I was sent this video by my Brazilian language partner and its a pretty good illustration of the language barrier between the two sides of the atlantic. Note that the Portuguese guy (Caesar Mourão, one of the comedians on the line-up of the comedy festival I mentioned yesterday) understands the tourists because the Portuguese are so used to listening to Brazilian “Novelas” but they have no idea what he’s on about.
Tag: humour
Chuckles Call to Chuckles Everywhere
I’ve found myself getting a bit more feminist lately. I have tended to be a bit dismissive of some claims of 21st-century feminism, to the point of wondering whether the word had outlived its usefulness, but have been energised lately by… well, it’s a long story. Suffice to say that having a daughter makes you want to punch more misogynists in the balls. I am all about the punching. I’m a regular Jean-Claude Van Dad.
Anyway, representation in comedy is not one of my main avenues of interest, but I was struck by this tweet earlier today, by Safaa Dib, who I know nothing about but seems to be a publisher and a candidate in a sort of left-green party called Partido Livre. She posted about the Festival de Humor, FamousFest 18. You can see why she was annoyed from the picture below. Literally not one single woman in the line-up. I know 6 of the names and 2 of those are not even comedians. Miquel Esteves Cardoso is a columnist and writer, and Filipe Melo is a producer and a graphic novelist. She doesn’t seem wildly impressed with some of the others either, judging by the comments.
If you click through to the thread, Guilherme Duarte, a comedian who uses the name Por Falar Noutra Coisa chips in and says a couple of women were invited but declined. Hm… well, fair enough up to a point… but then goes on to say (and this is less fair enough) that he didn’t want to have a quota system at the expense of quality (gasp… but wait, it gets worse…) that work was needed in the background to encourage women to try and be funny instead of making makeup tutorials. He salvages this mess of a tweet to some extent but not much. I was left with the impression that the scene is even more of a boy’s club than here.
Update 25/9/18 https://capitalmag.pt/2018/09/24/festival-menina-nao-bebe-whisky/
1986 A Série – Opinião
Uma das contas portuguesas que eu sigo no Instagram é a do Nuno Markl. Durante o ano passado começou a deixar indicações dum novo projecto – uma série de comédia que estava a escrever sobre as eleições de 1986 entre o socialista Mário Soares e o conservador Diogo Freitas do Amaral. O Markl é conhecido (entre outras coisas) pela sua nostalgia dos anos oitenta e o seu amor pela cultura daquela época. Fiz 17 anos em 1986 e por isso fiquei muito entusiasmado para ver o resultado. Não temos canais portugueses aqui em casa – ou seja, se existem, não faço ideia de como encontrá-los, porque há demasiados botões no comando. Mas não me importo porque o site da RTP está disponível para os coitados dos cidadãos do Brexitland, o site deixá-nos ver os programas culturais dos nossos amigos e vizinhos.
Cá para mim, como estrangeiro, o estilo da série parece uma mistura de dois estilos: o da série americana de hoje, e o duma comédia daquela época. Há 13 episódios, cada um entre 40 e 45 minutos. A cinematografia é bastante moderna mas às vezes os actores utilizaram duplos olhares e expressões faciais muito exageradas, como os actores de comédias tradicionais. A trama trata-se dum grupo de adolescentes. O primeiro é o Tiago, fã dos Smiths (a minha banda preferida!), e filho dum comunista que deve “engolir o sapo de Soares”. Ele apaixona-se por uma “betinha”, cujo pai é apoiante do “sacana de facho”. Os dois e os amigos deles enfrentam-se os desafios da vida escolar.
Havia muitos aspectos engraçados, tal como o sarcasmo da rapariga gótica e a raiva exagerada do pai do Tiago. Também gostei da nostalgia da cultura compartilhada pelos dois países – música, filmes, computadores, roupas e livros. Às vezes tornou-se ligeiramente auto-indulgente, mas gostei apesar disso.
Claro não sou especialista em televisão portuguesa, e custa-me muito entender os sotaques e os ritmos da fala dos actores, portanto é provável que a minha opinião não conte para nada, mas se quiseres saber o que é que pensei, lá está!
Spoiler: Soares venceu. Então não precisas de ver
Her Name Was Lula, She Was a Shoegirl
Another joke from the Caderno that I didn’t get at the time but have since had explained to me
Estão um pargo e uma lula a conduzir e o pargo ultrapassa a lula de maneira brusca. Vira-se a lula:
-Tás pargo, pá?
