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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #4

No quarto capítulo do seu livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa”, Marco Neves lista as dez línguas de Portugal (Dez? Sim. dez, embora algumas sejam faladas só..hum… em Espanha) e faz uma tentativa de responder à pergunta “há línguas piores do que outras?” Aprendi muito com esta primeira secção. Como o autor diz, as dez “nem sequer inclu[em] o inglês algarvio”, e não fazia ideia que havia tantos idiomas no país. Quanto à segunda parte… hum… considero que a sua explicação do mecanismo que torna as línguas mais ou menos complicadas não seja completamente convincente. Pois, claro, como estrangeiro, estou a tornar a língua mais simples pelo método de fazer tantos erros (querido leitor, imploro-te não impeça este processo por corrigindo-os!) mas quando tento imaginar um processo que possa tornar o inglês mais complicado, não consigo. Será que alguém introduziria uma sistema de géneros arbitrários se não invadíssemos um outro país nos próximos séculos? Acho que não.

Mas, diga-se o que se disser, devo admitir que não tenho a sua formação em línguas e é mais do que possível que esteja enganado, e como sempre, tenho muito interesse no assunto, e opiniões polémicas são sempre bem vindas, embora nem sempre concorde!

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Se, Se, Se What You Want, But Don’t Play Games With Conjugation

I’ve been reading “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” with a particular eye to reflexive verbs and verbs with impersonal pronouns, following on from discussions I’ve been having with a portuguese teacher resident in britain, about some of the more complicated aspects of the language that I’m not able adequately to describe to my usual portuguese teacher owing to my inability to express the question in portuguese! The specific point of grammar is the one described in a blog post a few months back.

Anyway, here are some examples that jumped out at me during chapter:

Diga-se o que se disser, a verdade é que os portugueses desprezam activamente tal parente, que, coitado, não merece tal sorte. [2x subjunctive tenses in the passove voices – bringing the grammatical thunder: means something like “whatever might be said, it’s true that the portuguese don’t really care about such a parent that hasn’t deserved such a fate”]

Ora a identidade vai alimentar-se daquilo que distingue os vários povos uns dos outros [True reflexive verb ir+inf: means something like “Now, identity will always feed on that which distinguishes groups of people from one another”]

Que se fale galego na Galiza e espanhol no mundo que isso do português não pode interessar a espanhol que se preze. [2x passive voice present subjunctive: means something like “because galician is spoken in galicia and spanish in the world, the question of portuguese isn’t interesting to a spanard who knows his own worth” but I’m not sure – in fact I’m not even sure I didn’t make a transcription error when I wrote it down!]

…o facto de o Brasil se ter mantido como território unido… [manter used reflexively: means something like “…the fact of brazil having stayed as a united territory…”]

Muitas pessoas que se divertem a apontar os erros dos outros estão a proteger uma ideia de pureza associada a ideia de língua nacional, que deve ser protegida como se dum cristal se tratasse. [two reflexive verbs – one presente indicative, the other imperfect subjunctive: Means something like “many people who amuse themselves pointing out other people’s errors are protecting a notion of purity linked to the idea of a national language which must be protected as if it were a crystal”]

Os exemplos acumulam-se [reflexive: means “the examples accumulate”]

Se olharmos para a lista das dez línguas de Portugal que acabámos de ver, apercebemo-nos de uma grande diferença entre as primeiras e as últimas. [aperceber-se is a reflexive verb that means “notice”so…: Means something like  “If we look at the list of the ten languages of Portugal, we notice a big difference between the first and last”]

 

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #3

O terceiro capítulo do meu livro é o meu favorito até agora. É um discurso sobre línguas e as suas ligações aos conceitos de identidade nacional e fraternidade entre países. Faz referência  ao “imperialismo linguístico” de Vladimir Putin e as tácticas de ditadores de todas as épocas, em que a língua nativa do povo subjugado se esconde, ou ainda melhor se elimina da escola e da praça pública para que possam arrasar o espírito das pessoas. Também se trata da topografia das línguas que surgiram da raiz latina na Europa, evoluíram por percursos diferentes, e escolheram as suas próprias ortografias. O alvo do autor, digamos assim, é o Acordo Ortográfico, que tem o objectivo de apagar as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu (ou seja entre as formas escritas), de maneira a apagarem pequenas diferenças que uma grande parte do povo do país mais pequeno considera muito importante para a sua auto-estima. Portanto, tem-se encontrado uma resistência teimosa por pessoas que se sentem ameaçadas por uma cultura mais poderosa.

