até ao Natal do mesmo ano. É muito engraçado, e há parágrafos que me fizeram soltar uma gargalhada. Também há parágrafos que não entendo completamente. Um deles tem a ver com castanhas assadas. Acho que é algo inapropriado, mas apesar de ter ouvido uma explicação da minha mulher ainda não tenho cem por cento de certeza. Os mistérios duma língua desconhecida!

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A Pior Banda do Mundo

22711886Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, isso é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro… mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçada, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.

Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #4

No quarto capítulo do seu livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa”, Marco Neves lista as dez línguas de Portugal (Dez? Sim. dez, embora algumas sejam faladas só..hum… em Espanha) e faz uma tentativa de responder à pergunta “há línguas piores do que outras?” Aprendi muito com esta primeira secção. Como o autor diz, as dez “nem sequer inclu[em] o inglês algarvio”, e não fazia ideia que havia tantos idiomas no país. Quanto à segunda parte… hum… considero que a sua explicação do mecanismo que torna as línguas mais ou menos complicadas não seja completamente convincente. Pois, claro, como estrangeiro, estou a tornar a língua mais simples pelo método de fazer tantos erros (querido leitor, imploro-te não impeça este processo por corrigindo-os!) mas quando tento imaginar um processo que possa tornar o inglês mais complicado, não consigo. Será que alguém introduziria uma sistema de géneros arbitrários se não invadíssemos um outro país nos próximos séculos? Acho que não.

Mas, diga-se o que se disser, devo admitir que não tenho a sua formação em línguas e é mais do que possível que esteja enganado, e como sempre, tenho muito interesse no assunto, e opiniões polémicas são sempre bem vindas, embora nem sempre concorde!

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Se, Se, Se What You Want, But Don’t Play Games With Conjugation

I’ve been reading “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” with a particular eye to reflexive verbs and verbs with impersonal pronouns, following on from discussions I’ve been having with a portuguese teacher resident in britain, about some of the more complicated aspects of the language that I’m not able adequately to describe to my usual portuguese teacher owing to my inability to express the question in portuguese! The specific point of grammar is the one described in a blog post a few months back.

Anyway, here are some examples that jumped out at me during chapter:

Diga-se o que se disser, a verdade é que os portugueses desprezam activamente tal parente, que, coitado, não merece tal sorte. [2x subjunctive tenses in the passove voices – bringing the grammatical thunder: means something like “whatever might be said, it’s true that the portuguese don’t really care about such a parent that hasn’t deserved such a fate”]

Ora a identidade vai alimentar-se daquilo que distingue os vários povos uns dos outros [True reflexive verb ir+inf: means something like “Now, identity will always feed on that which distinguishes groups of people from one another”]

Que se fale galego na Galiza e espanhol no mundo que isso do português não pode interessar a espanhol que se preze. [2x passive voice present subjunctive: means something like “because galician is spoken in galicia and spanish in the world, the question of portuguese isn’t interesting to a spanard who knows his own worth” but I’m not sure – in fact I’m not even sure I didn’t make a transcription error when I wrote it down!]

…o facto de o Brasil se ter mantido como território unido… [manter used reflexively: means something like “…the fact of brazil having stayed as a united territory…”]

Muitas pessoas que se divertem a apontar os erros dos outros estão a proteger uma ideia de pureza associada a ideia de língua nacional, que deve ser protegida como se dum cristal se tratasse. [two reflexive verbs – one presente indicative, the other imperfect subjunctive: Means something like “many people who amuse themselves pointing out other people’s errors are protecting a notion of purity linked to the idea of a national language which must be protected as if it were a crystal”]

Os exemplos acumulam-se [reflexive: means “the examples accumulate”]

Se olharmos para a lista das dez línguas de Portugal que acabámos de ver, apercebemo-nos de uma grande diferença entre as primeiras e as últimas. [aperceber-se is a reflexive verb that means “notice”so…: Means something like  “If we look at the list of the ten languages of Portugal, we notice a big difference between the first and last”]

 

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #3

O terceiro capítulo do meu livro é o meu favorito até agora. É um discurso sobre línguas e as suas ligações aos conceitos de identidade nacional e fraternidade entre países. Faz referência  ao “imperialismo linguístico” de Vladimir Putin e as tácticas de ditadores de todas as épocas, em que a língua nativa do povo subjugado se esconde, ou ainda melhor se elimina da escola e da praça pública para que possam arrasar o espírito das pessoas. Também se trata da topografia das línguas que surgiram da raiz latina na Europa, evoluíram por percursos diferentes, e escolheram as suas próprias ortografias. O alvo do autor, digamos assim, é o Acordo Ortográfico, que tem o objectivo de apagar as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu (ou seja entre as formas escritas), de maneira a apagarem pequenas diferenças que uma grande parte do povo do país mais pequeno considera muito importante para a sua auto-estima. Portanto, tem-se encontrado uma resistência teimosa por pessoas que se sentem ameaçadas por uma cultura mais poderosa.

