Gostei mesmo da capa desta banda desenhada mas como toda a gente diz, nunca se deve julgar um livro pela capa! As três histórias são todas lindas, com grandes panoramas de Lisboa, e personagens muito bem construídas, mas não fazem sentido nenhum, e no fim, deixaram-me insatisfeito!
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A Contradição Humana – Afonso Cruz
Este livro é o terceiro que já li do mesmo autor. Adorei os dois primeiros mas este é um livro infantil e um livro infantil é uma cena completamente diferente do que um livro para adultos. Confesso que o livro não funciona para mim. Faz-me lembrar um comediante inglês chato .
“Senhores e senhoras”, diz a estrela do espectáculo de comédia, “Já perceberam que as pessoas que gostam de pássaros os prendem em gaiolas? Porque é que fazem isso?”
[pausa. silêncio]
“…Olá… Olá…”
[ele bate o microfone]
“Esta coisa está ligada?”
Mas talvez eu esteja demasiado crescido. Vejo desenhos de jiboias a comer elefantes e penso “que lindo! Um chapéu”. Já que penso nisso, é verdade: há muita “comida para alimentar o pensamento” cá nas páginas deste livrinho que pode estimular as mentes de crianças através uma série de cenas divertidas… E, sem dúvida, os desenhos (que não incluem uma jiboia a comer um elefante nem um chapéu) são muito fixes.
Sim, ignorem-me. Cento e trinta e dois portugueses deixaram comentários no Goodreads, e a média da nota é 4.48/5, igual ao “Senhor dos Anéis” e ao “Moby Dick”, melhor do que “Anna Karenina”, “1984” ou a peça mais famosa de Shakespeare – “Hamlet”. Sim, é provável que o seu filho vá gostar deste livro.
Mais Pensamentos Sobre o “Ruínas” de Hugo Lourenço

*=eu sei, eu sei…
[contém spoilers]
Desde que escrevi o meu comentário sobre este livro, tive umas conversas com outros leitores e até com o autor, através do Goodreads, e nos comentários do Youtube, e aprendi mais coisas que queria partilhar convosco:
Embora já tenha mencionado o clima económico, não percebi que o livro tenha a ver com jovens de uma idade especifica, que chegou à maturidade na época de austeridade – conhecidos como a “geração a rasca“.
Assim como vários outros livros (o “Ulysses” de James Joyce é o mais óbvio), o romance tem um modelo, ou um padrão na mitologia grega, especificamente os deuses Apolo e Dioniso. Confesso que mal conheço a história deles, e é por isso que não percebi a ligação, apesar da nota de rodapé ao fundo da página 113.
O video no canal “Aprendiz de Leitor” lembrou-me que o nome do livro – Ruínas – refere-se à memoria – “As memórias são como ruínas, sim”. No desenlace, o autor remete para o primeiro capítulo, e a ligação entre a memória e os sentidos (o cheiro a gasolina, que, neste livro, funciona como o sabor das madeleines de Proust*). Ainda por cima (na minha opinião), pode ser igualmente uma metáfora das vidas das personagens: Um é morto, um desapareceu, e o narrador sente a falta deles. As vidas deles e os sonhos para o futuro, e o potencial que cada um possuiu – todos ficaram em ruínas. Mas o livro não é pessimista, e deixa o leitor com esperança de algo a surgir das ruínas.
*=Like most people, this is literally the only thing I know about Proust: he ate some little cakes and wrote a really long book about it.
This post and the previous one, with a couple of footnotes are now on Goodreads.
Thanks again to Fernanda for the patient help with corrections for this text
Opinião – Ruínas (Hugo Lourenço)
Ouvi falar deste livro através dum canal de Booktube. Conta a história de dois homens – o Daniel e o Ricardo e um terceiro, o narrador. Ou seja, trata-se da vida do narrador e a sua relação com estes dois indivíduos. Os dois têm fundos e vidas muito diferentes, e acho que o narrador está à procura das causas da diferença. Pergunta-se, se fizesse algumas coisas diferentes, se as vidas dos amigos teriam sido melhores. A acção desenrola-se no Portugal de hoje, e os três sentem os efeitos do clima económica e social.
Percorrendo a história há uma série de conversas entre as personagens nas quais, falam de diversos assuntos – suicídio, o mercado editorial, Marilyn Monroe. Achei-os fascinantes, como se Haruki Murakami decidisse escrever um diálogo socrático. (Não me peçam para justificar a comparação com Murakami porque não sou capaz). Às vezes, além de ser o meu preferido parte do livro tornou-se uma fraqueza também porque durante os últimos capítulos o narrador imaginou uma conversa com um amigo desaparecido, e explicou os seus sentimentos e arrependimentos sobre a situação. Depois, proferiu um discurso que descreve várias cenas de literatura e cinema e utilizou-as para acrescentar mais pormenores.
Sinto que recebi demasiada informação: explicou demais e não mostrou o suficiente. Cá para mim, como leitor, prefiro tirar uma mensagem ou um significado do enredo, mas fiquei com a impressão que as ideias cresceram até ao ponto em que se tornaram mais importantes do que a história.
Mas sobretudo, aproveitei o tempo na companhia destes personagens e das suas conversas, e estou contente por ter lido um livro que não é aborrecido e não é difícil demais para um estrangeiro!
Thanks Fernanda for corrections in the main body of the review
Opinião – “A Hora Da Estrela” de Clarice Lispector
Não costumo ler livros brasileiros por causa das diferenças da gramática e vocabulário, mas tenho ouvido apenas boas coisas sobre essa escritora, e estamos no mês do dia internacional da mulher (os meus amigos do booktube chamam-no “Marco Feminino”) e por isso, pensei, “porque não ler alguma coisa diferente?”
O livro é fininho mas muito denso. A historia é contada por um narrador, ou um falso autor, que se chama “Rodrigo S M” e que se apresenta como um personagem no conto. O vocabulário não é difícil, mas há muita subtileza e filosofia, até ao ponto em que, as vezes, a historia parece menos importante do que os pensamentos do narrador sobre a problema de escrever livros. Enfim, o livro é um bom exemplo dum livro no qual “entendo as frases mas não compreendo os capítulos”, mesmo que não tenha nenhum capítulo!
Opinião – Como é Linda a Puta da Vida
O que mais me impressionou deste livro foi a maneira como o escritor comunica ideias bastante interessantes e complexas nitidamente, sem precisar de frases inchadas com palavras compridas. Eu, como estrangeiro, quase nunca tive de abrir o dicionário, mas apesar disso nunca houve nenhum capítulo aborrecido ou simples de mais.
(Tentei muitas vezes publicar este texto no iTalki com o título do livro na caixa do título na página mas sempre falhei. Pergunto-me se a quinta palavra é proibido! Nunca tive problemas com filtros mas nunca se sabe. Não é uma palavra que costume de utilizar!)
Opinião – A Avó e a Neve Russa (João Reis)
Este rapazinho mora no Canadá com a sua avó e o seu irmão. O irmão, que se chama Andrei, é adolescente e passa os seus dias a fumar canábis, ou algo do género (não é nomeado no texto). Antigamente a avó vivia na Ucrânia, na União Soviética, perto de Chernobyl onde o seu marido morrera. Ela tem dores de pulmões por causa de radiação – tem cancro e talvez mais problemas por cima. Também acho que tem uma espécie de demência. O rapaz deixa-lhe recados para ela fazer as coisas do dia-a-dia.