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Category: Portuguese
Feliz Dia Internacional do Livro
This was yesterday, actually, but still…
ExercĂcio PortuguĂŞs Europeu NĂvel B2
Explique o sentido de
Zona defensiva
A zona defensiva Ă© a área dum campo desportivo onde fica o golo a baliza* (uma rede ou qualquer “alvo” do desporto especĂfico). A equipa em cuja zona a bola se encontra tem de fazer operações ou estratĂ©gias defensivas. Por exemplo, em futebol, ao guarda-redes Ă© permitido agarrar a bola com as mĂŁos na sua prĂłpria zona defensiva.
Ficar esquecidas** no tempo
Esta frase explica-se bastante bem. Depois de muito tempo, uma coisa pode ficar esquecida. Talvez o seu dono tenha falecido, talvez alguém a tenha tenha-a perdido num lugar selvagem ermo, ao qual onde ninguém vai, e lá está, perdida, esquecida durante anos.
Pernoitar
Pernoitar significa “passar uma noite num outro sĂtio” tal como um hotel, ou a casa de um amigo
Implementação
Implementação Ă© um nome relacionado com o verbo “implementar”. Implementar uma coisa significa “levar a coisa a cabo”. É usado principalmente em situações profissionais.
*=golo is what you score, not what you score it in
** why “-as” and not “-o”? You’ll need to ask whoever wrote the book…
Thanks to Fernanda for the help with these
Bananas Vermelhas
Como Ă© que Ă©, malta?
Sabiam que existem bananas? Sim? Boa. Mas sabiam que, ainda por cima, existem bananas vermelhas? OK, eu sei que muitos de vocĂŞs moram num paĂs chamado “Brasil” e por isso talvez estejam fartos de ver bananas vermelhas nos supermercados, na mesinha do pequeno almoço e nos chapĂ©us das vossas cantoras. Eu vivo na Europa e, ainda que me arme em orgulhoso por ser um homem de bom gosto e experiĂŞncia vasta do nosso mundo por causa do meu conhecimento de bananas, atĂ© hoje, nunca encontrei uma vermelha.
NĂŁo sĂŁo doces como a tĂpica banana. Fritei-as e mergulhei os pedaços em molho picante.
A Mochila Mágica
Acabo de enfiar a mão dentro da minha mochila, e logo que os dedos tocaram o fundo, fui transportado para outro lugar e outro tempo, mais especificamente para o Algarve em Julho de 2018. Por quê? Ora bem, a resposta não tem nada a ver, sinceramente, com mágica. Senti pedrinhas de areia, e isso fez-me lembrar os dias de sol e diversão. Podia sacudir a mochila para tirar a areia mas não quero perder aqueles momentinhos agridoces que surgem de vez em quando.
A Guerra de 1908
I put up this video with the transcript from Planta CarnivĂłra the other day, with the idea that I could go back over it and tune into what he was saying with the aid of the text, because his accent is very different from what I’m used to and it seemed like a good exercise as part of my exam plan. However, it quickly became obvious that the transcipt doesn’t match. There’s no reason why that should be surprising of course; it’s an old sketch and I’m sure it’s been performed hundreds of times in many different variants. So, for the challenge, I’ve set about trying to change it to what I think he’s really saying. The altered bits are in red. There are probably a few errors because I don’t really understand the sentence structure in a few places, but hopefully it’s an improvement at least… Interested to note that the aunt and the mum seem to have swapped places…
Update 20/4/19 – yes, there were plenty of errors still and I have had help from Sophia. Mainly, they were mistakes in the original that I had missed rather than new errors I’d introduced. Like “Meu tio Gustavo”, which should have read “Meu tio que estava…” for example. Embarrassing.
Eu vou-lhes contar a história da minha ida à Guerra de 1908.
Eu trabalhava numa fábrica de produtos farmacêuticos. Um dia sem querer, deixei cair um comprimido e despediram-me. Fui lá para casa sentar-me numa cadeira que nós temos lá em casa para quando somos despedidos. Estava-me a balançar, entrou o meu tio que estava com o jornal que trazia o anúncio da guerra, que rezava assim
“Precisa-se Soldado que mate depressa!”
