Ontem, fui com a minha filha e a sua amiga ao nosso lote. Fizemos preparações para cultivar legumes. Tiramos algumas pequenas plantas que tinham crescido ali e usamos uma ancinho para preparar a terra para as sementes.
Mas quando acabamos de preparar, ficamos desapontados: as batatas que trouxemos estavam podres e havia pequenos insectos brancos a viver nas folhas. Não pudemos plantá-las.
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O Calão Português
This text is about Portuguese slang. I have corrected it using guidance from Sophia and added answers to the questions in quote text after each. Thank you Sophia.
Acho que este caderno é *muito* específico do Português de Portugal. Se és brasileiro, obrigado por ler mas talvez seja melhor deixar que uma pessoa portuguesa corrija. :^)
Estou a ler um livro e um dos capítulos trata do calão português, mas o livro é bastante velho (de mil novecentos e noventa e cinco – todos os preços mencionado nos textos são em escudos!) e por isso suspeito que muitas frases e palavras estejam desactualizadas. Podes dizer-me se estas ainda são usados nas ruas de Lisboa hoje em dia por favor? Não quero aprender algumas coisas se já não são usadas.
Chui = O polícia (“cuidado com os chuis!”)
Actualmente diz-se “Bófia”
Amigo da onça = Um amigo falso (isto tem origem, aparentemente, numa brincadeira brasileira sobre um caçador e o seu amigo que não acreditou nas suas historias)
Cacau (ou pilim, massa, prata, papel, grana, milho, utu, carcanhol, taco, cifrões) = dinheiro (“tem cacau para ir ao bar mais tarde?”)
Grana: usa-se no Brasil
(Dinheiro = Money, guita, papel, massa; prata é usado por exemplo na Colômbia)
Pau = Em 1995, significava “Escudos”. Existe um equivalente para Euros agora?
(continua-se a usar vulgarmente “paus”. Podemos dizer: “Vais dar 80 paus por esse disco rigido?” Também é muito comum os dealers de droga usarem “paus” em vez de falarem em €)
Bater a bota = Morrer (“O meu porquinho da India é tanto velho. Talvez vá bater a bota daqui a pouco”)
(continua a ser usado, tal como muitos outras expressões)
Chavalo/Chavala = Rapaz/Rapariga (“Conheces esta chavala?”)
Estar-se a borrifar para = Não se importar com alguma coisa (O meu sobrinho diz todos os dias sobre Justin Beiber. Estou-me a borrifar para as músicas dele)
(borrifar ou marimbar)
Ya = sim (“Estudas Português?” / “Ya!”)
(continua-se a usar e lemos como os alemães, significa “sim” só que em Alemão escreve-se “ja”. Há quem acrescente um “p” e fica “yap”)
Grosso = bêbedo (“O Senhor Soares, porque é que ameaçou dar-me umas salutares bofetadas?” / “Nao sei, estava grosso”)
(Para alguém bêbado, dizemos apenas “bêbado”, mas se a pessoa está com uma bebedeira podemos dizer que tem uma “piela”)
Porreiro = Agradável (Adoro Paris na primavera. É porreiro, pá!”)
I’m also endebted to Kamenko, who sent me a link to this dictionary of Portuguese slang
Porque é que é difícil comprar livros de escola em segunda-mão em Inglaterra
Em Inglaterra, há muitas livrarias de segunda-mão e muitas “Oxfam shops” (lojas de caridade) que vendem livros muito baratos. Mas quando quis comprar “Portugal, Língua e Cultura”, não o encontrei e tive que pagar muito dinheiro numa loja “online”. Para quê?
Há duas razões. A primeira razão é que não há muitas pessoas em Inglaterra que querem estudar Português. É triste mas verdade. E se alguém quer aprender, não usaria um livro de escola. É mais provável que usasse gravações ou alguma coisa como isso. E a segunda razão é que os livros de escola não são como os romances. Uma pessoa que acaba de ler um romance apenas o lê, mas uma pessoa que acaba de usar livros de escola usufrui-deles*! O livro será com palavras nos espaços vazios! Páginas serão tiradas! O livro será uma ruína!
