É impressionante que o criador deste vídeo conseguiu contar a lenda dentro de 35 segundos. É difícil entender tudo por causa da rapidez do falador mas depois de 4 vezes, compreendi tudo.
Category: Portuguese
Pardington
Uma das notícias mais interessantes nas últimas semanas é sobre a descoberta de vários estragos numa trilha no norte de Portugal, perto de Barroso, que foram feitos pelas patas de um urso pardo*. O percurso do animal foi detectado em Espanha, uns dias antes, portanto as autoridades ambientais ficaram à espera de sinais da sua viagem para sul.
O urso pardo é o urso mais comum do mundo, sendo encontrado em diversas países de Europa, mas o último exemplar português foi abatido em 1843 pelo povo do Gerês. Mas agora está de volta… ou seja, um deles está de volta.
*=Brown bear. In other news, I am suing Eric Carle for deceiving me with his book “Urso Castanho, Urso Castanho, O que é que tu vês?”
Thanks to Sophia for helping with the corrections
Já and Ainda
Another one I get wrong from time to time: Vamos a isso!
Translating from this question on Ciberdúvidas: Somos três alunos estrangeiros a estudar na Univ. do Minho. A pergunta é: qual a diferença na utilização de já e de ainda?
1. “Já” “ainda” are adverbs. I usually think of já as meaning “already” and “ainda” as “still”, but já has quite a few other meanings to do with immediacy, so it can be translated as “still” or “now” in some contexts.
a) When a question contains the word “já” and you want to reply in the affirmative, you always use “já” in the reply. If you want to reply in the negative, use “ainda não”.
“Já leste este romance?” (Have you read this book already?)
- “Sim, já o li.” (“Yes, I’ve already read it”)
- “Já, sim.”
- “Já.”
- “Não, ainda não o li.” (“No, I still haven’t read it”)
- “Não, ainda não.”
- “Ainda não.”
b) Likewise, a question that contains “ainda” is answered with “ainda” if it’s positive or “já não” if not
“Ainda vais sair?” (Are you still going to go out?)
- “Sim, ainda vou.” (Yes, I’m still going to”)
- “Sim, vou.”
- “Não, já não vou.” (No, I’m not going any more)
- “Não, já não.”
- “Já não.”
2. In plain speech, “ainda” can have the following meanings
a) up to the current time (english: “still”)
“Ele ainda não voltou.”
“Este velho carro ainda participa em corridas.”
b) up to that time (english: “still” again but about something in the past)
“Quando o filho nasceu, ele ainda morava em Lisboa.”
c) One day in the future
“Tu ainda hás-de ser muito feliz.”
d) Precisely, exactly
“Ainda ontem o vi.”
e) Also, furthermore (cf “ainda por cima”)
“Fui jantar, comi muito bem e ainda me diverti com a conversa do Miguel.”
f) Finally
“Tenho de arrumar a casa, ir às compras e, ainda, fazer o jantar.”
g) At least (surprised me but of course, we use “still” in this way in english too: “A meteior is about to strike the earth… still, mustn’t grumble, at least we won’t have to hear any more about Brexit”)
“Ainda se ele marcasse um golo, o dinheiro era bem gasto, mas assim…”
3. “Já” on the other hand, has the following meanings:
a) Now, at the moment
“O menino já sabe ler.”
“O pai já não tem paciência.”
b) Immediately, without delay
“Vou-me já embora.”
“Faz já isso!”
c) Before now, already
“Ele já tinha comido.”
“Eu já tinha visto este filme.”
d) Previously, before that time
“Eu já sabia que isso ia acontecer.”
Só Um Minuto
Existe um programa de rádio, cá em Inglaterra, chamado “Só Um Minuto”, que consiste num jogo com quatro jogadores. O objectivo do jogo é simplesmente isto: falar sobre uma tema durante um minuto, sem hesitação, sem desvio, e sem repetição.
Ou seja, se uma jogador repetir uma palavra (com excepção de palavras pequenas tais como “e”, “para” ou “uma” – e o título do tema é permitido também) um outro jogador pode interromper o outro e assim ganha um ponto e continua o discurso. Se desviar do assunto, também perde a iniciativa a um outro jogador e finalmente, se hesitar (uma pausa notável entre duas palavras ou um “hum…”). No final* do minuto, quem estiver a falar ganha mais pontos e depois os três seguem para o próximo assunto.