-Calula
A Lula is a squid (I knew that) and a pargo (well, o pargo, but you know what I mean) is a red snapper (I didn’t know that but guessed it some kind of marine creature). And the unpunned version of the dialogue would be
-‘Tás parvo, pá?
-Caluda!
or
“Are you stupid, mate?”
“Shut it!”
Thanks to Fernanda for deciphering this fishy confusion for me
#consoantesperdidos
Rir and Loathing in as Pages

Here are a few thoughts about the jokes in this popular joke book, and a few things I have learned from reading it. I won’t trot out every new word, of course, but I noticed a few patterns and formats that came up again and again, and I thought it was worth noting them down. Being able to tell a good joke in another language is real jedi-level language skill, so I think it’s useful to know what the “rules” are.
Piadas Secas and “Dry Humour”
First of all, “Piadas Secas” doesn’t seem to be the same as what we would call “Dry Humour” (jokes told with a straight face, often with a slightly dark theme), it seems more to be “stale jokes” or perhaps just “old jokes”. Not quite Christmas-cracker level but close. If you’ve ever read a rag mag you’ll know the sort of thing. However, whereas university students tend to be very careful to avoid offence (even in the late eighties when I was at UEA) these are really in Bernard Manning territory, full of fat girl jokes, leper jokes, dumb blonde jokes, knob gags, and a little light racism. I’m not the sort of person who hurls a book across the room for that sort of thing but like… dude, it’s 2018.
Anyway, let’s look at a few examples of the jokes (don’t worry, I’ll stick to the less icky ones because the icky ones are less interesting from a language perspective):
Playground Classics
There were a lot of jokes that were so similar to old chestnuts from my youth that I’d be pretty sure they were translated from english rather than having sprung up independently
-Sabes qual é a diferença entre um rolo de papel higiénico e um cortinado de banheira?-Não, diz-Ah, então foste tu, javardo!
-Quantos Psicólogos são precisos para mudar uma lâmpada-Uma, mas a lâmpada tem de querer mudar
Estou? Quem fala?NoéNoé quê?Noé da sua conta
And here’s one that’s basically a recycled “Yo mamma so fat” joke,
Era uma vez uma mulher tão gorda, mas tão gorda que um dia que um dia vestiu-se numa camisola com um “H” e um helicóptero aterrou-lhe em cima
Note the “Era uma vez” at the start, which is equivalent to “There was…”. You can also use “Havia…” to start the joke and introduce your characters. And the “tão gorda, mas tão gorda” (or “tão preguiçoso” or “tão pequeno” or whatever it might be) seems to be a pretty common stand-by in this kind of joke too. Here’s another. Same format but with “Havia” at the front and a different adjective
Havia um homem tão pequeno, tão pequeno que não andava de metro. Andava de centímetro
OK, I’m getting away from playground standards a little bit here, so let’s try some spicy foreign stuff.
Portuguese Wordplay
For me, the most interesting ones were the ones that relied on a specific portuguese puns that required me to work out how the joke worked. I assume these are old chestnuts too, in their own country.
– Boa tarde, tenho uma consulta Duarte Matos– Ai, você deve ser mesmo altruísta vir aqui doar tomates
Uma freira tinha de por supositórios em três bebés. Meteu no primeiro, depois foi atender o telefone e esqueceu-se em qual tinha posto. Qual o nome da freira-Madre Teresa de Cal-cu-tá
I think “Cal-cu-tá” = “Qual cu ‘tá” (“which bum is it?”). This seems to be a reasonably common joke format: describe a person or a film, or something and then ask the person to guess what it is. Here’s another
Um homem entra num bar, pede uma imperial e leva-a para casa. Qual é o filme?
– Roub-ó-copo
Then there’s:
Vira-se o computador grande para o pequeno:– Olha para ti, tao pequeno e já computas
The next one relies on you being able to turn the phonetic sounds of numbers into words.
Quem 60 ao teu lado e 70 por ti, vai certamente rezar 1/3 para arranjar 1/2 de te levar para 1/4 e te dizer-20 comer
Era uma vez uma mulher que partiu a perna ao filho
Não tinha canela para pôr no bolo.
is another I needed iTalki’s help for. I knew “canela” means “cinnamon” but I didn’t know it was also the equivalent of the english word “shin” – a colloquial name for the tibia.
