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Resoluções

Um efeito secundário de estar fora do país durante a passagem do ano é que não comecei o ano com a onda (ainda que temporária) de abstinência e boas intenções. Até no segundo dia do ano, nem sequer consegui de vestir roupas normais. Correr, fazer Yoga, escrever blogues e todas as atividades valorosos que me prometi fazer ficaram para qualquer outro dia.

A minha filha também não fez nada. Declarámos (com acento*) amanhã o primeiro dia do ano. Ontem e hoje não contam.

*This set off a whole new wave of discussion when a second Brazilian corrector told me it was wrong about accents in the pretérito tense. If you’re curious, this is what finally reconciled the cognitive dissonance on the subject!

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O Ano Sabático

O Ano Sabático se João Tordo

O Ano Sabático é um livro de João Tordo que conta a história dum músico português que mora na Canadá. Durante uma crise pessoal, o protagonista regressa para Lisboa onde fica obcecado com um outro músico cujo concerto inclui uma peça de música exatamente igual à sua própria obra. Fica convencido de que os dois têm uma ligação. É um livro assombroso que me deixou com muitas perguntas!

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Proteínas, Carboidratos, Gorduras, Vitaminas e Pedaços de Vidro: As Cinco Pilares de uma Dieta Equilibrada.

Here’s a text from a couple of days ago about finding broken glass in some food when I’d already eaten half of it. Thanks to Butt Roidholds for the correction and for pointing out that “Carboidrato” is often “Hidrato de Carbono” but either is fine. {Update – and thanks to Dani for a second set of improvements which I’ve now applied to the original text}

Encontrei uma lasca de vidro nas minhas papas de aveia hoje de manhã. Foi por causa da tampa do frasco se ter partido. Não entrei em pânico porque não acho que tenha engolido mais pedaços, apesar de ter comido 10 colheres (mais ou menos) da refeição, mas deitei as papas (e os restos da aveia) fora. Agora há uma pequena voz na minha mente que sussurra “vais morrrrreeeer” de cada vez que sinto qualquer dorzinha no abdómen.

Status update: still alive.

Status update after the second set of corrections: yep, still alive.

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Soa

Soa on Netflix

Acabo de ver um filme chamado Soa. É um dos filmes portugueses na Netflix portanto achei que seria fixe e também um bom método de praticar ouvir português. É um documentário que fala sobre o papel do som na vida do planeta e de nós, os habitantes.

Basicamente, acabei por desistir, desiludido. Embora o filme fosse português, a maior parte dos participantes eram anglófonos e havia também alguns japoneses, alemães e espanhóis.

Ainda por cima, não achei o argumento muito interessante. Não me agarrou a atenção. Não o recomendo.

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Bicicleta – uma declaração pelo feminismo – Braga Ciclável

Fiz um marcador no meu telemóvel para ler este blogue que encontrei no Twitter há meses, mas apesar do texto ser curto, adiei até hoje.

The future liberals want

Segundo o título, a autora está a defender o papel do feminismo na política de trânsito na sua cidade, Braga. E é verdade que o argumento é escrito em termos de feminismo mas parece-me que o ponto principal é mais universal e pode ser apoiado até por quem não se identifique como feminista: uma cidade cuja rede de transportes é dominada por carros sofre de um certo desequilíbrio : há mais poluição, há menos segurança para as mulheres sim, mas também para os homens e sobretudo para as crianças, há mais ruído, mais engarrafamentos, enfim a cidade é menos feliz.

O aspeto feminista disto tudo prende-se com a maior relutância das mulheres da cidade em enfrentar os perigos de andar de duas rodas, além do sexismo que existe tanto nas ruas quanto noutros lugares. Tem razão, mas acho que esta mensagem pode ser uma oportunidade para todos os bracarenses e espero que os homens da cidade vejam que também têm um incentivo para melhorar as ciclovias e os transportes públicos de Braga.

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Óculos

I used this text to ask a question about a book I’m reading. It’s about the difference between “seu” and “dele” – which are both ways of expressing possession but they’re used slightly differently. Thanks to Butt Roidholds for the correction and to the assembled Reddit multitudes for the answers.

Será que alguém me* pode ajudar? Estou a ler um livro, no qual o protagonista fica obcecado com um músico que se chama Luís Stockman. Na página 91, vai a uma sala de concertos à espera de falar com o Stockman e tem no seu bolso os óculos dele (que foram perdidos num outro concerto e que o protagonista conseguira obter).

Descrevendo a aparência do Stockman o autor diz: “Reparou que tinha uns óculos novos, de armação mais grossa do que a dos seus (ou, no fundo, dos dele), e um cachecol preto em volta do pescoço.”

Custa-me compreender esta frase. Entendo todas as palavras, sem problema, mas o qual é o significado dos parênteses? A diferença entes “dos seus” e “dos dele” neste contexto?

