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A Semana Política – The Bad Old Days

A minha esposa enviou-me este vídeo durante o seu turno da noite. Faz parte de uma série de textos lançada pelo jornal Público para comemorar 50 anos de liberdade.

É um pouco fora do tema da semana mas convém lembrar de que existem políticos que trabalham dia após dia para fazer o relógio andar para trás e devolver o país àquela época. Dois dias atrás, partilhei um vídeo de um candidato do Ergue-te a elogiar Salazar. É um meme, sim, porque o homem é tão burro, mas também é mais do que um meme…

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A Semana Política – O Debate

Comecei este blogue sem saber como iria correr. O objetivo é aumentar a minha capacidade de audição por método de tomar notas enquanto oiço o debate. Noutras palavras, este texto provavelmente não será coerente porque estou a fazer um desafio e não a criar conteúdos, estás a ver? Talvez seja melhor se saltares este.

Ainda estás aqui? Ora bem, não me digas que não foste avisado! Seja como for, Portugal tem tantos partidos que têm de montar uma série de debates entre os líderes. Este é o debate com os porta-vozes do PS e do PSD e por isso acho que será um diálogo representivo abordando os assuntos chaves e as opiniões mais convencionais

Estou curioso por ouvir um dos debates com André Ventura também mas não quero destacar as suas opiniões aqui: prefiro focar na rivalidade entre os dois maiores partidos do sistema português. Tenho um blogue planeado sobre a corrupção e a oportunidade que dá aos populistas. O ex-comentador desportivo pode esperar até ao Domingo!

Sobre a “ruidosa manifestação de polícias” junto ao Capitólio

  • LM concorda com a reivindicação dos policiais e quer entrar numa negociação com eles.
  • PNS fala da segurança e do direito de se manifestar mas implicitamente a manifestação põe em causa a segurança.

Apoio ao primeiro orçamento do novo governo

  • LM evita dar uma resposta preferindo falar da competência do novo governo e do crescimento económico que se prevê.
  • PNS fala da incapacidade do PSD em liderar a direita, que ele chama “uma grande bagunça” e diz que os dois partidos têm visões económicas muito diferentes e que não poderá dar garantias face a um orçamento que já não existe
  • Depois, os dois continuam a falar em cima um ao outro até a anfitriã interromper e lembrá-los de que haveria mais questões sobre os assuntos dos quais estão a discordar

A localização de um novo aeroporto* (sem falar da TAP!)

  • LM entra a matar com uma série de acusações ao PNS sem tentar responde à pergunta feito pela anfitriã.
  • PNS responde com irritação e LM continua a lançar bocas na sua direção, rindo e dizendo que o líder do PS está incomodado e blábláblá até os anfitriões (que já têm ar de quem precisa de uma bebida alcoólica o mais depressa possível) intervir para restabelecer a ordem.

Sobre o previsto crescimento da economia

  • LM cita o conselho de finanças públicas* e defende que a sua política é capaz de fazer crescer a capacidade ainda mais até chegar, em 2028 “à casa de 3.4%”
  • Por outro lado, PNS fala do seu programa para revitalizar a economia para selecionar os sectores com mais capacidade de arrastamento (?). Menciona o objetivo de reter os jovens treinados no país, (de que falei dois dias atrás)
  • Soou bem, mas há o problema do PS ser o partido de poder. Enquanto estava a pontificar o LM tornou a lançar boas “É uma confissão de culpa relativo aos últimos oito anos”

Consegui 18 minutos mas não suporto mais! Acho que o Luís Montenegro “ganhou” as primeiras questões. Isso não significa que seria um melhor primeiro-ministro, claro, mas manteve-se sob controle enquanto Pedro Nuno Santos estava defensivo e mostrou uma irritação que traiu o seu desconforto em defender o recorde do seu partido.

*Don’t worry, they’re really narrowing down the location.

**Which I’d never heard of – but it’s this. Roughly equivalent to the Office for Budget Responsibility?

Entretanto, ando a aproveitar o buffet dos debates no internet…

Grifterices!

Thanks to Cristina for correcting the erros in the original.

