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Uma Notebooquinha

(LOL – Eu sei, esta palavra não significa nada* mas em qualquer caso, gosto dela)

No próximo verão, a escola da minha filha vai apresentar uma peça de teatro que se chama “Peter Pan”**. Não queria um papel falando. Por isso, ela tem o papel do crocodilo. Ela tem de correr atrás de Capitão Gancho. Não falará mas terá um relógio. Ouvindo o som do relógio (“Tick Tock Tick Tock” – é o mesmo som em português***?) a audiência saberá que o crocodilo está a chegar.
De repente, ela correrá para fora do palco e fingirá morder varias pessoas na primeira fila

*=I originally posted this as “Uma Notebooquinha” because it’s treating notebook (iTalki uses Notebooks as ways of getting corrections for small pieces of written work) as a Portuguese word and adding the diminutive “inha” on it because it was only a little notebook. Of course a better way to say it – as Rubens pointed out – would be to make a proper portuguese word using “Caderno” => “Caderninho” but  “Notebooquinha” is so beguiling that I have retained it here

**=From thnotebook_image_678500original text: “Pedro Panela”? Não, talvez não devo usar um tradução de “pan” – Of course, this is also a joke. Pan is a surname. If he was a character called Peter who was some sort of hideous anthropomorphised saucepan then “Peter Panela” might be right

***=No, apparently it’s “Tick Tack Tick Tack” in Brasil (Thanks again Rubens) and “Tiquetaque” in Portugal (Thanks Fernanda). I think there could be a good blog post about Portuguese Onomatopeia soonish.

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Comentário

21937266Escrevi um comentário sobre “Do Primeiro Quilómetro à Maratona” de Jéssica Augusto (*=”Revista” ou “comentário”? Qual é melhor neste contexto*?)

Gosto muito este livro. Já sou corredor e estou a aprender português. Então, pensei que um livro sobre o meu desporto seria uma boa selecção.
A Jéssica descreve o progresso duma atleta, desde o sofá, passando pelos primeiros quilómetros até as provas mais longas – incluindo a famosa Maratona (26.2 Milhas). Há muitos conselhos sobre o aquecimento, o treino, a nutrição e a motivação.
Eu recomendo este livro a todos aqueles que querem começar a correr

 

Thanks very much to Paulo and Fernanda for their help in correcting this text when it first appeared on iTalki.

*= Fernanda offered the opinion that in this context “Commentário” or “apreciação” would be the best word for a book review online. A literary criticism would be a different matter. Revista is a false friend. I listen to a podcast called “revista de Semana” which I thought meant “Review of the Week” which is sort-of-correct but not a review in the sense of a book review. It’s a little more formal and bureaucratic than that, and it’s used as the title of some magazines. For a fuller description, look here.

The review is also now listed on Goodreads

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A Banheira / The Bath

Ouvi o Hugh Laurie dizer que na sua idade, ler livros é como encher uma banheira quando o tampão não está no ralo. Estou de acordo com ele (or “concordo com ele”). Na minha idade também, derramo português dentro da minha cabeça mas tudo drena depressa.

*suspiro*

…which, for those of you who don’t speak Portuguese means…

I heard Hugh Laurie saying that at his age, reading books is like running the bath with the plug out of the plughole. I agree with him. At my age too, I pour Portuguese into my head but it all drains away (quickly)

*sigh*

The word “quickly” wasn’t part of my original intent but both people who corrected it seem to have thought that’s what I was saying so I’ve left it in.

Thanks again to Sophia and also Rubens for their help with the corrections.

