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Opinião – Os Livros Que Devoraram o Meu Pai

#UNCORRECTEDPORTUGUESEKLAXON

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Este livro era uma grande surpresa. Só comecei de lê-lo porque o Bichos de Miguel Torga pode ser um pouco cansativo para um aluno como eu. A historia é dum homem que perdeu o seu pai, não ao morte, mas sim aos livros no sótão:

“E foi nessa tarde que ele, de tão embrenhado, tão concentrado na leitura, entrou livro adentro. Perde-se na leitura. Quando o chefe da repartição chegou à secretaria do meu pai, ele já lá não estava. Havia, em cima da mesa, uns impressos do IRS e um exemplar da A Ilha do Dr Moreau aberto nas últimas páginas.”

O protagonista entra no mundo literário à procura do seu pai, a viajar de livro para livro, e no caminho encontra um cão (que ele acredita seja o Edward Prendick, herói do livro “A Ilha do Dr Moreau” de Jules Verne), o senhor Hyde, o Raskolnikov do “Crime e Castigo” e outros personagens da literatura do mundo. O livro é curtinho, com capítulos curtos também. Lê-se muito bem, muito suave, e (qual é o mais importante para mim!) muito fácil. Quase nunca precisei do dicionário e consegui rir as piadas e os absurdos da historia sem explicação. Já tenho mais um livro pelo mesmo autor e já meti-o perto do pináculo do gigantesca montanha que chamo o meu TBR.

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#MiniWriMo update

I’m three chapters in on my portuguese short story. I’m not going to post it till I finish – or at least until I have a reasonable chunk done – enough to make a blog post. I am getting lots of help from some very kind people on iTalki

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A Costa Dos Murmúrios – Opinião

Este texto era para ser uma opinião sobre um livro mas acabou por se tornar uma dupla-opinião, sobre um livro e um filme. A razão para esta decisão vai se revelar em breve.

17162622Comecei a ler “A Costa Dos Murmúrios” de Lídia Jorge no inicio de Outubro, mas custou-me muito entender o enredo. O livro desenrola-se em Moçambique, no principio dos anos setenta, durante a guerra colonial e tem que ver com o horror inerente a um sistema daquele género, baseado em violência e arrogância que envenena as vidas das pessoas assim como o álcool metílico envenenou as pessoas que beberam o vinho logo do início do livro.

Entendi cenas, sim, diálogos e parágrafos, mas é escrito num estilo muito literário que me faz lembrar os romances de Graham Greene e de Joseph Conrad. Por isso, não consegui entender o enredo inteiro.  Ainda por cima, Lídia Jorge utiliza muitas palavras desconhecidas. O meu dicionário ficou sempre perto de mim. Porém, às vezes,  até o dicionário não chegou. Por exemplo, havia uma palavra “mainata” que não conhecia. Não a encontrei no dicionário, e a minha mulher não sabia o significado. Hum, uma mulher deu nomes às mainatas e mainatos. Os nomes eram nomes de vinhos. Um deles, Mateus Rosé, morreu. Perguntei ao Google.

Exmo Google

O que é que é uma mainata por favor?

Obrigadissimo

Colin

O Google respondeu com imagens de pássaros pretos que se chamam “mynah” em inglês. Falam ainda melhor do que os papagaios. Boa. Durante o resto do livro, imaginei estes pássaros de estimação lá em casa.

Quando cheguei ao fim, decidi ver o filme para que pudesse ter certeza do que é que tinha acabado de ler. Imediatamente, vi o meu erro. Um(a) mainato/a não é um pássaro, mas sim um empregado doméstico. Talvez seja uma palavra especifica do ultramar, e só significa um empregado negro. Não sei. Senti-me ridículo por ter feito um erro tão estúpido!

Há outros aspectos do filme e do livro que me deixaram confuso. Por exemplo, ainda não entendo o relacionamento entre a escritora e a protagonista, Evita. A Autora escreveu o papel dela no primeiro capitulo mas não percebi exactamente o que é que ela queria dizer. Gostei do livro mas estou muito contente por ter visto o filme também porque ajudou-me muito a entender a história.