Pode ser muito engraçado (depende dos concorrentes, claro!)
O meu único motivo para mencionar isto é que penso em tentar fazer um jogo a sós para praticar português falado, e tentar eliminar as pausas no meu diálogo! O que achas? Será um bom desafio?
Caso algum estudante de inglês tenha interesse neste programa, está aqui uma edição especial de televisão
*”No final do” or “ao fim dum”
Thanks to Sophia (again) and Israel. Good luck with all those people singing in you later this evening, Israel.
Gente Que Não Sabe Estar
Another of those lessons I mentioned a couple of posts ago: we went through an episode of “Gente Que não Sabe Estar”, which is a sort of portuguese version of those american late night satire shows fronted by Stephen Colbert or Jimmy Kimmel or Seth whatsisface. In this case, it’s Ricardo Araújo Pereira, who has the requisite mixture of humour and ability to look credible in a suit. This is a challenging lesson for me because aside from the usual problems of trying to follow rapid-fiire portuguese, I have very little clue about who is who and what the hell it’s all about so I have had to do quite a lot of research. Here are some pointers, some from my teacher and some cribbed from Wikipedia and elsewhere
Joe Berardo (the creepy-looking dude in black, flanked by two very overworked lawyers) is a businessman who is somehow mixed up in a scandal regarding the recapitalisation of the Caixa Geral de Depósitos when it got in trouble a few years after the 2008 crash. It emerged that he had 980 million euros in debt to the bank and refused to pay interest because er… it would cause some sort of unspecified harm. He was fished out and dragged in front of the Comissão Parlamentar de Inquérito, and that’s what the footage is in the show. It’s a strange mixture of careful distancing of himself from the scene of the action and ridiculous failure to read the room. “This is costing the people a lot of money” / “Not me though!” being just one example.
Right at the start there’s a missed pun opportunity owing to this being in Portguese and not english, so “Bearardo” does not happen.
“Se queres ajudar um homem não lhe dês o peixe” at around 1:25 is the first half of the portuguese equivalent of the old saying “give a man a fish and he’ll eat for a day, teach him to fish and he’ll eat for life”
“pipa de massa” = “a load of dough”, where dough is money, just like in an old american gangster movie
“Os juros” = interest
“as dívidas” = debts
“As ações” = stocks and shares
“Os títulos” = share certificates
“a garantia” = collateral
Floribella is a sort of soap opera about a young singer. Lots of bright colours and shonky acting, but it has heart. I skimmed through the pilot (below) and was sort of fascinated by the spectacle of someone speaking portuguese with a strong german accent. I thought she was spanish at first but her name’s Helga Schneider apparently. The theme is “não tenho nada mas tenho tenho tudo” ( don’t have anything but I have everything), which as he says, is an astute allegory about high finance.
I thought the “coleção” was a charitable institution that collects money for good causes but it turns out, no, it’s an actual collection of artworks and he’s a bit confused about whether he owns it or the foundation he runs owns it. Hence the hand-waving from the lawyer. He also seems to have given share certificates as securities for the loan, but they are valueless because the paintings can’t be sold without his permission… oh god, my brain is starting to hurt.
There’s an analogy with “monopólio” (Monopoly, the game) around 11.00-11.30 just before the magic trick with the cups.
Spooky bit at 20:30. Where did the lady in the light jacket go after disappearing behind Margarida Mano?
“Comer” in the context of the bit about Rui Rio at around 21:35 means “shag”. He’s not talking about cannibalism.
Postscript. Apparently my wife met Berardo when she was young in Funchal and is far from impressed with him as a human being.
Brevíssima História de Portugal – A. H. de Oliveira Marques

Li este livro durante um projecto que estou a fazer sobre a história portuguesa. Lê-se muito bem, e traz pormenores suficientes para um iniciante, tal como eu, e vamos ser honestos: escrever a história dum país inteiro de modo interessante e informativo ao mesmo tempo não é nada fácil! Dá para entender os factos básicos, e colorir a imagem preta e branca que eu obtive do livro escolar que li recentemente.
