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The One With The Friends Reference

I asked a question on italki a while ago about the Portuguese equivalent of “frenemy”

Perguntei me se existe uma palavra em Português (Europeu) que descreve pessoas que parecem amigos mas na verdade há sentimentos de rivalidade ou ressentimento entre eles. Ou seja são amigos e inimigos no mesmo tempo.
Encontrei um filme que se chama “aminimigos” – tradução do inglês “frenemies”, mas será que esta palavra é comum, ou uma palavra idiomática? Ou só foi inventado por os tradutores do filme?

And didn’t think much about it for a while but this paragraph from “Como É Linda a Puta da Vida” by Miguel Esteves Cardoso seems pretty close to the mark:

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Opinião – Morreste-me (José Luís Peixoto)

Morreste-meEu li este livrinho em 24 horas, entre a hora de jantar de segunda-feira e a hora de jantar de terça. É realmente fininho, com apenas 50 páginas, mas o conteúdo é muito intenso. Trata da perda do pai do narrador, a tristeza dele, as memórias, e o vazio que permanece depois da morte.
Os leitores do Goodreads concordam que é uma obra poderosa que os fez chorar, e sem dúvida, têm razão, mas não teve o mesmo efeito comigo porque havia tantas palavras desconhecidas. A exigência de ir consultar o dicionário seis vezes por página funciona como um escudo forte contra as tempestades de emoção. Se calhar vou voltar ao livro dentro de alguns anos e experimentá-lo mais uma vez para levar a força toda.
O livro é publicado pela editora Quetzal e é lindíssimo. Assim como a maior parte dos livros portugueses, tem orelhas* (não é comum cá na ilha de brexit) e a formatação das páginas é muito gira.

*=”Orelhas” (“ears”) used her to mean the flappy bits on the covers of books or dust jackets. It’s given in Priberam as meaning number 4 for the word, and I’ve seen it on various “anatomy of a book” type pages on the web but I don’t think it’s universally recognised…

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Opinião – A Avó e a Neve Russa (João Reis)

These are some notes I wrote yesterday for a video review which I’ll probably make in the next day or two. Part of it has been corrected on italki by Fernanda and Karla – Obrigado as duas – but there was too much to fit in the box so I cut some out and hence there might be some errors remaining #UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON! There’s also a shortened version on Goodreads.
Ouvi dizer deste livro através dos canais duns booktubers portugueses. Muitos deles mencionaram que o compraram e vários já o leram e gostaram. O autor é muito activo nas redes sociais e da a impressão de ser simpático (mas eu diria isso de alguém que curtiu os meus instagrams). Achei que o livro tinha bom aspecto. Portanto, comprei-o no site da Fnac. A história é contada por um menino de dez anos. Às vezes, as opiniões dele parecem reacções normais duma criança, mas, noutras situações, parecem mais maduras, mais adultas do que os pensamentos dum rapaz daquela idade – e também, na maneira com qual fala com a avó e o irmão, como se fosse ele que tinha que cuidar deles. Descreve-se como “homenzinho” por causa do seu papel na família. De forma geral, a voz do narrador fez-me lembrar outros livros contados por crianças num mundo adulto, tal como o “Espiões” de Michael Frayn ou “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” de Jonathan Safran Foer. Também, de vez em quando, alguma coisa no registo da leitura fez-me pensar em “O Estranho Caso do Cão Morto” de Mark Haddon. Pensava que isso foi por causa da minha falta de conhecimento da língua mas depois vi um video de uma das minhas leitoras preferidas e disse que ela também perguntou-se se o narrador tivesse qualquer espécie de autismo ou Síndrome de Asperger. Mas não tem.
A Avó e a Neve RussaEste rapazinho mora no Canadá com a sua avó e o seu irmão. O irmão, que se chama Andrei, é adolescente e passa os seus dias a fumar canábis, ou algo do género (não é nomeado no texto). Antigamente a avó vivia na Ucrânia, na União Soviética, perto de Chernobyl onde o seu marido morrera. Ela tem dores de pulmões por causa de radiação – tem cancro e talvez mais problemas por cima. Também acho que tem uma espécie de demência. O rapaz deixa-lhe recados para ela fazer as coisas do dia-a-dia.
Existem outros estrangeiros perto da família – da Itália, da China, da Nigeria e até dum país chamado Portugal. Um aluno na escola goza com o rapaz e chama-lhe “Russkiy”. A grande aventura da segunda metade do livro é uma viagem que o narrador e o seu amigo, Matt, realizam para irem procurar uma cura para a doença da avó. Matt é judeu, e o holocausto torna-se uma tema menor do livro.
Há passagens no livro que eu achei um pouco lentas, mas como devem saber, leio português muito devagar e por isso, a minha percepção destas subtilezas não é o melhor guia para quem quiser saber se é um livro bom – não fiquem desanimados por minha causa! Apesar disso, o livro é encantador. O desenlace é muito triste, muito querido e muito adequado à história dessa velha e do seu neto.
Aliás, tenho uma pergunta. Li dois comentários no Goodreads, e também ouvi num video que o menino não tem nome mas acho que tem, sim. Há uma carta na página 211 em que… cá para mim, chama o menino como “Alexei” mas não é óbvio no contexto porque aparece em parênteses e por isso é possível que mal entendi. Talvez fosse o nome do jornal, ou um o pretérito perfeito, primeira pessoa dum verbo desconhecido a mim “alexar”. (Ei, meu amigo, sabes o que fiz? alexei!) mas é um nome russo, e eu simplesmente assumi que fosse o seu nome.
Links: Bertrand / Amazon
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Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas

