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As férias

IMG_20180727_154112_196Estou no Algarve com a minha família. Estamos aqui desde a segunda feira e partimos hoje à noite. Durante esta semana tenho tido muitas oportunidades de falar com os habitantes e torna-se cada vez mais óbvio que a minha linguagem melhora ao longo do dia. A empregada do pequeno almoço há-de achar que sou um idiota porque sempre falei com ela antes de beber o primeiro café do dia e mal me lembro como dizer “bom dia”. Porém, à empregada de jantar, já estou tão fluente quanto um fadista porque passei o dia inteiro a falar com portugueses nas praias e lojas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #12

No capítulo final, Marco Neves dá alguns conselhos sobre como usar melhor a língua portuguesa. Como podem imaginar, este conselho não consiste numa lista de regras que todos nós devemos aprender. Pelo contrário, aconselha os seus leitores estar mais aberto à lingua: ler mais, ouvir melhor, falar com mais cuidado, pensar mais e atirar menos pedras (ou seja, não estar assim tão ávido de julgar os erros dos outros). Finalmente, diz-se que valha a pena aprender uma outra língua. Não há problema. Já comecei!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #11

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

O décimo-primeiro capítulo (o penúltimo) trata do palavrão: o seu poder e o propósito do seu uso por pessoas em situações de stresse. Aprendi várias coisas novas tal como o facto que existem palavras que têm a mesma primeira sílaba duma palavrão e pode substituir-se num diálogo. Um exemplo é “caraças” para… Caralho??? Não tenho certeza. Já ouvi as duas e nunca percebi que uma era substituída pela outra.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #10

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Este Capítulo brevíssimo faz um argumento mais específico do que os outros: a Internet não é assim tão mal e a sua influência não vai matar a língua portuguesa.

Isto parece um bocadinho surpreendente porque há tanto horror e tanto disparate nas redes sociais mas o autor traz provas bem pesquisadas para suportar a sua hypotese.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #9

No nono capítulo, Março Neves vira a sua atenção aos “catastrofistas”, que acham que a língua está em decadência porque os adolescentes de hoje não falam assim tão bem como os melhores escritores do século XIX. Afirma que esta comparação não é justa. Faz-nos recear um perigo imaginário, mas a verdade é que o analfabetismo é muito menos comum hoje em dia do que antigamente. Toda a gente escreve e fala mais, embora nem sempre sigamos as regras.

Mais uma vez, não tenho conhecimento o suficiente com a línguagem do passado, ou com as ruelas de hoje em dia, que seria necessário para avaliar o seu ponto de vista, especificamente no caso de Portugal, mas também pode se aplicar a qualquer outro país e reconheço-o do meu próprio, e concordo com o argumento em geral. O pânico não chega.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #8

O oitavo capítulo continua no tema de erros, mas passa de “erros falsos” para “erros verdadeiros”. O autor dá muitos exemplos de erros, gralhas e mal-entendidos, e sublinha algumas ambiguidades. Por exemplo, será que “a maioria das pessoas…” toma um verbo plural ou singular? O mesmo problema encontra-se em inglês também. Como sempre, há uma mensagem simples para o leitor: os erros alheios nas redes sociais não importam o suficiente para que se humilhe alguém publicamente. Seria melhor enviar uma mensagem privada ou até ficar calado.

No fim de contas, isso parece um conselho muito útil.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #7

O Capítulo sete trata de supostos erros gramaticais e daquelas pessoas chatas que acreditam que existem regras contra várias frases e palavras comuns e ficam inchadas com orgulho pelo seu conhecimento secreto.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe na Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade e publicam as suas obras para irritar ainda mais pessoas.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe em Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade publicaram-nas para irritar ainda mais pessoas.

É interessante ler um desabafo assim em português porque, geralmente, leio livros do mesmo género na minha própria língua com uma mistura de alegria e horror. Em inglês há sempre uma divisão entre os “prescriptivists” (pessoas que querem prescrever as regras e insistem que toda a gente deve segui-los até quando o resultado é feio ou absurdo), e os “descriptivists” (pessoas que preferem descrever a língua e acham que – por exemplo – Literalmente (“Literally”) agora significar “muito” ou ainda pior “figurativamente” porque há burros que o usam assim). Prefiro o conselho de A.P. Herbert que escrevi que novidades linguísticas devem ser apoiadas quando fazem a língua mais flexível e mais poderosa, mas temos de lutar contra neologismos que fazem tudo mais confuso. Noutras palavras: pessoas que abusam “literally” devem ser presos numa masmorra onde podem ser roídos pelos ratos.

