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O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

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O Banqueiro Anarquista é um conto escrito pelo famoso poeta Fernando Pessoa. Faz parte duma coleção (também chamada “O Banqueiro Anarquista”) publicada pela* Relógio d’Água.

O conto trata-se da vida dum homem rico, burguês que afirma que, ao contrário do que a gente pode achar, é um anarquista, e não simplesmente um anarquista teórico, mas um anarquista a sério que aplica a teoria à sua própria vida. Aqueles gajos que atiram bombas são meros amadores comparados com o banqueiro. Sentado num restaurante, o banqueiro conta ao seu amigo como é que as reviravoltas do seu raciocínio o levaram ao seu actual modo de viver. É um bom exemplo de como uma pessoa se pode enganar, por sofisma e acaba por adoptar um modo de viver ao contrário às suas crenças mais fortes por um método aparentemente puro e rigoroso. É muito engraçado.

Acho que o livro se lê bastante bem. Como um novato da língua portuguesa, fiquei preocupado por começar um livro escrito por um dos gigantes de literatura portuguesa, mas há muitos palavras de política e economia que tornam tudo mais fácil porque são muito parecidas com os cognatos ingleses.

*=I would have gone for “pelo” because Relógio is masculine but it’s the name of a publisher (a editora) so it’s feminine.

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O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças

11732049“O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças” é o quarto livro que já li de Afonso Cruz. Até agora, é a mais difícil de todas as suas obras para mim, um aluno da língua portuguesa, mas ainda é bastante fácil. A história começa no Império Austro-Húngaro ao final do século XIX e continua pela primeira guerra mundial até a segunda. Pelo caminho, o protagonista, Jozef Sors (baseado em Ivan Sors, o avô do autor) serve o seu país na primeira guerra, posto num balão, apaixona-se, enche muitos cadernos de desenhos, sobretudo de olhos, viajam para os estados unidos e perde os seus pais.

Há muitos capítulos curtos e muitos tratam-se dum discurso sobre uma questão filosófica. O autor brinca com ideias da mesma maneira que no seu livro infantil “A Contradição Humana”, mas de forma mais desenvolvida. O livro também me lembra do audiobook que acabei de ouvir hoje: “Night Train to Lisbon” porque ambos contam histórias de homens da Europa central que chegam em Portugal. O escritor do último leva-o muito mais a sério. Em ‘O Pintor Debaixo do Lava-Loiças’ existe absurdidade, piadas e até desenhos. Infelizmente, cada um é um duplo imagem por causa da baixa qualidade do papel: o leitor pode vê-las no verso do papel também.

Enfim, gostei de ler o livro, mas o final deixou-me insatisfeito porque senti que a história ficou inacabada.

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O Retorno (Dulce Maria Cardoso)

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Trata-se da história sobre os últimos dias da colónia portuguesa em Angola. Vemos a história pelos olhos dum adolescente. Logo no inicio da historia, a sua família está em casa em Angola, preparando para viajar a Portugal, mas há uma problema e o pai é detido pelas novas autoridades. O rapaz, a irmã e a mãe continuam a viagem para a nova vida na Europa.

Fiquei muito impressionado pelo segundo capítulo. É escrito como um discurso da directora dum hotel em que a família de retornados fica quando chega à “metrópole”. Não há nenhum parágrafo nenhuns, só um bloco de texto ininterrupto, que mostra como é que a directora fala com os hóspedes: rapidamente e sem escutar. Ela tem muito orgulho das cinco estrelas que tem o seu estabelecimento. Consola-os por método de descrever o azar das coitadas de famílias que também voltaram de África e se encontraram sem abrigo ou numa alojamento sujo ou dilapidado. Comparada com estas pessoas a família tem muita sorte! É um bom resumo para leitores tal como eu que tem pouco conhecimento sobre a situação dos retornados daquela época. Entrelaçado com a sua lista de desgraças, a directora explica as regras do hotel e repete as mais importantes muitas vezes. Através do discurso, revela-se que a directora é uma pessoa muito controladora. Pois claro, ela ajuda essa família e outras por disponibilizar o hotel, mas também não confia em todos os hospedes. O seu hotel não parece muito acolhedor, apesar das estrelas. O capítulo estabelece, brevemente e nitidamente, o contexto da história e o carácter da directora perfeitamente!

