Ontem, reli uma banda desenhada dos anos oitenta chamada “Quando o Vento Soprar”. Conta a história dum casal de idosos. Lembram-se da segunda guerra mundial porém quando a terceira se desencadeia, não estão preparados apesar de seguir os conselhos do governo.
O livro foi editado durante a (primeira) guerra fria e é muito deprimente que parece tão relevante nos dias de hoje.
I usually write reviews of Portuguese books but in this case it’s the Raymond Briggs classic, When The Wind Blows
Not quite the latest in the series of texts about famous (and alive) Portuguese people.
Ana Garcia Martins é uma apresentadora, bloguista e autora portuguesa. A sua carreira começou em 2004 quando lançou o blogue “A Pipoca Mais Doce“. O blogue não tem tema específico: fala de roupa e da moda mas também sobre ser mãe e como afastar piolhos. Uma publicação recente no seu blogue teve por assunto pneus. Costuma recomendar marcas específicas. Parece-me que a sua posição como “influenciadora” está a atrair a atenção de departamentos de marketing que querem aproveitar a sua plataforma mas não sei. Foi convidada do “Pressão no Ar”, a rubrica do “5 para a meia-noite” e admitiu que não recusaria de trabalhar com marca nemhuma porque “toda a gente tem o seu preço”
Mais recentemente, Ana, (que é muitas vezes conhecida pelo nome do blogue em vez do seu nome próprio) tornou-se apresentadora da programa Big Brother. Estou-me nas tintas para tais programas, mas, apesar disso, não é possível evitar ouvir falar deles e portanto ouvi falar dela também.
Tanto quanto eu sei era casada com um gajo qualquer mas os dois separararm-se e já tem namorado que é outro gajo qualquer mas acho que já escrevi mais do que quero sobre uma personalidade de televisão portanto por hoje chega.
Today’s post is a writing challenge with the title “Books that changed how you look at the world”. For some reason, what came to mind was a book that I found very influential when I was a student but which I wouldn’t subscribe to now. And, as I’ve said in the text, even when I was a fan, I seem to have taken a very different life lesson from it than most of the writer’s other fans! Anyway, as usual I made mistakes and I’ll put the more interesting corrections at the bottom. Thanks to Dani Morgenstern for the help.
Esqueço-me sempre* de ler o tópico do dia. OK… Livros que mudaram a o meu ponto de vista. Há vários. Já li montes de livros ao longo da vida e confesso que 90 por cento passam pelo meu cérebro sem deixarem uma marca. Outros “esculpem”a minha perspetiva de uma maneira progressiva. Ou seja, não estou consciente de grandes efeitos mas, ano após ano, as minhas opiniões sobre vários tópicos ficam mais pormenorizadas e mais matizadas em resultado de ler livros (de ficção e de não-ficção) que alimentaram o meu pensamento.
Mas livros que mudaram completamente a minha perspectiva? Há poucos. Provavelmente o que mais me marcou foi um livro que delineia um modo de agir e de pensar com o qual, hoje em dia, não concordo, mas que naquela altura, batia certo. O livro é o “Back to Freedom and Dignity” de Francis Schaeffer. O autor escreveu-o como resposta cristã às obras de psicologia, principalmente o behaviorismo** de BF Skinner. Que grande seca, né? Mas naquela altura, eu era*** um cristão que não entendia como sustentar a minha fé e simultaneamente participar na vida intelectual e política (esta frase soa pretenciosa, eu sei mas era um jovem). O livro abriu uma porta para uma determinada maneira de encarar a vida. Este processo durou 5 ou 6 anos e acabou por dar cabo da minha fé, mas cresci muito durante a tentativa de resolver o conflito. Ainda por cima, ouvi recentemente que o legado de Schaeffer foi o contrário do que seria suposto: milhares de cristãos evangélicos americanos leram os seus livros e ficaram inspirados a juntarem-se ao lado conservador da política no seu país (principalmente contra o aborto). Se fosse vivo hoje, acho que Scheaffer não apoiaria o que o partido republicano se tornou mas não há dúvida de que é um dos arquitectos principais a sua ideologia.
