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A Guerra de 1908

I put up this video with the transcript from Planta Carnivóra the other day, with the idea that I could go back over it and tune into what he was saying with the aid of the text, because his accent is very different from what I’m used to and it seemed like a good exercise as part of my exam plan. However, it quickly became obvious that the transcipt doesn’t match. There’s no reason why that should be surprising of course; it’s an old sketch and I’m sure it’s been performed hundreds of times in many different variants. So, for the challenge, I’ve set about trying to change it to what I think he’s really saying. The altered bits are in red. There are probably a few errors because I don’t really understand the sentence structure in a few places, but hopefully it’s an improvement at least… Interested to note that the aunt and the mum seem to have swapped places…

Update 20/4/19 – yes, there were plenty of errors still and I have had help from Sophia. Mainly, they were mistakes in the original that I had missed rather than new errors I’d introduced. Like “Meu tio Gustavo”, which should have read “Meu tio que estava…” for example. Embarrassing.

 

Eu vou-lhes contar a história da minha ida à Guerra de 1908.

Eu trabalhava numa fábrica de produtos farmacêuticos. Um dia sem querer, deixei cair um comprimido e despediram-me. Fui lá para casa sentar-me numa cadeira que nós temos lá em casa para quando somos despedidos. Estava-me a balançar, entrou o meu tio que estava com o jornal que trazia o anúncio da guerra, que rezava assim

“Precisa-se Soldado que mate depressa!”

E disse a minha mãe,

Olha, tu é que podias responder a esse anúncio.”

E disse a minha tia,

Pois, mas é preciso levar cavalo!”

E disse a minha mãe,

“Mas eles na guerra dão cavalos.”

E disse a tia,

“Pois, e o meu sobrinho vai agora montar na guerra num cavalo que os outros já montaram. Sei lá quem é que já montou naqueles cavalos!”

Fomos à feira de gado para comprar o cavalo, mas vendiam uns cavalos com as carroças e com as moscas, e a minha mãe disse,

“O meu filho não vai agora para a guerra encher a guerra de moscas… O meu filho, vai a pé mas vai limpo.”

Então fomos para casa. A minha mãe preparou me umas papas de sarrabulho, tomei um táxi e fui para a guerra. Cheguei à guerra eram sete horas da manhã, estava a guerra ainda fechada. E estava uma senhora que vendia castanhas à porta da guerra e eu perguntei,

“Minha senhora, faz favor, aqui é que é a guerra de 1908?”

E ela disse,

“Não senhor! Aqui é a guerra de 1906, a guerra de 1908 é mais acima.

“Muito obrigado”

E subi dois anos. Cheguei lá cima, e  estavam a abrir as portas da guerra, que eram nove e tal e ‘tava o sentinela que me perguntou,

“Vens ao anúncio?”

“Sim, venho.”

E ele disse,

“E matas depressa?”

E eu disse,

“Por enquanto ainda mato assim-assim… preciso de treinos.”

Então ele levou-me ao meu capitão, e o capitão perguntou-me se eu trazia a espingarda e eu disse que Não trazia, que até pensava que a ferramenta davam lá eles. E disse

Eu trago é uma bala, que um vizinho meu guardou de recordação da guerra dos cem anos”

E diz o capitão,

“Como é que tu vais matar só com uma bala?”

E eu disse então,

Eu disparo a espingarda, e depois, vou lá buscar a bala”,

Aí disse o tenente,

Pois e a guerra pois vai parar de dois em dois minutos por sua causa!?”

Até o sargento disse

“Olha, a gente podia era atar uma guita à bala e depois puxava-se a bala!”

E disse o capitão,

“Pois, depois parte-se a guita, perde-se a guita, perde-se a bala. É tudo prejuízo não é?”

Então eles fizeram uma conferência e deram-me seis balas e mandaram-me matar. Estava eu, a matar, muito contente, chego ao pé do meu capitão e mandou-me ir de espia. Vestiram-me um vestido de organdi com uns laços cor-de-rosa, e fui para a guerra do inimigo, cheguei lá, bati à porta e o sentinela abriu frincha e disse,

“Quem é?”

E eu disse

“Sou a Maria Albertina”, malandrice!

E ele perguntou-me,

Tu já trabalhas de espia há muito tempo?”

E eu disse,

“Não, só trabalho desde as 11!”

E que é que tu queres?”

“Eu venho cá buscar os planos da pólvora”

E ele disse

“Não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora, não te dou os planos da pólvora”

E fui fazer queixa ao capitão dele. E eu disse-lhe,

Capitão, mas ele é um burro

Deixa lá, almoça cá com a gente!”

Então, almocei na guerra do inimigo. Comemos uma cabeça de pescada muita grande e depois fui para a minha guerra. E quando eu cheguei lá ia estava a contar ao meu capitão, entra um soldado a correr, a correr

Meu capitão, meu capitão, fizemos um prisioneiro!

Diz

“Sim, onde é que ele está?”

“Não quis vir.”

Porque cá há prisioneiros que são teimosos, a gente puxa, puxa e eles não vêm. Feitios.

