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Rosa, Minha Irmã Rosa(Alice Vieira) – Opinião

notebook_image_989044Já li dois livros da mesma autora e este terceiro também é muito divertido. A protagonista é uma menina que tem 9 anos. Mora com a família e tem uma nova irmã. Apesar do título, uma grande parte da história trata das suas duas avós (das quais apenas uma ainda está viva), e as vidas duras delas quando eram novas. Um homem que mora lá na rua ficou preso antes da revolução (o livro foi escrito em. 1980). A história da família espelha a história recente do país. E a bebé? A narradora não se dá com ela no início mas ao longo dos meses, ela aprende, pouco a pouco, aceitar e amar a sua irmã.
É um livro juvenil, claro, mas Alice Vieira escreve tão bem que um adulto pode gostar também.

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Agora e Na Hora da Nossa Morte – Susana Moreira Marques

 

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Diz-se que não se pode avaliar um livro pela capa, mas confesso que comprei este livro por esse motivo só. Os livros da editora Tinta da China são sempre bonitos. Este tem capa mole cor de lavanda com cantos arredondados. O assunto é igualmente bonito, apesar de ser menos alegre. O assunto é a morte. A escritora viajou com profissionais da saúde e de cuidados paliativos para visitar pessoas com pouco tempo de vida e familiares dos recém-falecidos, numa paisagem fora das grandes cidades, onde parece que um modo de vida está a morrer também. Ali, ela ouviu as histórias das pessoas, e escreveu os pensamentos delas sobre a morte, a vida e o que é importante no fim de contas.

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Tanta Gente Mariana – Maria Judite de Carvalho

6976800Este livro é uma coleção de contos. O primeiro tem um tipo de beleza melancólica que nunca chegou a ser deprimente apesar de tanta tragédia. Os outros também seguem o mesmo padrão; também cheio de tristeza mas mesmo assim, não tive vontade de parar de ler porque são tão bem escritos.

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“Watchers” Luís Louro

42102105Uma grande amiga minha ofereceu-me este livro e eu nem sequer conhecia o autor antes de o receber. É uma banda desenhada. A arte é muito gira com muitas piadas visuais, escondidas nos pormenores. A história parece o enredo de um episódio perdido da série “Black Mirror”.

Gostei bastante, se bem que o final deixou-me insatisfeito. Não posso dizer o porquê sem dar spoilers, mas… hum, não sei. Acho que é descabido. Existe uma “versão B” do mesmo livro que tem um desenlace diferente e se calhar isso seria melhor…?

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A Resistência (Julián Fuks) Opinião


Costumo evitar livros brasileiros, porque estou a aprender português europeu mas recentemente ouvi falar deste livro, escrito por um grande critico do fascista Bolsonaro. O chefe de ficção duma livraria famosa aqui em Londres recomendou a edição inglês que saiu neste ano. Fiquei interessado. Lamento que não gostei tanto quanto esperava. O autor dá um retrato da sua vida familiar e tenta desemaranhar o enigma do seu irmão adoptado. Este retrato estende-se ao longo de 47 capítulos, cada um de duas ou três páginas. É fácil ler estes episódios sem grande esforço apesar da dificuldade do vocabulário. mas não realmente senti que as partes fusionaram-se a uma historia completa. O enredo passa-se na Argentina e no Brasil, e há um plano de fundo de violência e ditadura mas isso não tem muito efeito na narrativa, com exceção duma vez em que o autor compara o seu irmão incognoscível ao neto de uma mulher argentina que foi desaparecido.
Devo admitir que, como sempre, vejo “apenas um reflexo obscuro como num espelho” porque o nível de português é muito alto, e talvez eu cometa uma grande injustiça. O livro é bem premiado mas para mim, apesar de querer gostá-lo, senti pouco.

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O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado

32734503.jpg“O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” é um livro infantil, escrito por Jorge Amado, um brasileiro, com ilustrações de um outro brasileiro – Carybé. Conta uma “história dentro duma história”. A Manhã conta ao Tempo uma história sobre os dois animais para ganhar uma rosa azul e “fazer menos pesada a eternidade”. A história trata-se num parque onde um gato malhado aterroriza todos os animais com exceção duma andorinha. Apaixona-se por este pássaro mas é “o amor que não ousa miar o seu nome”, digamos assim, porque um gato não pode casar-se com uma andorinha, nem sequer num livro infantil. Os capítulos são estações do ano, com divagações do autor nos vazios entre capítulos.

As ilustrações são encantadoras e fazem-me lembrar “O Principezinho”. Na ultima página até há um desenho duma cobra a devorar um mamífero dalgum tipo, que é obviamente reminiscente da imagem mais conhecida daquele livro.

Apesar de ser um livro infantil, há muito vocabulário desconhecido. Não sei se isso é porque é velho, mas “O Banqueiro Anarquista” é ainda mais velho, mas achei-o mais fácil. Talvez seja por causa do país de origem… Enfim, o livro é giro apesar do facto que precisei dum dicionário ao pé de mim.


Thanks are due to H Lewis (not, I assume, the editor of the New Statesman) who corrected this. It was corrected very Brazilianly so I have had to decide which changes to retain and which not. I hope the result is more-or-less correct.

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Licença Para Protagonizar

Havia uma questão bastante polémica nas redes sociais na semana passada; um boato de que o realizador dos filmes de James Bond pensa em escolher Idris Elba para protagonizar o espião no próximo episódio. Ele seria o primeiro actor negro neste papel caso isso aconteça.