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A Semana Política – Terapias de Conversão Sexual

Queria analisar uma nova lei, a partir de um artigo de uma advogada, Teresa de Melo Ribeiro, mas logo no início, deparei-me com um obstáculo:

Tal lei – o Decreto da Assembleia da República nº 133/XV – teve na sua origem os Projectos* de Lei nºs 72/XV/1ª (BE), 209/XV/1ª (L), 699/XV/1ª (PAN) e 707/XV/1ª (PS), tendo sido aprovada à pressa (…)

Teresa de Melo Ribeiro no Observador

Muito interessante, mas que raio significa “Projeto lei”? E “Decreto lei”?

Para resolver o mistério virei-me para as páginas da Assembleia da República, onde achei  uma resposta nas “Perguntas Frequentes”. De facto, existem 3 termos relacionados com a elaboração das novas leis.

Uma proposta de lei é uma nova lei redigida pelo governo ou pelas assembleias legislativas das regiões autónomas.

Um projeto de lei é semelhante, mas a iniciativa legislativa cabe aos deputados, aos grupos parlamentares ou a um grupo de cidadãos.

Sendo aprovada em plenário da Assembleia da República, qualquer uma destas iniciativas passa a dar à luz uma nova lei.

Um decreto lei é elaborado pelo governo executivo. Confesso que não compreendo bem a explicação deste processo misterioso dada no website mas consegui reter este pormenor!

Entendido? Boa! Vamos a isto!

Alguém disse uma vez que um camelo é um cavalo desenhado por uma comissão. Mas este decreto lei é resultado de quatro comissões: O decreto lei da presidência é baseado em três projetos de lei, redigidos pelo Partido Socialista, pelo Livre e pelo PAN. Não me admira que a lei é tão confusa; muitos países querem passar leis deste tipo, ainda que ninguém saiba o que é “identidade de género” e por isso as leis não têm hipótese de melhorar as vidas de ninguém. Tanto quanto sei, o Decreto lei ainda não está aprovado e a advogada espera que isso nunca aconteça.

A advogada sabe da sua profissão, sem dúvida e tenho a certeza absoluta de que a sua crítica de como as novas proibições interagem com leis existentes é correta**, mas não entendi patavina porque não conheço os códigos aos quais ela se refere. Mas as bases*** são óbvias: é absurdo dizer que uma cirurgia que muda permanente o corpo de alguém não é “conversão” mas deixar o corpo intacto é “conversão”. É ainda mais absurdo introduzir uma lei que proíbe a tortura e o abuso (que já são ilegais) mas que também proíbe atos voluntários que não prejudicam ninguém.

Eu achei menos persuasiva o seu apelo à liberdade de religião. Se estas práticas fossem prejudiciais, a religião não seria uma desculpa. Este princípio já se aplica a determinadas práticas culturais, por exemplo a mutilação genital praticada em zonas de África e do médio-oriente.

Também achei fraca a sua queixa de que “pergunta[mos] se a intenção do legislador com esta lei será realmente a proteção das pessoas LGBT+ ou não será antes um ataque às pessoas H?” Esta mania de perseguição não lhe fica bem.

Mas o grande problema com este tipo de lei, embora seja bem-tencionada, é que impõe uma narrativa simples numa situação complexa.

Vou focar este texto no contexto de “conversão” de transgéneros, e ainda mais especificamente em adolescentes, por vários motivos, mas principalmente porque não me importa se pessoas adultas**** optam por fazer***** cirurgias desnecessárias. O que me importa, acima de tudo, é que protejamos pessoas que ainda não são capazes de dar consentimento informado à terapia hormonal, drogas ou cirurgias porque não entendem as consequências das suas ações.

É muito normal que um adolescente sofra crises de identidade, doenças mentais e emoções confusas. A adolescência é assim. Não é nada surpreendente que o número de jovens que se identificam com a etiqueta de transgénero aumenta cada ano agora que se fala por todo o lado. Um psicólogo diligente, ao encontrar com um adolescente que se queixa****** de disforia de género, (sobretudo se também esteja a sofrer de depressão ou anorexia ou outras doenças mentais), tem a responsabilidade de adoptar um ponto de vista holístico face a este leque de problemas e deixá-los falar sobre as raízes dos seus sentimentos. Mas este modelo não é aceitável entre determinadas ativistas que acham que devemos afirmar a “identidade” dos adolescentes seja como for. Portanto uma psicóloga como a canadende Erica Andersen (que também é transgénero) é denunciada por praticar “terapia de conversão” porque ela só quer dar hormonas a quem (na sua opinião profissional) precisa delas em vez de a quem quer que peça. Se seguirmos essa lógica ninguém ousaria exercer qualquer julgamento profissional por receio de ir para a cadeia. E efetivamente é isto que está a acontecer porque os ativistas conseguem influenciar as leis em muitos países ocidentais simplesmente porque apresentam as suas crenças como se fossem uma verdade indiscutível.