E disse a minha mĂŁe,
“Olha, tu é que podias responder a esse anúncio.”
E disse a minha tia,
“Pois, mas é preciso levar cavalo!”
E disse a minha mĂŁe,
“Mas eles na guerra dão cavalos.”
E disse a tia,
“Pois, e o meu sobrinho vai agora montar na guerra num cavalo que os outros já montaram. Sei lá quem é que já montou naqueles cavalos!”
Fomos à feira de gado para comprar o cavalo, mas só vendiam uns cavalos com as carroças e com as moscas, e a minha mãe disse,
“O meu filho não vai agora para a guerra encher a guerra de moscas… O meu filho, vai a pé mas vai limpo.”
Então fomos para casa. A minha mãe preparou me umas papas de sarrabulho, tomei um táxi e fui para a guerra. Cheguei à guerra eram sete horas da manhã, estava a guerra ainda fechada. E estava uma senhora que vendia castanhas à porta da guerra e eu perguntei,
“Minha senhora, faz favor, aqui é que é a guerra de 1908?”
E ela disse,
“Não senhor! Aqui é a guerra de 1906, a guerra de 1908 é mais acima.”
“Muito obrigado”
E subi dois anos. Cheguei lá cima, e já estavam a abrir as portas da guerra, que eram nove e tal e ‘tava o sentinela que me perguntou,
“Vens ao anĂşncio?”
“Sim, venho.”
E ele disse,
“E matas depressa?”
E eu disse,
“Por enquanto ainda só mato assim-assim… preciso de treinos.”
Então ele levou-me ao meu capitão, e o capitão perguntou-me se eu trazia a espingarda e eu disse que Não trazia, que até pensava que a ferramenta davam lá eles. E disse
“Eu trago Ă© uma bala, que um vizinho meu guardou de recordação da guerra dos cem anos”
E diz o capitĂŁo,
“Como é que tu vais matar só com uma bala?”
E eu disse entĂŁo,
“Eu disparo a espingarda, e depois, vou lá buscar a bala”,
AĂ disse o tenente,
“Pois e a guerra pois vai parar de dois em dois minutos por sua causa!?”
Até o sargento disse
“Olha, a gente podia era atar uma guita à bala e depois puxava-se a bala!”
E disse o capitĂŁo,
“Pois, depois parte-se a guita, perde-se a guita, perde-se a bala. É tudo prejuĂzo nĂŁo Ă©?”
Então eles fizeram uma conferência e deram-me seis balas e mandaram-me matar. Estava eu, a matar, muito contente, chego ao pé do meu capitão e mandou-me ir de espia. Vestiram-me um vestido de organdi com uns laços cor-de-rosa, e fui para a guerra do inimigo, cheguei lá, bati à porta e o sentinela abriu frincha e disse,
“Quem é?”
E eu disse
“Sou a Maria Albertina”, malandrice!
E ele perguntou-me,
“Tu já trabalhas de espia há muito tempo?”
E eu disse,
“Não, só trabalho desde as 11!”
“E que é que tu queres?”
“Eu venho cá buscar os planos da pólvora”
E ele disse
“Não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora”
E fui fazer queixa ao capitĂŁo dele. E eu disse-lhe,
CapitĂŁo, mas ele Ă© um burro
“Deixa lá, almoça cá com a gente!”
Então, almocei na guerra do inimigo. Comemos uma cabeça de pescada muita grande e depois fui para a minha guerra. E quando eu cheguei lá ia estava a contar ao meu capitão, entra um soldado a correr, a correr
“Meu capitão, meu capitão, fizemos um prisioneiro!”
Diz
“Sim, onde é que ele está?”
“Não quis vir.”
Porque cá há prisioneiros que são teimosos, a gente puxa, puxa e eles não vêm. Feitios.
EntĂŁo o meu capitĂŁo disse,
“Então, se eles não dão os planos da pólvora vai lá buscar o avião, pronto”
Porque como a gente se dava muito bem com o inimigo, nĂłs tĂnhamos sĂł um aviĂŁo que dava para todos. Eles bombardeavam Ă s Segundas, Quartas e Sextas, e a gente bombardeava Ă s Terças, Quintas e Sábados, e lá Ăamos morrendo.
