Launching an occasional series tentatively entitled Ambassador Update. This week: there is a new Portuguese ambassador in London, and the British ambassador in Lisbon fell of his bike and tweeted (in Portuguese, natch) about how well he was treated by everyone involved. Thanks to Dani Morgenstern for the help. I wrote this a while ago and delayed till I had the corrections for it, so maybe by the time you read this the world will have moved on but I’m betting you are not the sort of person who needs their ambassador news to be bang up to the minute so I hope you’ll bear with me.
Aqui em Londres, há um novo embaixador português. Sua excelência Manuel Lobo Antunes aposentou-se e voltou para Portugal. No seu lugar, Nuno Brito apresentou as suas credenciais a Sua majestade na quinta feira da semana passada.
Entretanto no parque de Monsanto, nos arredores de Lisboa, no sábado da mesma semana, o seu homólogo, Chris Sainty, o embaixador do Reino Unido, caiu da sua bicicleta e partiu um ombro. Escreveu um tweet no qual elogiou a gentileza dos transeuntes que vieram em* sua ajuda, e o profissionalismo dos médicos e enfermeiros que cuidaram dele no Hospital São Francisco Xavier.
Hoje caí da bicicleta no Parque de Monsanto. Muitas pessoas gentis pararam para me ajudar. Uma delas telefonou para os serviços de emergência e outra ficou comigo à beira da estrada até a ambulância chegar. Fui levado para o Hospital São Francisco Xavier. 1/2 pic.twitter.com/rHZuTFZGJI
Wow, well, this was going to just be another Portuguese text with footnotes but one of the footnotes sent me off down such a rabbit-hole about the origins of this song that I’ve ended up writing a whole separate blog post in English grafted onto the bottom and frankly it’s a lot more interesting than the Portuguese text. Thanks to Patis12 for help with the Portuguese parts.
Já falei do filme que eu e a minha filha vimos há uns dias – Opération Portugal. Há uma cena perto do final no qual os portugueses lutam contra os criminosos. Batem-lhes na cara com as suas pás – pumba! A banda sonora da cena é uma música famosa dos xutos e pontapés, chamada “A Minha Casinha” e os estrondos de pás contra caras sincronizam com a batida da música.
Zé Pedro
Confesso que sou indiferente à canção. Seis linhas repetidas… Quantaz vezes? Quatro? Cinco? Mas a minha esposa gosta muito porque a música da nossa juventude tem sempre lugar especial nos nossos corações. Não sabia antes de começar este texto que os Xutos e Pontapés não escreveu a letra da canção: o original era parte da banda sonora dum filme dos anos quarenta do século passado chamado “O Costa* Do Castelo” Uau, que evolução imprevisível!
*= Why “O Costa”, not “A Costa”, given that Costa is a feminine noun? It’s because it’s not a noun at all, it’s the name of one of the characters in the film.
So slipping back into english, here are a few of the many manifestations of this song:
As I’ve said above, a well-known actress and singer named Maria de Lurdes de Almeida Lemos, better known as Milu sang it in a movie called O Costa do Castelo (1943) and wow, it really is almost unrecognisable. By the way, one of the commenters under the video has used an expression I mentioned a few days ago: “Nem a Grace Kelly lhe chegava aos calcanhares…”
Basically this is a very traditional song about the joys of being poor and pure at heart. This seems very much in keeping with the ethos of the dictatorship that was in place at the time.
In the eighties, Xutos e Pontapés started singing it for a laugh as a way of rounding off their shows and eventually recorded it on their album “88”. Here’s their version (they’re well into their later years in this recording, obviously)
They have stripped out the later verses about Christian humility and simplicity (neither of which is a punk virtue) and instead just taken the first verse and repeated it a few times, describing their top floor flat: “um (…) primeiro andar a contar vindo do céu” means “the first floor – if you’re counting down from the sky”, so the vibe your left with is more like a tower block anthem. This contrasts with Milu’s version which uses the same words but conjures more of a rose-tinted vision of life in a poky old house in an impoverished but proud neighbourhood in the Alfama.
