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Salazar – Agora, na Hora da Sua Morte

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Este livro é uma biografia de Salazar. O ditador outrora de Portugal está perto da morte, a assistir a sua própria vida que desenrola-se como um filme ou um sonho.

Adoro a atmosfera alucinatória das imagens, que combinam desenhos, propaganda da ditadura e fotografias, mas fico frustrado por não saber o suficiente sobre a sua carreira para ser capaz de distinguir ficção de facto, sonho de realidade, biografia de opinião política. Porém, acabei com a ideia que os autores acreditam que o ditador tinha altos ideais para fazer crescer a economia do país e melhorar a alma do povo, mas sob a superfície era tudo apodrecimento, violência e receio. O capítulo mais poderoso, na minha opinião, trata d'”A Lição de Salazar”, a série de 7 cartazes ilustrando as valores do novo estado tal como a vida bucólica, comunidade, poder militar, respeito pelas autoridades. Depois de cada cartaz, os personagens da imagem mudam, tornam-se mais sombrios. O pai da família ideal torna-se ameaçador e bate a mãe, enquanto as crianças encolhem-se nas cadeiras. Entretanto, na casa do povo, homens discutem opressão até às polícias chegarem. A contraste entre a retórica e a realidade está muito bem feito.

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O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado

32734503.jpg“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” é um livro infantil, escrito por Jorge Amado, um brasileiro, com ilustrações de um outro brasileiro – Carybé. Conta uma “história dentro duma história”. A Manhã conta ao Tempo uma história sobre os dois animais para ganhar uma rosa azul e “fazer menos pesada a eternidade”. A história trata-se num parque onde um gato malhado aterroriza todos os animais com exceção duma andorinha. Apaixona-se por este pássaro mas é “o amor que não ousa miar o seu nome”, digamos assim, porque um gato não pode casar-se com uma andorinha, nem sequer num livro infantil. Os capítulos são estações do ano, com divagações do autor nos vazios entre capítulos.

As ilustrações são encantadoras e fazem-me lembrar “O Principezinho”. Na ultima página até há um desenho duma cobra a devorar um mamífero dalgum tipo, que é obviamente reminiscente da imagem mais conhecida daquele livro.

Apesar de ser um livro infantil, há muito vocabulário desconhecido. Não sei se isso é porque é velho, mas “O Banqueiro Anarquista” é ainda mais velho, mas achei-o mais fácil. Talvez seja por causa do país de origem… Enfim, o livro é giro apesar do facto que precisei dum dicionário ao pé de mim.


Thanks are due to H Lewis (not, I assume, the editor of the New Statesman) who corrected this. It was corrected very Brazilianly so I have had to decide which changes to retain and which not. I hope the result is more-or-less correct.

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O Banqueiro Anarquista – Fernando Pessoa

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O Banqueiro Anarquista é um conto escrito pelo famoso poeta Fernando Pessoa. Faz parte duma coleção (também chamada “O Banqueiro Anarquista”) publicada pela* Relógio d’Água.

O conto trata-se da vida dum homem rico, burguês que afirma que, ao contrário do que a gente pode achar, é um anarquista, e não simplesmente um anarquista teórico, mas um anarquista a sério que aplica a teoria à sua própria vida. Aqueles gajos que atiram bombas são meros amadores comparados com o banqueiro. Sentado num restaurante, o banqueiro conta ao seu amigo como é que as reviravoltas do seu raciocínio o levaram ao seu actual modo de viver. É um bom exemplo de como uma pessoa se pode enganar, por sofisma e acaba por adoptar um modo de viver ao contrário às suas crenças mais fortes por um método aparentemente puro e rigoroso. É muito engraçado.

Acho que o livro se lê bastante bem. Como um novato da língua portuguesa, fiquei preocupado por começar um livro escrito por um dos gigantes de literatura portuguesa, mas há muitos palavras de política e economia que tornam tudo mais fácil porque são muito parecidas com os cognatos ingleses.

*=I would have gone for “pelo” because Relógio is masculine but it’s the name of a publisher (a editora) so it’s feminine.