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Adoro de Ler

Hoje em dia, ando também ocupado. No meu trabalho ando todo o dia para cá e para lá. Onde volto para casa, tenho de fazer tarefas domésticas e depois, de certeza que devo estudar Português. Talvez, se tiver tempo livre, vou sair para ir dar uma corrida ao longo do rio, mas falta-me de ter tempo para desfrutar dum livro bom.
O meu romance favorito é “The Code of the Woosters” (“O Codigo dos Wooster”) de P G Wodehouse. É a história dum homem jovem de Londres que se chama Bertie Wooster e o seu empregado, Jeeves. No início do romance, a sua tia pede-lhe (hm… vamos aos factos: ela ordenou-lhe!) para ir a uma loja para zombar a um jarro de leite de prata. Enquanto zomba, encontra um magistrado, Watkyn Bassett e o seu amigo, Roderick Spode, um político ambicioso, patrão dos “calções negros” que quer ser ditador da Inglaterra. De alguma maneira, Bertie acidentalmente rouba o jarro e os dois homens correm atrás dele.
Assim começa uma historia louca. Tenho lido-o três vezes, mais ou menos.
Agora, estou a ler um livro sobre os ingleses dum escritor português e um livro sobre os portugueses dum escritor inglês, mas leio muito devagar porque ando também muito ocupado.

Once again, this is ably translated by my teacher, Sophia. There was some confusion about the meanings of some of the words, because going to a shop to “sneer at a silver cow creamer” is not normal behaviour, so better words were suggested. As I explained (and there are a couple of corrections in this too):

Hm, talvez “zombar” não seja correcto. Não é no meu dicionário. É uma palavra brasileira? Todavia, acho que não quer dizer “roubar”. Pode ser “mofar de”. A tia esperou que Bertie fizesse troça dele e afirmou que o jarro é “holandês moderno”, o lojista crê que não se vale muito e venderia-o ao seu marido mais barato.

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Omã

Ouviu as notícias de Omã? Aparentemente, há quase vinte anos, foi localizado os restos duma nau ao largo duma ilha perto do sultanato. Ninguém sabia o nome dele mas recentemente, o governo pediu a uma empresa britânica para tentar salvá-la. Logo ficou aparente que esta era A Esmeralda – a embarcação de Vasco da Gama, que esteve naufragada no século XVI.

Como sabe, naquele período da História, Portugal era um império muito poderoso. Vasco da Gama era o navegador que navegou cerca do Cabo da Boa Esperança para chegar à Índia em 1498*. Esta realização formou parte da sua grande viagem de 1497-1499. Uns anos mais tarde, em 1502**, a nau voltou a navegar, comandada por Vicente Sodré e foi nesta viagem que o barco se perdeu.

Neste dia de viagens seguras e fácieis, é estranho pensar agora sobre Vicente Sodré, e o seu lugar de descanso, no fundo do mar, quase esquecido pela História. Que corajoso ao desafiar uma viagem em volta do mundo desconhecido numa nau de madeira! É difícil de pensar num acto equivalente hoje em dia. Talvez voar no espaço

*mil quatrocentos e noventa e oito.

**mil quinhentos e dois

Thanks again to Sophia for help with the corrections.

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O Alarde

Esta manhã, como todas as outras, acordei às cinco. Tomei o pequeno-almoço de oito ovos crus e um copo de sumo de laranja. Vesti uns calções, uma t-shirt, meias curtas e sapatilhas de corrida (deixei-as na cadeira a noite passada). Saí do apartamento e corri uma maratona (uma corrida que consiste em quarenta e dois vírgula dois quilómetros). Voltei duas horas mais tarde, espremi o suor da minha t-shirt e comi o segundo pequeno-almoço de mais quatro ovos.

Passei o resto da manhã a fazer flexões com um saco de areia nas minhas costas para fazê-las de forma mais difícil. Depois do almoço (mais onze ovos… e uma uva para os hidratos de carbono) e ler algumas paginas de “Level Up Your Life” de Steve Kamb para a motivação, comecei de fazer os exercícios verdadeiros: halterofilismo. Corri para o ginásio (só fica a vinte quilómetros do meu prédio), levei o haltere maior e ergui-o em cima da minha cabeça com uma mão. Como em todos as tardes, fiquei no ginásio durante cinco horas. Fiz duzentos agachamentos de forma correta, trezentos supinos, mil duzentas e quinze elevações, duas horas a saltar à corda e uma hora de treino intervalado de alta intensidade. Depois disto, bebi um shake de proteínas e fiz os meus alongamentos.
Se tivesse uma fotografia deixaria-a aqui mostrar os meus músculos enormes e barriga definida mas não tenho. Desculpe. Em vez disto, há uma imagem doutro homem que é quase tão forte como eu.

arnold-schwarzenegger

This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

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E se não há casas-de-banho!?!?