Então o meu capitão disse,

Então, se eles não dão os planos da pólvora vai lá buscar o avião, pronto

Porque como a gente se dava muito bem com o inimigo, nós tínhamos um avião que dava para todos. Eles bombardeavam às Segundas, Quartas e Sextas, e a gente bombardeava às Terças, Quintas e Sábados, e lá íamos morrendo.

Mas o capitão disse que não podia dar o avião, porque estavam a adaptar uma torneira para andar a jacto”

Fui-me embora para a minha guerra e quando cheguei estava o meu capitão à porta da guerra e disse-me,

“Olha, podes-te ir embora porque a guerra acabou-se!”

Disse

“Acabou-se??”

“Acabou-se. Veio cá o fiscal, a gente não tinha licença de porte de arma. Levaram as metralhadoras, as pistolas, as bazucas”

E foi assim que… ai ai ai ai ai

 

Here are the vocabulary words I didn’t already know:

Carroça = Cart

Sarrabulho = Coagulated pigs blood. Er… yum?

Guita = Wire

Organdi = Organdy

Frincha = A small opening – I’m picturing the little window the guard looks through at the gates of the Emerald City when Dorothy arrives.

Pescada = Hake

Pólvora = gunpowder

Jacto = jet… and I assume “torneira” can mean “propeller” too, although I only know it as “tap” and that’s the only definition give in my dictionary too…

Feitios = shapes (which I knew) but seems to mean “it takes all sorts” here.

Feira de gado = livestock market

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Rosa, Minha Irmã Rosa(Alice Vieira) – Opinião

notebook_image_989044Já li dois livros da mesma autora e este terceiro também é muito divertido. A protagonista é uma menina que tem 9 anos. Mora com a família e tem uma nova irmã. Apesar do título, uma grande parte da história trata das suas duas avós (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A história da família espelha a história recente do país. E a bebé? A narradora não se dá com ela no início mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmã.
É um livro juvenil, claro, mas Alice Vieira escreve tão bem que um adulto pode gostar também.

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Homework

Attempts to grope my way towards proper use/non-use of the reflexive pronouns where the object of the verb is a condition as opposed to a “thing”. (a) answers are the former, and (b) the latter
1a) Sabe que é preciso pagar se ser português?
1b) Quer tenha cidadania quer não, não é possível ser um português verdadeiro se não foi criado lá.
2a) A Cristandade incentiva os seus aderentes se serem mais honestos.
2b) A Cristandade ajuda os seus aderentes serem pessoas melhores.
3a) A frase que se segue é mais um exemplo
3b) Esta frase segue a frase passada.
4a) Se ganhar o Euromillions, ir-me-ei feliz?
4b) Se mudar o meu modo de vida irei uma pessoa mais feliz?
5a) Fiquei desiludido por iTalki e por isso tornei-me membro do Lingq
5b) Fiquei desiludido pelo chuveiro e por isso tornei o torneira para tomar banho
6a) Ri muitas vezes enquanto li este livro
6b) Riu-se quando pensou da sua primeira tentativa falar português.
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Opinião: Caim (José Saramago)

7011225Acabo de ler o “Caim” de José Saramago. Custou-me muito ler, não apenas porque há tantas palavras desconhecidas mas também porque este escritor é famoso por ter escrito num estilo experimental. Portanto, neste livro há parágrafos que se esticam através de 5 páginas com pouca pontuação, nomes de pessoas sem letras maiúsculas, e tudo isso torna a leitura numa montanha-russa de confusão para um estudante como eu. Felizmente, já li a Bíblia, que me ajudou muito.
Toda a gente conhece a historia de Caim, filho de Adão e Eva, que matou o seu próprio irmão. Nas mãos de Saramago, este assassino original torna-se um rebelde contra o Senhor. Depois da sua expulsão do jardim, Caim percorre o mundo e viaja involuntariamente no tempo, entre épocas e locais, onde se encontram as personagens dos contos mais infames do testamento antigo. Assiste a queda das muralhas de Jericó, agarra a mão de Abraão quando está ao ponto de sacrificar o seu filho, e foge com Job do fogo e enxofre que engolem Sodoma.
A sua conclusão é que Deus é rematadamente maluco, e por isso, este próprio Caim tenta fazer alguma coisa muito ambiciosa: nada mais nada menos do que frustrar a vontade do Senhor, mas não quero explicar precisamente como, ou com que nível de sucesso, porque não quero dar spoilers!
Saramago ganhou o Prémio Nobel nos anos noventa, e mereceu: este livro é impressionante. O protagonista é um ser humano, mais realista, e melhor realizado que o da Bíblia. Trata-se principalmente de uma crítica de religião, mas já temos tantas daquelas! Também é uma história divertida. Por exemplo, na cena com Abraão, Caim amaldiçoa o patriarca pela sua falta de humanidade e sentimentos dignos de um pai. Isso serve como acusação poderosa contra Deus, mas na página seguinte, quando chega o anjo, há um momento de comédia que me fez rir em voz alta. Além disso, o livro foi escrito num modo brincalhão e ligeiro, apesar dos seus parágrafos gigantescos. Cá para mim, o livro foi um desafio mas não foi trabalho.