Parece-me que a lei portuguesa cai na mesma armadilha: quando a advogada fala de “A amplitude, imprecisão e indefinição dos actos previstos” no decreto lei, acho que está a avisar contra leis que podem ser interpretadas duma maneira demasiado amplia. Os deputados que o redigiu queriam ajudar a nova geração de adolescentes que acreditam nestas ideias. Bem, aplaudo a sua vontade de ajudar as pessoas vulneráveis, mas acabaram por promulgar uma lei que vai isolar os jovens ainda mais dos serviços de saúde mental.

* Example of a word where a lot of people seem to use the old pre-AO spelling. I’ve stuck to what I think is the orthodox spelling in my own text, but this is a quotation so I have left it as it is in the original

**I made the silly error of saying that the argumant “tem razão” but a person tem razão, a thing está correto

***Not “os básicos” as I wrote originally. Anglicismo!

****Not just “adultos”

*****Fazer: you do surgery, you don’t have it. Translating too literally again.

******Another one! I wrote “se apresenta com” for “present with” which I think is a normal way of describing how a patient describes themselves on first entering a therapist’s office but seems not to be a thing in portugal

Thanks as always to Cristina of Say it in Portuguese for helping with the grammar but any unacceptable opinions you might find here are my own of course!

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A Semana Política – Geography Fail

Espero que estejas a gostar da semana política. Acabo de ver este génio que nem sequer sabe o nome da ponte principal de Lisboa. Sabes por que é que ele fez este erro básico? A resposta está sob o vídeo.

Propriamente dito, não é um erro mas sim uma escolha. Para quem não saiba, a Ponte 25 de Abril foi construída antes da revolução dos cravos e naquela altura foi nomeada Ponte Salazar. Insistir em usar aquele nome é um bom indicador de que o orador sente uma nostalgia para a época da ditadura. O seu nome é José Pinto Coelho e é o presidente do partido Ergue-te. Já adivinhaste onde este partido se situa no espectro político? Dou-te uma pista: não é social democrata moderado.

(Thanks again to Cristina for pointing out the errors in the first version. This was post number 1666 on this blog so in honour of the Great Fire of London I should have burned it to the ground, really, but hi ho)

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A Semana Política – A Geração Mais Qualificada de Sempre

Escrevi há pouco sobre o movimento Próxima Geração, cujo objetivo é revitalizar a democracia portuguesa, desenvolvendo as capacidades e as consciências dos jovens-adultos. A sua porta-voz, Adriana Cardoso, falou dos desafios específicos aos trabalhadores mais novos que são “A geração mais preparada, a geração mais qualificada de sempre” mas que têm poucas oportunidades para utilizar a sua formação devido ao tecido empresarial ser 99.9% composto de PMEs (Pequenas e Médias Empresas) sem quadros adequados aos talentos e às ambições dos empregados. Portanto, os jovens mais trabalhadores e mais ambiciosos têm um dilema: ou ficar no seu próprio país e ganhar pouco ou ir embora, levando a sua formação com eles.

Acho que a sua descrição do problema é correta até certo ponto: segundo um artigo no jornal Expresso, a frequência de ensino superior aumentou durante a década passada e as taxas de abandono escolar descem todos os anos (embora as estatísticas sejam questionáveis: mais estudantes nas escolas em 2020 e 2021 durante os piores meses da pandemia? Improvável!). O texto aponta uma deficiência na formação profissional e de competência geral relacionado com a transição ao mercado de trabalho. Jovens portugueses têm níveis muito acima da média de aprendizagem de línguas estrangeiras mas paradoxalmente isso é provavelmente um dos fatores que possibilita a transição a outros países!

Claro que estas dificuldades afetam os jovens de todos os países, e a situação piora devido aos efeitos da tecnologia e da globalização do mercado laboral, mas é provável que seja mais acentuado em Portugal por razões históricas.