O capítulo é muito interessante e alimenta mesmo a reflexão. Além disso*, é escrito num estilo muito nítido. Apesar da complexidade do assunto, até um estudante de Português, tal como eu, poderá entender.

Thanks to Sofia and Carla for the corrections

*=I wrote “ainda por cima” which means the same kind of thing but it’s more negative. This bad thing happened and ainda por cima this even worse thing happened as opposed to “além disso”: I baked a cake and além diddo I made biscuits too

 

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #2

No segundo Capítulo de “Doze Segredos da Língua Portuguesa”, o Marco Neves fala de sotaques, e faz a pergunta “Existe uma língua padrão, sem sotaques?”

Pois claro, não há. Se alguém falasse sem sotaque, soaria como se fosse um robot. Na realidade, cada um tem o seu própria sotaque, que revela donde é, de qual classe vem, quantos anos tem, e ainda mais.

Este ponto de vista é muito liberal e lembra-nos que ninguém tem o direito de dizer que a sua maneira de falar é melhor do que a do resto do país. Sinto-me confortável com este modo de pensar até que encontrar um cidadão dos Estados Unidos que diz “adoro o seu sotaque inglês! É tão fofo!” Então, de repente, esqueço-me da opinião filosófica e começo a gritar “NÃO SOU EU QUE TENHO SOTAQUE, RAIOS PARTA, ÉS TU!!!*”

 

Obrigado pela ajuda, Lais e Sofia

*=someone who didn’t understand the point of this daft joke, pointed out that I do have an accent. This is a bit depressing since it seems to imply I’d failed to convey the point I was trying to make but my reply was: “Isso mesmo! Só queria dizer que todos temos os nossos próprias de vista, incluindo eu, e não é sempre racional e razoável. Imagino que inglês é inglês-inglês e inglês americano é um perversão grotesco falado por Trump. Por outro lado, para os americanos, nós parecemos personagens dum filme antigo que nos vistamos como Robin Hood e adoremos a rainha. Uma vez, um gajo americano perguntou-me “poderias simplesmente largar o teu sotaque e falar numa maneira normal como nós”? Ora bem, eu sei que ambos tínhamos um sotaque mas o meu orgulho nacional tomou controlo e a minha resposta era “a língua chama-se inglês porque vem da Inglaterra, pá! és tu que tens sotaque!” Como penses que reagirias se um brasileiro te fizesse a mesma pergunta?”

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #1

O primeiro capítulo do livro “Doze Segredos Da Língua Portuguesa” de Marco Neves é a sua tentativa lidar com a problema difícil de “saudade” e, mais geralmente, de palavras não traduzíveis.

O seu argumento é que esta questão nunca se trata de palavras literalmente intraduzíveis. Para elucidar este ponto de vista, há duas linhas de pensamento*. Por um lado, é sempre possível, traduzir qualquer palavra mas pode-se precisar de uma frase, ou pelo menos precisar que acrescente um adjectivo. Por outro lado, há muitas palavras aparentemente fáceis que se tornam, quando pensarmos nelas, mais complicadas. Quando um alemão diz “pão” em vez de “brot”, achamos que o entendemos, mas a imagem na sua mente é de uma comida escura e pesada, feita de centeio. Não é a mesma coisa do que o que está na cabeça dum ouvinte inglês ou português, e por isso, podemos dizer que é um tradução fiel?

Eu não tenho paciência para isso, mas afinal, chegou à conclusão certa. O que estas palavras nos dizem é: quais são os conceitos específicos que a gente se sente o suficiente que valha a pena inventar uma palavra especifica para não ser prolixo.  No final do capítulo, o autor dá muitos exemplos bonitos de tais palavras intraduzíveis de várias línguas.

 

*=originally “ataque” but apparently portuguese arguments don’t have lines of attack, the reasonable, fair-minded bastards!

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O Amor Infinito Que Te Tenho

Livro do Paulo Monteiro

Hum… O livro tem 60 páginas e contém 10 contos. Obviamente, estamos na presença dum autor que usa um estilo bem lacónico. As histórias são esquisitas, escuras, perturbantes – mais parecidas com os contos de Franz Kafka do que um BD tradicional. Na verdade, apenas dois contos têm a marca duma BD: balões de texto. Os outros são, propriamente, pequenas peças de ficção, alguns pouco maiores do que um tweet, ilustrados com desenhos escuros ou arrepiantes. Fico contente por ter lido mas não tenho a certeza se apreciei. Vou colocá-lo numa prateleira longe da minha cama para não ter pesadelos.