The result is a pretty good anthem, as suitable for chanting on the football terraces as singing in the Coliseu.
When Metallica played Lisbon shortly after the death of Xutos’ lead guitarist Zé Pedro they chose this song as a tribute.
Xutos e Pontapés were also invited to make a video of the song to as a promo for the Spanish Netflix series A Casa De Papel (aka Money Heist)
And finally, here’s how it’s used in Operation Portugal with clanging shovels. Most of this is french of course, apart from the chant (“The people united will never be defeated”) and the soundtrack itself
Here are the lyrics:
As saudades que eu já tinha / The love I felt Da minha alegre casinha / For my happy little house Tão modesta quanto eu / As modest as I am Meu Deus como é bom morar / My god, it’s good to live Num modesto primeiro andar / On a humble first floor A contar vindo do céu / Counting down from the sky
… And then the additional verses that were dropped from the Xutos version…
O meu quarto lembra um ninho /My bedroom is like a nest e o seu tecto é tão baixinho / it’s cieling is so low que eu, ao ir para me deitar, /that when I go to bed abro a porta em tom discreto, / i open the door quietly digo sempre: «Senhor tecto, / and say “Mr Cieling, por favor deixe-me entrar.» / please let me come in”
Tudo podem ter os nobres / The gentry might have everything ou os ricos de algum dia, / Or the people who happen to be rich mas quase sempre o lar dos pobres / but almost always, poor people’s homes tem mais alegria. / have more joy
De manhã salto da cama / In the morning I jump out of bed e ao som dos pregões de Alfama /and to the sound of raised voices in the Alfama trato de me levantar, / I start waking up porque o sol, meu namorado, / because the sun, my beloved rompe as frestas no telhado / breaks through the gaps in the roof e a sorrir vem-me acordar. / and wakes me with a smile
Corro então toda ladina / Then I run, completely pure** na casa pequenina, /in the little house bem dizendo, eu sou cristão, / saying I’m a Christian “deitar cedo e cedo erguer / “Going to bed early and rising early dá saude e faz crescer” / makes you healthy and makes you grow” diz o povo e tem razão. / say the people and they are right.
Tudo podem ter os nobres / The gentry might have everything ou os ricos de algum dia, / Or the people who happen to be rich mas quase sempre o lar dos pobres / but almost always, poor people’s homes tem mais alegria. / have more joy
**=I’m not sure about the translation of “Ladina” meaning pure. According to Priberam, it’s an antiquated meaning, but it’s the only one that makes sense so I think it must have still be in current usage at the time the film was released.
Ontem, eu e a minha filha passámos o dia sentados no sofá constipados* com os narizes entupidos, a tossir e a ver televisão. Entre várias outras coisas, vimos um filme chamado Opération Portugal. É um filme francês no qual um polícia árabe (o nome do ator é D’Jal) finge ser português para se infiltrar numa família portuguesa que (segundo a Interpol) está envolvida na importação de drogas para França.
Il n’est pas un “petit flan”
Em primeiro lugar o que mais me marcou foi o número de piadas baseadas em xixi. O bófia mija numa roda dum camião logo no início do filme e depois mija mais quatro vezes em várias lugares durante a primeira meia hora. Os franceses gostam assim tanto de rir de urina?
Antes de entrar na missão, o polícia tem de aprender as bases da língua e da cultura portuguesa para passar por português. Aprende a dizer “obrigado” e “bacalhau” e como dizer o nome do país com o sotaque certo. Afinal, é um católogo de estereótipos nacionais. Coitado do francês: na primeira semana, é forçado a assistir a um jogo de futebol entre a seleção portuguesa e a francesa e tem de esconder as lágrimas e a fingir entusiasmo quando os portugueses ganham.
*=I will never get used to this meaning having a blocked nose instead of a blocked bum.
Hoje é sexta-feira santa, o dia no qual os cristãos se lembram da morte do seu salvador. Ouvi falar ontem de um cargo religioso: o Farricoco, que é um figurante numa procissão católica. Tanto quanto eu sei o nome é principalmente associado com Braga em Portugal mas há outros exemplos em várias cidades do Brasil também. Os bracarenses vestem-se de preto com caras cobertas de sacos, enquanto os brasileiros usam capuzes pontiagudos e bem coloridos.