Entretanto, aqui estou eu, um centrista ateu!
*i originally wrote “Sempre me esqueço” because Sempre is one of those words that changes the position of the reflexive pronoun but of course the mistake I had made was to put sempre as the first word in the sentence like in English (“I always forget”) but in Portuguese it goes after the verb, so the reflexive verb can remain in its proper place.
**o found this word online and it does exist, but apparently there’s a more portuguesified version too: “comportamentalismo”
Alguém me recomendou um livro chamado “Stolen Focus” (“foco roubado”) que explica um grande problema dos dias de hoje: o de não sermos capazes de nos concentrar numa única…
Stolen Focus
Desculpa, fui distraído por uma notificação.
… Numa única coisa por causa da nossa cultura moderna, principalmente das redes sociais. Achei irónico que a primeira coisa que este gajo tenha feito depois de ler tenha sido abrir o Twitter e elogiar o autor.
O autor, Johann Hari, ganhou um prémio há uns anos pelo seu jornalismo. As suas entrevistas destacam muito bem as ideias dos entrevistados, mas houve um escândalo em 2011 que deu cabo de tudo quando um bloguista o acusou de ter plagiado parágrafos dos livros e entrevistas de outros. O Hari defendeu-se mas era óbvio que ele se tinha comportado mal. Fico contente por ver que conseguiu crescer como pessoa e voltar para escrever de um modo mais educativo. Os seus talentos encaixam melhor naquele modelo em vez de puro jornalismo.
(I don’t normally talk about books in english on here unless they’re textbooks, but in case you’re interested, you can get it from Foyles (they’re like Amazon but they pay their employees and their taxes) or Audible (who are owned by Amazon, thus subverting all the self-righteousness of the previous bracket)
Deparei-me com este livrinho na livraria Foyles e comprei-o simplesmente porque me apeteceu. É uma maravilha. É apenas um conto de 25 páginas, mas é um conto perfeito que não precisa de mais. Se fizesse parte dum romance mais longo, perderia o seu impacto. Lembrou-me das obras de Kafka, de Borges e de Calvino. Então, será que vou comprar as restantes partes da coleção? Provavelmente não. Custam quase uma libra por página, raios parta! (o Livro é também disponível na livraria Bertrand)
Neste segundo volume da coleção, a autora apresenta mais sete “contos interligados” (ou se prefires, capítulos dum romance). Ela sabe contar uma história, e os seus contos lêem-se bem.
A trama que os une é muito interessante, com elementos religiosos e sobrenaturais que me intrigaram. Mas senti como se a história estivesse a perder a sua força perto do final. Esticou a última cena durante muitas páginas, focando a atenção do leitor nos aspectos mais românticos e rebuscados do enredo, em lugar dos acontecimentos apocalípticos desencadeados nos capítulos anteriores que, para mim, parecem mais interessantes. Mas quem sabe, talvez queira ficar com algumas surpresas na manga para o terceiro livro. Estou em pulgas para saber!
Em suma, o livro é muito bem conseguido mas estou à espera de mais sobre… Não, não vou dar spoilers mas basta dizer que há muitas pontas soltas!
This is a text I wrote about an audiobook I’ve been listening to. The link to the Audible version is on the audiobooks page (here) but Bertrand also have an audio and a printed copy. There’s even an English translation on amazon called The Mystery of the Sintra Road but it looks like a print on-demand job, probably very low quality, so I wouldn’t bother tbh. As usual, thanks are due to the lovely correctors on WritestreakPT for their help with the corrections.
Estou quase a terminar este Audiolivro (update: finished now!). Não é nada fácil. Custa-me muito ler livros do século XIX em inglês, ainda pior quando tenho de pensar muito para entender o português. Comecei o livro durante a minha “peregrinação” pela a barreira do rio Tamisa há 3 semanas mas perdi o fio à meada.
