A Padeira de Aljubarrota era uma portuguesa, chamada Brites de Almeida. Nasceu (de acordo com a lenda) no Algarve de meados do século XIV. Tinha seis dedos em cada mão. Quando tinha 35 anos, houve uma crise. Após da morte de Dom Fernando em 1383, a filha dele que estava mais próxima na linha de sucessão, estava casada com o Rei de Castela, grande rival da nação. Assim caiu a Dinastia Afonsina, e os castelhanos fizeram planos para assumir o trono do reino.
Dois anos depois, perto da cidade de Aljubarrota aconteceu uma grande batalha entre os dois exércitos e os seus aliados – os ingleses valentes no lado dos português e franceses, italianos e outros malandros a lutar sob a bandeira castelhana. Apesar de não fazer parte do exército, Brites lutou em várias escaramuças nos arredores da batalha. Quando ela regressou a casa, com as mãos sujas de sangue espanhol, descobriu sete castelhanos a descansar às escondidas no seu forno. Aqueles homens ficaram assustados, claro porque sete soldados espanhóis não poderiam resistir a uma portuguesa cheia de raiva. Portanto, ela bateu-lhes com uma pá, fechou a porta do forno e assou-os juntamente com o pão.
Assim morreu a ambição do rei castelhano, e o reino de Portugal aguentou daí em diante.
Este livro é motivo de alguma vergonha porque não custumo de ler livros de auto-ajuda e nós homens (em geral) não sentimos vontade de discutir assuntos deste tipo, mas li este livro há alguns anos e fez uma mudança subtil no meu ponto de vista. Tenho tendências pessimistas. Muitas vezes, escolho a pior interpretação de qualquer situação em que me encontro, mas a verdade é que isso nunca aduda ninguém. Convém lembrar que, venha o que vier, o nosso próprio modo de pensar num assunto pode nos ajudar a tratar dele. Se pensarmos “não tenho tempo para estudar”, sentimo-nos impotentes, mas se dissermos “tenho tempo, mas prefiro assistir ao festival da canção”, embora nada mude no mundo exterior, vemos que há outras hipóteses, e podemos desligar a televisão e fazer algo diferente.
O escritor é optimista até um nível quase ridículo (tenta ver o lado positivo do cancro, por exemplo) e não consigo seguir os exemplos todos, mas esta pequena diferença fez uma diferença pequena mas significativa.
Ouvi falar de um novo projecto de construção em frente do nosso prédio. Embora não tenha nada contra o projecto em si, existe um aspecto que não aceito: os planos incluem o abatimento de todas as árvores na zona da frente dos nossos apartamentos. Nós habitantes precisamos duma ligação à natureza. Sobretudo para as crianças que vivem cá no prédio, um lar sem árvores e sem pássaros não é saudável. Ninguém nos consultou, e isso não é razoável nem justo. Pedimos uma mudança dos planos para que as árvores possam ficar, ou pelo menos, se não for possível, um plano alternativo que tem como objectivo de substituir outras árvores na zona onde vivemos.
Fico à espera de uma resposta e se não a tiver dentro de uma semana tomarei outras medidas
É impressionante que o criador deste vídeo conseguiu contar a lenda dentro de 35 segundos. É difícil entender tudo por causa da rapidez do falador mas depois de 4 vezes, compreendi tudo.
Uma das notícias mais interessantes nas últimas semanas é sobre a descoberta de vários estragos numa trilha no norte de Portugal, perto de Barroso, que foram feitos pelas patas de um urso pardo*. O percurso do animal foi detectado em Espanha, uns dias antes, portanto as autoridades ambientais ficaram à espera de sinais da sua viagem para sul.
O urso pardo é o urso mais comum do mundo, sendo encontrado em diversas países de Europa, mas o último exemplar português foi abatido em 1843 pelo povo do Gerês. Mas agora está de volta… ou seja, um deles está de volta.
*=Brown bear. In other news, I am suing Eric Carle for deceiving me with his book “Urso Castanho, Urso Castanho, O que é que tu vês?”
1. “Já” “ainda” are adverbs. I usually think of já as meaning “already” and “ainda” as “still”, but já has quite a few other meanings to do with immediacy, so it can be translated as “still” or “now” in some contexts.
a) When a question contains the word “já” and you want to reply in the affirmative, you always use “já” in the reply. If you want to reply in the negative, use “ainda não”.