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Esteja em Alerta*

sunblockrobo02afA DGS (Direcção Geral da Saúde) emitiu um aviso ontem por causa duma previsão de temperaturas elevadas e ventos fortes nas terras altas e à beira do Atlântico. O conselho que dão é transportar uma garrafa de água a todo tempo para não ficar desidratado, ficar em casa (se for possível) durante as horas mais quentes do dia com as cortinas corridas, ou, ainda melhor, as persianas ou portadas fechadas para excluir os raios do sol, e vestir roupas leves e frescas

Fora de casa, o DGS recomenda que as pessoas usem protector solar com índice de proteção bem alto e óculos de sol.

Além disso, avisa que toda a gente evite refeições quentes ou “muito condimentadas”, embora esta última dica não faça sentido nenhum: os países bem conhecidos pelas suas cozinhas nacionais bem condimentadas são os países tropicais: Índia, México, e as ilhas Caraíbas, por exemplo, todos os quais têm climas muito mais quentes do que Portugal. Um caril com arroz nunca fez mal a ninguém!

Pois claro, cada pessoa é diferente. Os mais vulneráveis devem tomar ainda mais cuidado com a saúde do que a maioria.


Thanks to Thais, Carla for successive waves of help on this

*=I originally posted this on italki as “seja alerta – o seu país precisa de mais lertas” which is a literal translation of a crap joke “be alert – your country needs lerts”. It doesn’t really work though because being alert is an “estar” situation and being a lert is a “ser” situation.

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Unexpected Prepositions

Just straight doing my homework online now: this is about grammar and unexpected prepositions in sentences. For example

  • “O cheiro a gasolina” (literally “the smell at petrol”)
  • “Eu conheço apenas dois abrunheiros ao alcance dum homem de meia idade numa bicla” (“I know of only two blackthorn trees to the reach of a middle aged man on a bicycle”… which is a phrase most of us use every day)
  • “As mulheres que fizeram parte da luta para os direitos das mulheres votarem” (the women to took part of the struggle for women’s suffrage”)
  • “Viciado no Facebook” (“addicted in Facebook”)

I was hoping there’d be a way of thinking about prepositions, or the meaning of prepositions that would make it easier to select one if I came across a situation, in the wild, that seemed to need one. Currently what I do is translate in my head from an english phrase I want to say and choose the portuguese preposition that matches. So with the last one, for example, I would have said “Viciado ao Facebook”.

Unfortunately there doesn’t seem to be an easy answer to this – you just have to learn the whole phrase – viciado em… and use it as much as possible to make that way of talking stick. Presumably, after a while, it gets easier…

Incidentally, sometimes different prepositions can be used in different contexts. For example, O Cheiro a gasolina” is the smell of gasoline in the abstract, whereas if you are being more specific it would be “o cheiro de gasolina” and if you were talking about an actual puddle of it you’d use “da”. In Hugo Lourenço’s book Ruínas he writes of his memory of car journeys with his family: “E poucos segundos depois o cheiro a gasolina infiltrava-se as narinas e eu inspirava-o com prazer. Sempre gostei do cheiro da gasolina, hoje não é diferente”. I think in the first instance he’s talking about a gasoliney smell and in the other he’s talking about times when he has smelled actual gasoline.

Petrol. I mean Petrol.

I don’t think it’s very clear-cut though. For example, I’ve seen two versions of a well-known quote from Apocalypse Now, which gives me an excuse to photoshop it twice:

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So I think that’s “I love a Napalmy smell in the morning” on the left and “I love smelling whatever Napalm happens to have been dropped on the village in the morning” on the right.

Anyroadup, I’m meant to do three examples of each so here goes. I’ll count the photoshop as one.

O cheiro a…

  • O cheiro a lavanda lembra-me da minha avó.
  • Lembro-me do verão de 1976: o calor, os dias compridos e o cheiro a relva cortada no ar.

O cheiro de…

  • Abri o guarda-roupa e o meu nariz foi assaltado pelo cheiro de lavanda.
  • Nunca mais voltarei para o restaurante: a comida foi mal cozinhada e o cheiro de suor do empregado era nojento!