A “história da história” é muito interessante: os autores, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão escreveram uma série de notícias e artigos anónimos no jornal Diário de Notícias sobre um crime cometido nos arredores de Sintra à noite. Um grupo de mascarados tinham raptado dois homens e levado-os a uma casa onde foi encontrado o cadáver dum inglês. O povo da cidade ficou chocado e aterrorizado: será que estamos em perigo? Quem são esses bandidos? Logo depois, umas personagens da história escreveram cartas à redatora do jornal para explicar as suas acções e motivos. Cada um reagiu às cartas do dia anterior e ninguém deu pelo estilo de escrita muito polido destes cidadãos aleatórios, até ao fim da narrativa, quando os autores revelaram a verdade: os subscritores do jornal tinham estado a ler uma obra de ficção!
Adoro. Todos nós conhecemos a história da “Guerra dos Mundos” de Orson Welles mas Eça de Queirós conseguiu o mesmo engano* sete** décadas antes em meados do século XIX.
*I originally wrote “decepção” forgetting that that’s a false friend, meaning disappointment, not deception.
**Style guides say numbers up to 12 should be written as words and after that, digits kick in.
Li este livrinho inteiro, da capa até à contracapa num só dia mas não é assim tão impressionante porque tem menos de 40 páginas.
O escritor é José de Almada Negreiros (geralmente conhecido simplesmente por “Almada” se não me engano). Almada fazia parte do movimento modernista nas primeiras décadas do século passado e do grupo ao redor da Revista Orpheu, mas este livro é mais brando do que os anteriores. O editor da sua página de Wikipedia atribui esta mudança de estilo a uma atitude mais construtiva depois da Grande Guerra. Em resultado disso, quando o autor leu o primeiro texto da terceira parte (“a flor”) em palco, houve* quem risse em voz alta, achando que era algo satírico o humorístico, mas não era, era sincero.
O estilo da escrita é muito bonito e não me custou entender apesar da ortografia desconhecida, oriunda duma época antes do que nós pensamos como “velha ortografia” a(c)tualmente.
*Haver is one of those verbs that almost doesn’t seem to make sense in the perfect tense. The perfect tense is usually used for things that happen and then they’re over, as opposed to the imperfect which describes things that happen continuously over time. Haver usually means something like “to exist” or “to be present” and how can something exist as a one-off? Surely if you exist you exist continuously. In this sentence I’m describing this scene of someone reading something on the stage and the audience is there at the start of the performance and they remain in place throughout the performance. If that isn’t the criteria for imperfect tense I don’t know what is. But the translator suggests I describe the scene one of two ways
quando o autor leu (o texto) em palco, houve quem risse
Or
quando o autor lia (o texto) em palco, havia quem risse
So in the first example, he read it once (leu) and the audience were there on that one occasion (houve), and in the second example, he used to read it (lia) and they were there (havia).
What I don’t seem to be able to say is that he read it (leu) for an audience that was just there (havia).
OK useful exercise since it helps me. Understand when to use havia vs houve. I think I’m stuck in thinking about imperfect and perfect in a way that’s more like my o’level French and I need to just rid myself of that way of thinking.
Bem, o que é que posso dizer? O gajo sabia escrever. (Não li o livro inteiro, apenas memorizei alguns poemas)
This one doesn’t seem to be available from my usual UK source, Foyles although I’m sure I’ve seen it in there in the past, but if you are able to order from Portugal, Bertrand have it
Estou a ler um livro chamado “Diário dos Dias da Peste“. Trata-se duma antologia de coisas interessantes, insólitas ou fora do comum. José Pacheco Pereira é curador duma biblioteca de tais curiosidades e durante o auge da pandemia, partilhou alguns exemplos com os membros. Partilha agora os mesmos exemplos connosco. Têm pouco a ver com a pandemia. O livro não esclarece nada sobre os dias de hoje. Se houver iluminação que conseguimos retirar deste livro, é só a seguinte: é incrivel ver a evidência de tantas tendências espantosas pelas quais a humanidade passou ao longo dos anos, e podemos imaginar que isto também há-de passar: venha o que vier, não há nada assim tão mau. Um dia, a crise actual também irá encher uma gaveta no arquivo do senhor Pereira e os nossos bisnetos vão ver boquiaberto e mal acreditarão.