Bem, o que é que posso dizer? O gajo sabia escrever. (Não li o livro inteiro, apenas memorizei alguns poemas)
This one doesn’t seem to be available from my usual UK source, Foyles although I’m sure I’ve seen it in there in the past, but if you are able to order from Portugal, Bertrand have it
Estou a ler um livro chamado “Diário dos Dias da Peste“. Trata-se duma antologia de coisas interessantes, insólitas ou fora do comum. José Pacheco Pereira é curador duma biblioteca de tais curiosidades e durante o auge da pandemia, partilhou alguns exemplos com os membros. Partilha agora os mesmos exemplos connosco. Têm pouco a ver com a pandemia. O livro não esclarece nada sobre os dias de hoje. Se houver iluminação que conseguimos retirar deste livro, é só a seguinte: é incrivel ver a evidência de tantas tendências espantosas pelas quais a humanidade passou ao longo dos anos, e podemos imaginar que isto também há-de passar: venha o que vier, não há nada assim tão mau. Um dia, a crise actual também irá encher uma gaveta no arquivo do senhor Pereira e os nossos bisnetos vão ver boquiaberto e mal acreditarão.
A Casa No Bosque é parte* dum par de livros escrito por Susana Morais, dona do site “Portuguese Lab”. Este foi escrito para estudantes do nível B2 (intermédio) e o outro é mais básico, de nível A2. Ambos têm áudio e alguns exercícios para estimular a compreensão. É curto (o áudio é quase uma hora), portanto é um conto, não um romance.
Muitas histórias educativas acabam por ser aborrecidas, mas Susana Morais escreve muito bem e a história é engraçada. Contudo, confesso que não prestei atenção o suficiente aos nomes das personagens portanto perdi o fio da meada. Vou ouvir novamente e anotar a nome de cada pessoa à medida que é dita.**
*I tried to day it was “one of a pair” but that’s not a thing, apparently
**And I did and it made a lot more sense in the second pass when I understood why some of the other characters were there. It really is good. I definitely recommend it and the A2 equivalent. I mentioned them in a post a few days back.
Anjos é um romance de ficção científica, editado pela Editora Divergência. A história tem lugar numa Lisboa futurista, após um segundo terramoto ter derrubado a cidade atual, deixando os planeadores construir uma nova cidade nas ruínas, ainda maior e ainda mais magnífica.
Os protagonistas são os Anjos, guardiões da cidade e donos de um computador incrível chamado YHVH. A história é fixe apesar de ter um enredo desses sobre o qual não se deve questionar demais. Há um sabor de cyberpunk, sobretudo no desenlace mas acho que o autor está o seu melhor nas cenas mais humanas: interações entre personagens, batalhas, caças e tal.
Este livrinho é um texto dramático – um guião duma peça de teatro que podia ser apresentado numa escola enquanto parte de… Suponho… um programa educativo sobre a cidadania e o crescimento da democracia em Portugal.
Mas há uma peça dentro da peça. Ou seja as personagens são alunos e a sua professora pede-lhes apresentar uma peça de teatro. Então, eles assumem papéis de pessoas históricas tal como o Rei D. Carlos e o poeta Guerra Junqueiro, e representam a história daquela época, explicando o Mapa Cor-De-Rosa, o ultimato da Grã-Bretanha, e a perda de confiança no papel da monarquia.
O livro foi escrito há 12 anos. O que mais me chamou a atenção foi o seu modo como fala de África. Não só os protagonistas da peça-dentro-da-peça mas até os alunos e a sua professora (que vivia no tempo presente) falam do território disputado como se pertencesse ou a Portugal ou à Grã Bretanha e ninguém perguntou “Hum…e os africanos?”. Não há dúvida que nós ingleses sofremos da mesma cegueira de vez em quando… Acho que hoje em dia um professor de qualquer destes países seria mais cauteloso e lembraria que há mais de um lado – e até mais de dois – em cada história!
Quanto mais livros de José Carlos Fernandes leio, mais gosto do seu modo de criar mundos surrealistas. Nesta banda desenhada, introduzem-se seis cidades imaginárias, cada uma com a sua própria história. Embora seja BD, não é um exemplo típico do género. Os desenhos são arrepiantes e escuros, e existem poucos balões de diálogo, so de narração. É quase uma colecção de contos absurdos, cada um ilustrado com um estilo adequado ao seu assunto.
Para mim, o capítulo mais bem sucedido é o último que reconta a história da torre de babel. Adoro ficção que usa, como base, temas religiosos e este, como o Caim de José Saramago e o último capítulo do Bichos de Miquel Torga é um exemplo excelente, cheio de humor contundente.