Ontem, fui ao “Soho Teatro” no centro de Londres para ver uma comédia chamada “What if there is no toilet?” (“E se não há casas-de-banho?”).
notebook_image_669088É um espectáculo duma comediante australiana que se chama Felicity Ward. Eu sei, parece um tema muito estranho para uma comédia, mas foi muito engraçado, e muito agradável. A Felicity Ward falou da sua vida com Síndrome do Intestino Irritável e a ansiedade de estar longe duma casa-de-banho e precisar de fazer coco ou xixi. No começo do espectáculo,
pude ver no palco uma sanita em vez duma cadeira, e em cada lado do palco, havia uma pirâmide de papel higiénico. A meio do espectáculo, ela abriu a sanita, e fora dela tirou uma garrafa de água, e começou a beber! Mais tarde, quando contou uma história embaraçosa, produziu umas folhas do papel higiénico de dentro da sanita e fez um bigode de papel higiénico para ela mesmo. Se alguns membros da audiência quisessem sair das suas cadeiras para usar a casa-de-banho, ela pediu-lhes fazer um sinal “T” com as suas mãos para indicar as suas intenções. Por isso, eles vieram a ser membros do “Team Toilet” (em inglês, isto é talvez equivalente a “Equipe do Banheiro”)
O que a Felicity Ward acha da vida em Inglaterra? Não pode acreditar como é difícil de procurar uma casa-de-banho pública. “Em Kings Cross, custa 50p para usar a casa-de-banho, mas apercebi-me que há dois pianos, para os viajantes usarem gratuitamente. Fiz xixi num piano”.

Reflections

This was quite a tricky one when I wrote it on iTalki because at least one of the people who helped correct it had underestimated how icky it was. When I said she took toilet paper out of the toilet, I guess it seemed like I meant she put toilet paper into the toilet, which, on the face of it, seems more likely.

In fact, even the translation of “toilet” is a bit tricky. I originally went with “E se não há sanitas!?!?” for the title. Sanita is the actual bit you sit on – the throne, if you like, but I think the feeling was “Casa-De-Banho” (the room the toilet is in) was the salient point. The trouble is, “house of bath” sounds a bit off to me. I dunno. The translators of the Bible had similar problems. In 1 Samuel 24, David goes into a cave to “cover his feet” (squat down for reasons you can imagine, in a way that will make his robes drape down over his feet). Obviously this  phrase means nothing to a modern speaker of english, so various translators of the various versions of the Bible such as “relieve himself”, “make water” or “go to the bathroom”. I love the idea that, in the desert, hundreds of years before Christ, he’s going into a cave, flicking a switch and finding an avocado-coloured bathroom suite, tiles and a bog-brush.

Another contentious word was “cocô” which is the way the Brazilians write “poo”. M’wife tells me it’s “coco” in Europe, although, confusingly that also means “coconut”. I assure you, she wasn’t worried about needing a coconut. Does the orthographic agreement cover poo, I wonder?

I left “Equipe do Banheiro” as it was, as a translation of “Team Toilet”, even though it’s more of a Brazilian way of saying it, The European version suggested was “Equipe da Casa-de-Banho”. The reasons for choosing the Brazilian were (1) it sounds more like a team name and closer to the rhythm of “Team Toilet” and (2) Felicity Ward is Australian so she speaks a hideous, barbarous travesty of English* so why not translate her words in a  hideous, barbarous travesty of Portuguese**?

 

*=joking, obvs***

**=joking again, obvs****

***=I probably shouldn’t over-explain but you know I’ll get hate mail if I don’t lay it out for the benefit of humourless people in Canberra

****= ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto ditto São Paolo.

 

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Por Falta Dum Prego

Tentei traduzir um poema inglês, usando o pretérito imperfeito do conjuntivo… Espero que o efeito não seja demasiado horrível….