“Já leste este romance?” (Have you read this book already?)
“Sim, já o li.” (“Yes, I’ve already read it”)
“Já, sim.”
“Já.”
“Não, ainda não o li.” (“No, I still haven’t read it”)
“Não, ainda não.”
“Ainda não.”
b) Likewise, a question that contains “ainda” is answered with “ainda” if it’s positive or “já não” if not “Ainda vais sair?” (Are you still going to go out?)
“Sim, ainda vou.” (Yes, I’m still going to”)
“Sim, vou.”
“Não, já não vou.” (No, I’m not going any more)
“Não, já não.”
“Já não.”
2. In plain speech, “ainda” can have the following meanings
a) up to the current time (english: “still”)
“Ele ainda não voltou.”
“Este velho carro ainda participa em corridas.”
b) up to that time (english: “still” again but about something in the past)
“Quando o filho nasceu, ele ainda morava em Lisboa.”
c) One day in the future
“Tu ainda hás-de ser muito feliz.”
d) Precisely, exactly
“Ainda ontem o vi.”
e) Also, furthermore (cf “ainda por cima”)
“Fui jantar, comi muito bem e ainda me diverti com a conversa do Miguel.”
f) Finally
“Tenho de arrumar a casa, ir às compras e, ainda, fazer o jantar.”
g) At least (surprised me but of course, we use “still” in this way in english too: “A meteior is about to strike the earth… still, mustn’t grumble, at least we won’t have to hear any more about Brexit”)
“Ainda se ele marcasse um golo, o dinheiro era bem gasto, mas assim…”
3. “Já” on the other hand, has the following meanings:
a) Now, at the moment
“O menino já sabe ler.”
“O pai já não tem paciência.”
b) Immediately, without delay
“Vou-me já embora.”
“Faz já isso!”
c) Before now, already
“Ele já tinha comido.”
“Eu já tinha visto este filme.”
d) Previously, before that time
“Eu já sabia que isso ia acontecer.”
Existe um programa de rádio, cá em Inglaterra, chamado “Só Um Minuto”, que consiste num jogo com quatro jogadores. O objectivo do jogo é simplesmente isto: falar sobre uma tema durante um minuto, sem hesitação, sem desvio, e sem repetição.
Ou seja, se uma jogador repetir uma palavra (com excepção de palavras pequenas tais como “e”, “para” ou “uma” – e o título do tema é permitido também) um outro jogador pode interromper o outro e assim ganha um ponto e continua o discurso. Se desviar do assunto, também perde a iniciativa a um outro jogador e finalmente, se hesitar (uma pausa notável entre duas palavras ou um “hum…”). No final* do minuto, quem estiver a falar ganha mais pontos e depois os três seguem para o próximo assunto.
Pode ser muito engraçado (depende dos concorrentes, claro!)
O meu único motivo para mencionar isto é que penso em tentar fazer um jogo a sós para praticar português falado, e tentar eliminar as pausas no meu diálogo! O que achas? Será um bom desafio?
Caso algum estudante de inglês tenha interesse neste programa, está aqui uma edição especial de televisão
*”No final do” or “ao fim dum”
Thanks to Sophia (again) and Israel. Good luck with all those people singing in you later this evening, Israel.
Another of those lessons I mentioned a couple of posts ago: we went through an episode of “Gente Que não Sabe Estar”, which is a sort of portuguese version of those american late night satire shows fronted by Stephen Colbert or Jimmy Kimmel or Seth whatsisface. In this case, it’s Ricardo Araújo Pereira, who has the requisite mixture of humour and ability to look credible in a suit. This is a challenging lesson for me because aside from the usual problems of trying to follow rapid-fiire portuguese, I have very little clue about who is who and what the hell it’s all about so I have had to do quite a lot of research. Here are some pointers, some from my teacher and some cribbed from Wikipedia and elsewhere
Joe Berardo (the creepy-looking dude in black, flanked by two very overworked lawyers) is a businessman who is somehow mixed up in a scandal regarding the recapitalisation of the Caixa Geral de Depósitos when it got in trouble a few years after the 2008 crash. It emerged that he had 980 million euros in debt to the bank and refused to pay interest because er… it would cause some sort of unspecified harm. He was fished out and dragged in front of the Comissão Parlamentar de Inquérito, and that’s what the footage is in the show. It’s a strange mixture of careful distancing of himself from the scene of the action and ridiculous failure to read the room. “This is costing the people a lot of money” / “Not me though!” being just one example.