Well, I mentioned it’s spring here in the northern hemisphere, so here’s my attempt at a translation of Primavera. I can’t find any videos of Amália singing it but I’ll drop a live recording of Mariza’s version here for those who don’t know it.
Ai funesta Primavera!
Todo o amor que nos prendera /All the love that had stuck to us Como se fora de cera /As if it were wax Se quebrava e desfazia /Broke apart and disintegrated Ai, funesta Primavera! /Oh terrible spring! Quem me dera, quem nos dera /If only I, if only we Ter morrido nesse dia /Had died on that day Ai, funesta Primavera /Oh terrible spring Quem me dera, quem nos dera /If only I, if only we Ter morrido nesse dia /Had died on that day
E condenaram-me a tanto /And they condemned me so much Viver comigo o meu pranto / To live with myself and with my mourning Viver, viver e sem ti / To live to live without you Vivendo sem no entanto / But living without Eu me esquecer desse encanto /forgetting that enchantment Que nesse dia perdi / That I lost in that day Vivendo sem no entanto / But living without Eu me esquecer desse encanto /forgetting that enchantment Que nesse dia perdi / That i lost on that day
Pão duro da solidão / The stale bread of loneliness É somente o que nos dão / Is all the give us O que nos dão a comer / What they give us to eat Que importa que o coração / What does it matter if the heart Diga que sim ou que não / Says yes or no Se continua a viver / If it keeps on living Que importa que o coração /What does it matter if the heart Diga que sim ou que não / Says yes or no Se continua a viver /If it keeps on living
Todo o amor que nos prendera /All the love that had stuck to us Se quebrara e desfizera / Broke apart and disintegrated Em pavor se convertia / It converted itself into dread Ninguém fale em Primavera /Nobody talk about spring Quem me dera, quem nos dera / If only I, if only we Ter morrido nesse dia / Had died on that day Ninguém fale em Primavera /nobody talk about spring Quem me dera, quem nos dera / If only I if only we Ter morrido nesse dia / Had died on that day
Continuing my series of mini-biographies I’m doing a twofer today and describing the two footballers on the cover of the first Portuguese Textbook I ever owned. It’s a bit of a cheat because I’m trying to only talk about living people but Eusébio went to that big stadium in the sky in 2014. Meh, I’ll stretch a point. The a. C. in the title is a joke a. C. Means “antes de Cristo” not “antes de Cristiano”.
Durante época antes de Cristiano, existiam outros futebolistas pre-históricos.
Segundo arqueólogos, o jogador português mais famoso dos anos noventa e os primeiros anos deste século era Luís Figo. Figo estreou com o Sporting Clube de Portugal. Como a sua fama cresceu, outras equipas queriam atraí-lo. Jogou pelo Barcelona e pelo Real Madrid em espanha e, nos últimos anos da sua carreira, por Internazionale na Itália.
Ainda mais distante no passado, no período Jogorássico, havia um jogador chamado simplesmente Eusébio. Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Moçambique em 1942 enquanto aquele país ainda era uma “província ultramarina”. Jogou por várias equipas portuguesas e estrangeiras e na seleção portuguesa desde 1961 até 1973.
Eusébio
Eusébio é considerado um dos melhores jogadores de sempre e foi um prolífico goleador (marcou quase 900 golos ao longo da sua carreira). Foi alcunhado “O pantera negra” (hum… A flexão do adjectivo é confusa aqui: artigo masculino com adjetivo masculino… Mas suponho que “pantera negra” é o nome do animal e não é considerado um adjetivo distinto, pois não…?)
Not quite the latest in the series of texts about famous (and alive) Portuguese people.