*”que” is attractive so the pronoun has to go first

So I get the general point of “seu” (meaning his, her or its) and dele being a way of saying “of him”. The first one changes with the gender of the owned object (becoming sua for feminine objects), whereas the second changes with the gender of the owner, (becoming dela if it relates to a woman or a girl, say) so it can be useful for making an ambiguous sentence clearer. If a man and a womam go somewhere to get her in “seu carro”, whose car is it, but if its OK “o carro dela” Then you know its the woman’s car.

This one is a little weirder because there no gender problem to untangle but nonetheless the author is trying to be emphatic. He’s saying “He noticed he was wearing new glasses, the frames of which were thicker than his (or rather, of him) and a scarf around his neck.”

Opinion seems to be that it was just underlining the fact that he was referring to the original subject of the sentence – ie, Stockman, not the protagonist.

More about seu and dele on Ciberduvidas

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More Introvert Whining

Vegan Ice Cream
It’s Milk and Eggs, Bitch… Except when it isn’t.

Texts from a couple of days ago. Thanks as usual to Dani for the corrections.

(15/12) “Valha-me Deus”

Estou a caminho de um almoço de peru vegan com os meus colegas. Rezem por mim!

(16/2) “Não Foi Assim Tão Mau”

O almoço de ontem correu bem. Os meus colegas são simpáticos. Ainda que eu seja introvertido, consegui curtir a refeição. E o restaurante era excelente. Quem teria acreditado que um gelado sem leite seria tão bom?

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Ansiedade de Fim de Ano

Estamos perto do final do ano* e fico sempre com ansiedade para levar ao fim os meus projetos antes da passagem de ano. Todos os dias durante o pequeno almoço, revejo a minha lista de tarefas e escolho 4 ou 5 para completar. “Será que consigo cumprir estas obrinhas?” pergunto… E faço que sim, mas no meu coração sei que estou a sonhar porque não há 65 horas num dia.

*Bit of a treasure trove of article-related mishaps, this. I originally wrote the title as “Ansiedade do fim do ano” – Anxiety of THE end of THE year but it’s more correct to leave out the articles and write it this way which I guess is more like “year end anxiety”. Notice in the body of the text, in the first sentence, we have a couple of “do”s: “we are close to THE end of THE year” because we’re talking about this specific year, but later it’s back to de when we talk about “(a) passagem de ano”. Um… Why though? According to priberam, Passagem do ano is correct.

Apparently the answer is that I’m talking about the concept in general, because i have switched to talking about what happens every year. “Passagem de ano” is a set phrase like “Fim de semana”, and you only use the article if you’re talking about one specific new year. Got it? OK, so do I, I think. Oof. Complicated!

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Insucesso Glorioso

This is the last of my texts summarising individual chapters in the book Ser Português by António Lameira, aka Frei António. I’ve been a bit sloppy with the credits lately but as ever, huge thanks to Dani on the writestreakpt subreddit for her invaluable help correcting texts.

No final do livro, o autor fala de vários exemplos de insucesso na história do país que resultaram em benefícios apesar de tudo. Nesta rubrica, fala da vida do Prior do Crato em tentar pôr fim* à crise mencionada no último capítulo, e atiçar** o país contra os espanhóis, e também de Humberto Delgado, outrora simpatizante do fascismo que se tornou crítico do regime Salazarista e foi assassinado em resultado disso.

Além disso, fala das Tripas à Moda do Porto como mais um exemplo glorioso da manha do povo, e também das reformas após o terramoto de 1755 como exemplo de triunfo face ao desastre. Mas o último e mais insólito exemplo prende-se com o isolamento do país: apesar*** do analfabetismo e da pobreza que resultaram dos vários transtornos ao longo dos anos, o povo conseguiu manter as suas tradições, a religião e a individualidade que se teriam perdido se tivesse havido mais contacto com outras culturas e outros mercados.

* I messed this up by trying to apply the phrase “levar até ao fim” but that means something like “bring it to completion”. It’s been corrected to “pôr fim a” meaning “put an end to”

** I used “suscitar” for stir up but that’s not really le mot juste when we’re talking about riling people up against an enemy.

*** Hm, interesting one. I originally write “além” instead of apesar because apesar seems to imply they maintained their tradition in spite of their illiteracy, but that’s not actually what he’s saying: he’s implying that their isolation resulted in many detrimental effects, including illiteracy but that at least it meant they got to maintain their faith and their way of life. I guess a charitable reading of this is that he’s finding a silver lining, but there’s a definite whiff of religious conservatism here that makes me purse my atheistic lips. Anyway, I had made up my mind to ignore that correction, but she’s also given a rewritten version of the paragraph that correctly states what i was trying to say. So… The only conclusion I can come to is that “apesar” has a slightly different weight or sense to it than the equivalent “in spite of”

You can see the rewritten paragraph in the comments here if you’re interested.