Right at the start there’s a missed pun opportunity owing to this being in Portguese and not english, so “Bearardo” does not happen.
“Se queres ajudar um homem não lhe dês o peixe” at around 1:25 is the first half of the portuguese equivalent of the old saying “give a man a fish and he’ll eat for a day, teach him to fish and he’ll eat for life”
“pipa de massa” = “a load of dough”, where dough is money, just like in an old american gangster movie
“Os juros” = interest
“as dívidas” = debts
“As ações” = stocks and shares
“Os títulos” = share certificates
“a garantia” = collateral
Floribella is a sort of soap opera about a young singer. Lots of bright colours and shonky acting, but it has heart. I skimmed through the pilot (below) and was sort of fascinated by the spectacle of someone speaking portuguese with a strong german accent. I thought she was spanish at first but her name’s Helga Schneider apparently. The theme is “não tenho nada mas tenho tenho tudo” ( don’t have anything but I have everything), which as he says, is an astute allegory about high finance.
I thought the “coleção” was a charitable institution that collects money for good causes but it turns out, no, it’s an actual collection of artworks and he’s a bit confused about whether he owns it or the foundation he runs owns it. Hence the hand-waving from the lawyer. He also seems to have given share certificates as securities for the loan, but they are valueless because the paintings can’t be sold without his permission… oh god, my brain is starting to hurt.
There’s an analogy with “monopólio” (Monopoly, the game) around 11.00-11.30 just before the magic trick with the cups.
Spooky bit at 20:30. Where did the lady in the light jacket go after disappearing behind Margarida Mano?
“Comer” in the context of the bit about Rui Rio at around 21:35 means “shag”. He’s not talking about cannibalism.
Postscript. Apparently my wife met Berardo when she was young in Funchal and is far from impressed with him as a human being.
Li este livro durante um projecto que estou a fazer sobre a história portuguesa. Lê-se muito bem, e traz pormenores suficientes para um iniciante, tal como eu, e vamos ser honestos: escrever a história dum país inteiro de modo interessante e informativo ao mesmo tempo não é nada fácil! Dá para entender os factos básicos, e colorir a imagem preta e branca que eu obtive do livro escolar que li recentemente.
Como já disse (ontem, na opinião de “É de Noite que Faço as Perguntas”) o projecto está a ajudar-me entender a cronologia do país. Ajudou-me arrumar os factos que já sabia num ordem, ou seja, atou-os num fio: as batalhas, os reis, o terremoto, os motivos pela revolução dos cravos. Compreendi melhor o enredo da banda desenhada sobre a primeira republica, e a placa que já vi no Porto em Março, que comemora a perseguição do MUD.
Claro, existem ainda muitas, mas mesmo muitas coisas que não sei mas acho que vou parar, ou pelo menos fazer uma pausa porque não estou pronto para mergulhar-me dentro dos pormenores do declínio do império, o desenvolvimento de socialismo ou o pequeno almoço preferido do Infante Dom Henrique. Se calhar, no ano seguinte…
Quatro anos depois da primeira tentativa, li este livro pela segunda vez. Estou a fazer um projecto de aprender a história portuguesa, portanto, conheço os acontecimentos recontados e tudo fez muuuuuiiiito mais sentido! Antigamente, ficava confuso, mas agora, fico impressionado!
O livro foi publicado para comemorar o centenário da república. Os autores defendem as realizações da primeira experiência de democracia, por mais imperfeito que fosse, para apagar a mancha de analfabetismo e modernizar o país.
A historia é contada pela voz dum homem que vive durante o estado novo. Está a escrever uma carta ao seu filho, que descreve a sua vida como criança logo no inicio da primeira república portuguesa, nos anos antes e durante a grande guerra e, logo depois, anos turbulentos nos quais o poder mexeu-se de uma extremidade para a outra numa serie de golpes e revoluções e a sombra de autoritarismo aproximava-se a pouco e pouco.