E por isso, é quase impossível encontrar um livro sem danos e a lei da oferta e da procura causa preços altos.
*= I originally said “destroyed it” rather than “made use of it” but it amounts to the same thing and usufruir is such a good word, cognate with the almost-never-used English word “Usufruct” and giving rise to the idea that the plight of the textbook is akin to the tragedy of the commons.

Londres
Maybe it’s because I’m writing early in the morning, or maybe just because of the high-falutin’ tone of this writing but I suspect this text is even more error-prone than my usual, and since it’s in reply to someone else’s text it probably won’t get corrected. I quite liked it though because it used a lot of very unfamiliar words, so I’m transferring it here.
Parabéns! Claro que vivendo aqui melhorou as tuas habilidades em inglês. Com certeza, concordei contigo sobre os preços de imóveis no capital. É um problema serio para o eleição do prefeito do Londres em poucas semanas. Se tivesses escolhido uma cidade mais pequena, estaria mais barato, mas já não posso imaginar viver em qualquer outro lugar. Vai se sentir mais em casa depois dum tempo. Londres é uma cidade mais cosmopolita e muito etnicamente diverso agora, com gentes de tudo o mundo (no meu caso, apenas do norte da Inglaterra!) e por isso, em muitos maneiras, há muitos de nós que sintamo-nos estrangeiros, mas depois do tempo, este sentimento comum nos une a todos.
Which I hope means something like…
Well done! Living here has obviously done wonders for your language skills. I definitely agree with you about the price of property in the capital. It is a serious issue for the mayoral election in a few weeks. If you had chosen a smaller town it would have been a lot cheaper, but I can’t imagine living anywhere but here now. You’ll start to feel more at home after a while. London is a very cosmopolitan, ethnically diverse city now, with people from all over the world (in my case, only from the North of England!), so in a sense, there are a lot of us who feel like visitors, but after a while, that shared sense brings us all together.
It’s an answer to a Brazilian’s description of the moving to London.
Os Feijões: Uma Poema
Eis uma tradução dum poema de William Shakespeare para praticar as minhas orações proporcionais
Os Feijões, os feijões
São bons para o coração*
Quanto mais os comeres
Mais te peidas
Quanto mais te peidares
Melhor te sentes
Portanto vamos comer feijões
Em todas as refeições
Desculpem-me, os meus amigos, mas menti. Não foi escrito por Shakespeare. Eis a verdade, crua e nua:É um poema do pátio da escola, mas “O Cisne de Avon**” teria o escrito se não estivesse ocupado em escrever todas estas peças de teatro!
I’m slightly embarrassed at how many people offered corrections on this and saw me at my worst, telling fart jokes I remembered from 1977, but never mind. Anyway, footnotes:
*=I want this to be “os corações” for the rhyme but tbh, “for the hearts” doesn’t really make sense unless you happen to be a Time Lord, so poetry loses out to biology in this case.
**=”The Swan of Avon”. I have no idea if this phrase means anything at all outside of this little island.
Thanks again to Sophia, Rubens and Beatriz for corrections on iTalki
Esta é a tua escova de dentes?
Acabei de ouvir um podcast. Um dos falantes disse “os idiomas são como as escovas de dentes: nunca deve de ter alguma na sua boca com excepção da sua”.
Não concordo com isto!
The original quote was something like “Languages are like toothbrushes. You should never have one in your mouth unless it’s your own” and it was on the Start the Week Podcast on Language and Reinvention.