Ana Garcia Martins é uma apresentadora, bloguista e autora portuguesa. A sua carreira começou em 2004 quando lançou o blogue “A Pipoca Mais Doce“. O blogue não tem tema específico: fala de roupa e da moda mas também sobre ser mãe e como afastar piolhos. Uma publicação recente no seu blogue teve por assunto pneus. Costuma recomendar marcas específicas. Parece-me que a sua posição como “influenciadora” está a atrair a atenção de departamentos de marketing que querem aproveitar a sua plataforma mas não sei. Foi convidada do “Pressão no Ar”, a rubrica do “5 para a meia-noite” e admitiu que não recusaria de trabalhar com marca nemhuma porque “toda a gente tem o seu preço”
Mais recentemente, Ana, (que é muitas vezes conhecida pelo nome do blogue em vez do seu nome próprio) tornou-se apresentadora da programa Big Brother. Estou-me nas tintas para tais programas, mas, apesar disso, não é possível evitar ouvir falar deles e portanto ouvi falar dela também.
Tanto quanto eu sei era casada com um gajo qualquer mas os dois separararm-se e já tem namorado que é outro gajo qualquer mas acho que já escrevi mais do que quero sobre uma personalidade de televisão portanto por hoje chega.
Another biographical text. Thanks to ThisCatIsConfused for the correction (only one – I must have been on good form the day I wrote it!)
Ando a tentar escfrever textos sobre portugueses famosos. O de hoje é o sexto. Nuno Miguel Machado Reis Peres é um cientista. É um professor catedrático no centro de física na universidade de Minho. O seu campo de pesquisa é a teoria de matéria condensada, matérias 2d, incluindo o nosso amigo, o grafeno.
Famoso? Como assim? É verdade que o Doutor não é famoso no sentido tradicional. Tanto quanto sei não tem sido convidado no “Big Brother: Famosos”, mas não importa muito porque se fosse confiado, não teria tempo porque o Doutor Peres é um dos cientistas mais citados no mundo. As suas obras receberam mais que 24 milhares de citações. Faz parte do “Graphene Flagship” um projeto importantíssimo da União Europeia.
A couple of texts from last week when I had the covid (I’m better now).
Doente
Apanhei este maldito vírus. A minha filha estava doente na semana passada e já passou para mim. Bolas.
Um Dia Na Cama
Apesar de não estar assim tão doente, estou a aproveitar a oportunidade para ficar em casa e na cama, a ler um livro. Tenho dois em andamento atualmente: Segredo Mortal de Bruno M Franco e Death and the Penguin de André Kurkov. Adoro os dois.
Deixo de Espirrar
Finalmente testei negativo ao* coronavirus depois de 6 dias de doença. Estava com sorte: apanhei o vírus durante a vaga omicron e estou vacinado.
Vou tentar correr 5 quilómetros hoje mas não sei se vai ser possível. Há quem diga que as vítimas do Covid permanecem com falta de fôlego durante algum tempo depois de recuperar.
Como provavelmente já disse, temos um lotinho de terra na horta comunitária. No ano passado o tempo andava muito húmido (ai funesta Primavera!) e apesar de termos constituído uma estufa, muitas plantas faleceram (quem me dera, quem nos dera, não terem morrido nesses dias). Os tomates por exemplo, ficaram infetados de fungos* (todos os tomates que nós tínhamos plantado rebentaram-se** e desfizeram-se). Ainda por cima, a construção da estufa levou tanto tempo que não conseguimos plantar sementes no início da estação de cultivo***.
Mas neste ano, conseguimos pôr tudo em andamento muito cedo. Plantamos uns alhos franceses, favas e cebolinhas no Outono que estão quase prestes a colher. Além disso, temos sementes na estufa que estão a crescer e os morangueiros**** ainda têm flores. Quando vamos por lá, tudo tem aspecto prometedor. Com sorte, vamos ter umas boas saladas este ano!
* Infected with funguses (fungos) not just fungus (fungo). It’s more natural to use the plural in this kind of situation.
** I originally used “quebrar” but that’s more usual when you’re talking about hard, solid objects breaking. In this case they burst (rebentar) or split (rachar)
*** The growing season
**** A good example of a word where changing the last letter doesnt just change whether you are referring to a man or a woman but changes what it actually is that you’re referring to: morangueiro = strawberry plant / morangueira = strawberry seller