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Uma Revista

Durante a minha estadia no Porto, fui assistir a uma “revista” no Teatro Sá de Bandeira. Foi a um espectáculo longe fora da minha experiência, consistiu numa série de canções, juntadas por uma peça de teatro. Os protagonistas chegaram um a um: os músicos logo no início, depois o José Raposo, depois a Vera Mónica e finalmente a Sara Barradas (que estava grávida e quase a dar à luz a sua bebé*!).

O enredo da peça deixou os dois actores mais velhos falarem com a Sara sobre as suas viagens pelo mundo, e então, cantaram músicas de vários países. Havia canções em espanhol, francês, italiano e até uma dos The Beatles**. Os actores mudaram de roupas muitas vezes, ou pelo menos colocaram um chapéu ou qualquer outro acessório entre as canções. Também havia alguns “sketches”, tal como “A História da Minha Ida à Guerra de 1908″de Raul Solnado. Isto e duas canções (duas!) foram as únicas coisas que já conhecia.

A maioria da audiência era sénior mas havia algumas pessoas mais jovens e crianças, e acho que foi um evento adequado a toda a família. Enfim, gostei muito da experiência.

* = isn’t that lovely? I’d never noticed how the articles and prepositions work together until Sofia corrected my grammar. “Estava grávida e quase a dar à luz a sua bebé”. She was pregnant and “almost ready to give her baby to the light”

** = On the other hand, “os The Beatles” os not so pretty.

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Marialva

Acabo de ver uma apresentação dum novo livro escrito por uma autora portuguesa, chamado “A Inglesa e o Marialva”. É baseado em factos verídicos, sobre uma inglesa que chegou em Portugal nos anos sessenta. Tem um bom aspecto.

Alguém fez uma pergunta que muitos devem ter-se se perguntado: o que é que é um “marialva”. Foi explicado que esta palavra tem dois significados: pode ser um bom cavaleiro ou um homem que se traja como o Marques de Marialva, e tem o comportamento daquele fidalgo; forte, bem vestido, tipo Dom João. Mais recentemente, o nome tornou-se mais negativo, portanto muitas vezes significa um bêbado, ou um homem que corre atrás de mulheres.

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Gooble Gobble

Está muito frio aqui em Aylesbury, e sinto o tempo ainda mais porque ontem estive no Porto. Fui para pedir a cidadania portuguesa. Como alguns de vocês já sabem, a nossa família é anglo-portuguesa (ou seja luso-britânica). Não votámos para aquela tolice do Brexit mas quer queiramos quer não, parece cada vez mais inevitável que vai acontecer portanto todos nós ingleses casados com estrangeiros temos de pensar no futuro. Ninguém sabe precisamente o que vai acontecer, nem sequer a Primeira Ministra.

Eu e a minha mulher decidimos que o melhor plano de acção era obter dupla cidadania para todos nós. Portanto, ela está a pedir atribuição de “settled status” (estatuto de residente permanente) e eu e a nossa filha vamos tornarmo-nos portugueses. Depois, venha o que vier, ficaremos juntos e se Deus e o partido conservador quiserem, teremos mais opções do que teriam tido senão.

Pôr o processo em andamento foi um desafio. Foi muito acidentado, e encontrei alguns funcionários pouco simpáticos mas afinal, o Porto é uma cidade lindíssima, e adorei o meu pesadelo burocrático no paraíso. Acabei por ficar lá mais um dia. Um homem muito prestativo ajudou-me. Ainda não marquei golo, mas a bola passou por cima do guarda-redes e está quase através da linha do golo*

Tenho sentimentos mistos sobre isto da dupla cidadania. Não é algo que consideraria antes do Brexit, mas sinto-me confortável com a decisão, apesar disso. É a terra da minha esposa. Falo a língua (mais ou menos). Gosto da música, a comida, adoro a literatura. Claro não sou literalmente português, mas espero que cada dia que passe, merecerei a honra de dizer “eu sou português”

*There y’go, a futebol analogy – I’m half way there already!

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Chama os Bombeiros… Não, espera… Os canalizadores.

Estou na biblioteca perto da sede do meu cliente. Tivemos que sair do prédio porque tocou o alarme de incêndio. Mas depois de sairmos, ouvi que não foi por causa dum incêndio mas sim um problema com a canalização do prédio. Um cano rebentou e água nojenta derramou pelo tecto dos dois primeiros andares. É frustrante porque não tenho o meu portátil e portanto não consigo fazer nada. Mas não faz mal, pelo menos há uma biblioteca onde posso ler e escrever.

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A Horta no Inverno

IMG_20190210_174856_289Não há muitas coisas para fazer nesta estação do ano. Há algumas flores a crescer perto da casinha; jacintos, narcisos e tulipas. Os primeiros botões estão a aparecer nos ramos das groselheiras e o ruibarbo está a acordar-se.  Mas já comecei a preparar. Espalhei composto no solo, amarrei as amoreiras (grande frase, esta. Soa bonita!) e cortei os ramos duma árvore que lançava uma sombra através do lote e reciclei-os para fazer um canteiro elevado para os morangos.