My last sentence was originally “Não concordo consigo” which in my mind means “I don’t agree with him” but everyone who looked at it wanted it changed to “contigo” (with you… what????) or “com isso” (with that). To be honest, I’m not absolutely sure why it’s wrong, still. There are complicating factors: Portuguese (especially european portuguese) seems to be violently averse to pronouns, which doesn’t help, and also consigo can mean either “with him” or “I can” depending on the context. Maybe later I will understand what I did wrong but for now, best just change it to “Com isso” and be done with it.
Uma Quinta Pequenininha Na Cidade
Há seis anos, a minha esposa registou-nos numa lista de espera para um “allotment” e a semana passada, tivemos novidades que vamos ter a oportunidade de arrendar um deles. Não sei se existe uma palavra equivalente em português*. Um “allotment” é um lote de terra na cidade, talvez cinquenta metros quadrados, onde podemos cultivar** legumes, frutas e flores.
São propriedade do governo local e os cidadãos pagam uma renda para poderem usar-los.
A minha filha quer cultivar batatas e flores. A minha esposa quer cultivar morangos, cebolas, alhos, brócolos, bacalhau e esparguete*** (hei-de ter uma conversa longa com ela…), e eu… eu quero apenas construir lá um barracão onde posso sentar-me e praticar português sem perturbar os outros membros da família com os meus sons horríveis.
*= “quinta urbana” (urban farm) was suggested. “Lote de Terra” (used in the next sentence) was suggested as a possible alternative in Brazil too, although it does seem to indicate that the answer to the question “is there a specific word for a plot of public land in the city, for rent to residents” is “no, there’s only a plot of land, and you’ll have to do the rest of the description yourself!”.
**=My use of “crescer” (to grow) was universally nixed in both countries. Apparently you can’t use “to grow” as a transitive verb. What’s a transitive verb? Grammar isn’t taught very thoroughly in the UK because our grammar is a lot simpler than most, so for those of you who are puzzled at this point, a transitive verb is a verb that takes a direct object. So if you say “I kick the ball”, kick is transitive because it is happening to the ball. In “I sleep for eight hours each night”, sleep is not transitive because you aren’t sleeping something, you’re just sleeping. In English, grow is transitive because you can say “I grow flowers in my window box” but in Portuguese, crescer is intransitive. My flowers grow but I don’t grow them. I can cultivate them (cultivar v.t), plant them (plantar v.t) or water them (regar v.t.) but I can’t grow them. They just grow. Crescer, by the way, is obviously related to the Italian word often (mis)used in English “crescendo”, so it’s easy to remember since a crescendo is when the music is growing in volume.
***=strawberries, onions, garlic, broccoli, codfish and spaghetti”. Despite the brackets saying “I will have to have a long conversation with her…”) two of the three people who helped me correct the work didn’t detect the joke and assumed I was either (a) using the wrong words and meant something else or (b) badly deluded about the basic principles of agriculture. Both fair assumptions, I suppose, given how any screw-ups there were in the rest of the text. Note that alhos and brócolos are both plural, whereas in English we would just treat both as uncountable stuff.
Thanks Susana, Greyck and Ester for helping correct this when it appeared on iTalki
Remar
Esta tarde foi a corrida anual de remo entre as universidades de Cambridge e Oxford. Aconteceu em Londres, perto do nosso apartamento apesar das duas universidades ficam longe daqui.
Oxford ganhou o prémio os últimos três anos. Eles vestem de azul escuro e o capitão da selecção, Morgan Gerlak, é dos EUA. Porém, este ano, foi ganho por Cambridge, vestidos de azul claro, sob a liderança de Henry Hoffstot dos EUA.
Foi uma grande vitoria dos EUA contra os EUA. As condições do rio eram horríveis. O vento soprava e fazia ondas. Então os barcos encheraram-se de água.
Nos outros anos, a minha família e eu íamos ao rio Tamisa para ver a conclusão da corrida mas hoje ficámos em casa e vimos tudo na televisão.