And this one:
-Artur, estás tão diferente!-Eu não sou Artur
Qual é o cúmulo de preguicaCasar-se com uma mulher grávida de outro
The Cream of the Crop
O que é invisível e cheira a cenoura?O peido do coelho
Entra uma mosca num restaurant:
-Qual é o prato do dia?
-Arroz com cocó
-Xiiiii, que nojo, todos os dias arroz!
Uma Carta Sobre Carne
Londres 22 de Novembro de 2017
O Dono
Milliways
O Fim Do Universo
1200-212 Espaço
Excelentíssimo Senhor,
Queria apresentar uma queixa.
Jantei ontem com uns amigos no seu restaurante.
Por acaso, chegámos na hora certa antes do fim do universo. O céu estava flamejante com relâmpagos em toda parte enquanto as estrelas foram arrancados por forças incalculáveis, tudo o qual era satisfatório mesmo.
Dito isso, havia uma problema com a nossa encomenda. Pedi bife da casa. Fiquei à espera durante cinco minutos até o empregado voltou com algum espécie de criatura qualquer e convidou-me “conhecer o carne”. O bicho era muito gordo com muitas pernas mas não pôde andar. Ainda por cima, descobri que podia falar fluentemente!

Começou dar conselhos por volta do seu corpo, e quais partes seriam mais saborosas. Eu disse-lhe que não queria comer algo que queria ser comido, mas o bicho respondeu que isso modo da vida não era muito simpático. não quero ser leccionado por um animal!
Queria pedir um reembolso duma metade do preço da refeição. O que mais dava jeito era se o senhor pudesse meter esta quantidade de dinheiro no banco hoje. Então, quando visitar o restaurante mais uma vez ao fim do universo, irei recolhê-lo, e espero que o juro ganhado pela quantia deva me tornar milionário!
Os Melhores Cumprimentos
Arthur Dent
Meta os Papéis em Ordem
Já visitei o consulado português com a minha mulher duas vezes. Da primeira vez, exigiram que ela me levasse com ela. Na segunda vez (exactamente com o mesmo propósito) eles zangaram-se com ela porque “mas por que raios de tolice havia de trazer o marido com ela? Mas além de maridos, eles também se contradizem na questão dos papéis. Cada vez pedem papéis diferentes: o seu certificado de nascimento, o meu certidão de óbito (epá! Ainda não morri, apenas cheiro assim!) uma fotografia dum veado, o ás de espadas, uma cópia d’ O Livro do Desassossego…
Tem de se transformar em Hermione Grainger com uma mala mágica em que possam caber todos os seus pertences no caso dos funcionários lhos pedirem.
Obrigado Fernanda, Sofia e Celso pela ajuda
O Acordo Ortográfica
I’ve been meaning to write an article about the 1990 Acordo Ortográfica da Língua Portuguesafor a while now but never really felt up to it. There’s a really good video on YouTube though, of Portuguese humorist Ricardo Araújo Pereira, author of Reaccionário Com Dois Cês in conversation with Brazilian Renaissance man Gregório Duvivier, that makes a pretty good introduction to what it is, why it’s needed and why it falls miserably short. It’s a little hard to follow in places but not as bad as I expected. Both speak pretty clearly and I found I could laugh at the jokes as well as simply learning, which was a nice bonus.
A Terrível Criatura Sanguinária – Nuno Markl (Opinião)

Não há muitas coisas gratuitas nesta vida, mas este ebook é um delas, e deve ser um dos melhores. Gostei imenso. Foi uma leitura perfeita pelo dia de Halloween, e divertiu-me durante uma viagem de comboio.
O conto fez-me lembrar de contos antigos, especialmente os de Stephen Leacock. Leacock foi um canadiano que escreveu muitos livros humorísticos, incluindo o “Literary Lapses” e o “Nonsense Novels” – colecções de contos que fazem piadas sobre livros populares daquela época. Este do Markl é muito parecido com eles. Tem um tamanho comparável, e estilo, e até as personagens parecem típicas da época.
Link to the pdf version here
Link to a video version of this review here
Thanks Sofia and Caio for the help with the corrections
-‘Tás parvo, pá?