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Licença Para Protagonizar

Havia uma questão bastante polémica nas redes sociais na semana passada; um boato de que o realizador dos filmes de James Bond pensa em escolher Idris Elba para protagonizar o espião no próximo episódio. Ele seria o primeiro actor negro neste papel caso isso aconteça.

UntitledOra bem, para os fãs dos livros (e para racistas também, obviamente!) isto pode ser um problema. Leitores frequentemente se queixam que realizadores de filmes não usam fidelidade o suficiente quando adaptam livros para o cinema. Há excepções, claro: de vez em quando, um realizador escolhe um elenco muito diferente para sublinhar um aspecto do enredo (por exemplo, um Othello Branco numa cidade de mouros, ou um Hamlet feminino). Noutros casos, realizadores fazem filmes baseados em livros estrangeiros e adaptam-nos para usar actores da sua própria nacionalidade para evitar a necessidade de usar legendas. Nenhum destas situações descreve o situação com James Bond.

Mas há uma problema para quem quiser se opor qualquer actor que não cabe no modelo de Ian Fleming: de acordo com os livros, Bond é branco sim, mas também é velho o suficiente para ter lutado na segunda guerra mundial. Se se importa com o personagem original, deve perceber que o Elba é velho demais para protagonizá-lo, mas é mesmo assim para qualquer outro candidato!

Na minha opinião, existem duas opções: um é aceitar o facto de que Bond deixou de ser um personagem literário. Tornou-se uma “marca”, tal como o Doctor Who que pode (por causa de ser um alienígena!) assumir qualquer rosto, nacionalidade ou sotaque. O segundo é deixar James Bond reformar-se. Ele é um guerreiro antigo de uma época passada. Hoje em dia, precisamos de novos heróis!

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O Segundo Casamento

A minha esposa e eu renovámos o nosso casamento nesta semana. Não foi pela nossa escolha. Casámos há mais de dezesseis anos mas ela nunca mudou o nome nos seus documentos. Quando viajamos, passamos por fronteiras com o seu cartão de identidade com o seu nome de solteira. Mais recentemente, tentámos 3 vezes fazer a mudança mas não conseguimos. Há instruções no site do consulado para quem quer fazê-lo mas são incompletas. Então, desperdiçámos muito tempo em agendamentos que falharam por razões de ordem técnica.
Mas nesta vez, chegámos no consulado com todos os documentos necessários, preenchemos os formulários, esperemos durante duas horas enquanto vários funcionários entravam, sem bater à porta, e fizeram a mesma pergunta ao seu chefe. Fitámos ao calendário de 2014 e as pilhas de caixas por todo o lado com paciência. Eu falei português bem.
Enfim, se deu em sucesso e agora estamos casados em Portugal além do Reino Unido.

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O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças

11732049“O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças” é o quarto livro que já li de Afonso Cruz. Até agora, é a mais difícil de todas as suas obras para mim, um aluno da língua portuguesa, mas ainda é bastante fácil. A história começa no Império Austro-Húngaro ao final do século XIX e continua pela primeira guerra mundial até a segunda. Pelo caminho, o protagonista, Jozef Sors (baseado em Ivan Sors, o avô do autor) serve o seu país na primeira guerra, posto num balão, apaixona-se, enche muitos cadernos de desenhos, sobretudo de olhos, viajam para os estados unidos e perde os seus pais.

Há muitos capítulos curtos e muitos tratam-se dum discurso sobre uma questão filosófica. O autor brinca com ideias da mesma maneira que no seu livro infantil “A Contradição Humana”, mas de forma mais desenvolvida. O livro também me lembra do audiobook que acabei de ouvir hoje: “Night Train to Lisbon” porque ambos contam histórias de homens da Europa central que chegam em Portugal. O escritor do último leva-o muito mais a sério. Em ‘O Pintor Debaixo do Lava-Loiças’ existe absurdidade, piadas e até desenhos. Infelizmente, cada um é um duplo imagem por causa da baixa qualidade do papel: o leitor pode vê-las no verso do papel também.

Enfim, gostei de ler o livro, mas o final deixou-me insatisfeito porque senti que a história ficou inacabada.