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Acabei de ler “Para Onde Vão Os Guarda-Chuvas”, a obra-prima de Afonso Cruz. Já tinha lido um livro do mesmo escritor que se chamado “Os Livros que Devoraram O Meu Pai”, que adorei. Neste caso, demorei muito antes de realmente começar a apreciá-lo, mas, assim que comecei, fiquei viciado e acabei as últimas 400 páginas dentro de 5 dias, o que não é mau, dada a velocidade da minha leitura em português.

O livro conta a história de Fazal Elahi, um cidadão dum país sem nome do Médio Oriente, e da sua família. A maior parte das personagens são muçulmanos, mas também há um hindu e um cristão, e a religião é um tema muito forte no livro. Porém, não permanece exclusivamente na igreja e na mesquita: o enredo segue um caminho através dos altos e baixos das emoções que sofrem os seres humanos – tragédia e comédia, filosofia e absurdidade, o mágico e o quotidiano.

O livro está cheio de surpresas: piadas, contos, imagens, jogos tipográficos, e citações dum livro imaginário que se chama “Fragmentos Persas”. Passa das lágrimas às gargalhadas no espaço de de 5 páginas. É mesmo ótimo, e acho que tenho um novo escritor preferido!

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Opinião – Bichos de Miguel Torga

A minha mulher trouxe uma cópia bonita deste livro quando chegou aqui no Reino Unido, há anos. A sua beleza não é porque a capa é colorida ou chique, mas sim por causa da simplicidade da capa. É branca com o nome do livro em letras vermelhas e o nome do autor em letras pretas. A contracapa é completamente limpa, sem números, sem palavras, sem código de barras.

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Tentei lê-lo um ano atrás e o resultado foi uma humilhação. Estou exagerando, mas podes crer que não entendi patavina. No entanto, hoje em dia, o meu português está muito melhor. Consegui ler muito com a ajuda de um dicionário. Assim como o “A Costa Dos Murmúrios”, havia umas palavras desconhecidas que não se encontravam no dicionário porque o seu vocabulário é muito “rural”, e muito antiquado. Até uns amigos portugueses disseram-me que tiveram problemas com as obras do Torga. É isso que faz o livro ficar mais interessante!

Li o livro dentro duma semana. Às vezes, lia rápido em voz alta, para praticar a leitura, a pronuncia e a compreensão. Entretanto, acenei ao comboio de vocabulário enquanto ele passava à minha frente. Noutras vezes, lia mais devagar e fiz grandes esforços para entender tudo.

Não entendi tudo. Claro que não, mas segui o enredo (mais ou menos) da maioria dos contos e havia momentos de claridade em que conseguia ver a beleza do seu estilo. Mas havia poucos momentos como esses. O que mais chamou atenção foi o seu método de terminar uma historia. Não quero dar “spoilers” mas o ultimo parágrafo do conto “Morgado” foi arrebatador!