O resto da historia descreve a sua vida em Portugal, à espera do pai, com receio do pior, tentando estabelecer-se num país desconhecido, em que tudo está em fluxo e “os de cá!” têm preconceito contra “os de lá”. Às vezes, é tocante, às vezes engraçado. mas sobretudo, tive uma impressão muito forte do caos da época, pós-revolucionário, em que a república estava a tentar estabelecer uma nova ordem e simultaneamente a procurar abrigos para as ondas de retornados.

Thanks very much to Joyce for helping with the corrections. Joyce is Brazilian and I’m not 100% sure I correctly interpreted all the changes since some were typical grammatical differences (dropping definite articles before determinates, and not merging em and um to make num) and some spelling differences (which should be corrected by the AO but I am being difficult)

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #8

O oitavo capítulo continua no tema de erros, mas passa de “erros falsos” para “erros verdadeiros”. O autor dá muitos exemplos de erros, gralhas e mal-entendidos, e sublinha algumas ambiguidades. Por exemplo, será que “a maioria das pessoas…” toma um verbo plural ou singular? O mesmo problema encontra-se em inglês também. Como sempre, há uma mensagem simples para o leitor: os erros alheios nas redes sociais não importam o suficiente para que se humilhe alguém publicamente. Seria melhor enviar uma mensagem privada ou até ficar calado.

No fim de contas, isso parece um conselho muito útil.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #7

O Capítulo sete trata de supostos erros gramaticais e daquelas pessoas chatas que acreditam que existem regras contra várias frases e palavras comuns e ficam inchadas com orgulho pelo seu conhecimento secreto.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe na Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade e publicam as suas obras para irritar ainda mais pessoas.

Entre outros exemplos, há pessoas que acreditam que “obrigada” não existe, e que devemos dizer “desfazer a barba” em vez de “fazer a barba”.  Este tipo de pessoa existe em Inglaterra também e não há dúvida que em qualquer outro país há pessoas que chateiam toda a gente com as suas opiniões sem pés nem cabeça. Às vezes, uma editora dá-lhes oportunidade publicaram-nas para irritar ainda mais pessoas.

É interessante ler um desabafo assim em português porque, geralmente, leio livros do mesmo género na minha própria língua com uma mistura de alegria e horror. Em inglês há sempre uma divisão entre os “prescriptivists” (pessoas que querem prescrever as regras e insistem que toda a gente deve segui-los até quando o resultado é feio ou absurdo), e os “descriptivists” (pessoas que preferem descrever a língua e acham que – por exemplo – Literalmente (“Literally”) agora significar “muito” ou ainda pior “figurativamente” porque há burros que o usam assim). Prefiro o conselho de A.P. Herbert que escrevi que novidades linguísticas devem ser apoiadas quando fazem a língua mais flexível e mais poderosa, mas temos de lutar contra neologismos que fazem tudo mais confuso. Noutras palavras: pessoas que abusam “literally” devem ser presos numa masmorra onde podem ser roídos pelos ratos.

Mas por outro lado, o A.P. Herbert odiou a nova (naquela época) palavra “televisão” e talvez estas batalhas não valha a pena de lutar…

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) Intervalo

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

Entre os capítulos seis e sete, há um Intervalo em que o autor elogia um artigo na revista “New Yorker”, chamado “The Talking Cure“.

O argumento do artigo pode ser resumido num titulo dum secção do capitulo: “As Crianças Precisam de Palavras Como de Vitaminas” ou seja, tem um instinto para línguas faladas e precisam de adultos que querem falar com eles  para alimentar a sua fome de palavras porque a sua inteligência não se cresce senão num ambiente rico em palavras. Devem fazer parte numa conversa que faz sentido e em que os pais ouvem e responder as palavras de criança também, obviamente. Ou seja, se não participem em diálogos, e não ouvem historias, não podem absorver as regras, as palavras que precisam para ser adultos inteligentes, livres e com confiança!