UntitledOra bem, para os fãs dos livros (e para racistas também, obviamente!) isto pode ser um problema. Leitores frequentemente se queixam que realizadores de filmes não usam fidelidade o suficiente quando adaptam livros para o cinema. Há excepções, claro: de vez em quando, um realizador escolhe um elenco muito diferente para sublinhar um aspecto do enredo (por exemplo, um Othello Branco numa cidade de mouros, ou um Hamlet feminino). Noutros casos, realizadores fazem filmes baseados em livros estrangeiros e adaptam-nos para usar actores da sua própria nacionalidade para evitar a necessidade de usar legendas. Nenhum destas situações descreve o situação com James Bond.

Mas há uma problema para quem quiser se opor qualquer actor que não cabe no modelo de Ian Fleming: de acordo com os livros, Bond é branco sim, mas também é velho o suficiente para ter lutado na segunda guerra mundial. Se se importa com o personagem original, deve perceber que o Elba é velho demais para protagonizá-lo, mas é mesmo assim para qualquer outro candidato!

Na minha opinião, existem duas opções: um é aceitar o facto de que Bond deixou de ser um personagem literário. Tornou-se uma “marca”, tal como o Doctor Who que pode (por causa de ser um alienígena!) assumir qualquer rosto, nacionalidade ou sotaque. O segundo é deixar James Bond reformar-se. Ele é um guerreiro antigo de uma época passada. Hoje em dia, precisamos de novos heróis!

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O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças

11732049“O Pintor Debaixo Do Lava-Loiças” é o quarto livro que já li de Afonso Cruz. Até agora, é a mais difícil de todas as suas obras para mim, um aluno da língua portuguesa, mas ainda é bastante fácil. A história começa no Império Austro-Húngaro ao final do século XIX e continua pela primeira guerra mundial até a segunda. Pelo caminho, o protagonista, Jozef Sors (baseado em Ivan Sors, o avô do autor) serve o seu país na primeira guerra, posto num balão, apaixona-se, enche muitos cadernos de desenhos, sobretudo de olhos, viajam para os estados unidos e perde os seus pais.

Há muitos capítulos curtos e muitos tratam-se dum discurso sobre uma questão filosófica. O autor brinca com ideias da mesma maneira que no seu livro infantil “A Contradição Humana”, mas de forma mais desenvolvida. O livro também me lembra do audiobook que acabei de ouvir hoje: “Night Train to Lisbon” porque ambos contam histórias de homens da Europa central que chegam em Portugal. O escritor do último leva-o muito mais a sério. Em ‘O Pintor Debaixo do Lava-Loiças’ existe absurdidade, piadas e até desenhos. Infelizmente, cada um é um duplo imagem por causa da baixa qualidade do papel: o leitor pode vê-las no verso do papel também.

Enfim, gostei de ler o livro, mas o final deixou-me insatisfeito porque senti que a história ficou inacabada.

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O Amor Infinito Que Te Tenho

Livro do Paulo Monteiro

Hum… O livro tem 60 páginas e contém 10 contos. Obviamente, estamos na presença dum autor que usa um estilo bem lacónico. As histórias são esquisitas, escuras, perturbantes – mais parecidas com os contos de Franz Kafka do que um BD tradicional. Na verdade, apenas dois contos têm a marca duma BD: balões de texto. Os outros são, propriamente, pequenas peças de ficção, alguns pouco maiores do que um tweet, ilustrados com desenhos escuros ou arrepiantes. Fico contente por ter lido mas não tenho a certeza se apreciei. Vou colocá-lo numa prateleira longe da minha cama para não ter pesadelos.

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1986 A Série – Opinião

34983707_1693274110769703_6285563171725901824_n(1)Uma das contas portuguesas que eu sigo no Instagram é a do Nuno Markl. Durante o ano passado começou a deixar indicações dum novo projecto – uma série de comédia que estava a escrever sobre as eleições de 1986 entre o socialista Mário Soares e o conservador Diogo Freitas do Amaral. O Markl é conhecido (entre outras coisas) pela sua nostalgia dos anos oitenta e o seu amor pela cultura daquela época. Fiz 17 anos em 1986 e por isso fiquei muito entusiasmado para ver o resultado. Não temos canais portugueses aqui em casa – ou seja, se existem, não faço ideia de como encontrá-los, porque há demasiados botões no comando. Mas não me importo porque o site da RTP está disponível para os coitados dos cidadãos do Brexitland, o site deixá-nos ver os programas culturais dos nossos amigos e vizinhos.

Cá para mim, como estrangeiro, o estilo da série parece uma mistura de dois estilos: o da série americana de hoje, e o duma comédia daquela época. Há 13 episódios, cada um entre 40 e 45 minutos. A cinematografia é bastante moderna mas às vezes os actores utilizaram duplos olhares e expressões faciais muito exageradas, como os actores de comédias tradicionais. A trama trata-se dum grupo de adolescentes. O primeiro é o Tiago, fã dos Smiths (a minha banda preferida!), e filho dum comunista que deve “engolir o sapo de Soares”. Ele apaixona-se por uma “betinha”, cujo pai é apoiante do “sacana de facho”. Os dois e os amigos deles enfrentam-se os desafios da vida escolar.

29094830_206249366629505_2264383208869068800_nHavia muitos aspectos engraçados, tal como o sarcasmo da rapariga gótica e a raiva exagerada do pai do Tiago. Também gostei da nostalgia da cultura compartilhada pelos dois países – música, filmes, computadores, roupas e livros. Às vezes tornou-se ligeiramente auto-indulgente, mas gostei apesar disso.

Claro não sou especialista em televisão portuguesa, e custa-me muito entender os sotaques e os ritmos da fala dos actores, portanto é provável que a minha opinião não conte para nada, mas se quiseres saber o que é que pensei, lá está!

Spoiler: Soares venceu. Então não precisas de ver