Another practice text. Thanks to redditor ansanttos for helping correct my mistakes
A minha filha e a minha esposa visitaram o IKEA hoje. Queriam comprar umas cortinas mas voltaram com 1 300 251 bolachas, 8 formas* de gelado, uma escovilhão de loiça, um candeeiro e várias flores e decorações inesperadas. Juro que aqueles suecos põem drogas nas almôndegas para hipnotisar os clientes e fazê-los comprar coisas de que não precisam.
*=ice cream moulds. I originally said “moldagens” here. I get so confused even over the English word give that there are jelly moulds and moulds that grow on old food and I always have to pause and think is mold is the right spelling for either? It’s not, it’s the American spelling of both but in UK English we don’t use mold at all. Anyway, forma is apparently the right word in Portuguese. but molde is also OK. Not moldagem (which is the act of moulding something) or moldura (a picture frame). And certainly not moulde. I’d like to blame the Americans for that last one but I can’t make the charge stick.
Since “The New Normal” has been a theme today, here’s Sergio Godinho with a song of that name, written in August last year and containing obvious references to the long nightmare from which we hope we will soon awake (although I’m writing this the day after “Freedom Day” and I am regning in my optimism…)
Dadas as circunstâncias Given the circumstances Mantenha as distâncias Keep your distance Respeite os espaços Respect the spaces Controle essas ânsias Control your urges De beijos e abraços for kisses and hugs Refreie as audácias e as inobservâncias Refrain from risks and non-observances
Description in Portuguese of the course I wrote about earlier in English. Thanks to redditor teafvigoli for helping root out the errors.
Red and Green Dyed Lockdown Hair Goes Back To The Office
Participei num curso online. O título era “O Novo Normal Existe?” e faz parte dum conjunto de cursos chamado “O Café Filosófico”. Experimentei um curso online português anteriormente mas saí quando entrei em pânico porque percebi que teria de falar!
Ora bem, gostei muito deste. A professora começou por mandar-nos escrever as nossas próprias respostas (no meu caso “O nosso novo normal é igual ao velho normal da Coreia do Sul” (porque já costumam de usar máscaras lá)
De sequida, havia três vídeos com outros pontos de vista e depois, o grupo partiu-se e todos nós participámos em discussão em grupos pequenos. Confesso que não compreendi verdadeiramente o terceiro (uma comédia brasileira) mas fiquei influenciado pelas opiniões dos outros participantes.
Um afirmou que a normalidade em si nem sequer existe. Isso é verdade até certo ponto: cada um tem uma vida única e a situação muda constantemente. Mas cá para mim, o normal é o que não nos faz exclamar de surpresa. A estação de ano muda, o tempo muda, o governo muda, mas permanecemos dentro do espectro do normal. Mas de vez em quando algo realmente imprevisto (tal como uma pandemia) acontece que nos perturba. Está tudo estranho, e neste momento reconhecemos a normalidade perdida. Mas passado um ano e meio, será que o esquisito tornar-se-á normal? Achava que sim mas uma mulher no meu subgrupo foi céptica.
Acabei por crer que o novo normal pode existir se quisermos. Ou seja a maioria de coisas vão voltar um dia ao normal mas aprendemos muito em termos de modos de trabalhar e de viver e somos capazes de manter uns aspectos do normal temporário nos nossos próprios novos normais pessoais.
A minha filha está a ensinar a mãe a jogar um jogo baseado na série The Walking Dead. No início ela era cética. Não gosta de jogos. Prefere ver a televisão mas acabou por aproveitar o diálogo.
Estão as duas sentadas no sofá, a mãe a tricotar e a filha a controlar o protagonista. Cada vez que ela precisa de tomar uma decisão, a mãe é que manda. “Vamos matar o Ben” ela diz. “Mais tarde mãe, teremos uma hipótese em breve. Agora precisamos de roubar esta bateria” E assim por diante…
A minha filha marcou uma consulta com a dentista ontem às duas e meia da tarde. Para nós, uma família que adora piadas (ou melhor dois de nós adoramos), este facto é mesmo engraçado porque em inglês, “as duas e meia” (two thirty) soa igual a “dorzinha de dente” (tooth hurty). “two thirty” diz a macaquinha “sim” respondo eu “tenho de ir ao dentista” diz ela “ah ah ah ah” respondo eu. Coitadinha da mãe.