Mas por outro lado, o A.P. Herbert odiou a nova (naquela época) palavra “televisão” e talvez estas batalhas não valha a pena de lutar…

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) Intervalo

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Entre os capítulos seis e sete, há um Intervalo em que o autor elogia um artigo na revista “New Yorker”, chamado “The Talking Cure“.

O argumento do artigo pode ser resumido num titulo dum secção do capitulo: “As Crianças Precisam de Palavras Como de Vitaminas” ou seja, tem um instinto para línguas faladas e precisam de adultos que querem falar com eles  para alimentar a sua fome de palavras porque a sua inteligência não se cresce senão num ambiente rico em palavras. Devem fazer parte numa conversa que faz sentido e em que os pais ouvem e responder as palavras de criança também, obviamente. Ou seja, se não participem em diálogos, e não ouvem historias, não podem absorver as regras, as palavras que precisam para ser adultos inteligentes, livres e com confiança!

Concordo cem por cento, e seguimos esta filosofia quando nasceu a nossa filha. Infelizmente, o que mais lamento é que demorei tanto para aprender português, a língua da minha mulher, e por isso não conseguimos fornece-la com um ambiente rico em duas línguas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #6

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

No sexto capítulo, Marco Neves volta para vários assuntos dos anteriores. Começa com a vaidade de quem acredita que o seu sotaque não é sotaque mas nada mais e nada menos do que o padrão de língua, e todos os outros são meras tentativas de falar português assim. Também, faz-nos lembrar a historia alternativa do capítulo 5, e que o relacionamento entre português brasileiro e português europeu é igual ao relacionamento entre português e galego. O seu objectivo é fazê-nos ver a língua do Brasil com olhos novos, não como errado, nem outra língua, nem uma ameaça a versão que se fala em Lisboa, mas sim como mais um membro da família de línguas, que cresceu (se perdoar o meu metáfora misto…) da mesma raiz romana, e que mantém o mesmo nome. Claro, português brasileiro compartilha muitas coisas em comum como português europeu e é igualmente capaz de ser um idioma da poesia e da literatura.

O autor confronta uma ideia, exprimido por um português que “Tenho aversão a ler em brasileiro”. Embora não faça parte neste dialogo por não ser lusófono, acho este ultimo sentimento o mais surpreendente para mim, como um inglês. Nós também temos um primo mais grande, uma outrora colônia transatlântica que fala a nossa língua e tem uma voz muito alta no palco do mundo. As vezes, queixamos da sua influencia nos meios de comunicação, e os barbarismos e modernices (nunca se diz que alguns são mais propriamente velhices!) semeados nas mentes dos nossos filhos pelas séries e filmes daí, mas nunca, mas mesmo nunca ouvi alguém a dizer que ele tem aversão de ler (ou de ver ou de ouvir) narrativas estadunidenses.

 

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Dado o assunto, seria eu uma hipócrita se dissesse que preferia correções em PT-PT? 🙂

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #5

Este capitulo lida com a família de línguas que inclui o português. O autor desenvolve ainda mais o tema das línguas regionais iniciado no capítulo 4. Infelizmente, não tenho conhecimento o suficiente da geografia e as línguas da Península Ibérica para entender tudo. Por exemplo, confesso que nunca tinha ouvido falar do Couto Misto, um micro-estado que existia na fronteira entre Portugal e Espanha até ao século XIX, e embora seja sempre interessante aprender coisas novas, não consegui compreender todas as informações sobre as subtilezas do sotaque, ortografia e cultura da região que, ao que parece, seria interessante ou até desafiante para os lusófonos. Ora bem, é falta minha, e talvez um dia se torne mais nítido mas nesta altura, houve grandes partes que não penetraram na minha ignorância!

Cá para mim, a coisa mais interessante é a história alternativa que começa na página 99, em que o autor tenta fornecer uma resposta à pergunta “Como é que a língua portuguesa teria sido diferente se Portugal não tivesse ganho a sua independência da Espanha em 1640?”) Claro isto é muito especulativo, mas apesar disso é muito interessante e ilumina os acidentes de história que separam as línguas umas das outras e eleva algumas ao estado de “língua nacional” enquanto que outras se tornam dialectos.

 

Thanks Fernanda for the corrections