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O Retorno (Dulce Maria Cardoso)

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Trata-se da história sobre os últimos dias da colónia portuguesa em Angola. Vemos a história pelos olhos dum adolescente. Logo no inicio da historia, a sua família está em casa em Angola, preparando para viajar a Portugal, mas há uma problema e o pai é detido pelas novas autoridades. O rapaz, a irmã e a mãe continuam a viagem para a nova vida na Europa.

Fiquei muito impressionado pelo segundo capítulo. É escrito como um discurso da directora dum hotel em que a família de retornados fica quando chega à “metrópole”. Não há nenhum parágrafo nenhuns, só um bloco de texto ininterrupto, que mostra como é que a directora fala com os hóspedes: rapidamente e sem escutar. Ela tem muito orgulho das cinco estrelas que tem o seu estabelecimento. Consola-os por método de descrever o azar das coitadas de famílias que também voltaram de África e se encontraram sem abrigo ou numa alojamento sujo ou dilapidado. Comparada com estas pessoas a família tem muita sorte! É um bom resumo para leitores tal como eu que tem pouco conhecimento sobre a situação dos retornados daquela época. Entrelaçado com a sua lista de desgraças, a directora explica as regras do hotel e repete as mais importantes muitas vezes. Através do discurso, revela-se que a directora é uma pessoa muito controladora. Pois claro, ela ajuda essa família e outras por disponibilizar o hotel, mas também não confia em todos os hospedes. O seu hotel não parece muito acolhedor, apesar das estrelas. O capítulo estabelece, brevemente e nitidamente, o contexto da história e o carácter da directora perfeitamente!

O resto da historia descreve a sua vida em Portugal, à espera do pai, com receio do pior, tentando estabelecer-se num país desconhecido, em que tudo está em fluxo e “os de cá!” têm preconceito contra “os de lá”. Às vezes, é tocante, às vezes engraçado. mas sobretudo, tive uma impressão muito forte do caos da época, pós-revolucionário, em que a república estava a tentar estabelecer uma nova ordem e simultaneamente a procurar abrigos para as ondas de retornados.

Thanks very much to Joyce for helping with the corrections. Joyce is Brazilian and I’m not 100% sure I correctly interpreted all the changes since some were typical grammatical differences (dropping definite articles before determinates, and not merging em and um to make num) and some spelling differences (which should be corrected by the AO but I am being difficult)

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As férias

IMG_20180727_154112_196Estou no Algarve com a minha família. Estamos aqui desde a segunda feira e partimos hoje à noite. Durante esta semana tenho tido muitas oportunidades de falar com os habitantes e torna-se cada vez mais óbvio que a minha linguagem melhora ao longo do dia. A empregada do pequeno almoço há-de achar que sou um idiota porque sempre falei com ela antes de beber o primeiro café do dia e mal me lembro como dizer “bom dia”. Porém, à empregada de jantar, já estou tão fluente quanto um fadista porque passei o dia inteiro a falar com portugueses nas praias e lojas.

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #12

No capítulo final, Marco Neves dá alguns conselhos sobre como usar melhor a língua portuguesa. Como podem imaginar, este conselho não consiste numa lista de regras que todos nós devemos aprender. Pelo contrário, aconselha os seus leitores estar mais aberto à lingua: ler mais, ouvir melhor, falar com mais cuidado, pensar mais e atirar menos pedras (ou seja, não estar assim tão ávido de julgar os erros dos outros). Finalmente, diz-se que valha a pena aprender uma outra língua. Não há problema. Já comecei!

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Segredos da Língua Portuguesa (Marco Neves) #11

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

O décimo-primeiro capítulo (o penúltimo) trata do palavrão: o seu poder e o propósito do seu uso por pessoas em situações de stresse. Aprendi várias coisas novas tal como o facto que existem palavras que têm a mesma primeira sílaba duma palavrão e pode substituir-se num diálogo. Um exemplo é “caraças” para… Caralho??? Não tenho certeza. Já ouvi as duas e nunca percebi que uma era substituída pela outra.