E, ainda por cima, o último conto do livro deixou-me sem palavras. A historia decorre na Arca de Noé. Na Bíblia, Noé enviou um corvo para buscar alguma terra não inundada, mas o corvo não voltou. Desesperado, Noé mandou uma pomba em vez do corvo e enfim a pomba voltou para a arca com umas folhas. Mas o enredo do conto de Torga é bastante diferente. O Corvo é um rebelde contra Deus e contra o sicofanta Noé. O pássaro preto não aceita o seu destino, preso num barco por causa dos pecados dos seres humanos. Arrisca a sua própria vida para voar longe da arca. Noé não ousa contar a verdade a Deus por causa de sua covardia. Compreendendo a autonomia do corvo, Deus tenta destruí-lo com ondas e com raios e… ah, desculpa, eu disse que não queria dar spoilers…

Bichos de Miguel Torga is probably available from Amazon but in this house we respect proper bookshops whose owners pay their workers and their taxes so I recommend either : Bertrand (in Portugal) or Foyles (in the UK)

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Opinião – Os Livros Que Devoraram o Meu Pai

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

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Este livro era uma grande surpresa. Só comecei de lê-lo porque o Bichos de Miguel Torga pode ser um pouco cansativo para um aluno como eu. A historia é dum homem que perdeu o seu pai, não ao morte, mas sim aos livros no sótão:

“E foi nessa tarde que ele, de tão embrenhado, tão concentrado na leitura, entrou livro adentro. Perde-se na leitura. Quando o chefe da repartição chegou à secretaria do meu pai, ele já lá não estava. Havia, em cima da mesa, uns impressos do IRS e um exemplar da A Ilha do Dr Moreau aberto nas últimas páginas.”

O protagonista entra no mundo literário à procura do seu pai, a viajar de livro para livro, e no caminho encontra um cão (que ele acredita seja o Edward Prendick, herói do livro “A Ilha do Dr Moreau” de Jules Verne), o senhor Hyde, o Raskolnikov do “Crime e Castigo” e outros personagens da literatura do mundo. O livro é curtinho, com capítulos curtos também. Lê-se muito bem, muito suave, e (qual é o mais importante para mim!) muito fácil. Quase nunca precisei do dicionário e consegui rir as piadas e os absurdos da historia sem explicação. Já tenho mais um livro pelo mesmo autor e já meti-o perto do pináculo do gigantesca montanha que chamo o meu TBR.

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A Terrível Criatura Sanguinária – Nuno Markl (Opinião)

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Não há muitas coisas gratuitas nesta vida, mas este ebook é um delas, e deve ser um dos melhores. Gostei imenso. Foi uma leitura perfeita pelo dia de Halloween, e divertiu-me durante uma viagem de comboio.
O conto fez-me lembrar de contos antigos, especialmente os de Stephen Leacock. Leacock foi um canadiano que escreveu muitos livros humorísticos, incluindo o “Literary Lapses” e o “Nonsense Novels” – colecções de contos que fazem piadas sobre livros populares daquela época. Este do Markl é muito parecido com eles. Tem um tamanho comparável, e estilo, e até as personagens parecem típicas da época.

Link to the pdf version here

Link to a video version of this review here

Thanks Sofia and Caio for the help with the corrections

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All Quiet on the Beastern Front

Here’s another odd phrase I came across today, this time from near the end of “A Costa Dos Murmúrios”:

Agora ela nao pia, nem tuge, nem muge, nem pode!

WTF is going on there? Well apparently those three weird words are third person singular present tenses of verbs for different kinds of animal noises

  • Piar means to chirp
  • Mugir means to moo
  • Tugir is more of a human animal noise – it means to mumur
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Comentário: Europe in Autumn

I finally got around to the actual review of this book instead of just waving it around while talking about other books. I think I made fewer mistakes this time, and fewer pauses too. I’m not quite ready to participate in the Portuguese version of “Just a Minute”, but I think the process is helping my speaking ability somewhat at least… Although, an hour after I made it I had a lesson and was an incoherent mess, so on the other hand, maybe not…

I’ve put a written version (not a transcript but it hits the same points in the same order so it’s pretty close) down below, which has been scrubbed clean of errors (thanks Rubens and Sophia for the help) and there’s a fuller, english version on Goodreads.

Este livro foi escrito por um homem que já conheci através do Twitter. Por isso, fiquei preocupado, caso descobrisse que era um LRTT*. Mas, por acaso não era nada disso: felizmente, o senhor Hutchinson escreve muito bem. Que alívio! Não precisei de me preocupar: os comentários nos jornais são maioritariamente positivos. Foi escrito uns anos, atrás antes do brexit. Este facto será importante como vamos ver daqui a pouco. É um thriller com elementos fortes de ficção especulativa ou seja ficção científica, e de espionagem e com muito humor – algo incomum no género de thrillers. Para resumir: há algo coisa para todos!