E daí vemos um desafio para os partidos políticos: como podem falar aos cidadãos mais novos? Há um ditado em inglês: um conservador é um socialista que passou a pagar impostos. Noutras palavras, um cidadão que trabalha e que vê um futuro na sociedade virá a confiar naquela sociedade e a apoiar as suas instituições. E se milhões de jovens nunca chegam a atingir um nível de segurança fiscal? Se não conseguem comprar uma casa ou arranjar emprego digno da sua inteligência? Que espécie de futuro terá o país?

Qualquer partido que queira ganhar poder (e assumo que todos querem porque se não, porque é que estão a desperdiçar tanto tempo em campanhas políticas?) precisa de explicar como as suas políticas possibilitarão uma vida melhor para a próxima geração.

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A Semana Política – Rui Tavares

O exercício de hoje é transcrever um discurso de Rui Tavares, um dos porta-vozes* e um dos fundadores de um partido pequeno chamado Livre. Livre é o partido do qual Joacine Katar Moreira (mencionada neste blogue) era membro antes de se demitir. Tanto quanto sei, ela passou a deputada não inscrita e ainda é membro da câmara, mas não conheço os pormenores de como ou de porquê. Hum… enganei-me, li na Wikipédia que ela perdeu a sua cadeira em 2022.

Eu disse num blogue de uns dias atrás que penso nele como um “pai centrista” (em inglês, “centrist dad”) porque fala contra o extremismo e a favor de as instituições, mas na verdade, o deputado não é nenhum centrista. O seu partido é pouco convencional mas é indiscutivelmente situado à esquerda do espectro político, só que fica nem perto do PCP nem dos outros partidos… hum… esquerdoidos**. Por falar nisso, antes de saber quem era, li um livro de Rui Tavares que fala sobre a divisão entre as duas alas políticas. Muitas pessoas gostam dele, mas, como observou o streamer Tji Pereira, “toda a gente gosta de Rui Tavares mas ninguém vota no Livre”

Enfim, escrevi a minha transcrição e depois liguei as legendas para verificar tudo. Infelizmente, acho que o texto das legendas foi gerado por um IA! Sublinhei os meus erros a laranja e as palavras que (na minha opinião infalível) não batem certo nas legendas e que (também na minha opinião) eu ouvi corretamente, em cor-de-rosa***. Finalmente cinzento significa que não há legendas.

Eu achei curioso que no debate de hoje foi o proponente que falou várias vezes em fascismo e fascistas porque normalmente é uma palavra que se usa pouco nesta câmara porque há uma espécie de receio em utilizá-la. Há muita facilidade a utilizar extrema-esquerda, comunistas, isso mesmo para quem não é do Partido Comunista Português

Senhor deputado, oiça, até agora conseguiu ouvir, conseguirá mais um minutinho. E curiosamente, sobre a tema essencial da história das democracias no nosso espaço geográfico, na Europa ocidental, foi como é que**** os regimes democráticos caíram. E caíram nos nossos países perante os fascismos.

Acerca disso, nunca falamos. Pois eu digo-vos… Não não, esquecequeria, queria o senhor deputado que esquecêssemos, mas não esquecemos porque esse é o tema fundamental. E sabe como é que caíram? Caíram quando as democracias não souberem cuidar de si, não souberam aplicar a lei, não souberam fazer leis que fossem compreen…

Eu compreendo o nervosismo, compreende-se tão bem o nervosismo, de um partido que nunca esclareceu de onde veio o dinheiro da primeira campanha, que foi legalizado com assinaturas falsas no Tribunal Constitucional, que vinha [???] de declarações… Compreendo muito bem que ainda ontem surgiu uma notícia que nos dias que as… Que o conselho consultivo que houve é de financiadores do próprio partido. Não vem falar disso? Saiu na Sábado*****, de ontem, compreendo tão bem o nervosismo. É que vocês ficam nervosos quando se fala daquilo que importa, que é a democracia defender-se…a democracia saber defender-se. Porque reparem numa coisa. Para a democracia (…senhor deputado tem de concluir… ) Concluirei muito rapidamente. Porque para a democracia se defender e ter futuro, ela precisa saber fazer funcionar as instituições. Para a democracia… Para a democracia se perder, é muito simples: perante precisamente partidos como os vossos, basta não fazer nada e eu espero que não seja aí que nós caimos.

*I had to check it wasn’t “portas-voz”!

**I’d almost forgotten this word. It doesn’t actually fit here but I’m leaving it in because I love knowing about terrible internet slang because it makes me feel like an anthropologist or something. “Esquerdista” might make more sense, or “extremista” or a range of other things, I suppose, depending on your point of view.