Se não houvesse um prego, a ferradura perder-se-ia.

Se a ferradura se perdesse, o cavalo cairia.

Se o cavalo caísse o cavaleiro seria morto.

Se a cavaleiro fosse morto, o exército se renderia

Se o exército se rendesse, o Reino seria arruinado.

Por falta dum prego, o Reino seria arruinado.

Reflections

This is a translation of a poem in English that has quite a few variations but goes something like this:

For want of a nail the shoe was lost,
for want of a shoe the horse was lost,
for want of a horse the knight was lost,
for want of a knight the battle was lost,
for want of a battle the kingdom was lost.
So a kingdom was lost—all for want of a nail.

I only picked it because it seemed like a good excuse to use a lot of subjunctives.

When I originally wrote it I made the silly mistake of simply looking up the word “nail” in the dictionary and simply using the first word (“Unha”) that came up. Thus it was that I published a notebook entry in iTalki that seemed to suggest that the kingdom could be lost because of the lack of a fingernail!

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O “Brexit”

O Primeiro Ministro do Reino Unido anunciou recentemente a data do referendo para decidir a saída da União Europeia. Para muitos britânicos, esta questão é cheia de emoção. Mas quais emoções? Saudades duma idade do ouro quando a Grã Bretanha tinha grande poder no mundo? Medo dum futuro incerto? Antipatia aos novos vizinhos da Polónia, do Roménia ou mesmo da Síria (chegando dos países perto do Mediterrâneo).
Como muitas vezes, quando ouvia os debates, acho que a realidade perdeu-se nas discussões emocionais. Não temos um Donald Trump Inglês… ainda, mas há um perigo de despertar os aspectos mais feios do nosso carácter nacional.

[Uau – Penso que estou mais optimista do que o normal. Acho que escrever em Português faz-me mais pessimista!]

Fotografia – Boris Johnson. Tem o cabelo do Trump mas não é tão mau como o do Trump

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This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version there. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

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As Notícias Loucas

A minha professora pediu-me escrever sobre as notícias loucas. Aqui em Inglaterra não há muitas vacas bravas que aterrorizam as nossas aldeias, mas há dois anos atrás, uma coisa muito estranha aconteceu aqui.
No oeste de Londres há um aeroporto chamado Heathrow. Durante os últimos… talvez quinze anos, vários governos tentaram construir uma nova pista neste aeroporto. Os habitantes de Richmond e Hounslow, que moram por perto ficaram com raiva, porque os aviões no céu acima das suas casas são sempre muito barulhentos.
notebook_image_668317Um dia, em Dezembro, um repórter de TV foi para as ruas de Richmond com um microfone e uma câmara. Perguntou às pessoas que faziam compras, o que achavam sobre o novo papel publicado por uma comissão estabelecido pelo governo de David Cameron.
Viu um homem a passar com umas malas e perguntou-lhe “Desculpe senhor, o que acha deste papel?”
De repente, apercebeu-se com quem estava a falar: Henry Winkler, ou “The Fonz” d0 famoso programa americano “Happy Days”. Winkler estava a fazer parte duma pantomina.
O Repórter ficou atrapalhado. Tentou lembrar-se da palavra famosa do Fonz mas não conseguiu. Disse “relaxed” em vez de “cool”. Coitado! Acho que deve ser um situação muito difícil!

This was originally on iTalki but it’s not possible to write a proper corrected version there. Thanks to my teacher, Sophia for correcting my terrible errors.

Reflections:

There’s a good example of a “false friend” here. A false friend is a word that looks like an English word, but means something else. In this case, I’ve tried to write “suddenly he realised who he was talking to”, and I originally used the word “realizar”, which is clearly from the same root as “realise” but in Portuguese it only has the sense of “achieve”. You occasionally hear this use of the word in english:

He worked hard and finally realised his ambition  of being the greatest kitten-juggler in Wolverhampton

However, when English speakers it usually means something like “achieved an understanding (of the situation)” which is so specific as to be basically a different meaning entirely. The Brazilians were understandably flummoxed that I seemed to be saying “he achieved who he was talking to”.