In addition to my usual thanks to people who helped on iTalki, I’d like to thank the eagle-eyed Fernando Kvistgaard, who emailed me some corrections I had missed when I transcribed the text onto the blog and made some useful suggestions about style too.
Comentários Sobre Um Filme: Ossos
Estou a ver um filme de Pedro Costa que se chama “Ossos” para praticar a compreensão. Até a este ponto (vinte e dois minutos, treze segundos) houveram talvez quatro linhas do diálogo. Por isso, não aprendi muito até agora!
Além disso, actores: parem de resmungar! Falem claramente!

After I wrote this, it didn’t get much better. There are great long stretches in which people
- brood
- smoke fags
- lurk in the dark
- stare silently into the horror of it all
- brood while smoking a fag and holding a baby
- gas themselves
And all this time, barely a word is spoken for five, ten minutes at a time. When there is dialogue it is mumbled and nobody changes their facial expression or gives any visual clue about what they’re mumbling about. In short, I don’t recommend this one as a way of practising aural comprehension!
Muito obrigado Sophia, Ruan, Fabio, Caio e Felipe pelas correcções quando apareceu em iTalki
A Livraria
Ontem, tinha uma bilhete para um debate no sexto andar duma livraria no centro de Londres que se chama “Foyles”. Foi parte duma série de debates antes da eleição do prefeito da cidade sobre sujeitos no que concerne aos cidadãos*. O de ontem foi sobre a migração: Os refugiados da Síria, o movimento das pessoas por dentro do Reino Unido, as cidadãos da União Europeu, e pessoas que chegam doutros países de África e da Ásia, por exemplo.
Os falantes são todos de esquerda política: Daniel Trilling, o editor da revista “A Humanista”, Rebecca Omonira-Oyekanmi, uma jornalista que escreve sobre os direitos da mulher, e Owen Jones, escritor de dois livros, “Chavs” e “O Estabelecimento”. Por isso, não havia muito desacordo entre eles, e o que é um debate sem divergências? Não faz mal, mesmo ainda foi interessante.
Uma coisa muito estranha aconteceu. Tendo chegado atrasado na sala onde foi a discussão, tirei o meu casaco e sentei-me. Passado uns minutos. De repente, uma mulher, que chegou também atrasada, sentou-se ao meu lado. Reconheci-a. Esta era a irmã mais nova da minha esposa!
Depois do debate, e depois de termos saído da sala, vimos a secção de livros estrangeiros, onde estavam talvez trezentos livros portugueses, mas não precisamos de livros novos agora.
*=É correcto? O “Spellcheck” disse que sim, mas porque não “cidadões?
http://www.foyles.co.uk/Our-London-Moving
Picking up on that last footnote about the plurals: Apparently I am an idiot because I knew several words that didn’t fit the pattern in my head that -ão words become -ões words when pluralised. Cão, for example, becomes cães. Apparently it depends on the word’s root in Latin.
If it had a_u in the latin form, it will follow the -ão/-ãos pattern
Hand = Manus (Latin) -> Mão (Portuguese Singular) -> Mãos (Portuguese Plural)
If it started as an a_i word in Latin then it will follow the -ão/-ães pattern
Dog = Canis (Latin) -> Cão (Portuguese Singular) -> Cães (Portuguese Plural)
If it started as an a_o word in Latin then it will follow the -ão/-ões pattern
Nation = Nationis (Latin) -> Nação (Portuguese Singular) -> Nações (Portuguese Plural)
Now of course this is all the kind of thing that you don’t need to know AT ALL to be able to speak the language, but it’s freaking amazing to know! I only did two years of Latin at school, about 35 years ago so it doesn’t help me very much but knowing there’s an order to it makes it feel more manageable than if it was just pure randomness!
The third form seems to be the most common so in a pinch, if I don’t know which way to jump, I would make that my default guess. More Portuguese plurals here.
Thanks again to Sophia and to Rubens for their help with corrections and in decrypting the mystery of the plurals!