Queria agradecer a Fernanda pela ajuda com as correcções neste texto

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A Bacalhau

This is a translation of “A Bacalhau” by Ana Bacalhau from her new album “Nome Próprio”. If you’re reading this you probably know already that Bacalhau means “Cod” in portuguese, but if you didn’t then you do now, and hopefully this will all make perfect sense!

Dizem que há lá mil maneiras
They say there are a thousand ways 
De cozinhar bacalhau
to cook cod
E que só há mais Marias
And Marias are the only thing more common 
Que Anas em portugal
Than Anas in Portugal
Nasci eu Ana Sofia*
I was born Ana Sofia
Bacalhau na certidão
Bacalhau on the certificate
E desde dsse belo dia
And since thet beautiful day
Sou eu faço questão
It’s me that asks the question

Quando eu era pequenina
When I was little
Muitos achavam bizarro
Lots of people found it weird
Bacalhau de sobrenome
Bacalhau as a surname
Tornou-me num bicho raro
Made me a rare beast
E a mim que era gorducha
And to me, being chubby
Com este jeito engraçado
With this funny manner
Dava muito conteúdo
I gave a lot of material
Para piadas de miúdos
For the little boys’ jokes
E cochichos para o lado
And whispers to the side

Foi com isso que aprendi
And that’s how I learned
Que há sempre alguém no desdém
That there’s always someone who looks down on me
E se não gostas de ti
That if you don’t like yourself
Não há de gostar ninguém
There’s nobody else who’s going to like you
Desde então que decidi
Since then I decided
Vender o meu peixe bem
To sell my fish well
Ter orgulho no BI********
To have pride there
Valer-me do meu QI
Value myself for my IQ
E da minha voz também
And for my voice too

Ana é nome comum**
Ana is a common name
Mas é o meu nome próprio
But it’s my own name
E como é próprio de mim
And since it belongs to me
Não podia ser tão sóbrio
It can’t be very serious
Um bacalhau no fim
A Bacalhau, in the end
Tem um peixe por homónimo
Has a fish for a homonym
Fica tão bem assim
And that suits my just fine
Que parece um pseudónimo
Because it seems like a pseudonym 

Sou Ana para toda a gente
I’m Ana to everyone
E Ana só para o meu pai
And just Ana to my dad
Sofia só lá em casa
Just Sofia back home
No colo da minha mãe
In my mother’s lap
Bacalhau sou para os amigos
Bacalhau only for friends
Colegas de muita farra
Drinking buddies
Desde o liceu de benfica
Since we were at Benfica College
Há letras com as amigas***
There are lyrics with friends
Quando tocava guitarra
When I played the guitar

Sei que Ana é pequenina
I know that Ana is little
Mais condiz com a sardinha****
Better suited to a sardine
Com certeza que essa brasa
For sure, this charcoal
Tem de ser puxada à minha
Has to get pulled towards mine
Pois toda a gente diz
Because everyone says
Que assim se quer a mulher*****
What do you want the woman to do?
Sou dona do meu nariz******
I am the mistress of my nose
E como quero ser feliz
And since I want to be happy
Escolho o peixe que eu quiser
I choose what fish I prefer

Ana é nome comum**
Ana is a common name
Mas é o meu nome próprio
But it’s my own name
E como é próprio de mim
And since it belongs to me
Não podia ser tão sóbrio
It can’t be very serious
Um bacalhau no fim
A Bacalhau, in the end
Tem um peixe por homónimo
Has a fish for a homonym
Fica tão bem assim
And that suits my just fine
Que parece um pseudónimo
Because it seems like a pseudonym 

Já vos disse que sou Ana
I already told you I’m Ana
E que meu nome é cá da terra
And that my name is from my homeland
Porque lá na Noruega
Because there in Norway
Neva mais do que na serra
It snows more than in the mountains
Se já disse e então repito
If I already said it and then I repeat it
Isto não é nome artístico
That’s not an artistic name
E fica até bonito
And even suits me 
E de nome de registo
And my registered name
Passou a nome de guerra
Became a nom-de-guerre