O capítulo é muito interessante e alimenta mesmo a reflexão. Além disso*, é escrito num estilo muito nítido. Apesar da complexidade do assunto, até um estudante de Português, tal como eu, poderá entender.

Thanks to Sofia and Carla for the corrections

*=I wrote “ainda por cima” which means the same kind of thing but it’s more negative. This bad thing happened and ainda por cima this even worse thing happened as opposed to “além disso”: I baked a cake and além diddo I made biscuits too

 

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Time for a Change of Strategy

I’ve been having a bit of a rethink lately. I’m not making the progress I should, really. I did what I sometimes do: listened to some language-learning podcasts, namely The Fluent Show with Kerstin Cable.

I think the main things I need to do are:

  • Pay more attention to start times (I have drifted into a habit of starting late)
  • Warm up properly (starting a lesson directly from work or from some other aactivity is never healpful. My brain has to already be in Portuguese mode)
  • Ask my teacher to be more interrupty. In general, I don’t like to be interrupted too much because it disrupts my flow, but have a feeling I am maybe being allowed to develop bad habits as a result of saying so, and maybe
  • Get more structure – look at exercises in the lessons and follow them up between lessons instead of just pursuing a completely separate curriculum as soon as the call ends
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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #2

No segundo Capítulo de “Doze Segredos da Língua Portuguesa”, o Marco Neves fala de sotaques, e faz a pergunta “Existe uma língua padrão, sem sotaques?”

Pois claro, não há. Se alguém falasse sem sotaque, soaria como se fosse um robot. Na realidade, cada um tem o seu própria sotaque, que revela donde é, de qual classe vem, quantos anos tem, e ainda mais.

Este ponto de vista é muito liberal e lembra-nos que ninguém tem o direito de dizer que a sua maneira de falar é melhor do que a do resto do país. Sinto-me confortável com este modo de pensar até que encontrar um cidadão dos Estados Unidos que diz “adoro o seu sotaque inglês! É tão fofo!” Então, de repente, esqueço-me da opinião filosófica e começo a gritar “NÃO SOU EU QUE TENHO SOTAQUE, RAIOS PARTA, ÉS TU!!!*”

 

Obrigado pela ajuda, Lais e Sofia

*=someone who didn’t understand the point of this daft joke, pointed out that I do have an accent. This is a bit depressing since it seems to imply I’d failed to convey the point I was trying to make but my reply was: “Isso mesmo! Só queria dizer que todos temos os nossos próprias de vista, incluindo eu, e não é sempre racional e razoável. Imagino que inglês é inglês-inglês e inglês americano é um perversão grotesco falado por Trump. Por outro lado, para os americanos, nós parecemos personagens dum filme antigo que nos vistamos como Robin Hood e adoremos a rainha. Uma vez, um gajo americano perguntou-me “poderias simplesmente largar o teu sotaque e falar numa maneira normal como nós”? Ora bem, eu sei que ambos tínhamos um sotaque mas o meu orgulho nacional tomou controlo e a minha resposta era “a língua chama-se inglês porque vem da Inglaterra, pá! és tu que tens sotaque!” Como penses que reagirias se um brasileiro te fizesse a mesma pergunta?”

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #1

O primeiro capítulo do livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” de Marco Neves é a sua tentativa lidar com a problema difícil de “saudade” e, mais geralmente, de palavras não traduzíveis.

O seu argumento é que esta questão nunca se trata de palavras literalmente intraduzíveis. Para elucidar este ponto de vista, há duas linhas de pensamento*. Por um lado, é sempre possível, traduzir qualquer palavra mas pode-se precisar de uma frase, ou pelo menos precisar que acrescente um adjectivo. Por outro lado, há muitas palavras aparentemente fáceis que se tornam, quando pensarmos nelas, mais complicadas. Quando um alemão diz “pão” em vez de “brot”, achamos que o entendemos, mas a imagem na sua mente é de uma comida escura e pesada, feita de centeio. Não é a mesma coisa do que o que está na cabeça dum ouvinte inglês ou português, e por isso, podemos dizer que é um tradução fiel?

Eu não tenho paciência para isso, mas afinal, chegou à conclusão certa. O que estas palavras nos dizem é: quais são os conceitos específicos que a gente se sente o suficiente que valha a pena inventar uma palavra especifica para não ser prolixo.  No final do capítulo, o autor dá muitos exemplos bonitos de tais palavras intraduzíveis de várias línguas.

 

*=originally “ataque” but apparently portuguese arguments don’t have lines of attack, the reasonable, fair-minded bastards!