Este é o quarto alivro do Ricardo Araújo Pereira que já li. O autor é, sem dúvida, um dos meus autores portugueses preferidos. Ri em voz alta muitas vezes. O livro é composto por vários artigos publicados num jornal brasileiro chamado “Folha de S Paulo”. Fala da nossa história recente: a vida sob a sombra do Trump e do Bolsonaro e o surgimento da pandemia que continua a estragar tudo já mais de um ano depois do lançamento do livro. Os melhores artigos alimentam o pensamento também, porque o escritor tem um ponto de vista interessante mas, quer tenha algo importante a dizer, quer não, os artigos divertem-me sempre. Li o livro na cama mas não me trouxe um sono tranquilo porque estava a gargalhar tanto.
Idiotas Úteis e Inúteis is available from Bertrand. I don’t see any British shops selling it I’m afraid.
Este livro conta a história de Boa Morte da Silva, nativo de Bissau, residente em Lisboa e as suas amizades, principalmente com uma mulher sem abrigo que se chama Fatinha. Há capítulos narrados na terceira pessoa mas a maioria na primeira, como se o protagonista estivesse a falar à sua filha que ainda mora em Bissau e que mal conhece (nem sequer sabe se ou não ela está viva)
É muito bem escrito, até eu sou capaz de apreciar a confiança com a qual ela esboça as personagens e as cenas nas quais eles se encontram. Como muitos livros portugueses, custou-me julgar o “tom” da história. Na maior parte, havia um sentido de ternura em relação às personagens, sobretudo na amizade entre Boa Morte e a Fatinha mas também há momentos de humor.
Nem sequer sabia que a Dulce Maria Cardoso tinha escrito um livro infantil mas aqui está! É uma maravilha. Adorei as ilustrações de Vera Tavares e a história em si é divertida, sendo baseada na história do Jardim do Éden, mas com uma grande diferença: há uma deusa (“menina Deus”) em lugar do Deus da Bíblia. A editora, Tinta da China publica sempre livros de alta qualidade e este não é exceção. Tem páginas espessas e uma capa dura. Até cheira bem*.
Lôá Perdida No Paraíso
*=I always get this wrong: it smells well, not smell good. There’s a song by Amália that includes the line “Cheira bem, cheira a Lisboa” so I should probably learn the words to that I guess.
I thought I’d published this ages ago but then when I went to look for it I couldn’t find it, so here you go, slightly late. It’s a two-parter. I wrote one text before the concert and a second after. There are notes at the bottom about some of the corrections
Lara Martins at St Paul’s Church Covent Garden
Hoje à noite (à hora de jantar, especificamente*) haverá um concerto da Lara Martins na igreja de São Paulo em Covent Garden. A Lara é uma atriz e cantora que protagonizou a Carlota no espectáculo The Phantom of the Opera (o Fantasma da Ópera) durante muitos anos. Uma vez que sou membro da Sociedade Anglo-Portuguesa cá em Inglaterra posso entrar sem pagar (mas paguei na mesma com uma doação porque os teatros precisam de dinheiro depois da pandemia) A cantora vai apresentar o seu novo disco, “Canção” no qual ela canta duas músicas de Daniel Bernardes, as Treze Canções de Amor de Camargo Guarnieri (também em português pois é brasileiro) e mais quatro (quatro!!!) em espanhol, escritas por um argentino chamado Astor Piazolla. Vou levar alguns trapos comigo para enfiar nos ouvidos** e tapá-los quando ela cantar noutra língua.
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Fui ver um concerto ontem à noite. Cheguei cedo ao*** centro da cidade e andei à procura de comida. A certa altura****, durante este processo de obter alimentos, perdi o meu livro mas não me apercebi do vazio no meu bolso até mais tarde. Enquanto um rato ia mordiscando o meu livro perdido num beco qualquer eu cheguei à igreja onde encontrei uma mulher diante da porta. Era a própria Lara Martins! O concerto foi fixe. Ela cantou com o compositor Daniel Bernardes, entre outros. Fiquei tão feliz por estar num evento público assim com outras pessoas (apesar de sermos poucos e estarmos bem separados!) Foi organizado pela sociedade Anglo-Portuguesa. A voz da Lara***** é incrível, a música bonita, e a igreja/sala de concertos lindíssima.
* =Meh, well it was my dinner time, although the corrections pointed out that Portuguese people tend to eat later, and restaurants open later, so if you arranged to meet “at dinner time” you’d probably miss each other by an hour or two.
**=I wrote “nos meus ouvidos” but you have to say “stick them in the ears” not “stick them in my ears” in Portuguese
***=Another unexpected preposition change: I always want to arrive in the centre of town but in Portuguese you arrive at the centre of town.
****=I wrote “algures” like we might say, in a slightly informal style, when describing a series of events “somewhere in there I lost my book”. I should have known this would be wrong.
*****=I wrote “a sua voz” but of course, the way Portuguese possessive work, it sounded like I was saying “the Anglo Portuguese Society’s voice” because it follows straight after a sentence referring to the organisers. I can’t even fix it by saying “a voz dela” because society is feminine and singular too. Gah! I suppose I really should have got my thoughts in better order, but failing that, I just have to be more specific and say “Lara’s voice”