Mas o capitão disse que não podia dar o avião, porque estavam a adaptar uma torneira para andar a jacto”
Fui-me embora para a minha guerra e quando cheguei lá estava o meu capitão à porta da guerra e disse-me,
“Olha, podes-te ir embora porque a guerra acabou-se!”
Disse
“Acabou-se??”
“Acabou-se. Veio cá o fiscal, a gente não tinha licença de porte de arma. Levaram as metralhadoras, as pistolas, as bazucas”
E foi assim que… ai ai ai ai ai
Here are the vocabulary words I didn’t already know:
Carroça = Cart
Sarrabulho = Coagulated pigs blood. Er… yum?
Guita = Wire
Organdi = Organdy
Frincha = A small opening – I’m picturing the little window the guard looks through at the gates of the Emerald City when Dorothy arrives.
Pescada = Hake
PĂłlvora = gunpowder
Jacto = jet… and I assume “torneira” can mean “propeller” too, although I only know it as “tap” and that’s the only definition give in my dictionary too…
Feitios = shapes (which I knew) but seems to mean “it takes all sorts” here.
Feira de gado = livestock market
Rosa, Minha IrmĂŁ Rosa(Alice Vieira) – OpiniĂŁo
Já li dois livros da mesma autora e este terceiro tambĂ©m Ă© muito divertido. A protagonista Ă© uma menina que tem 9 anos. Mora com a famĂlia e tem uma nova irmĂŁ. Apesar do tĂtulo, uma grande parte da histĂłria trata das suas duas avĂłs (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A histĂłria da famĂlia espelha a histĂłria recente do paĂs. E a bebĂ©? A narradora nĂŁo se dá com ela no inĂcio mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmĂŁ.
É um livro juvenil, claro, mas Alice Vieira escreve tão bem que um adulto pode gostar também.
Homework
Pulp Ficção
Well, all I can say is I am never going to the Açores because I have no idea what’s going on here.
Opinião: Caim (José Saramago)
Acabo de ler o “Caim” de JosĂ© Saramago. Custou-me muito ler, nĂŁo apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas tambĂ©m porque este escritor Ă© famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam atravĂ©s de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiĂşsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusĂŁo para um estudante como eu. Felizmente, já li a BĂblia, que me ajudou muito.
Toda a gente conhece a historia de Caim, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão. Nas mãos de Saramago, este assassino original torna-se um rebelde contra o Senhor. Depois da sua expulsão do jardim, Caim percorre o mundo e viaja involuntariamente no tempo, entre épocas e locais, onde se encontram as personagens dos contos mais infames do testamento antigo. Assiste a queda das muralhas de Jericó, agarra a mão de Abraão quando está ao ponto de sacrificar o seu filho, e foge com Job do fogo e enxofre que engolem Sodoma.
A sua conclusĂŁo Ă© que Deus Ă© rematadamente maluco, e por isso, este prĂłprio Caim tenta fazer alguma coisa muito ambiciosa: nada mais nada menos do que frustrar a vontade do Senhor, mas nĂŁo quero explicar precisamente como, ou com que nĂvel de sucesso, porque nĂŁo quero dar spoilers!
Saramago ganhou o PrĂ©mio Nobel nos anos noventa, e mereceu: este livro Ă© impressionante. O protagonista Ă© um ser humano, mais realista, e melhor realizado que o da BĂblia. Trata-se principalmente de uma crĂtica de religiĂŁo, mas já temos tantas daquelas! TambĂ©m Ă© uma histĂłria divertida. Por exemplo, na cena com AbraĂŁo, Caim amaldiçoa o patriarca pela sua falta de humanidade e sentimentos dignos de um pai. Isso serve como acusação poderosa contra Deus, mas na página seguinte, quando chega o anjo, há um momento de comĂ©dia que me fez rir em voz alta. AlĂ©m disso, o livro foi escrito num modo brincalhĂŁo e ligeiro, apesar dos seus parágrafos gigantescos. Cá para mim, o livro foi um desafio mas nĂŁo foi trabalho.