Concordo cem por cento, e seguimos esta filosofia quando nasceu a nossa filha. Infelizmente, o que mais lamento é que demorei tanto para aprender português, a língua da minha mulher, e por isso não conseguimos fornece-la com um ambiente rico em duas línguas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #6

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

No sexto capítulo, Marco Neves volta para vários assuntos dos anteriores. Começa com a vaidade de quem acredita que o seu sotaque não é sotaque mas nada mais e nada menos do que o padrão de língua, e todos os outros são meras tentativas de falar português assim. Também, faz-nos lembrar a historia alternativa do capítulo 5, e que o relacionamento entre português brasileiro e português europeu é igual ao relacionamento entre português e galego. O seu objectivo é fazê-nos ver a língua do Brasil com olhos novos, não como errado, nem outra língua, nem uma ameaça a versão que se fala em Lisboa, mas sim como mais um membro da família de línguas, que cresceu (se perdoar o meu metáfora misto…) da mesma raiz romana, e que mantém o mesmo nome. Claro, português brasileiro compartilha muitas coisas em comum como português europeu e é igualmente capaz de ser um idioma da poesia e da literatura.

O autor confronta uma ideia, exprimido por um português que “Tenho aversão a ler em brasileiro”. Embora não faça parte neste dialogo por não ser lusófono, acho este ultimo sentimento o mais surpreendente para mim, como um inglês. Nós também temos um primo mais grande, uma outrora colônia transatlântica que fala a nossa língua e tem uma voz muito alta no palco do mundo. As vezes, queixamos da sua influencia nos meios de comunicação, e os barbarismos e modernices (nunca se diz que alguns são mais propriamente velhices!) semeados nas mentes dos nossos filhos pelas séries e filmes daí, mas nunca, mas mesmo nunca ouvi alguém a dizer que ele tem aversão de ler (ou de ver ou de ouvir) narrativas estadunidenses.

 

When I posted this on italki, i prefaced it with

Dado o assunto, seria eu uma hipócrita se dissesse que preferia correções em PT-PT? 🙂

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A Vida Nas Palavras de Inês Tavares (Alice Vieira)

6585700Adoro este livro, embora seja infantil. É o segundo livro desta autora que já li, mas não acho que será o último!

A história é contada numa série de entradas num diário por uma rapariga de treze anos. A protagonista, Inês, não escreve no seu diário diariamente, portanto só há 19 capítulos que se estendem de Janeiro até ao Natal do mesmo ano. É muito engraçado, e há parágrafos que me fizeram soltar uma gargalhada. Também há parágrafos que não entendo completamente. Um deles tem a ver com castanhas assadas. Acho que é algo inapropriado, mas apesar de ter ouvido uma explicação da minha mulher ainda não tenho cem por cento de certeza. Os mistérios duma língua desconhecida!

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A Pior Banda do Mundo

22711886Demorei tanto a pensar como escrever este comentário. O livro é tão esquisito que não é fácil dar um resumo apropriado. A minha expectativa era uma narrativa simples com começo, meio e fim, e um elenco de personagens que fazem parte duma banda. E até certo ponto, isso é isso mesmo: há uma banda, um gajo que toca bateria, um outro que toca guitarra, pois claro… mas os membros vivem num mundo muito esquisito. Andam nos seus próprios percursos num cidade insólito cheia de pessoas estranhas e cenas surreais. Longe de ser uma narrativa linear, cada página tem o seu próprio retrato duma situação ou uma pessoa, muitas das quais pode dar conteúdo por um livro inteiro. Às vezes é mesmo engraçada, às vezes filosófico, mas nunca torna-se previsível.

Para resumir, amei, mas posso imaginar que não é do gosto de toda a gente!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #4

No quarto capítulo do seu livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa”, Marco Neves lista as dez línguas de Portugal (Dez? Sim. dez, embora algumas sejam faladas só..hum… em Espanha) e faz uma tentativa de responder à pergunta “há línguas piores do que outras?” Aprendi muito com esta primeira secção. Como o autor diz, as dez “nem sequer inclu[em] o inglês algarvio”, e não fazia ideia que havia tantos idiomas no país. Quanto à segunda parte… hum… considero que a sua explicação do mecanismo que torna as línguas mais ou menos complicadas não seja completamente convincente. Pois, claro, como estrangeiro, estou a tornar a língua mais simples pelo método de fazer tantos erros (querido leitor, imploro-te não impeça este processo por corrigindo-os!) mas quando tento imaginar um processo que possa tornar o inglês mais complicado, não consigo. Será que alguém introduziria uma sistema de géneros arbitrários se não invadíssemos um outro país nos próximos séculos? Acho que não.

Mas, diga-se o que se disser, devo admitir que não tenho a sua formação em línguas e é mais do que possível que esteja enganado, e como sempre, tenho muito interesse no assunto, e opiniões polémicas são sempre bem vindas, embora nem sempre concorde!