Como já disse (ontem, na opinião de “É de Noite que Faço as Perguntas”) o projecto está a ajudar-me entender a cronologia do país. Ajudou-me arrumar os factos que já sabia num ordem, ou seja, atou-os num fio: as batalhas, os reis, o terremoto, os motivos pela revolução dos cravos. Compreendi melhor o enredo da banda desenhada sobre a primeira republica, e a placa que já vi no Porto em Março, que comemora a perseguição do MUD.
Claro, existem ainda muitas, mas mesmo muitas coisas que não sei mas acho que vou parar, ou pelo menos fazer uma pausa porque não estou pronto para mergulhar-me dentro dos pormenores do declínio do império, o desenvolvimento de socialismo ou o pequeno almoço preferido do Infante Dom Henrique. Se calhar, no ano seguinte…
É de Noite que Faço as Perguntas
Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.
That’s Sotaquey
Sample videos I’ve been looking at for my listening practice to get some accent and voice diversity into my earholes before the B2 exam
Algarve
Algarve (actually. I don’t think the narrator is from the Algarve, but he definitely falls under the heading of challenging listens)
Porto and the North
Açoreano (Micaelense)
Alentejo #1
Alentejo #2
Alentejo #3
Madeira
Dom João I (Projecto da História Portuguesa)

#uncorrectedportugueseklaxon
Dom João I* foi aclamado rei depois dum interregno de dois anos, uma crise causada pelo facto da próxima pessoa na linha de sucessão, Dona Beatriz, ser casada com o rei de Castela. Os Castelhanos queriam aproveitar a situação para agarrar os laços de poder e absorver o país. João, (naquela altura chamado “Mestre de Avis”) foi um dos pretendentes ao trono e ele liderou o exército português com o seu Condestável, Dom Nuno Álvares Pereira na batalha dos Atoleiros e depois na Batalha de Aljubarrota. Este segundo segurou a independência de Portugal.
Depois de se tornar Rei, Dom João mandou construir o Mosteiro da Batalha. Também assinou o Tratado de Windsor, que confirmou um Tratado que já existia com Inglaterra (A sua esposa, Filipa de Lencastre, era também inglesa) e pôs de pé o império ao mandar Dom Nuno para Ceuta com 200 navios e montes de tripas**. Um dos marinheiros, O Infante Dom Henrique, quando voltou para casa, estabeleceu uma escola náutica, e pouco depois, começaram os descobrimentos: portugueses desembarcaram na Madeira e na Ilha de Santa Maria nos Açores.
Hoje em dia, o cognome de Dom Joao é “O de Boa Memória” e isso é apropriado porque ele deixou várias lembranças que permanecem atá agora: O mosteiro ainda existe, o Tratado de Windsor ainda está em vigor, e o país existe, que sem D. João podia-se tornar parte de Espanha.
*=”Dom João o Primeiro” não “Dom João Um”, precisamente tal como em inglês
**= O epíteto de “Tripeiros” que se refere aos Portuenses, tem a sua origem nesta viagem
Exercício PT-PT Nível C1
“Quando está longe do seu país, costuma sentir Nostalgia? De quê?”
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Quando estou longe do Reino Unido, e quando a estadia demora muito tempo, sinto saudades* (se é permitido para nós estrangeiros utilizarmos esta palavra a referirmo-nos a nós próprios!) do pão do meu país.
Ainda que a maior parte das nações do mundo tenham pães óptimos (Portugal, França, os Estados Unid… Hum… Ora bem, disse “a maior parte” e nem “todos”), sentimos uma conexão ao pão que comemos quando éramos novos. Dá conforto. É o sabor da nossa terra de mãe, o sabor do nosso lar.
Um escritor inglês disse uma vez “É impossível não amar alguém que te faz uma torrada” e é mesmo verdade: pão e amor andam sempre de mãos dadas.
*=saudades & nostalgia aren’t really the same thing but I don’t think the question makes any sense unless you’re talking about homesickness rather than a longing for the past
Thanks to Jessica for finding my errors. Only one, apparently… 🙂