***I originally wrote “cor de laranja” but was glad to change it because every time I see cor de laranja and cor-de-rosa in the same sentence it reminds me how infuriating it is that one has hyphens and the other doesn’t but eu não faço as regras.

****Worth pointing out that some of the sentences he’s saying don’t seem to be grammatically correct: if you try and parse them out, you know what he’s driving at but the beginnings and endings of the sentences don’t always quite match up as far as I can see. This is an example.

*****I thought this was him mis-speaking but it’s the magazine (revista = feminine) called Sábado and it comes out during the week, not at the weekend, which is why he says it came out in yesterday’s Saturday!

Thanks as ever to Cristina of Say it in Portuguese for helping me sort this lot out.

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A Semana Política – Os Partidos

Há dois anos, criei um blogue intitulado Fight for Your Right to Partidos com um documento no qual juntei tudo o que sabia e tudo o que encontrei sobre o sistema político em Portugal. Mas uma semana é muito tempo na política e dois anos são ainda mais tempo. O país está a preparar-se para uma nova eleição legislativa, portanto chegou a hora de atualizar a descrição.

Os dois principais partidos no sistema português são o Partido Socialista, fundado em 1973 por Mário Soares, que evoluiu ao longos dos anos de um partido revolucionário a um partido democrático do centro-esquerda semelhante ao partido trabalhista britânico antes da época de Tony Blair, e o Partido Social-Democrata, que nasceu logo depois da Revolução dos Cravos e foi fundado por Francisco Sá Carneiro, entre outros. No espectro português, situa-se ao lado direito, mas sem dúvida seria considerado esquerdista se fosse um partido americano! O antigo partido da direita, o CDS-PP, fundado por Diogo Freitas de Amaral, o antagonista de 1986, a série, quase não existe; apesar de ter 79000 membros, ficou sem representação parlamentar nas últimas eleições. No seu lugar, surgiu o Chega, que tinha 1 deputado em Setembro de 2021 mas já tem doze. Vou falar mais neles num outro blogue.

Uma vez que não consigo resumir a plataforma eleitoral de todos os partidos, foquei-me nos mais importantes (os que têm representação parlamentar) e coloquei uma ligação ao manifesto de cada um para quem quiser saber mais.

Aqui está a nova versão

Thanks very much to Cristina of Say it in Portuguese for all the help with this one. The document is hooj, and I really appreciate the time taken.

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Quero É Viver

OK, having had that confusion about the authorship of “Quero É Viver”, I might as well do a translation of it. This version, by Humanos, is absolutely amazing! I love Sara’s too, but this is a real contrast in the tone. It’s much more in-your-face, more defiant and less dreamy. I’d always thought of it as sounding like someone just wanting to survive something, but with this arrangement it sounds more like someone trying to squeeze every last drop of life. Well, I think a lot of Variações’s songs are like that (check out “O Corpo é que Paga“, for example!), so that shouldn’t surprise me.

Camané is a great choice of vocalist too, because his voice has that same wobble in it as Variações, but he’s a better singer than (Sorry, I know Variações is a god, but it’s true).

Also, Camané’s eyebrows are always on fleek.

OK, Let’s do this! Headphones all the way up!

PortugueseEnglish
Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer
I’m going to live
Until when, I don’t know
What does it matter to me what I’ll be
I want to really live
Tomorrow I always look forward to another tomorrow
And I believe it will be
Another pleasure
e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ou repetir
And life is always a curiosity
That opens my eyes with age
Interests me in what is to come
Life in me is always a certainty
That’s born of my abundance
From the pleasure I take in discovery
Find, renew, escape or repeat

Oh God, that’s good. It’s making me want to go and listen to more Clã and more Camané.

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Sara Correia

Vou viver / Até quando eu não sei / Que me. Importa o que serei / Quero é viver

Eu e a minha esposa fomos assistir ao espetáculo de Sara Correia em Cadogan Hall. Foi incrível.

Antes do concerto dela, houve uma meia hora com um jovem que cantou bem acompanhado de um guitarrista. O público estava muito entusiasmado. Houve uma grande salva de palmas após cada canção. Nunca antes vi o primeiro artista a receber uma ovação de pé. Mulheres gritaram “amamos-te”. Havia muito estrogênio na sala, percebem? Perguntamos às mulheres do nosso lado direito quem era aquele rapaz. Foi Luís Trigacheiro, um vencedor do “The Voice Portugal”. Aaahh, percebo!