Ao alcance

  • O preço destes moveis está ao alcance de alguém, de qualquer nível de rendimento.
  • Amarrei o cão a uma árvore e deixei uma tigela de água ao alcance da corda.
  • O golo dos espanhóis encontrou-se ao alcance do pé de Ronaldo mais uma vez

Fazer parte de

  • Quando era jovem, fiz parte duma peça de teatro.
  • O governo de Trump não faz parte da aliança das nações do oeste tal como na época do presidente Obama, ou os seus antecedentes.
  • Quero fazer parte duma corrida de dez quilómetros no final do verão.

Viciado em

  • Durante a minha adolescência, fiquei viciado em cafeína.
  • O sistema económicas do mundo está viciado em óleo cru.
  • A minha filha está viciada em shippar personagens de mangá

Update – a couple of days later

O cheiro a…

  • Durante os anos, a escola ficou permeada pelo cheiro a couve.

O cheiro de…

  • O cheiro de couve informou-me que o jantar estava quase pronto.

Ao alcance

  • Se trabalharmos juntos, um aumento de desempenho de 50 por cento está ao nosso alcance.

Fazer parte de

  • Se quiseres fazer parte da peça de teatro, é preciso ensaiar muito connosco

Viciado em

  • Durante os anos oitenta, a minha avó ficou viciada na série “Dallas”
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1986 A Série – Opinião

34983707_1693274110769703_6285563171725901824_n(1)Uma das contas portuguesas que eu sigo no Instagram é a do Nuno Markl. Durante o ano passado começou a deixar indicações dum novo projecto – uma série de comédia que estava a escrever sobre as eleições de 1986 entre o socialista Mário Soares e o conservador Diogo Freitas do Amaral. O Markl é conhecido (entre outras coisas) pela sua nostalgia dos anos oitenta e o seu amor pela cultura daquela época. Fiz 17 anos em 1986 e por isso fiquei muito entusiasmado para ver o resultado. Não temos canais portugueses aqui em casa – ou seja, se existem, não faço ideia de como encontrá-los, porque há demasiados botões no comando. Mas não me importo porque o site da RTP está disponível para os coitados dos cidadãos do Brexitland, o site deixá-nos ver os programas culturais dos nossos amigos e vizinhos.

Cá para mim, como estrangeiro, o estilo da série parece uma mistura de dois estilos: o da série americana de hoje, e o duma comédia daquela época. Há 13 episódios, cada um entre 40 e 45 minutos. A cinematografia é bastante moderna mas às vezes os actores utilizaram duplos olhares e expressões faciais muito exageradas, como os actores de comédias tradicionais. A trama trata-se dum grupo de adolescentes. O primeiro é o Tiago, fã dos Smiths (a minha banda preferida!), e filho dum comunista que deve “engolir o sapo de Soares”. Ele apaixona-se por uma “betinha”, cujo pai é apoiante do “sacana de facho”. Os dois e os amigos deles enfrentam-se os desafios da vida escolar.

29094830_206249366629505_2264383208869068800_nHavia muitos aspectos engraçados, tal como o sarcasmo da rapariga gótica e a raiva exagerada do pai do Tiago. Também gostei da nostalgia da cultura compartilhada pelos dois países – música, filmes, computadores, roupas e livros. Às vezes tornou-se ligeiramente auto-indulgente, mas gostei apesar disso.

Claro não sou especialista em televisão portuguesa, e custa-me muito entender os sotaques e os ritmos da fala dos actores, portanto é provável que a minha opinião não conte para nada, mas se quiseres saber o que é que pensei, lá está!

Spoiler: Soares venceu. Então não precisas de ver

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Opinião – Graças e Desgraças da Corte de El-rei Tadinho (Alice Vieira)

6fda4d73742fbed31b2b7ac080c46e23cde7c0c8Gostei muito deste livro infantil. O rei tenta manter a ordem no seu pequeno reino, com leis antigas que guiam a sociedade, mas a chegada dum dragão de cinco cabeças que se zanga por causa dum decreto que exige a sua morte provoca uma reacção em cadeia que dá em vários episódios com o seu conselheiro, a bruxa de estimação do país, uma fada, e no fim das contas, centenas de filhos.
Às vezes, o livro fez-me soltar umas gargalhadas. É tão engraçado. Amei!