Ana é um nome comum
Ana is a common name
Mas é meu nome próprio
But it’s my own name
E como é próprio de mim
And since it belongs to me
Não podia ser tão sóbrio
It can’t be very serious
Um bacalhau no fim
A Bacalhau, in the end
Tem um peixe por homónimo
Has a fish for a homonym
Fica tão bem assim
And that suits my just fine
Parece um pseudónimo
Because it seems like a pseudonym 

The portuguese lyrics were pinched from Letras.br, credited to Wilson and FernandaR, a Portuguese teacher on iTalki has also given them the once-over to catch a few other errors.

*=The page I copied the lyrics from has “Mas se eu ana servi” and although it’s a Brazilian site so you’d expect them to speak better Portuguese than me, I still think I’m right and they’re wrong.

**=And this said “Ana é meu único nome” but that’s not what it sounds like at all

***=Not really convinced about this one but I don’t have a better suggestion so…

****=These lines refer to an idiomatic expression “puxar a brasa para a sua sardinha” which means “pull the charcoal to your own sardine” -i.e., further your own agenda, or look out for number 1.

*****=I’m not sure what’s going on here. It doesn’t seem to be an idiomatic expression but when I couldn’t crack the meaning, gTranslate pulled out a very specific, and apparently non-literal meaning.

******=Being the master of your own nose apparently means being independent and self-possessed.

*******=Originally “aqui” but I think she says “cá”. They don’t use “cá” much in Brazil, I believe.

********=Bilhete de Identidade. Seems an odd thing to have orgulho about but maybe just means “who I am”

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A Terrível Criatura Sanguinária – Nuno Markl (Opinião)

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Não há muitas coisas gratuitas nesta vida, mas este ebook é um delas, e deve ser um dos melhores. Gostei imenso. Foi uma leitura perfeita pelo dia de Halloween, e divertiu-me durante uma viagem de comboio.
O conto fez-me lembrar de contos antigos, especialmente os de Stephen Leacock. Leacock foi um canadiano que escreveu muitos livros humorísticos, incluindo o “Literary Lapses” e o “Nonsense Novels” – colecções de contos que fazem piadas sobre livros populares daquela época. Este do Markl é muito parecido com eles. Tem um tamanho comparável, e estilo, e até as personagens parecem típicas da época.

Link to the pdf version here

Link to a video version of this review here

Thanks Sofia and Caio for the help with the corrections

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Citação*

Quem vende a liberdade em troca de segurança não merece nem liberdade nem segurança
Ben Franklin

I wrote this o iTalki after a (to me) somewhat surprising exchange with a Portuguese teacher who told me that Salazar was pretty good, rightfully still popular (for example….) and that if he were still in charge, everyone would be better off. Furthermore, the captains who deposed him in the Revolução Dos Cravos should have been locked up.

Discussing this opinion with other portuguese people, one said it was commonly held among less educated people (like voting Trump, like supporting Brexit…) and another said “replies “OMG a juventude de Portugal está perdida”

 

*=I originally wrote “cotação” which does mean “quotation” but in the sense of an estimated cost.

 

Muito Obrigado a Sofia, Natan, William pela ajuda

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All Quiet on the Beastern Front

Here’s another odd phrase I came across today, this time from near the end of “A Costa Dos Murmúrios”:

Agora ela nao pia, nem tuge, nem muge, nem pode!

WTF is going on there? Well apparently those three weird words are third person singular present tenses of verbs for different kinds of animal noises

  • Piar means to chirp
  • Mugir means to moo
  • Tugir is more of a human animal noise – it means to mumur
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Gato Pingado

I came across this phrase in “A Terrível Criatura Sanguinária“, a short story by Nuno Markl, which I read at Hallowe’en. Yes, I’m old enough to use an apostrophe in Hallowe’en.

Gatos Pingados
Gatos Pingados

Literally, it means “wet cat” or maybe more like “dripping cat” I think – the “pingado” is related to “pingo” in Pingo Doce, a chain of supermarkets. I had to ask because gTranslate was utterly baffled.