O enredo do romance passa-se na Europa do futuro próximo. A União Europeia tem-se desmoronado, com poucos países restantes. Ironicamente, a Inglaterra (mas não a Escócia) é um deles. É quase o oposto da verdade.Isso significa que, nesta realidade alternativa, Nigel Farage, Michael Gove e Boris Johnson seriam muito tristes, ou melhor, seriam prisioneiros na Torre de Londres que é nada mais do que eles merecem.
notebook_image_836312Os restantes da união têm-se desenvolvido a um caos. Regiões, cidades ou até parques nacionais, tornaram-se pequenos estados, que se chamam “polities”, com os seus próprios governos, leis, passaportes e exércitos. O continente é entrelaçado por redes de espiões e criminosos implacáveis. O herói é um daqueles espiões, membro duma empresa privada que faz varias espécies de coisas sombreadas. Não vou dar spoilers mas é muito entusiasmante e perto do fim, durante as últimas quarenta ou cinquenta páginas, ele e os seus companheiros descobrem uma nova conspiração mais profunda, que prepara o resto da trilogia. Mas tive sentimentos mistos sobre isto, porque mudou a atmosfera do livro. A torção do enredo tem a ver com algo quase sobrenatural, que se encaixa melhor no género de fantasia fiquei ligeiramente chateado mas é provável que faça mais sentido no contexto da trilogia. Vou ver porque vou encomendar os outros livros.

*=Livro Realmente Terrível do Twitter.

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Jonas O Copramanta #SeptemberThrills

Here’s the first book review. It’s not as bad as I remember it being while I was recording it. There are some real howlers though: “He didn’t die anyone” is a particular cringemaker for me but there are others just as bad. I’ll put a tidied version of the text (of the review only, not that intro) below.

Esta semana, li “Jonas o Copromanta”, um romance Brasileiro de Patrícia Melo. Quando comecei acreditava – ou seja esperava – que fosse um policial mas enganei-me, porque não é nada disso, sim uma espécie de romance literário, bem diferente de algo que já li anteriormente.

O enredo descreve a vida dum funcionário da biblioteca nacional do Rio de Janeiro. Tem uma obsessão incomum. Crê que pode adivinhar o futuro, e receber mensagens do Deus por “ler” (entre aspas) as suas fezes, que ele pensa têm forma de algum alfabeto antigo. No início do livro, acabou de ler um livro escrito por um autor bem conhecido, que se chama Rubem Fonseca. O livro é sobre o assunto da “copromancia”, e ele fiquei convencido que o escritor plagiou-o por método de espiando nele e roubando as suas ideias. Conforme o enredo desenvolve, a monomania dele aumenta, e começa a perseguir o escritor. Como disse, este livro não é semelhante aos outros livros que já li. Tentei pensar num outro romance que tenha um estilo, ou um ambiente semelhante. Um livro americano de John Kennedy Toole, chamado “A Confederacy of Dunces” tem tanto loucura quanto este, e “American Psycho” compartilha com ele um sentido duma protagonista que parece normal às suas colegas mas tem um mundo inteiramente diferente dentro da sua mente. Claro que não é um semelhança forte. O Jonas não assassinou ninguém é não tinha uma cabeça no frigorífico. Mesmo assim, acho que podemos traçar certos paralelos entre os dois. Mais uma coisa que me interessa foi o nome da protagonista: Jonas é um nome dum profeta do testamento antigo que foi engolido por uma baleia. Foi mencionado em “Moby Dick”, um dos meus 3 ou 4 livros preferidos de sempre.

Confesso que não entendo cada detalhe mas gostei da história em geral. Achei-a imprevisível, esquisita e bem engraçada. Vou dá-lo quatro estrelas no Goodreads. Até agora, a média das notas* é duas e meia, e o único comentário simplesmente diz “Um monte de estrume com o perdão do chiste”. É claro que pessoas que falam português melhor de eu têm uma opinião mais baixo. Vocês têm sido avisados**!

 

*=According to Ruben, who kindly corrected this for me, “The average mark” isn’t a thing (at least in Brazil), but “The average of the marks” is OK.

**=”You have been warned”. It’s a literal transation and I don’t think it’s really an expression used in PT, so probably not something I’ll repeat.