Today’s text is a bit of an odd one, following a train of thought from the last one. Thanks to Butt_roidholds for the corrections. I made a lot of silly mistakes in this text but there are some notes about the non-silly ones at the bottom.
O amor não nos é desconhecido* Conheces as regras e eu também Um compromisso completo é aquilo de que estou à procura Não receberias isto de outro gajo qualquer
So quero explicar-te como me sinto Tenho de te fazer entender
Nunca vou desistir de ti Nunca te vou desiludir Nunca vou andar às voltas e abandonar-te Nunca te vou fazer chorrar Nunca me vou despedir** Nunca vou mentir e magoar-te
*=”We’re no strangers to love” just doesn’t work in Portuguese. “Love isn’t unknown to us” is better.
**=nunca vou dizer adeus Would have been more idiomatic (and literal) but this is a verb I keep forgetting about so I wanted to crowbar it in.
Apparently piadas de tiozão (“big uncle jokes) are what Brazilians call dad jokes. Older subscribers who have endured three or more years of this blog (I raise a glass of Licor de Beirão in your honour) may remember that the European equivalent is “Piada Seca“
I inflicted two in the world today.
Como se chama um cantor que tem muita sede?
Justin Beber
Como se chama um cantor que tem um leque e um tambor?
This text was written about a news story. Actually I can see I got some details wrong but hey ho, I’m learning Portuguese, not writing a column in the Telegraph, so my fact checking department is limited. Dani Morgenstern corrected it (thanks!) and gave me some good tips which I have added as footnotes at the bottom
Escrevi uma anedota* ontem sobre a minha dádiva de sangue (uma operação fácil que praticamente não doi de todo) mas hoje ouvi uma notícia de alguém que fez um sacrifício heróico.
O Sam Astley é um adepto da seleção inglesa que se tinha registado no rol de voluntários que oferecem células da Medula Óssea para quem precise de tratamento contra a leucemia. No dia antes do jogo o serviço nacional de saúde contactou o senhor Astley para informá-lo de que havia alguém com o mesmo tipo de tecidos, portanto ele deveria ir ao hospital para doar células naquele mesmo dia e entrar em cirurgia porque senão o doente morreria.
Ficou ligeiramente chateado pela coincidência de datas, claro, mas não havia hipótese** de recusar. Aceitou sem hesitação.
O Sam e a sua namorada foram entrevistada na televisão. A namorada disse que ela o admirava e o considerava um herói por causa do seu sacrifício. O apresentador concordou e eu também. Mas o Sam não se quis vangloriar. Respondeu que “Não sou eu o herói. Eu fiz isto num dia só, mas a minha namorada é enfermeira. Ela salva vidas dia após dia.”
E eu pensei “OMG 😭” ou seja, como se diz em português “OMD 😭”
O casal recebeu*** dois**** bilhetes para a final da competição. Merecem.
Need a bone marrow transplant? Nobody with this surname is going to give you up or let you down.
*=I’m stubbornly resisting correction on this one. It was s suggested I change it to “piada” (joke) but I feel like the text I wrote about the blood donation was more of an anecdote and the Portuguese word has roughly the same meaning in Portuguese (“Pequena narração ou dito que provoca ou pretende provocar o riso” – Priberam) although I notice that piada is given as a synonym for anedota so maybe the two concepts aren’t as distinct in PT… Hm… Maybe time for a follow-up question. Watch this space.
**=I put “não havia questão” but I don’t think that sense of question works in Portuguese. Não havia hipótese seems to be the right option
***=recebeu (received) sounds a bit off in English, but the English equivalent “they were given” (foi dados) doesn’t work in Portuguese, so recebeu it is.
****= I used “um par” (a pair) but this isn’t commonly used in place of English words like couple, pair. If you mean two, say two!
This text about blood donation and the football has now been corrected by ThisCatIsConfused (thank you!)