Idiomatically, apparently, a wet cat is someone at a poorly attended event, or who maybe was paid to show up. As with a lot of things, the exact meaning varies with time and place. In the story the protagonist worries that only a few Gatos Pingados (stragglers just there for the free food perhaps?) would shown up at his funeral and it’s been shown that there were a few Gatos Pingados (paid supporters who hire themselves out to pad out an audience) at Trump rallies, for example.

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A Estante Nova*

O nosso apartamento tem muitas estantes. Por quê? Porque temos muitos livros*. Infelizmente, moramos num apartamento pequeno com pouco espaço. Portanto temos que fazer bom uso de cada centímetro quadrado.

Há uma estante na entrada – Ou seja há um armário porque tem portas de vidro. De qualquer modo, esta peça do móvel é velha está partida. As duas prateleiras ambas têm caído sobre os livros que estão em baixo, e a traseira está a separar-se do corpo da estante.

Queremos substitui-la mas é difícil porque encaixa-se entre duas portas, ao lado dum interruptor e por baixo duma contador*** de aquecimento. O substituto precisa de encaixar-se no mesmo espaço, com o mínimo de espaço desperdiçado, mas sem obstruir as portas o as outras coisas. Procurámos um novo no Ikea, e em muitas outras lojas mas não tivemos sorte.

Finalmente, encontrámos uma loja no Etsy.com. O dono cria estantes, mesas e outros móveis de madeira reciclada. Cada um é feito à mão****, e personalizado pelo cliente. Gostamos desta ideia porque isso salva árvores e ajuda o ambiente. Mandei ao homem um desenho da estante dos nossos sonhos. Irá chegar amanhã. Estamos muito entusiasmados

* I originally wrote “O Novo Estante” because I am a big idiot. My response when I was corrected on this was: Acho que fiquei confuso porque “o/a estante novo/a” parece “o estado novo”. Se o Salazar limitasse-se a fazer mobilaria, nunca teria acontecido a revolução dos cravos, acho eu.

** Somos fãs de Marie Kondo mas neste assunto, não concordamos:livros são bonitos e um apartamento precisa dum monte deles. Estás errado, Marie Kondo! Pára! Larga a tesoura!

*** This one’s a bit iffy. Contador seems to be used for all sorts of counting devices including scales, electric meters. I’m trying to say “Thermostat”. Possibly “caixa do termostato” although, again, if you put that into google what you get is a lot of what looks liek specialised technical equipment

**** I originally wrote “Feito de mau” (“Made of bad”) Did I mention I was an idiot? How long have I been doing this and I can’t even get simple stuff like that right…?

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Old and Busted / New Hotness

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Muito Obrigado a Joaquim, Amanda, Sofia e Luísa pela ajuda com as correcções.

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Lincoln No Bardo Ganhou o Prémio Man Booker

I made a video about this too because I was so excited about being ahead of the curve for the first time in my life. It should be popping up on my Youtube channel in an hour or so…

Tenho de felicitar George Saunders por ter vencido o prémio Man Booker com o seu livro “Lincoln in the Bardo”. 22636867_521046004900329_2202454311651246080_n

Tento recordar outra vez em que já tivesse lido o vencedor do Man Booker Prize antes do resultado ter sido anunciado mas penso que esta é a única. E que livro maravilhoso que é! O seu estilo é único e as emoções transmitidas encheram-me de assombro, espanto e tristeza. Mereceu mesmo o prémio.

Quando o* recebeu, o autor deu um discurso que tinha a ver com as políticas americanas e o significado da cultura. O discurso foi curto mas poderoso. Não o* posso elogiar o suficiente. Parabéns ao Senhor Saunders!

 

*=Apparently when the direct object pronoun moves in front of the verb like this it’s called “próclise”. Live and learn!

 

This was written off the cuff and ended up being stuffed full of mistakes, subsequently corrected on iTalki. Thanks to Nina and Claudiano for their help with correcting this text