Sara apresentou o seu novo álbum e uns temas mais antigos tipo “Quero É Viver” (de Pedro Abrunhosa*) e “Estranha Forma de Vida” (de Amália Rodrigues) . A atmosfera na sala de concertos foi mil vezes mais animada do que a da minha última visita. Pessoas na varanda batiam os pés e gritavam “Ah fadista! Bravo! Sa-ra Sa-ra!”

Tinha corrido 10 milhas antes do concerto e estava com dores nos pés e as minhas pernas estavam fatigadas mas consegui estar de pé com os outros. Aí, que chatice.

(Update… er… well, look I’m absolutely sure she said it was one of his but I’ve just looked up the original on Spotify and it seems like it was a track by António Variações, released postumously on an album called Humanos, as part of a project by a group of musicians, including David Fonseca, Camané and some members of Clã. They went on to perform some of his music at a series of tribute concerts, which is available on Spotify. I had no idea this had happened. Very glad to find it though!)

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The Sense of An Ending

I wrote this a couple of days ago but the mistakes made were quite hard to unscramble because of the way I’ve ordered the examples, so it’s taken a while to lick it back into shape. Thanks to Cristina of Say it in Portuguese for helping me desenroscar esta merda toda, but if I’ve missed anything, that’s my fault, obviously, not hers.

Falhei em aprender a lição deste blog portanto tenho TPC: escrever uma frase com cada expressão. Gramática é chato e estou farto de exercícios. prefiro falar sobre o meu novo programa televisivo mas sou um bom estudante portanto vou resistir a este impulso e aderir ao plano. Vamos a isto.

Finalmente 

  • Finalmente consegui encontrar tempo suficiente para ver o primeiro episódio do Pôr do Sol. É incrível!

No fim 

  • A série abre com dois amantes a passear na praia de Santarém e a argumentar, e no fim do seu caminho, chegam a um barco, ao lado do qual há um homem que compra uma das filhas gémeas deles, arranca, e logo depois o barco explode, matando o homem e (aparentemente) a filha.

No final 

  • No final desta abertura, e após uma canção do estimado Toy, retomamos a história 30 anos mais tarde.

Por fim

  • Tentei seguir o enredo e o diálogo louco mas custou-me e por fim liguei as legendas. Confesso que nem sequer percebi que se tratava de uma comédia no início. Fiquei com a pulga atrás da orelha quando o homem no barco disse que tinha comprado um babygrow de Dulce Pontes. Mas foi a aparência do Toy que afastou as minhas dúvidas!

No fim 

  • Felizmente a bebé gémea não morreu. Protegida pelo berço e o maço de tabaco da mãe(!) a menina flutuou ao longo do rio e no fim chegou a Lisboa onde foi adotada e já está a trabalhar numa revista

No fim 

  • Na superfície, ela é muito bem sucedida mas no fim ela sabe que alguma coisa não bate certo na história do seu nascimento, portanto está muito mal humorada, sobretudo quando a sua assistente fala com ela. A assistente é mais alta que ela, e ela não suporta tal coisa.

Ao fim 

  • Entretanto em Santarém a mãe das irmãs está a beber gin (apesar de não gostar) e a falar com o seu marido, a gémea restante e o caseiro da família (o que, se percebo bem, é o pai das irmãs). Ao fim de trinta anos de mentiras, ela está cheia de arrependimentos.

No fim

  • O seu marido também tem a sua cruz: o médico o informou que tem uma doença grave e está quase no fim da sua vida.

Afinal

  • O filho do caseiro namora com a outra gémea. Os pais dele vêm a saber disto e o pai fica zangado porque como já disse, é (acho eu) o pai de ambos. Vivemos numa sociedade muito liberal mas afinal ainda há um tabu contra o casamento com uma meia-irmã. Tanto preconceito*! 

Enfim

  • Enfim, tendo visto o primeiro episodio, adorei. Vou continuar!

No fim de contas 

  • Mas ainda tenho uma dúvida: no fim das contas, porque é que os escritores troçam tanto de Dulce Pontes?

Que acham? Consegui cumprir o meu dever sem ficar distraído?

*Narrowly avoided writing “prejuizo” here. Schoolboy error! One of the best-known false friends, that one!