Fui ontem a um centro de dádivas de sangue. Eu fiz o agendamento anteontem, e fiquei surpreendido porque normalmente não se pode agendar uma consulta sem 2 ou 3 semanas de antecedência. Hm.. Que estranho. Porque é que há tantas vagas no calendário do centro? Ora bem, tornou-se óbvio depois do enfermeiro me ter furado o braço*
“Então… O senhor vai ver o jogo de Inglaterra hoje à noite?” disse ele “Provavelmente” respondi. “Boa. Mas não te esquece que não se pode beber álcool durante as próximas 24 horas” Aaahhhh! É por isso que ninguém quer doar sangue hoje!
Acho que sou a primeira pessoa na história do mundo que disse a seguinte frase: “Não se rale. Não vou beber. Sou escocês.”
*=i really stretched myself with the grammar of this sentence and although I didn’t get it all right, it was close enough.
I mentioned a few days ago that I was trying to memorise poems in both English and Portuguese. Well, today’s is a Portuguese one: Rústica by Florbela Espanca. As with so many of these poems, reading it through once a couple of years ago, I was my usual poetry-reading self: “Yes yes, very poetic. Next!” But now that I’m immersing myself in them, I’m starting to get the point of poetry. Here is the original:
Rústica
Ser a moça mais linda do povoado. Pisar, sempre contente, o mesmo trilho, Ver descer sobre o ninho aconchegado A bênção do Senhor em cada filho.
Um vestido de chita bem lavado, Cheirando a alfazema e a tomilho… – Com o luar matar a sede ao gado, Dar às pombas o sol num grão de milho…
Ser pura como a água da cisterna, Ter confiança numa vida eterna Quando descer à “terra da verdade”…
Deus, dai-me esta calma, esta pobreza! Dou por elas meu trono de Princesa, E todos os meus Reinos de Ansiedade.
There are a few unfamiliar words in it so I’ll have a go at translating it:
Rustic
To be the prettiest girl in the village To walk contentedly on the same trail To see descending on the cosy home* The blessings of the Lord on every child
A calico** dress, well-washed Smelling of lavender*** and thyme With the moonshine quenching the thirst of the cattle**** Giving the doves the sun in a grain of corn
To be pure as the water in the cistern To believe in a life eternal When I go down to the land of truth*****
God, give me this calm, the poverty I’ll give them my princess throne And all my kingdoms of anxiety
*=The word used in the original is “ninho” which means nest, but I think in this context its just a folksy way of saying home.
**=my paper dictionary says chintz, but I think chintz is made of calico (?) and that calico goes more with the vibe of the poem. But I’m not an expert in cloth, so I could easily be wrong.
***=I’ve been saying “lavandas” for lavender but I think that might be a brazilism because according to the wiki this is the word used in Portugal.
****=matar a sede means kill the thirst, literally, but quench seems better. And it’s not “a sede do gado” (the thirst of the cattle) but ao gado (to the cattle) , another example of Portuguese speakers using prepositions in a way that are just a little different to what an english speaker would expect.
*****=Descer in this sentence is the future subjunctive, not the infinitive, and I believe its “when I go down” not “when he/she/it goes down” but I can only get that from context since there no way of telling grammatically! I’m not sure what the land of truth means here either. If it’s heaven, why is she descending and not ascending? I’ve read the bible and spent a lot of time in church but this makes no sense to me I’m afraid.
Here’s an analysis I wrote of the poem, in Portuguese, for today’s writing challenge (thanks to Dani Morgenstern for the help)
O Poema de hoje é Rústica de Florbela Espanca. O poema fala do anseio da poeta por uma vida mais bucólica, numa aldeia onde ela seja “a moça mais linda” e o ar seja perfumado de ervas e flores. Este desejo, esta saudade duma vida sem ansiedade e sem problemas é, no entanto, pouco realista porque a vida numa aldeia tem as suas próprias ansiedades e nem todas as moças podem ser a mais linda. Mas isso não contraria a mensagem do poema nem a vontade que todos nós temos de afastar-nos da vida moderna. O poema tem quatro versos: dois de quatro linhas e dois de três, e tanto quanto sei, este padrão é muito comum na obra desta poeta. Usa imagens da natureza (o que é pouco surpreendente neste caso!) e temas religiosos. Aliás, a religião não é apenas um tema: a saudade da religião faz parte da saudade da vida simples. É como se Deus não tivesse poder nenhum na cidade e só soubesse tocar o coração de quem vive nalguma quinta.